Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Ingleses debatem o custo da BBC

Por Luiz Antonio Magalhães em 13/12/2006 na edição 314


Leia abaixo os textos de segunda-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 11 de dezembro de 2006


TV PÚBLICA
Timothy Garton Ash


A BBC vale cada centavo


‘Em poucas semanas, o governo britânico decidirá quanto os espectadores vão pagar pela BBC nos próximos sete anos. Atualmente, pagamos pouco mais de 130 libras (perto de R$ 550) por ano, por meio da taxa de licenciamento da televisão. A BBC pede um aumento pouco acima da inflação, pelo qual, em 2013, pagaríamos cerca de 150 libras (R$ 630) por ano. São 41 centavos (R$ 1,72) por dia. Você está disposto a pagar 41 centavos por dia por tudo o que recebe da BBC? Eu estou.


Uma pesquisa encomendada pelo governo mostrou que a maioria diz estar disposta a pagar ainda mais – cerca de 160 libras (R$ 670) por ano – quando informada sobre a série completa de serviços que a BBC é obrigada a oferecer sob seu novo contrato de dez anos.


No entanto, agora o governo poderá nos impedir de pagar o que queremos pela BBC. Segundo rumores bem informados, a Fazenda e o escritório do primeiro-ministro querem ignorar a secretária da Cultura, Tessa Jowell, e impor uma taxa abaixo da inflação. Bem-vindo à democracia britânica: eles pegam seu dinheiro e decidem por você.


É difícil decidir qual o nível correto para a taxa de licenciamento da BBC. Quanto mais se pensa no assunto, mais complicado ele fica – especialmente porque o governo pede que a BBC ofereça alguns serviços públicos mais amplos, como liderar no país uma mudança da transmissão analógica para a digital. No entanto, pesando os fatos, estou convencido de que uma taxa abaixo da inflação prejudicaria gravemente a capacidade da BBC de oferecer informação, educação e entretenimento de alta qualidade, num período em que a mídia experimenta mudanças técnicas vertiginosas. O governo não deveria, em troca de alguns pontos percentuais, pôr em risco uma das melhores qualidades da Grã-Bretanha.


Pois a BBC é, sem dúvida, um dos melhores – e mais conhecidos – patrimônios do país. Na semana passada, em Roma, recebi um exemplar de uma revista chamada Reset. O artigo de capa é ‘Il modello BBC, unicum mondiale’. A Itália, argumenta o artigo, deveria aprender com o ‘modello’. Num hotel em Teerã, um garçom tentava encontrar algo simpático para me dizer. ‘Você alemão!’, exclamou ele. ‘Mercedes-Benz!’ Não, respondi, eu era inglês. Houve uma longa pausa (os iranianos muitas vezes têm um pouco de dificuldade para dizer algo positivo sobre os ingleses). Então seu rosto se iluminou com um grande sorriso. ‘BBC!’, gritou. Em breve ele poderá assistir à BBC em persa.


Às vezes essas reputações mundiais são mitos, não mais justificados pela realidade atual. Não é o caso da BBC. Sempre que volto do exterior, fico impressionado com a qualidade da programação da rádio e da TV BBC. Não dá para comparar com a rádio e a TV pública dos Estados Unidos nem com os valiosos canais públicos da Alemanha. Programas como Planet Earth são simplesmente maravilhosos. Sua produção requer as habilidades e o dinheiro de uma superpotência jornalística.


Numa época em que o governo nos pede cada vez mais confiança cega (‘nossas fontes de inteligência nos dizem que…’) e muitos dos controles tradicionais da Constituição não codificada da Grã-Bretanha perdem força, é vital a fiscalização independente da política por parte de uma mídia escrupulosa, mas autoconfiante. Considerando que a BBC passou os últimos anos cortejando o governo para a renovação do contrato e a nova taxa de licenciamento, sua independência editorial tem sido notável – muito maior em relação ao Iraque, por exemplo, do que durante a crise de Suez, há 50 anos.


Como observou seu diretor-geral, Mark Thompson, ‘vivemos num país onde a principal emissora pública entra na reta final da disputa sobre a taxa de licenciamento com uma investigação, no programa Panorama, sobre o marido da secretária de Estado’ – isto é, David Mills, separado de Tessa Jowell e acusado de corrupção na Itália ao lado de Silvio Berlusconi. Tenho orgulho de viver num país assim. Se a BBC tem alguma tendenciosidade persistente, é menos política do que, digamos, comportamental – uma série de valores e preconceitos seculares, liberais, urbanos, europeus tão enraizados que muitos nem sequer notam sua presença.


Existe, é claro, um problema estrutural na BBC. Como as barreiras entre os diferentes tipos de mídia – rádio, TV, internet, iPod, celular, DVD – são demolidas pelo progresso tecnológico, e como a BBC é levada, por sua própria ambição e pela insistência do governo, a entrar em todos eles, é inevitável que a emissora tenha um impacto crescente sobre o mercado da mídia como um todo. E o elefante da BBC nem sempre avançou delicadamente na última década. Boas emissoras de rádio locais e de interesses específicos podem ser expulsas do ramo com a chegada da BBC. Editores educacionais gritam ‘falta!’ quando a BBC invade seu campo a pedido do governo. A ITV e o Channel 4 insistem que também estão prestando um serviço público. A BBC incomoda quase todo mundo no mercado comercial.


