Terça-feira, 02 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Empresa transforma mendigos em pontos de acesso à web

Por lgarcia em 14/03/2012 na edição 685

 

Uma agência de marketing despertou uma onda de críticas ao contratar mendigos para carregar aparelhos móveis de Wi-Fi na conferência de tecnologia South by Southwest deste ano, no estado americano do Texas, oferecendo acesso à internet em troca de doações.

Funcionou da seguinte maneira: a BBH Labs, braço de inovação da agência de marketing internacional BBH, aparelhou 13 voluntários de um abrigo para moradores de rua e lhes deu cartões de visita e camisetas onde estava escrito o nome de cada um e uma identificação, como por exemplo: “Sou John, um ponto de acesso 4G”. Eles circulavam pelas áreas mais movimentadas do evento, nas quais em geral as redes de celulares estão sobrecarregadas – um mercado que o BBH Labs esperava servir com o projeto “Pontos de acesso de mendigos”, considerado por eles um “experimento de caridade”. Cada participante recebeu U$ 20 (o equivalente a R$ 36) por dia. Eles também podiam ficar com o dinheiro que recebessem de doação.

Exploração ou trabalho honesto?

Muitos não aprovaram a ideia, classificando-a como exploradora e desconfortável. Para Tim Carmody, blogueiro na Wired, o projeto era “completamente problemático e parecia uma distopia satírica de ficção científica obscura”. Segundo um dos coordenadores do projeto, Saneel Radia, diretor de inovação do BBH Labs, a empresa não tirou vantagem dos voluntários. Não foi a primeira vez que a agência usou mendigos em uma campanha: em outra ocasião, ela deu a moradores de rua de Nova York celulares e contas no Twitter. “Vimos isto como um meio de chamar a atenção e permitir que moradores de rua conversem com pessoas e contem suas histórias”, disse Radia.

Mitchell Gibbs, diretor do abrigo onde ficam os voluntários que partiparam do projeto no Texas, mostrou-se surpreso com as críticas e informou que a ideia despertou o “espírito empreendedor” entre os participantes. O voluntário Clarence Jones, de 54 anos, gostou da oportunidade. Ele é de Nova Orleans e virou morador de rua depois do furacão Katrina. “Gosto de conversar com as pessoas, e é um trabalho. Foi um dia honesto de trabalho, pelo qual fui pago”, disse. Informações de Jenna Wortham [The New York Times, 13/3/12].

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