Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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CADERNO DA CIDADANIA >

A segurança do Facebook

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 06/03/2012 na edição 684

Quando um analista da mídia fala em segurança do Facebook, geralmente é para criticar sua má gestão de dados de usuários. A megaplataforma já foi ameaçada de punição por entidades europeias de proteção de dados, em Hamburgo, no ano passado (ver “Facebook alerta para Hamburgo – Hamburger Abendblatt“, 3/8/2011). No mesmo ano, na Irlanda, um jovem estudante austríaco demonstrou, aos olhos do mundo, que o Facebook nunca apagava totalmente os dados postados pelos usuários. O ponto fraco, o calcanhar de Aquiles da firma de Zuckerberg, é justamente a má administração dos dados dos utentes.

Mas há um outro lado na segurança do usuário do Facebook que é pouco lembrado. “Notícia boa é notícia ruim”, disse Manuel Castells em Galáxia Internet. Um grande clichê, mais velho na prática jornalística do que na publicação do professor catalão. Mas uma grande verdade. A megarrede social, tendo se transformado em multiplataforma digital e marca mundial, para competir no mercado emprega um sofisticado e eficiente sistema de segurança para seus utilizadores. E nenhuma voz fez justiça ao excelente trabalho realizado pela equipe da rede de Palo Alto. O Facebook é popular, mas mantém um grande índice de rejeição. Poucos comentam seus gestos desinteressados e seus avanços na segurança para o usuário não são assunto para a mídia não-especializada.

As atuais configurações de privacidade estão bem visíveis nos ícones e as opções não apresentam ambiguidades que infestam os ajustes e atrapalham a todos. Se for verdade que o padrão da empresa sempre favorece a si mesma, e não o usuário, por outro lado agora, em 2012, depois de uma série longa de erros colossais, embaraços e processos judiciais, a plataforma apresenta um perfil de segurança para o usuário extremamente eficiente.

Sempre vale a pena sonhar

O sistema funciona bem contra tudo e contra todos. Exceto o próprio Facebook. Julian Assange afirmou à RT TV, da Rússia (5/2/2011), que o Facebook era o “maior espião do mundo” (ver “Assange: Facebook, Google, Yahoo spying toos for US intelligence“). A empresa já foi “levemente” punida pela Comissão Nacional de Comércio dos Estados Unidos (FTC) por exposição da privacidade de usuários, usada como moeda de troca nos modelos de monetização dessas megacorporações pós-industriais, como o Facebook e seu principal rival, o Google, que também já foi pego a explorar a privacidade do usuário em favor de ganhos dos anunciantes.

A segurança do Facebook estende-se por duas linhas principais: uma protege o usuário de abusos de outros usuários e outros sites que capturam dados sobre ele; o Facebook avisa quais dados estão sendo solicitados, por quem, e se desejamos prosseguir com a operação, antes que qualquer dado privado seja transferido. A barreira do Facebook contra os espiões externos é eficiente e forte. A outra linha de segurança garante o acesso permanente da empresa aos dados dos usuários, inclusive a conversas particulares no chat do Facebook; é voltada sobretudo para o atendimento dos interesses dos anunciantes que, por intermédio de firmas que utilizam programas específicos, monitoram conversas e postagens dos usuários.

A segurança do Facebook só avançará mais quando seus dirigentes decidirem que é melhor sempre priorizar a segurança dos dados dos usuários de todas as ameaças, e deixar o interesse da empresa em segundo plano. Incluindo-se aí o próprio Facebook e sua ecologia de famigerados anunciantes, games e outros “apps” que povoam o ambiente da rede. O mesmo vale para seus concorrentes. O lucro deve ceder ao direito do indivíduo à privacidade.

Dados de cidadãos não são moedas de troca. A proteção à privacidade nas redes sociais é um tema crucial no século 21 e funciona como contrapeso necessário para contrabalançar a saturação mercantil a que está submetido o usuário nas redes sociais – e em toda a web. Os usuários comuns, simples mortais como nós, terão que conviver com os anúncios até que um dia se invente ou se torne viável uma rede social mundial gratuita e livre da propaganda. É óbvio que eu estou falando aqui de uma utopia que talvez nunca venha a ser concretizada. Mas sempre vale a pena sonhar. Afinal, é para isso que servem as utopias.

***

[Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor]

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