Por isso, é provavelmente correto que o novo contrato da BBC inclua, como parte de um teste de ‘valor público’, uma análise a ser feita pelo regulador do setor, Ofcom, sobre o provável impacto de qualquer iniciativa no mercado. Por exemplo, o site da BBC é um dos melhores do mundo, mas se ele começasse a angariar publicidade online, isso criaria uma concorrência bastante desleal para outros sites de informação (como o Guardian) que operam sem subsídio público.


O truque é a BBC oferecer referências de qualidade e fazer o papel de ‘concorrente a ser superado’ – seja o site, o noticiário internacional, o Planet Earth ou a brilhante adaptação para a TV de Bleak House, de Dickens – sem eliminar, com sua presença subsidiada, a possibilidade mesma da concorrência de qualidade por parte de outras organizações de mídia com financiamento privado, mas aspirações de serviço público. Isso requer alguma regulamentação externa e mais sensibilidade interna no elefante sagrado de Portland Place.


Sete anos na mídia são um século. Ninguém sabe como será, em 2013, o cenário de mídia que mais muda no mundo. As soluções de hoje poderão então precisar de uma reformulação radical. O que sabemos é que a BBC está hoje entre as melhores coisas que temos na Grã-Bretanha e as melhores emissoras do mundo. Nesse século de sete anos, uma taxa de licenciamento abaixo da inflação causaria danos a esse patrimônio. Seria um modo indigno e miserável de Tony Blair terminar e Gordon Brown começar seus respectivos governos. Merecemos coisa melhor.


* É historiador britânico e colunista do jornal The Guardian’


EUA / MÍDIA & POLÍTICA
Patrícia Campos Mello


Ann Coulter, ‘a Barbie da direita’, divide os EUA


‘Desfilando seu 1,83m em uma indefectível microssaia preta, a colunista loira Ann Coulter – também conhecida como a Barbie da direita – conquistou o título de figura mais controversa da cena política dos Estados Unidos. A gota d’água foi seu último livro, Sem Deus: a Igreja do Esquerdismo. Nele, Ann resolveu atacar o inatacável: um grupo de viúvas do 11 de Setembro, que são particularmente críticas em relação ao governo de George W. Bush. ‘Essas mulheres autocentradas não entendem que os ataques foram contra a nação, acham que foram dirigidos a elas… essas fulanas são milionárias, endeusadas pela TV e adoram seu status de celebridades…. nunca vi alguém aproveitar tanto com a morte do marido’, disparou.


Foi demais. Até os conservadores a criticaram. E a resposta não tardou. Prestes a completar 45 anos, Ann ganhou um ‘presente’. Acabam de ser lançados três livros anti-Coulter: Eu odeio Ann Coulter, de um escritor que assina como ‘Unânime’, Sem Cérebro: as Mentiras Lunáticas de Ann Coulter, de Joe Maguire, e Sem Alma: Ann Coulter e a Direitista Igreja do Ódio, de Susan Estrich.


‘Ann prega que o presidente Bush é brilhante e que problemas como terrorismo, aquecimento global e alta da gasolina podem todos ser resolvidos com a proibição do casamento gay’, resume ‘Unânime’.


Graduada pela Universidade de Cornell, Ann fez Direito na Universidade de Michigan e trabalhou no Senado americano. Ela ganhou notoriedade ao representar Paula Jones no processo contra Bill Clinton por assédio sexual. Segundo o Google, há 24.600 páginas com a frase ‘eu odeio Ann Coulter’na internet. A título de comparação, há 860 páginas com ‘eu amo Ann Coulter’.


‘Ann Coulter é uma das figuras mais tóxicas da cena cultural americana…não faz sentido dar a ela mais oxigênio’, diz a famosa blogger de esquerda Arianna Huffington. É exatamente desse tipo de reação que Ann se alimenta. Chamada de Anticristo e Coultergeist por seus desafetos, ela já vendeu mais de 1 milhão de exemplares dos cinco livros que publicou.


Suas teorias são polêmicas, mas têm um público cativo. ‘Todo livro que ela escreveu transformou-se em best-seller’, disse Bob Wietrak, vice-presidente da editora Barnes & Noble. No primeiro livro, ela direciona sua metralhadora verbal contra o ex-presidente Bill Clinton e seu caso com a estagiária Monica Lewinsky. Nos outros, critica a mídia, os esquerdistas, elogia o ex-senador Joseph McCarthy, ‘um incompreendido’, contesta a teoria da evolução, prega o bombardeio da Coréia do Norte, e por aí vai. Em Sem Deus ela pontifica: ‘Esquerdismo é a doutrina que leva pessoas normalmente sãs a ensinar a seus filhos como se masturbar, permitir o casamento gay, libertar criminosos e dizer às crianças que descendemos da minhoca.’


Recentemente, Ann apontou sua língua ferina para os muçulmanos. ‘Se boicotassem todas as companhias aéreas, não só a US Airways, não precisaríamos mais de esquema de segurança nos aeroportos’, disse a colunista, após alguns imãs expulsos de um vôo da US Airways terem pedido um boicote muçulmano à companhia.


Com comentários como esses e participação freqüente em talk shows, principalmente na Fox News, Ann ficou tão popular que ganhou até uma boneca temática, que tem cara de Barbie e custa US$ 29,90. Basta apertar sua barriguinha e a boneca fala 14 frases, entre elas: ‘Por que não declarar guerra só por causa do petróleo?’’


