Sábado, 04 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ARMAZéM LITERáRIO >

Memória do presidente, memória da imprensa

Por Alberto Dines em 15/12/2006 na edição 315

Na quinta-feira (14/12), os jornais reproduziram a explicação do presidente Lula sobre a sua afirmação de que quem tem cabelos brancos não tem direito de ser de esquerda. Era brincadeirinha, desculpou-se o chefe da nação. No dia seguinte, os jornais e rádios estão informando que seis petistas foram indiciados no escândalo do Dossiê Vedoin.


Qual a ligação entre a piada do presidente e o dossiê inventado? Resposta: a revista IstoÉ.


O presidente fez a piada de mau gosto num improviso na festa em que a IstoÉ o homenageou como ‘Brasileiro do Ano’. Já o indiciamento dos seis petistas deve-se ao fato de terem participado de uma das maiores falcatruas jornalísticas de todos os tempos e que deveria ser publicada onde? Na mesma IstoÉ.


Juntando os dois fatos: o presidente aceita a homenagem de uma revista colocada sob suspeição por conta das maquinações do bando de ‘aloprados’ e dá a entender que o título que lhe foi concedido pela revista é capaz de torná-la respeitável.


Um presidente da República não tem obrigação de ter boa memória, mas a imprensa tem. Apenas a Folha de S.Paulo informou na terça (12/12) aos seus leitores que a homenagem ao presidente foi organizada por uma publicação que tanto o prejudicou e tanto comprometeu a própria imagem da imprensa brasileira. Os demais veículos não estranharam, acharam normal.


Quando a imprensa acha tudo normal, então estamos diante de uma grave anormalidade.

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