Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Banda larga eleva busca por redes

Por Talita Moreira e Gustavo Brigatto em 08/02/2011 na edição 628

A forte demanda por banda larga fixa e móvel movimenta o mercado de infraestrutura de telecomunicações no Brasil. Companhias do setor investem na construção ou no reforço de suas redes para atender às grandes operadoras, aos pequenos provedores de serviços de telefonia e às empresas em geral.

Empresas como Global Crossing, Atimus (braço de telecomunicações do grupo de energia AES) e Transit Telecom elevaram suas apostas nas redes de grande capacidade – que não chegam a escritórios e residências, mas são a base para que os consumidores tenham acesso às conexões de banda larga. As companhias de infraestrutura atuam de duas formas: oferecendo serviços de voz e dados a clientes próprios ou alugando a rede a outras operadoras. Embora tenham redes mais capilarizadas, as grandes teles – como Oi e Telefonica – não raramente contratam infraestrutura de terceiros para chegar a mais lugares ou aumentar sua capacidade em áreas de tráfego intenso. Por sua vez, pequenos provedores locais de internet muitas vezes recorrem a essas redes alternativas para fugir dos preços cobrados pelas teles.

A Transit Telecom – que oferece telefonia ao segmento empresarial – decidiu construir um backbone de fibra óptica (rede de longo alcance e alta capacidade) que terá cerca de 2 mil quilômetros quando estiver pronto, no fim do ano. Na próxima semana, a empresa inaugura um trecho de 600 km no interior paulista. Todo o projeto vai consumir R$ 200 milhões. A meta é faturar R$ 90 milhões com serviços de dados neste ano, somando o atendimento a clientes corporativos e o aluguel a outras teles. No ano passado, 96% da receita de R$ 235 milhões obtida pela companhia veio dos serviços de voz. ‘Até agora, contratávamos a rede de terceiros, mas a demanda está muito forte, compensa ter infraestrutura própria’, afirma o diretor-executivo de tecnologia da Transit, Alexandre Alves.

Excesso de oferta

O aluguel para outras operadoras representa 80% do negócio da AES Atimus, que faturou R$ 203 milhões em 2009. No ano passado, a companhia elevou em 25% o investimento em rede para suprir a demanda. O mesmo volume é esperado para os próximos anos. A diretora-geral da Atimus, Teresa Vernaglia, alerta que já falta mão-de-obra para acompanhar o crescimento. ‘A reposição de profissionais está demorando mais e exigindo mais esforço da área de recursos humanos’, diz.

De 2008 a 2010, a Global Crossing ampliou em três vezes a capacidade de sua rede para acompanhar o crescimento no uso de serviços de voz e vídeo, diz Orlando Neves, diretor de transmissão de dados. Com a demanda por conexões indo para o interior do país e o surgimento de contratos que exigem atuação nacional, a companhia planeja levar sua infraestrutura também ao interior de São Paulo e do Centro-Oeste.

Com a explosão dos conteúdos multimídia na web, a TellFree é um caso típico de empresa que precisou contratar mais capacidade para suprir a demanda. A operadora, que tem uma rede própria pequena, gasta R$ 500 mil por mês para alugar a infraestrutura de outras companhias. O gasto era de R$ 120 mil há dois anos. O que mudou? ‘Os clientes começaram a demandar serviços como videoconferência e soluções de computação em nuvem’, afirma Daniel Duarte, diretor e um de seus fundadores.

O mercado aquecido já chama a atenção de empresas que não são originalmente do setor. Em agosto, o presidente da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), Renato Vale, disse ao Valor que preparava o lançamento de uma empresa – batizada de Samm – para vender acesso à rede de fibra óptica que o grupo tem ao longo das rodovias que administra. Procurada nesta semana, a CCR afirmou que não comentaria o assunto por estar em período de silêncio.

Para Teresa, da Atimus, novos investimentos fora dos grandes centros urbanos devem ser feitos com cautela, para que não se repitam erros do passado. ‘Após a privatização, diversas empresas construíram infraestrutura nos mesmos lugares, com tecnologias parecidas, para atender os mesmos clientes’, lembra. O excesso de oferta deixou muitas redes ociosas e levou empresas à falência. Projetos na área passaram a ser considerados de alto risco e o setor ficou anos sem atrair recursos expressivos.

***

PNBL anima pequenos provedores

Os pequenos provedores de acesso à internet têm grande expectativa quanto à implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que promete trazer mais competição ao mercado de redes de telecomunicações. Segundo a assessoria de imprensa da Telebrás, a estatal contabiliza 265 provedores cadastrados por meio de seu site. As empresas têm interesse em uma capacidade que já chega a 24 gigabytes de velocidade de conexão. A direção da Telebrás licitou a compra dos equipamentos que farão sua rede funcionar. A estatal depende, no entanto, da assinatura de acordos para uso das fibras ópticas da Petrobras e da Eletrobras para começar a instalação de sua estrutura.

A estatal vai oferecer, segundo sua direção, o aluguel de 1 megabyte por R$ 230 a R$ 260. O valor é competitivo, levando-se em conta que, no interior do país, provedores de acesso à internet chegam a pagar bem mais de R$ 1 mil para contratar uma conexão desse porte. ‘Quanto mais para o interior, mais caro fica’, diz Daniel Duarte, diretor e um dos fundadores da Tellfree, operadora que utiliza a rede de outras companhias para prestar seus serviços. ‘Em muitos casos, os provedores fazem trocas de tráfego para reduzir custos.’

Na avaliação de Sérgio Sá, diretor comercial da paulista America Net, a rede da Telebrás será importante para conexões de longa distância. A companhia, que opera com tecnologia de radiofrequência e está montando uma rede de fibra óptica, pretende expandir sua atuação para as 12 capitais que sediarão jogos da Copa de 2014.

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