CENSURA NO IRÃ
Luciana Alvarez


Irã fecha cerco contra as artes e a imprensa


‘Aos 84 anos, o diretor de cinema e escritor iraniano Ebrahim Golestan não se surpreendeu quando seu livro The Cock (O Galo) entrou neste mês para a lista de obras proibidas, na recente onda de censura promovida pelo governo do Irã. ‘Já tive tantos trabalhos censurados que não é nenhuma surpresa’, afirmou ao Estado, por telefone, de sua casa em Londres, onde mora desde a década de 70.


A nova lista de proibições divulgada pelo Ministério da Cultura é extensa e inclui o best-seller O Código Da Vinci, de Dan Brown, o clássico Na Minha Morte, do vencedor do prêmio Nobel William Faulkner, livros de vários autores iranianos e publicações que continham letras de músicas dos Beatles, Rolling Stones, The Doors e Guns n’ Roses.


A censura às artes e à imprensa faz parte da realidade do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, quando o país se tornou um Estado teocrático e os meios de expressão passaram a ser regidos pela Lei Islâmica. O controle é feito por líderes religiosos, mas o nível de repressão tem oscilado nas últimas décadas, segundo os interesses do governo.


A atual ampliação das restrições ocorre depois de oito anos de relativo relaxamento, durante o período em que o país foi dirigido pelo reformista Mohammed Khatami (1997 – 2005). Ela é promovida pelo ministro da cultura, Mohammed Hossein Saffar Harandi, considerado um linha-dura e aliado próximo do presidente Mahmud Ahmadinejad. Hoje, o Irã é considerado a 7ª nação pior do mundo em relação à liberdade de imprensa pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Ele ocupa o 162º lugar no ranking de 168 países avaliados pelo grupo.


Para Golestan, porém, as oscilações periódicas não alteram o quadro geral da falta de liberdade, que o levou a se radicar no Reino Unido. ‘Um filme meu foi tirado dos cinemas no fim da década de 70, então resolvi sair do país. Isso foi 5 anos antes da Revolução Islâmica’, conta o iraniano. ‘O problema foi sempre esse: lá eu não teria liberdade para me expressar’


IMAGENS


O editor-assistente de fotografia do Estado Armando Favaro sentiu na pele a censura do governo iraniano na cobertura jornalística que fez em abril e maio deste ano. Acostumado aos padrões brasileiros, estranhou ao perceber que nenhum outro fotógrafo ou cinegrafista registrou o protesto de um jovem durante o discurso do ex-presidente Hashemi Rafsanjani. Todos já estavam cientes dos procedimentos de repressão à imprensa. ‘Ao notar que ninguém mais registrou a cena, chamei o repórter Lourival Sant’Anna e entreguei a ele o cartão fotográfico com as imagens’, conta Favaro.


Depois do sermão, as autoridades locais detiveram por cerca de uma hora todos os profissionais de imagens e os obrigaram a mostrar o que haviam gravado do evento. Favaro só conseguiu ser liberado e publicar a foto porque o cartão com as imagens do manifestante já não estava com ele.’


Lourival Sant’anna


Repórter do ‘Estado’ descreve episódio censurado


‘Durante um sermão na Universidade de Teerã, em maio, o ex-presidente iraniano Hashemi Rafsanjani, líder da facção tecnocrata do regime, segurou o cano de um fuzil com a culatra apoiada no chão. Dez homens de sua segurança pessoal se interpunham entre o púlpito e os fiéis. No meio do discurso, um homem jogou um sapato na direção de Rafsanjani e só conseguiu gritar seu nome. Antes que dissesse algo mais, foi agarrado de todos os lados, com a boca tapada, e levado pela polícia. O incidente fez a segurança examinar as imagens dos cinegrafistas e fotógrafos, censurando a cena. Os iranianos nem se deram o trabalho de registrá-la.’


INTERNET
Maurício Moraes e Silva


Ele jura que não controla a internet


‘Considerado um dos maiores ‘chefões’ da internet no planeta, o australiano Paul Twomey deixa de lado por um momento a expressão compenetrada e sorri ao contar que recentemente teve alguns agradáveis jantares em família. Seus pais, que moram a quilômetros de distância, participaram dos encontros – mas sem precisar se deslocar um milímetro até a casa do filho. ‘Agora temos uma conexão de banda larga ultraveloz. Víamos as imagens deles, na nossa frente, em um monitor’, explica. ‘Tudo em tempo real.’


Enquanto comiam, conversavam sobre amenidades. ‘Era como se eles realmente estivessem ali’, diz o executivo. A situação, digna de filme de ficção científica, serve como exemplo do papel crescente que o vídeo pela rede passará a ter em nossas vidas no futuro. ‘A geração do Napster, do iPod, está começando a se tornar a geração do compartilhamento do vídeo’, prevê. ‘Isso ocorrerá mais rápido do que muita gente imagina.’


Momentos de descontração como o do jantar virtual são raros na vida de Twomey. Ainda mais quando proporcionados pela web. Internet, para ele, é motivo de uma preocupação constante que às vezes se transforma em dor de cabeça. Desde 2003, o executivo ocupa o cargo de presidente da Corporação da Internet para Nomes e Números Designados (Icann), organização sem fins lucrativos ligada ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.


Sob o controle da entidade estão alguns dos principais pilares da rede mundial de computadores. A Icann estabelece as regras mundiais para o uso de domínios – aquelas terminações que digitamos no endereço de um site, como ‘.com’ e ‘.org’ – e também define os parâmetros técnicos que permitem que um computador converse com outro em um ponto distante do planeta. Twomey falou ao Link na semana passada, durante uma reunião internacional da Icann no Brasil.


