Terça-feira, 14 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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CADERNO DA CIDADANIA >

Sarkozy pressiona contra esquerda no Le Monde

Por O Globo em 15/06/2010 na edição 594

A crise financeira do jornal francês Le Monde assumiu ontem [sexta, 11/6] contornos políticos com a informação, veiculada pela mídia local, de que o presidente Nicolas Sarkozy teria dito ao diretor do diário, Eric Fottorino, que se opunha à oferta de um trio de investidores ligados à esquerda. Segundo uma fonte do jornal, Sarkozy teria inclusive ameaçado retirar a ajuda federal prometida à gráfica do Le Monde.

Fottorino confirmou ontem ter se reunido com Sarkozy esta semana, mas não revelou o teor da conversa.

O jornal, com dívidas de 100 milhões de euros, anunciou semana passada que buscaria investidores para se recapitalizar. Inicialmente, o prazo para que depositar a pré-oferta terminaria ontem, mas foi prorrogado até segunda-feira, quando o Conselho de Supervisão do jornal se reúne. O Le Monde, no entanto, não descarta receber outras ofertas posteriormente. Os jornalistas defendem aguardar até 21 de junho e a direção, dia 18.

O jornal informou ontem que foram depositadas duas pré-ofertas. Uma é do Grupo SFA PAR, controlado por Claude Perdriel – diretor-executivo da revista Nouvel Observateur –, com sócios não divulgados.

A outra é do consórcio formado por Matthieu Pigasse, do banco Lazard, Pierre Bergé, exparceiro do estilista Yves SaintLaurent, e Xavier Niel, fundador do site Free. É justamente a esse grupo que Sarkozy se opõe.

Interesse manifesto

Pigasse, proprietário da revista Les Inrockuptibles, já trabalhou para os socialistas Dominique Strauss-Kahn e Laurent Fabius, no Ministério da Economia. E Bergé, conhecido por suas inclinações socialistas, colabora financeiramente para o escritório de Ségolène Royal – a socialista que perdeu as eleições para Sarkozy em 2007.

Para analistas, a intervenção de Sarkozy já é um sinal de que haverá uma batalha de mídia nas eleições presidenciais de 2012. O Eliseu não quis comentar a notícia.

Outro sinal da importância política do jornal é o fato de que, anteontem, o diretor-geral da France Télécom, Stéphane Richard, ter afirmado que poderia investir em uma parceria com o Le Monde. Richard e Sarkozy são amigos.

O grupo espanhol Prisa, que controla o jornal El País e já tem participação no Le Monde, também manifestou seu interesse, mas pediu um prazo maior. Abandonaram a disputa o suíço Ringier e o italiano L´Espresso,

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