Terça-feira, 02 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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CADERNO DA CIDADANIA >

Com o jingle-chiclete na cabeça

Por Tatiana Rezende em 15/02/2011 na edição 629

‘Amigo, se alguém entra na sua casa e coloca meinha para não sujar o chão é porque pensa em você o tempo todo. Na tecnologia, no atendimento, nos produtos… Perfeição não teremos. A vida é maluca mesmo. Mas consideração e meinha no pé, ah, me gusta… No dia, no diaaaa em que eu virei um Net.’

É muita cara-de-pau veicular um comercial como esse. O último desejo de um cliente insatisfeito é a tal meinha no pé. Era preferível que os ‘técnicos’ da Net entrassem em nossas casas com os pés sujos de lama e fossem capazes de solucionar os problemas ‘na tecnologia, no atendimento, nos produtos…’ Ao contrário do que diz a propaganda (enganosa), o cliente não exige perfeição. Sonha apenas com bom atendimento e o cumprimento dos serviços contratados.

Provavelmente 90% de vocês já devem ter tentado falar com o Serviço de Atendimento ao Cliente da Net. Depois de ouvirem o menu com mais de 10 opções de atendimento, mil musiquinhas de elevador, um sem-número de troca de atendentes e outras várias ligações ‘caídas’, nada de resolverem o seu drama. O objetivo é esse mesmo: nos vencer pelo cansaço. Além das tentativas frustradas de contato – por telefone, email, pombo-correio ou sinais de fumaça – muitos clientes recorrem aos sites do tipo botando a boca no trombone. No mais famoso deles, o ‘Reclame Aqui’, a Net figura na 7ª posição.

Alguém se habilita a envenenar um Skavurzka?

Ler as reclamações não é uma tarefa recomendada para quem sofre de gastrite ou úlcera. O descontentamento com os serviços é amplo – vem de todo o Brasil – e causa ‘gastura’. Há quem reclame do agendamento da ‘visita técnica’ e o consequente não-atendimento por conta da ‘agenda lotada’; do sinal ruim (ou da falta dele); da não-suspensão temporária do serviço por motivos de ausência; da impossibilidade no cancelamento de serviços; falta de sinal no telefone, na internet e na TV por dias ou semanas; cobrança de fatura indevida; promessa de ponto adicional gratuito que nunca é instalado; contratação de uma velocidade (10 mega) e o recebimento de outra (5 mega) e por aí vai. Melhor parar por aqui para não estragar o dia de vocês.

Quantos outros milhares de protestos terão de ser feitos para que providências sejam tomadas? A Anatel não tem como multar a Net? Ou melhor ainda, cassar a licença de funcionamento? Que espécie de máfia age para evitar isso?

No caso da pista do Aeroporto de Congonhas foi necessário um acidente com centenas de mortos e desdobramentos judiciais para o governo entrar em ação. Infelizmente nos assuntos relacionados à Net não temos cadáveres para escancarar o problema. No máximo, mortos-vivos cansados de reclamarem com as paredes. Ou alguém se habilita a envenenar um Skavurzka?

Enfim, o jingle-chiclete ficaria melhor assim:

‘Amigo, se alguém tem o compromisso de lhe prestar um serviço e coloca meinha na cara é porque pensa em te assaltar o tempo todo. Te fazer de palhaço, te cobrar o que não deve, te irritar… Bom atendimento não teremos. A vida é maluca mesmo. Mas descaso e meinha na cara, ah, não me gusta… No dia, no maldito diaaaa em que eu virei um Net.’

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Jornalista, São Paulo, SP

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