Como está localizada na Califórnia e foi criada pelo governo dos EUA, ao qual ainda se mantém vinculada, a Icann passou a ser vista pela comunidade internacional como um instrumento usado pelos norte-americanos para controlar a internet. Desde o ano passado, dezenas de países, incluindo o Brasil, passaram a pressionar para que outro organismo fosse criado no seu lugar, de preferência sob supervisão da Organização das Nações Unidas (ONU).


Os ânimos na guerra por uma rede sob controle global esfriaram um pouco com a criação do Fórum de Governança da Internet (IGF), entidade com papel consultivo que nasceu após a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação da Tunísia, em 2005 (veja texto ao lado). Mas a polêmica está longe de terminar. E ainda rende uma boa enxaqueca a Twomey, que jura que a Icann não controla a rede.


Seria bom se ele pudesse desligar a cabeça por uns tempos. Mas dificilmente o executivo conseguiria. ‘Toda hora na minha vida estou conectado, principalmente aos meus e-mails’, garante. Um BlackBerry, para ele, não é o bastante. O smartphone – mistura de celular com computador de mão – tornou-se mania entre os executivos por receber mensagens de e-mail em tempo real. Twomey tem dois desses aparelhos, um com número telefônico dos EUA e outro pronto para receber chamadas da Austrália. ‘Adoraria que inventassem um modelo que funcionasse das duas formas’, afirma.


Outros equipamentos eletrônicos também fazem parte da sua vida. ‘Tenho uma câmera digital que carrego o tempo todo’, ressalta. O notebook é outro companheiro fiel. Quando conectado à internet, o presidente da Icann costuma verificar e-mails, usar comunicadores instantâneos, fazer buscas e ver notícias de canais de TV tradicionais transmitidas pela web. ‘Também uso muita videoconferência, no trabalho e com a minha família.’


Quando assiste a um vídeo pela rede, Twomey se preocupa com a qualidade da transmissão. Um comportamento que, sob seu ponto de vista mesmo, pode ser classificado como antiquado. ‘Está havendo uma rápida mudança para o conteúdo criado pelos usuários’, diz. ‘E as pessoas estão deixando de lado a qualidade em troca de outras coisas, como mobilidade.’


Para o executivo, cada vez mais internautas têm procurado conteúdo com base no que é feito por outros usuários, amigos ou familiares. ‘O modelo tradicional de difusão de informações está sendo desafiado.’ Como o vídeo ganhará importância crescente na web, Twomey acha que as pessoas vão cada vez mais substituir a leitura por informações visuais na hora de tomar decisões.


Ao mesmo tempo, ficar desconectado será praticamente impossível. ‘A internet estará presente em tudo: carros, trens, celulares e até nas máquinas de refrigerantes.’ A onipresença da rede terá conseqüências negativas. Na opinião do presidente da Icann, principalmente a segurança será afetada. ‘A internet é como o mundo’, analisa. ‘Todo o mal que existe está lá, e todo o bem também. As pessoas ficarão expostas mais facilmente. Vão perder a ingenuidade.’’


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Entidade ainda está vinculada ao governo dos Estados Unidos


‘Sempre que tem oportunidade, Paul Twomey faz questão de dizer que a entidade da qual é presidente não controla a rede mundial de computadores. De certa forma, ele está certo. A Corporação da Internet para Nomes e Números Designados (Icann) não tem nada a ver com o bloqueio de sites ou com a censura a usuários, por exemplo – isso vai da política de cada país que conte com computadores conectados à web.


Sob o ponto de vista de dezenas de nações, no entanto, o executivo está errado. No ano passado, países como o Brasil, China, Irã e Índia e também os membros da União Européia defenderam a criação de um órgão independente para gerenciar a web. Na visão deles, a Icann não consegue ter uma atuação isenta por estar ligada ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos – o que daria um poder exagerado ao Tio Sam sobre a rede.


Nessa briga de foice, todo mundo saiu cantando vitória. A comunidade internacional celebrou a criação do Fórum de Governança da Internet (IGF) – uma entidade sem poderes sobre a Icann ou sobre a web, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) -, que reúne países do mundo todo para discutir os percalços da rede. E os EUA mantiveram seu controle sobre a Icann, que continuou vinculada ao governo norte-americano, pelo menos por mais um tempo.


Twomey garante, no entanto, que a organização será internacionalizada. ‘Os Estados Unidos estão comprometidos com a transição’, assegura. Em setembro, a Icann e o Departamento de Comércio dos EUA assinaram um acordo em que este último reafirma sua intenção de dar independência à primeira – só que sem definir quando e como isso ocorrerá. ‘Ainda há algumas coisas nas quais temos de trabalhar, principalmente no campo da transparência’, afirma o executivo.


De acordo com ele, a Icann já tem evoluído dentro desse quesito. ‘Somos como um contrato de uma empresa de cartão de crédito’, compara. ‘Todas as informações estão ali, mas não de uma forma totalmente acessível.’ Enquanto não ocorre a ‘alforria’ em relação aos Estados Unidos, a corporação tem procurado apoiar os debates do IGF. A nova entidade teve a sua primeira reunião este ano, em Atenas, na Grécia, e vai se encontrar de novo em novembro do ano que vem, no Rio.’


