Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Al-Jazira fez falta na TV a cabo

Por Elio Gaspari em 08/02/2011 na edição 628

Em 1990, quando os Estados Unidos bombardearam Bagdá, a emissora CNN estabeleceu-se como uma poderosa rede de notícias internacionais. Foi nela que o presidente Bush (pai) acompanhou o ataque noturno à cidade. Na revolução egípcia, o companheiro Obama acompanhou parte dos acontecimentos pela Al Jazira, emissora baseada no Qatar e financiada pelo emirato local. Enquanto a CNN e a BBC cobriam a revolução do Cairo com punhos de renda e preferência por análises de europeus e americanos, a Al Jazira expunha a história da rua, com longas transmissões, ao vivo, das multidões do Cairo.

A relevância do trabalho da emissora levantou uma questão nos Estados Unidos e nos demais países, inclusive o Brasil, onde nenhuma grande operadora de TV a cabo oferece o serviço da Al Jazira: quem manda é o mercado, mas será que a voz de uma emissora com um ponto de vista árabe é desprezível? É certo que a Al Jazira pode ser acusada de facciosa, mas a Fox News está aí para provar que isso pode até ser virtude. Nos Estados Unidos, esse apagão vem sendo chamado de ‘censura corporativa’.

É dura a vida da emissora. Suas transmissões e seus jornalistas são aporrinhados pelo mundo afora. Ela foi censurada por Mubarak e já teve sua sede em Cabul e Bagdá atingida por mísseis americanos. A cineasta brasileira Julia Bacha é coautora de um premiado documentário sobre a Al Jazira. Chama-se Sala de Controle (Control Room) e trata da invasão do Iraque.

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Diretor da rede árabe Al Jazira no Cairo é preso

Reproduzido da Folha de S.Paulo, 6/2/2011

O diretor da sucursal no Cairo da rede de televisão Al Jazira, Abdel Fattah Fayed, e um dos jornalistas de suas equipe, o repórter Ahmad Yussef, foram detidos pelas forças de segurança egípcias. A prisão ocorre um dia depois de o escritório do canal ter sido incendiado por forças pró-Mubarak, que quebraram os aparelhos usados para realizar as transmissões.

Na segunda-feira passada, outros seis jornalistas da emissora haviam sido detidos e liberados pouco depois. ‘Esse ataque [ao escritório] parece ser uma nova tentativa do regime e dos seus partidários de impedir que a Al Jazira cubra os acontecimentos’, afirmou o canal.

Desde o aumento dos protestos contra o ditador Hosni Mubarak, as autoridades do país estão perseguindo os veículos de imprensa. Um dos alvos principais é a Al Jazira, emissora sediada no Qatar que conta com a maior audiência no mundo árabe. No dia 29 de janeiro, seus jornalistas entrevistaram um dos opositores ao regime de Mubarak, o influente clérigo muçulmano Yusuf al Qaradawi. No dia seguinte, o governo ordenou que a Al Jazira interrompesse a transmissão. Ao mesmo tempo, o sinal em algumas regiões do Oriente Médio foi simplesmente cortado.

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