Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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CADERNO DA CIDADANIA >

Crimes políticos assustam imprensa no Congo

04/11/2005 na edição 353

O jornalista Franck Kangundu, que dirigia a seção de política do diário independente La Référence Plus, foi assassinado nesta quinta-feira (3/11) junto com sua mulher, Hélène Mpaka, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Os dois saíam de casa quando foram abordados por quatro homens encapuzados que os esperavam na rua. Kangundu ainda tentou negociar, oferecendo-se para buscar dinheiro, mas eles disseram que estavam ali para matá-lo. O crime foi testemunhado por vizinhos.


O motivo para o assassinato ainda não é conhecido, mas a organização Repórteres Sem Fronteiras [3/11/05] o identificou como mais um de uma série de crimes politicamente motivados praticados por uma verdadeira ‘indústria de assassinatos’ no país. A organização escreveu uma carta a William Swing, diretor da Missão das Nações Unidas para a República Democrática do Congo, pedindo que ele pressione o presidente Joseph Kabila para garantir que seja feita justiça.


Normalmente, justiça não é a realidade do Congo quando se trata de crimes contra a imprensa e repressão à liberdade de expressão. Nenhuma investigação que possa ser considerada séria foi feita quanto à tentativa de assassinato do jornalista Jean Ngandu, da Radio Okapi, em maio deste ano, ou em relação ao assassinato do ativista dos direitos humanos Pascal Kabungulu Kibembi, em agosto.


‘É ultrajante que nada seja feito para punir os responsáveis por estes assassinatos políticos’, protesta a RSF. ‘Jornalistas são os alvos preferidos nesta indústria do crime que cresce com completa impunidade. A ONU deve intervir para salvar jornalistas independentes do Congo da escolha entre o silêncio, a prisão ou a morte’.


La Référence Plus é um dos principais jornais de Kinshasa. Recentemente, Kangundu havia feito uma reportagem sobre um engenho de açúcar que resultou na demissão de alguns de seus funcionários e cobriu encontros do partido do presidente Kabila. Ele e sua mulher deixam cinco filhos.

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