Marili Ribeiro


ZAP, o novo portal do Estado e da Infoglobo


‘O Grupo Estado e a Infoglobo decidiram unir suas estruturas comerciais para criar o maior portal de anúncios classificados e negócios online do País. A partir do dia 7 de janeiro, entra em operação o ZAP, com várias novidades para o mercado brasileiro.


Desde 2000, o Grupo Estado (jornais Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, Agência Estado, Portal Estadão, rádios Eldorado AM e FM, e OESP Mídia) e a Infoglobo (jornais O Globo, Extra, Expresso, Diário de S. Paulo, Portal Globo.com e Agência Globo) mantém uma parceria no portal Planeta Imóvel, o maior site do mercado imobiliário do País. O ZAP vai além. O novo portal não só incorpora o Planeta Imóvel como reúne os classificados online dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, O Globo e Extra. O Diário de S. Paulo entrará no projeto no futuro.


No ZAP, os anúncios foram divididos em quatro seções: Imóveis, Veículos, Empregos e Mix (que reúne oportunidades de negócios variadas). O portal está em fase de testes, mas já pode ser acessado no endereço eletrônico www.zap.com.br. ‘O ZAP é o que existe de mais moderno em site de classificados porque reúne várias possibilidades de negócios em um único portal’, diz Roberto Nascimento, diretor-executivo do ZAP. ‘É uma plataforma ágil e simples de ser navegada.’


O ZAP permitirá aos anunciantes, pessoas físicas e jurídicas, oferecer produtos e serviços nos classificados na internet, de olho no potencial do mercado brasileiro, estimado em R$ 200 milhões. O portal já entra no ar com mais de 200 mil anúncios e uma grande estrutura de negócios.


Além de contar com a união das estruturas comerciais e a expertise em classificados das duas empresas, o ZAP terá mais de 400 vendedores e representantes, disponibilizando a versão online dos anúncios dos jornais.


A tendência de os anúncios classificados migrarem para a internet vem crescendo rapidamente no mundo. O Google, por exemplo, está em fase de testes da venda de classificados dos dois maiores jornais americanos, o The New York Times e o Washington Post. Já o portal Yahoo! se associou a uma rede de 176 jornais, também nos EUA, para publicar os classificados de empregos online.


O portal buscou inspiração em duas iniciativas de sucesso em seus países. ‘Ao pesquisarmos o mercado sobre as alternativas de classificados online, descobrimos dois bons modelos de negócios que nos deram parâmetros, o site finlandês FINN e o americano Classified Ventures’, diz Nascimento.


As áreas comerciais dos dois grupos já estão fazendo a pré-venda de anúncios no site com condições especiais para seus clientes. Na prática, a partir de agora, anúncios veiculados nos jornais participantes poderão incluir um ZAP-id (código) que, ao ser digitado no ZAP, trará mais informações sobre o veículo, imóvel, vaga de emprego, produto ou serviço que está sendo oferecido.


Assim, o anúncio no ZAP poderá mostrar fotos, vídeos e outros dados mais detalhados sobre o veículo, imóvel, produto ou serviço, aumentando as possibilidades de gerar vendas na medida em que viabiliza um maior detalhamento da oferta.


O modelo de negócios do ZAP inclui três fontes de geração de receita. A primeira são os anunciantes que desejam veicular publicidade online, como banners. Outra é a venda de espaço para as empresas que querem vender seus produtos, como imóveis e automóveis, no portal. A última é a venda desses mesmos espaços para as pessoas físicas que desejam oferecer de imóveis a carros ou serviços profissionais pelos classificados online.’


INTERNET & TV
Pedro Doria


Televisão é a bola da vez


‘Se fosse preciso pinçar um momento da web em 2007, aquele que representou a grande mudança que o ano incorporou, este momento seria a estréia de Lonelygirl15 no YouTube, em 16 de junho. Dizer que é o início do fim da televisão é exagero — a televisão não vai acabar. Mas a TV como a conhecemos mudará.


Quem acompanhou o Link durante o ano sabe: Lonelygirl15 é uma menina norte-americana chamada Bree, que adotou o YouTube para veicular seus desabafos pessoais. Antes do décimo vídeo, chegou à marca de 100 mil espectadores por episódio; antes do vigésimo, ultrapassou os 300 mil. Esse é um número chave: para uma série de TV a cabo ser considerada um sucesso nos EUA, 300 mil espectadores é bem bom.


E Bree, naturalmente, não existe: era uma atriz filmada por jovens diretores. Sua audiência caiu quando a verdade surgiu, mas continuou na categoria de sucesso. Até o iniciozinho de dezembro, 21 milhões de pessoas assistiram a moça.


E a televisão com isso? Bem, funciona da seguinte forma. Primeiro, a web causou impacto na imprensa escrita, um impacto que lhe custa leitura e leitores do papel até hoje e cada vez mais intensamente. Depois, conforme veio a banda larga na virada do século, quem sentiu o tranco foi a indústria fonográfica. A distribuição digital de música ainda está começando a mudar toda a lógica do negócio das gravadoras.


Mais banda e melhor tecnologia de compressão de dados permitiram a existência do YouTube e tantos outros – as grandes TVs ainda não começaram a sentir a concorrência, mas vai acontecer nos anos por vir.


Não é apenas Lonelygirl15, evidentemente. São todos os videozinhos que vão de caixa postal em caixa postal, que aparecem com cada vez mais freqüência nos colunões dos blogs, que circulam por links para sites como o YouTube.


