Terça-feira, 07 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Não era Dunga

Por Paulo Vinicius Coelho em 25/06/2010 na edição 595

Quando seu relógio marcar 13h36, hoje à tarde [quinta, 24/6], Dunga completará 20 anos do momento em que correu atrás de Maradona pelo gramado do estádio Delle Alpi, em Turim. Antes dele, foi o volante Alemão, companheiro de Maradona no Napoli, quem se esquivou de dar o pontapé com que poderia ter matado a jogada do gol de Caniggia.


O gol da derrota na Copa de 90, que consolidou a expressão ‘era Dunga’, foi naquele 24 de junho.


A expressão não nasceu ali. Foi o jornalista Cláudio Arreguy quem a cunhou, num título de matéria no Jornal do Brasil, em 1989. A ideia não era vincular a seleção de Sebastião Lazaroni ao futebol tosco, como aconteceu, porque Dunga não era um exemplo do jogo sem qualidade.


Já havia sido campeão mundial sub-20, em 1983, estreou pela seleção em Wembley, em 1987, foi campeão gaúcho pelo Inter, carioca pelo Vasco, ganhou medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles, venceu a Copa América de 1989.


A opinião pública não questionava sua presença, em 1990. Dunga merecia ser titular. Quando seu relógio marcar 13h36, portanto, uma injustiça histórica completará 20 anos.


Nessas duas décadas, Dunga se livrou do rótulo colado em sua testa no Mundial da Itália. Os livros de história não revelam um brucutu. Neles está a imagem do capitão do tetra, levantando a taça, como líder da seleção brasileira.


Uma revanche


Dunga é o cara da virada. E, se não é o cara do amor, ou pelo menos não passa essa imagem na Copa de 2010, faz trabalho social brilhante na sua aldeia, Porto Alegre.


Difícil dizer se o ressentimento de Dunga tem mais a ver com o fato de ter virado símbolo da derrota de 90 ou com o Brasil jamais ter aceitado a vitória de 1994. Se tem a ver com a inócua discussão sobre a preferência nacional ser por vitórias como a de 1994 ou derrotas como a de 1982.


Um falso dilema, especialmente depois da conquista de 2002, com sete vitórias em sete partidas. Isso ainda pode acontecer em 2010.


Sobre 1990, quem melhor tratou a derrota foi a matéria da revista Placar do dia seguinte à eliminação, cujo título era: ‘Era Maradona!’. O resultado talvez fosse outro se o melhor jogador do planeta, na época, não estivesse do outro lado.


Pois até essa revanche o destino corre o risco de oferecer a Dunga. Quem sabe, até, na final desta Copa do Mundo.

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Jornalista

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