Domingo, 31 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Fugacidade e perenidade

Por Mauro Malin em 09/03/2012 na edição 684

 

O autor de um trabalho destinado ao público – anúncio publicitário, notícia de jornal, livro, música, filme, etc. – não pode prever exatamente a maneira como ele será recebido. É o caso de um vídeo institucional da União Europeia tirado de circulação após protestos (“Anúncio da EU acusado de racismo é retirado do YouTube”). A intenção foi boa; o resultado, não.

Aqui, os produtores certamente poderiam ter percebido a inconveniência de apresentar três representantes de “minorias” étnicas em atitudes belicosas, mas o entusiasmo com que apreciaram o resultado final provavelmente reduziu o peso, em seu juízo, do aspecto questionável.

Mas houve em passado nada remoto peças publicitárias diante das quais poucos – gente que remava contra a corrente – tinham a percepção do que estava incorreto, para usar a terminologia atual.

Um apanhado do que era considerado perfeitamente “natural” na publicidade está publicado aqui. Os 48 anúncios estão agrupados sob as rubricas sexismo, tabaco, álcool, racismo, bebês/crianças e “outros”.

Esse painel só reforça a ideia de que no contexto da publicização (outra palavra em voga) é preciso cultivar carinhosamente o sistema de debate interno e o respeito a normas profissionais autoimpostas. Essas providências não evitam todos os acidentes, mas servem para reter no filtro muita impureza. São atributos das boas redações.

Um exemplo é dado por Alberto Dines na entrevista “O rapaz que sonhava ser cineasta”, publicada originalmente no Jornal da ABI (a leitura integral da entrevista é muitíssimo proveitosa, mas, para as finalidades deste tópico, procure a expressão “Nessa época a luta”…).

Contraste-se a velocidade com que os preconceitos de ontem foram superados na publicidade com a sobrevivência, décadas depois, da norma evocada por Dines: jornal não dá tentativa de suicídio. Em outras palavras: há convenções reexaminadas com certa rapidez, à medida que os direitos humanos evoluem, ao passo que certos temas desafiam hoje a humanidade como desafiaram desde a noite dos tempos.

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