Isto quer dizer que os hábitos de assistir a vídeos estão mudando. O que Lonelygirl15 representa é o primeiro modelo de como seria uma série de ficção na internet. Sim, o acabamento é menos cuidadoso, o personagem fala direto para a câmera – tudo muito estranho. Mas, obviamente, tem público à beça.


E há uma fortuna – US$ 67 bilhões anuais – em jogo. É o dinheiro que compra a propaganda de televisão no mundo todo. A audiência da televisão aberta está diminuindo, mas o impacto na publicidade ainda é pequeno. Se a audiência se transfere para a rede em larga escala, a coisa muda. Muda porque na TV aberta a propaganda vai para o povo todo, aleatoriamente, mesmo que só interesse a uma parcela; na internet, quem faz propaganda direciona para o público certo sua mensagem. O dinheiro rende mais vendas.


A mudança não vem num estalar de dedos. Primeiro, ninguém apareceu com uma boa solução para veicular a propaganda no vídeo pela web. O Google, que comprou o YouTube, bolou um método eficaz par inserir propaganda de forma não intrusiva nas buscas. E isto, além de ser uma facada nos classificados de jornais mundo afora, lhe rende um bom dinheiro. Algo do tipo para vídeo, não tem.


No Brasil outra dificuldade se impõe: a publicidade, aqui, não vive apenas do que lhe paga o anunciante. Quem veicula, seja TV, seja revista, também repassa um percentual do gasto na forma de comissão. Alguns chamam de suborno, mas é o cliente que subsidia consciente esta comissão. Enquanto ele quiser o jogo jogado assim, assim será. E sempre valerá mais a pena para a agência de propaganda pendurar um spot de 30 segundos na novela do horário nobre do que num site da internet. Ganha uma fortuna em comissão.


Impossível dizer quando o público migrará para a internet – e quanto do público migrará. Mas este movimento vai acontecer, está começando a acontecer. Os canais de TV estão atentos como não estava a turma das gravadoras – ainda assim, parecem sofrer daquele mal que atinge as empresas muito grandes. No fundo, lá no fundo, eles realmente não acreditam que aquilo que funciona tão bem há tanto tempo mudará da noite para o dia.


Enquanto isso, o mundo muda ao seu redor.’


TELEVISÃO
Renata Gallo


TV Cultura lança Anima Brasil


‘Responsável por produções infantis bem-sucedidas, como Cocoricó e Castelo Rá-Tim-Bum, a TV Cultura decidiu investir em animação. O projeto Anima Brasil, que será feito com produtoras brasileiras em parceria com empresas canadenses, pretende desenvolver quatro séries para o público de 4 a 12 anos. Cada série terá 52 episódios de 11 minutos cada e deve começar a ser produzida em 2007.


O projeto, que tem custo estimado eme R$ 25 milhões, será encabeçado no Brasil pelas produtoras 2D Lab, RDigital Mixer, TV Pingüim e Martinelli Filmes. A 2D Lab irá produzir o desenho Mitos do Mundo juntamente com a produtora canadense Gala Kids, responsável por sucessos como os DVDs do Cirque du Soleil e o desenho Caillou, exibido aqui por TV Cultura e Discovery Kids. Mitos do Mundo vai explicar às crianças como o mundo funciona, a diversidade de culturas e povos, por meio de músicas e costumes.


A série Riff e Raff, da RDigital Mixer e da Cité – Amérique, vai falar da história de um velho aposentado que recebe a difícil missão de cuidar de seus netos adolescentes Riff e Raff.


A TV Pingüim desenvolverá a série Magnitka, que terá a co-produção da Vivavision Group, do Canadá, e P&P, da França. A produtora, que já desenvolveu projetos para o Grupo Turner, detentora, entre outros canais, do Cartoon Network, desenvolverá o roteiro das amigas Meg e Alice, que têm uma relação intergaláctica. Já a Martinelli Filmes fará a continuidade do desenho Anabel, que vai ao ar pela TV Rá-Tim-Bum.


Além da produção dos desenhos, a rede espera criar uma série de produtos licenciados com os novos personagens. De acordo com o presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça, a parceria com as empresas canadenses também amplia as chances de exportação dos produtos.


D2 na Central


Foi gravado no Sambódromo carioca o especial de fim de ano da Central da Periferia de Regina Casé. Ao lado de Marcelo D2, ela levou ao palco mães que perderam filhos na guerra do narcotráfico. E D2 contou que já perdeu amigos por isso. No ar dia 23, na Globo.


Entrelinhas


Mesmo com a continuação de O Aprendiz em novo formato, Roberto Justus não desistiu de voar mais alto na Record. Continuam em pé os planos do empresário de ter um talk show na casa.


O Late Show, da RedeTV!, ganha um quadro de sustentabilidade ambiental. O papo não será mais só sobre cachorrinhos abandonados. A atração viajará o País atrás de boas idéias do gênero.


No embalo do Natal, o Shoptime faz maratona de 36 horas de vendas ao vivo, entre quarta e quinta-feira.’


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 11 de dezembro de 2006


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Morreu e faleceu


‘Ao vivo na TV chilena e na CNN, as duas manifestações


Em uma coisa concordaram os sites dos jornais de Santiago, o liberal ‘La Tercera’ e conservador ‘El Mercurio’. A palavra ‘ditador’ não foi citada, apenas ‘general’. Mas o tercera.cl deu a manchete ‘Morreu Pinochet’ e o emol.com, reverente, usou ‘Faleceu’, mais uma foto em uniforme de gala, com fundo preto.


