Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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CADERNO DA CIDADANIA >

Escritora Elif Shafak inocentada em Istambul

21/09/2006 na edição 399

Tribunal de Istambul inocentou a escritora Elif Shafak da acusação de ‘insultar a identidade nacional’ nesta quinta-feira, informou a agência Associated Press [21/9/06]. Elif, que deu à luz uma menina no sábado e não compareceu à audiência, era julgada por ter publicado um livro onde abordava o genocídio de armênios no fim do Império Otomano. O tema permanece um tabu na Turquia.


A escritora, que também é professora na Universidade do Arizona, nos EUA, expressou satisfação com o veredicto e ressaltou a importância da liberdade e da tolerância. ‘Escrita deveria ser combatida com escrita, não com armas’, disse ela em entrevista a uma emissora de TV sobre os violentos protestos do lado de fora do tribunal depois da divulgação da sentença. ‘Insultar a identidade turca? De acordo com quem?’, questionou.


Segundo Elif, a lei que determina a ofensa contra a identidade nacional ‘tem sido usada como arma para silenciar muitas pessoas… Talvez meu caso seja apenas um outro passo nesta longa cadeia’.


Tabu e protestos


A acusação contra a escritora se baseava em trechos de seu livro O Bastardo de Istambul, onde um personagem armênio se refere a ‘açougueiros turcos’. A expulsão em massa de armênios da Turquia durante a Primeira Guerra Mundial – que é vista como parte de um genocídio que deixou 1.5 milhão de vítimas – é um capítulo sombrio no país e raramente debatido ou ensinado nas escolas. O livro foi lançado na Turquia em março deste ano e já vendeu 50 mil cópias. O tribunal decidiu, na sessão que durou pouco mais de uma hora, que não havia provas suficientes que sugerissem que Elif havia cometido um crime. Se condenada, ela poderia ter de enfrentar três anos na prisão.


Manifestantes protagonizaram cenas de brigas em frente ao tribunal após a divulgação da sentença. Um pequeno grupo de advogados nacionalistas chegou a queimar uma foto da escritora. Alguns dos presentes seguravam bandeiras da União Européia adornadas com a suástica nazista e com o slogan ‘Fascismo da UE’. A Turquia é candidata a entrar no bloco europeu, mas foi alertada que julgamentos como o de Elif podem minar seus esforços. Jornalistas e intelectuais turcos, incluindo o renomado escritor Orhan Pamuk, já enfrentaram acusações semelhantes por expressar suas opiniões ou levantar debates considerados tabus no país.

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