Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Jornalismo literário

19/11/2013 na edição 773

[do release da editora]

Alguns acusam o Jornalismo Literário de não ser “jornalismo de verdade” por trabalhar os fatos reais com linguagem e procedimentos da ficção. Outros o tomam como uma panaceia, a cura de todos os males, capaz de mudar a cara de um jornalismo passadista, que deixou a qualidade do texto de lado em nome do imediatismo e que não vai perdurar.

Antes de detratá-lo ou endeusá-lo, é prudente avaliá-lo, não com os parâmetros do senso comum, mas analisando-o detidamente, investigando meandros de sua construção e compreendendo como se posiciona quanto aos sérios questionamentos que existem contra si.

Ampliar o conhecimento sobre o Jornalismo Literário é ainda mais importante neste período de transição e quebra de paradigmas. As novas tecnologias trouxeram novas maneiras de se produzir informação e descaracterizaram espaços até então considerados sagrados.

Há a percepção de que os jornais e revistas terão de se reinventar na linguagem e na apresentação de conteúdo se quiserem continuar existindo. Uma das soluções constantemente aventadas para essa ameaça é o Jornalismo Literário.

Este livro é uma proposta teórica de compreensão do Jornalismo Literário como discurso autônomo, reconhecendo seus pontos de diferenciação e de convergência em relação ao jornalismo tradicional e à literatura.

O Jornalismo Literário é fiador de um encontro problemático entre o que é “real” e o que é “ficcional”, comunhão cheia de reentrâncias e cuja análise não prescinde de questões perturbadoras.

O objetivo é alcançar um entendimento mais profundo do gênero que dê conta de aspectos imprescindíveis para sua epistemologia.

Para se constituir como um discurso autônomo, o Jornalismo Literário rompe não só com paradigmas do jornalismo tradicional, mas também se diferencia da literatura de ficção. Há, assim, um duplo afastamento.

Ele se efetiva em condições próprias, sob circunstâncias que não devem ser pontuadas como as mesmas de discursos que lhe são próximos, mas não idênticos.

O autor

Rogério Borges é jornalista graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), instituição na qual fez especialização em Assessoria de Comunicação e mestrado em Estudos Literários e Linguística. É doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), onde defendeu a tese sobre Jornalismo Literário que resultou neste livro. É professor adjunto do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e repórter e colunista do jornal diário O Popular, de Goiânia. Tem publicado, em coautoria com os também jornalistas Deire Assis e Vinicius Sassine, o livro Caminhos da Reportagem – O Jornalismo e Seus Bastidores (Ed. PUC Goiás / Editora Cânone), em que apresenta e comenta parte de sua produção jornalística.

***

Série Jornalismo a Rigor

“Se a teoria na prática é outra, então há algo errado na teoria.” Com esta constatação, feita há duas décadas, Adelmo Genro Filho nos desafiou a construir uma autêntica Teoria do Jornalismo. Mas, como na mesma época observou Nilson Lage, essa seria uma tarefa para mais de uma geração. A Série Jornalismo a Rigor é uma iniciativa da Editora Insular, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, que vem se somar a este esforço coletivo que já tem história no campo. Objetiva publicar reflexões acadêmicas de alto nível que contribuam para elevar o senso crítico e a qualidade da prática do Jornalismo como atividade intelectual.

Com vocação multidisciplinar, a Série aponta, no entanto, para a construção de uma Teoria do Jornalismo de direito próprio, que responda às questões suscitadas de dentro desta importante prática cultural. Procura assim ajudar na superação do complexo de inferioridade de uma área que se deixou colonizar intelectualmente. Não deixa, com isso, de agregar as contribuições das áreas vizinhas, mas, como propunha Otto Groth, as situa sempre como “ciências auxiliares” da nova disciplina. Busca também enfrentar os muitos preconceitos contra o Jornalismo, gerados em setores acadêmicos e campos sociais outros, e tantas vezes internalizados de forma a-crítica pelas escolas de comunicação.

A Série Jornalismo a Rigor entende a Teoria como um percurso que necessariamente se distancia da prática, mas apenas para vê-la de um outro modo. Objetiva voltar a ela para transformá-la, e perde o sentido se ficar no meio do caminho: Paulo Freire advertia que o mero “balé dos conceitos” vira uma atividade supérflua que distrai a vida acadêmica e a afasta da realidade. Como nas Teses sobre Feuerbach, a práxis aqui é vista como fundamento autêntico e finalidade de toda a teoria. A práxis em que está focada a Série é a que ocorre no Jornalismo, produção social de conhecimento diferenciada, estratégica e imprescindível para a sociedade contemporânea. Que, por tudo isso, precisa sempre ser mais bem pensada. (Eduardo Meditsch, diretor da Série Jornalismo a Rigor)

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