Ambos, por outro lado, deram igual destaque às duas manifestações, de dor pela morte no hospital militar e de festa na praça central -o que também fez a TV chilena, nas imagens reproduzidas pela CNN.


MUITOS MAIS


Curiosamente, a conservadora Fox News, entre os canais americanos de notícias com retransmissão no Brasil, foi a mais crítica em relação ao ex-ditador do Chile. A ponto de mostrar as manifestações de Santiago e dizer, com destaque editorializado, que ‘muitos, muitos, muitos mais, dez vezes mais’ festejaram a morte.


A CNN internacional foi mais distanciada na cobertura.


ASPECTOS POSITIVOS


A britânica BBC, de sua parte, repisou seguidamente que ‘ele teve impacto positivo em alguns aspectos’, como o econômico. Destacou ainda o apoio que deu à Grã-Bretanha na guerra das Malvinas ou Falklands e a ‘tristeza’ expressa pela ex-primeira-ministra e aliada Margaret Thatcher.


REPRIMIU, REMODELOU


O site do ‘New York Times’ foi contido, com uma cobertura em vaivém, de início até evitando falar em ‘ditador’ na manchete ‘Augusto Pinochet, que comandou Chile, morre aos 91’ e no texto da página inicial. Mais algumas horas e a home descrevia o ‘ditador brutal que reprimiu e remodelou o Chile’.


LONGA LISTA DE CRIMES


Em seus sites, ‘Washington Post’, ‘Wall Street Journal’, ‘Miami Herald’ e ‘Financial Times’, ‘Guardian’, ‘Le Monde’ e outros europeus foram críticos, alguns exclusivamente, sem dar maior atenção -a não ser internamente, nos obituários- a eventuais aspectos positivos de Pinochet.


Um dos links no espanhol ‘El País’, por exemplo, era ‘A longa lista de crimes do ditador’.


PROSPERIDADE


Por outro lado, iniciando o longo obituário postado pelo britânico ‘Financial Times’:


– O ex-ditador presidiu o que foi claramente um regime assassino, mas ele também foi o homem que abriu o caminho para a prosperidade do Chile.


LIVRE


A manchete de ontem no site Nomínimo, no portal iG:


– O canalha morreu livre.


‘HONRAS’


A manchete dominical do ‘La Tercera’ já dizia que 55% dos chilenos não querem honras de ex-presidente no funeral. Nem de ex-chefe militar, cobravam familiares de desaparecidos, já após a morte, no ‘El Mercurio’. Mas é o que foi acordado.


ANGÚSTIA E…


Na cobertura regional, até morrer Pinochet, o destaque era a ‘discussão’ de Chávez e Lula. Mas o venezuelano encerrou em tom ‘positivo’, segundo a Reuters, dizendo:


– Estou me somando ao otimismo que Lula expressa. As críticas são, como disse Michelle [Bachelet, do Chile], uma angústia positiva.


PREFERÊNCIAS


Antes, na madrugada do mesmo sábado em que Hugo Chávez e Lula discutiriam em público na Bolívia, ‘EUA aprovam isenção a produtos brasileiros’, no título da reportagem da BBC Brasil. 1’


As preferências comerciais ao país, depois de meses de ameaças dos congressistas americanos, foram mantidas.’


CARTOON W. BUSH
Vinícius Queiroz Galvão


Desenho animado recria Bush criança para criticar o estilo do presidente


‘Condoleezza Rice é apaixonada por George W. Bush, que faz dela um capacho. Richard Cheney e Donald Rumsfeld são comparsas subservientes de um líder centralizador e autoritário.


A ficção acima, com personagens reais, é o mote do desenho animado ‘Lil’ Bush: Resident of the United States’ (Bushzinho: Residente dos EUA), que estréia no início de 2007 na TV americana com escárnio do presidente republicano.


Dono de ‘South Park’ e ‘Casa Animada’, o canal Comedy Central encomendou seis episódios ao roteirista e produtor Donick Cary, de ‘Os Simpsons’.


A história é assim: Bush é um aluno malcomportado da escola primária, só tira nota baixas, é displicente e desatento e faz tudo em nome de Deus. Seus desafetos: Kim Jong-il, o ditador norte-coreano, Saddam Hussein, líder deposto do Iraque, e os democratas John Kerry e Hillary Clinton.


Bombardeia todos, ao brincar com os amigos no salão oval da Casa Branca, à época comandada por Bush pai. Antes, exige de um imaginário presidente francês a entrega urgente de um carregamento de batatas fritas (‘french fries’, em inglês, para fazer sentido o trocadilho) ou detonará armas atômicas no país. ‘E isso não é uma negociação’, alerta.


Num dos programas piloto, a cantina da escola serve falafel, em vez de cachorro-quente, na hora da merenda. Lil’ Bush e turma torturam os funcionários da cozinha com métodos iguais aos que foram revelados em fotos durante o escândalo da prisão de Abu Ghraib. Ao final, é instituído o dia do cachorro-quente na escola. ‘Consegui de novo’, diz Lil’ Bush.


Em outro episódio, o personagem, que ‘tem talento’, no dizer do pai, recebe uma mensagem de Deus, a quem revela não querer aprender nada e enxota a chutes.


