Sexta-feira, 29 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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CADERNO DA CIDADANIA >

Tempo de candidatos na mídia audiovisual

Por Leneide Duarte-Plon em 27/03/2012 na edição 687

A democracia francesa tem uma peculiaridade que vigora nos anos de eleição presidencial: por determinação do Conselho Superior do Audiovisual (CSA), de meados de março até o dia do segundo turno – este ano começou dia 20 de março e vai até o dia 6 de maio –, todos os candidatos a presidente devem dispor do mesmo tempo na mídia audiovisual em programas de entrevistas e nos telejornais.

Essa norma do CSA é determinada pelo Conselho Constitucional e se chama temps de parole, tempo de fala, seja em entrevista, seja em reportagem, sobre os diversos candidatos e suas campanhas. Todos têm que ter o mesmo tempo, seja qual for a importância do candidato ou do partido que representa.

Ora, imagine-se cronometrar o que se diz sobre cada candidato ou o que ele diz ao usar a palavra em todos os meios de comunicação audiovisuais. Um verdadeiro quebra-cabeça. Levando-se em conta o nível de complicação para aplicar tal norma, os ombudsmansde diversos órgãos da imprensa publicaram na quarta-feira (14/3) um texto coletivo no jornal Le Monde cujo título resume o que pensam: “As regras do CSA são inaplicáveis!” O subtítulo dizia: “Obsoleta igualdade do uso do tempo”.

Um mal necessário

Nesse texto, os mediadores dizem que o público ouvinte e os telespectadores esperam que os candidatos e seus programas sejam tratados da mesma maneira, mas que é quase impossível medir o número de palavras, de sons ou de vídeos dedicados a cada candidato. “As regras de igualdade ditadas pelo CSA e pelo Conselho Constitucional na circular de 30 de novembro do ano passado são inaplicáveis na forma e discutíveis no fundo”, diz o texto. O texto acrescenta que na campanha de 2007 alguns programas políticos semanais de referência foram suprimidos pela impossibilidade de receber todos os candidatos do primeiro turno. Este ano, são 10 candidatos, mas em 2007 eles eram 12. E o número de semanas em que vigora a regra é insuficiente para fazer um programa com cada um.

O jornalista Jean-Michel Aphatie, um excelente analista político que dirige um programa de entrevistas na rádio RTL e faz análises políticas e entrevistas no Canal Plus, resume todo o seu horror à norma do temps de parole: “Essa lei é ridícula, falsa, burra, ilógica, estúpida e ainda assim é aplicada, quando não deveria ser.”

Outra importante jornalista política, Arlette Chabot, pensa que o sistema de controle do tempo de cada candidato na mídia audiovisual é “antidemocrático”. O texto dos ombudsmen termina dizendo: “Todos sabemos que nossas linhas Maginot atuais são obsoletas. Por isso, pedimos um amplo debate com todos os interessados para definir juntos boas práticas que conjuguem qualidade editorial e qualidade democrática.”

Os defensores da lei de controle de tempo dos candidatos na mídia audiovisual consideram que é um mal necessário. Sem essa obrigação de equidade, a mídia se concentraria em quatro ou cinco candidatos favoritos das pesquisas ou nos que sabem suscitar polêmica deixando de lado os que não têm grandes chances de ser eleitos e diminuindo assim mais ainda suas chances de falarem de seus programas a eleitores potenciais.

***

[Leneide Duarte-Plon é jornalista, em Paris]

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