Sábado, 08 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Dia do blogueiro

Por Eduardo Herculano em 20/12/2011 na edição 673

É com imensa satisfação que percebo o silêncio da grande mídia em relação ao lançamento do livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., pois não me recordo de outros momentos em que os que deviam se calaram e se sentiram mais acuados como agora. Quietos em seus poleiros, nem sequer ousaram a carcarejar.

Mas desse silêncio, reconheço que algo excepcional aconteceu junto. Apesar do silêncio da grande mídia, a informação repercutiu pelas novas mídias e chegou à grande massa da população, ainda não a todos, mas àqueles que já não são mais censurados pela exclusão digital. Sejam elas de qualquer orientação política, as pessoas foram informadas pelos blogueiros através de suas páginas e das redes sociais.

Devido a esse contraste, vê-se que ser blogueiro não é ser jornalista. O blogueiro não noticia; informa, ao contrário do jornalista, para o qual observamos que a notícia, infelizmente, está sendo mais importante que a informação. (Subentenda-se o termo noticiar aqui descrito como o exercer da atividade jornalística conforme descrito no Art. 2º da Lei que dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista, referida abaixo.)

Informar sem a necessidade de noticiar

No último dia 30/11, acompanhamos no Senado a votação em 1º turno da PEC 33/2009, conhecida como a PEC dos Jornalistas, que versa sobre a exigência de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista. Dessa PEC, independente de sermos a favor ou contra, apenas será definida a obrigatoriedade do diploma, em oposição à decisão do STF (17/06/2009) sobre o assunto, porém a lei que dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista continuará a mesma, Lei de 17 de outubro de 1960, que confere novos artigos ao Ato Institucional nº 16 combinado com o Ato Institucional nº 5.

Onde eu quero chegar? Não existe blog na televisão ou no jornal impresso. Blog é uma estrutura de informação suportada exclusivamente em ambiente virtual, na internet. E a lei de 1960 sequer poderia supor da existência desse suporte. Mudar ou não a Constituição, ao blogueiro nada mudará. Ou seja, o blogueiro não é jornalista quando escreve em um blog, é simplesmente blogueiro, legalmente falando não é nada. É apenas um vinculador de informação. Não somos nada, mas temos uma função: blogar.

O que seria, portanto, blogar? Blogar é a ação de informar sem a necessidade de noticiar a informação. E, justamente, por isso, os blogueiros conseguiram informar de forma excepcional o lançamento do livro Amaury Ribeiro Jr.

Data simbólica

O que proponho é reconhecer essa função de blogueiro. Não formalizá-la ou legalizá-la, pois essas características são atribuídas ao jornalista. Mas apenas reconhecê-la pela utilidade e revolução que a trás junto consigo. Proporia, então, o Dia do Blogueiro.

Vou um pouco além. Sugeriria uma data, dia 1º de abril. Por que essa data? Não temos uma data significativa à blogosfera brasileira; internacionalmente, temos as datas do primeiro blog criado e da primeira citação do termo, porém elas não são significativas a nossa cultura. Já a data 1º de abril, conhecida como o Dia da Mentira, é simbólica e também permite a reflexão sobre a veracidade da informação.

Fontes

Senado, STF e Fenaj.

***

[Eduardo Herculano é professor e blogueiro, Presidente Prudente, SP]

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