‘Lil’ Bush’ começou em setembro como seis clipes com duração de cinco minutos e meio cada um oferecidos pela Amp’d Mobile, um serviço de wireless que inclui programação de entretenimento em vídeo com serviços de telefonia celular.


O desenho já está em sites como o YouTube (www.youtube.com). Os episódios originais foram vistos mais de 230 mil vezes.


Em 2001, a Comedy Central havia produzido a sátira ‘That’s My Bush’, de Trey Parker e Matt Stone (‘criadores de ‘South Park’), dedicado a zombar de Bush.


Com a saída de Donald Rumsfeld do governo, o produtor Donick Cary disse que está em ‘processo de convencimento’ para que o ex-secretário da Defesa dê voz ao seu próprio personagem no desenho animado.


Até agora, a Casa Branca não se manifestou. Segundo Cary, Lil’ Bush é a melhor notícia que os republicanos receberam desde a invasão do Iraque.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo vai testar TV no celular e no metrô


‘A Globo fará em 2007 testes de transmissões de TV para telefones celulares e televisores portáteis instalados em ônibus e trens (inclusive subterrâneos) em movimento.


Segundo Octávio Florisbal, diretor-geral, a Globo fará parcerias com operadoras de telefonia móvel para descobrir que tipo de conteúdo o usuário quer e quanto ele pode pagar.


Inicialmente, a Globo deverá oferecer via celular piadas curtas do ‘Casseta & Planeta’ e resumos de capítulos de novelas. Os testes deverão ser restritos a poucas cidades do país.


Tanto os testes nos celulares quanto nos televisores em coletivos servirão de preparação para a TV digital, que estréia em São Paulo em dezembro.


Com a TV digital, as emissoras poderão transmitir direta e gratuitamente (sem passar pelo tráfego das telefônicas) aos celulares que tenham chip receptor de TV. Também poderão transmitir um sinal específico para carros, ônibus e trens.


A emissora quer testar formatos e fontes de receitas. Determinado tipo de conteúdo poderá ser distribuído apenas por operadoras de celular, e o usuário pagará por ele. A emissora pretende fazer isso comercialmente apenas em 2008. Já outros conteúdos serão gerados gratuitamente ao usuário, financiados pela publicidade.


Para ônibus e trens, a Globo quer saber se transmite com áudio ou com legendas, já que há barulho nesses ambientes.


LANÇAMENTO 1


A Globo vai lançar duas novas autoras de novelas nas próximas produções das seis. Depois de ‘O Profeta’, testará em carreira solo Elizabeth Jhin, supervisionada por Sílvio de Abreu, e, em seguida, Andrea Maltarolli, uma das criadoras de ‘Malhação’.


LANÇAMENTO 2


Com os lançamentos, a Globo dá um tempo nos remakes que têm dominado a faixa das 18h. E adia os projetos de Walther Negrão (uma original) e de Alcides Nogueira (uma regravação de ‘Ciranda de Pedra’).


SALIÊNCIA


Menos de um mês após a chegada do Digital Playground, a Sky+DirecTV está lançando mais um canal de sexo explícito: a Hustler TV, versão televisiva da revista erótica.


LISTA DO BEM 1


O Ministério da Justiça divulga hoje uma lista de programas, filmes e DVDs que receberão o selo de ‘especialmente recomendados’, uma nova categoria de classificação indicativa para o entretenimento que o órgão julga de qualidade.


LISTA DO BEM 2


Entre os produtos ‘especialmente recomendados’, estarão os DVDs ‘Cocoricó’ (da TV Cultura) e ‘Adriana Partimpim’ (espetáculo de Adriana Calcanhoto) e os programas ‘Um Pé de Quê?’ (canal Futura), ‘Megafone’ (da regional TV Ceará) e ‘Câmara Ligada’ (exibido pela TV Câmara).


ENQUADRAMENTO


Também nesta semana, o Ministério da Justiça publicará portaria com novas regras para a classificação indicativa de TV.’


***


Nick traz novos episódios de ‘Avatar’


‘No hinduísmo, a palavra ‘avatar’ é utilizada para denominar uma manifestação corporal de um ser imortal, que tem a capacidade de controlar a água, o fogo, a terra e o ar. Parece uma tarefa e tanto, ainda mais se pensarmos que esse poderes inimagináveis podem estar nas mãos de um menino.


Pois na TV estão: é a partir dessa premissa que se desenvolve ‘Avatar’, animação que estréia uma nova leva de episódios a partir de hoje no canal pago Nickelodeon, às 17h30.


O desenho conta a história de Aang, um menino que é mestre dos quatro elementos e que tem a missão de impedir que um povo chamado Nação do Fogo domine o mundo com sua ambição de poder.


Em uma de suas viagens ao mundo espiritual, por meio do Avatar Rokku, Aang descobre que o cometa Sozen irá voltar no fim do verão, tornando a Nação do Fogo praticamente invencível e que sua missão é evitar que isso aconteça.


Produzida nos estúdios de animação da Nickelodeon em Burbank, na Califórnia, a série é a mais recente criação dos animadores Bryan Konietzko, desenhista de ‘Family Guy’ e diretor de arte da animação ‘Invasor Zim’, e Michael Dimartino, diretor de ‘Family Guy’ e ‘King of the Hill’, que resolveram apostar em tema de contornos fantásticos para ganhar o gosto das crianças.


AVATAR


Quando: hoje, às 17h30


Onde: Nickelodeon’


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