Sábado, 04 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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CIRCO DA NOTíCIA >

Imprensa francesa e italiana criticam seleções eliminadas

Por   em 22/06/2010 na edição 595

 

Leia abaixo a seleção do OI com artigos sobre a Copa do Mundo publicados de quarta (23/6) a sexta-feira (25/6).

 

 

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Folha de S. Paulo


 

ITÁLIA

 

Marcos Augusto Gonçalves

 

Jornais italianos veem ‘vergonha’, mas tentam analisar derrota, 25/6


‘A imprensa italiana é considerada uma das mais dramáticas e passionais do planeta. E ontem, depois do fiasco, havia motivos de sobra para isso. ‘La Reppubblica’, ‘Corriere’, ‘La Stampa’, todos, enfim, abriram manchetes sobre ‘desastre’, ‘vergonha’ e ‘desilusão’…

 

Mas não foi só chororô. A ‘TV Gazzetta’, por exemplo, no site do principal diário esportivo do país, colocou no ar um vídeo com a análise do vice-diretor Franco Arturi.

 

Depois de assinalar que era difícil imaginar catástrofe esportiva de tal proporção, criticou dois fatores pouco comentados por aqui.

 

Primeiro, que a organização futebolística italiana está voltada para a aquisição de estrangeiros. Segundo, que as torcidas do país só pensam em vencer, deixando de lado a qualidade.

 

D’accordo, Arturi!

 

E antes que eu me esqueça: #chupaberlusconi!’

 

 

 

FRANÇA

 

Daniel Brito

 

Vexame contamina até Sarkozy, 25/6


‘O presidente francês, Nicolas Sarkozy, cancelou compromissos oficiais para receber, ontem, no Palácio do Eliseu o atacante Thierry Henry, a pedido do jogador. Porta-voz do governo não divulgou o teor da conversa.

 

O encontro ocorreu enquanto mais de 800 mil pessoas, segundo números da polícia, protestavam nas ruas de várias cidades contra a reforma da Previdência proposta pelo governo.

 

A agenda de Sarkozy previa a participação em debates com ONGs sobre a reunião do G20 (grupo das 19 maiores economias do mundo, inclusive o Brasil, mais a União Europeia) que ocorre amanhã em Toronto.

 

A seleção francesa, atual vice-campeã mundial, precocemente eliminada do Mundial-2010 com duas derrotas em três jogos e só um gol feito, chegou ontem ao país. Malouda e Ribéry não seguiram a delegação. Cada um fretou um avião particular. O primeiro foi para Londres, e o segundo, para Munique.

 

‘Para Sarkozy, Henry vale mais do que 3 bilhões [de pobres]’, reagiu a direção da Coordenação Sul, que agrupa cerca de 130 ONGs e associações francesas.

 

A atitude de Sarkozy foi duramente criticada. Os sindicalistas disseram esperar que os assuntos políticos recebam a mesma atenção do governo que teve a participação da seleção na África.

 

‘É uma indecência ver o governo dar prioridade ao futebol em um dia de greve geral e demonstrações por toda a França contrárias à reforma da Previdência’, disse Cecile Duflot, secretária-geral do Partido Verde francês.

 

A ministra do Esporte, Roselyne Bachelot, concorda que futebol não é de responsabilidade do governo. ‘Futebol é de responsabilidade da Federação Francesa de Futebol, mas constatei o desastre de um time com chefinhos de gangues, com moleques apavorados e um técnico sem autoridade.’

 

A preocupação de Sarkozy com a seleção pode estar ligada à popularidade. Quando a França conquistou seu único título mundial, em 1998, os índices de aceitação dos então presidente, Jacques Chirac, e primeiro- -ministro, Lionel Jospin, subiram cerca de 15%, segundo publicou o ‘Le Monde’.

 

O jornal também divulgou uma pesquisa feita por um banco holandês na qual o PIB (Produto Interno Bruto) anual de um país cujo time de futebol conquista a Copa do Mundo sobe 0,7%.

 

‘A vitória provoca o aumento da confiança das pessoas’, constata o estudo.

 

Com SAMY ADGHIRNI, de São Paulo, e as agências de notícias’

 

 

 

EUA

 

Marcos Augusto Gonçalves

 

Donovan vira o novo herói da Gringolândia e brilha na rede, 24/6


‘Landon Donovan é o cara. ‘Estou erguendo uma estátua dele, feita de torta de maçã, churrasco e Jack Daniels, para colocar em frente à minha casa’, avisou um gringo feliz, no Twitter.

 

Com o gol nos acréscimos contra a Argélia, o novo herói da Gringolândia (como diria o saudoso David Zingg) bombou nos papos e sites.

 

A revista ‘Slate’ colocou na rede um clipe bregão e divertido do gol salvador, ao som de ‘God Bless USA’, do Lee Greenwood.

 

É justo o ‘orgulho de ser um americano’ -afinal, a nação que joga futebol com as mãos se classificou à frente dos ingleses, inventores do que lá se chama ‘soccer’ … Yes, eles estão podendo! 🙂

 

Já a imprensa francesa refletiu a bronca do presidente Sarkozy, que resolveu passar a limpo o futebol da República. A seleção francesa, na verdade, devia ter ficado em casa comendo escargot.’

 

 

 

A SELEÇÃO E A IMPRENSA

 

Fernando de Barros e Silva

 

Subdunguismo na rede, 23/6


‘Entre a velha promiscuidade da CBF com a Globo e a truculência de Dunga no trato com os jornalistas, a escolha é muito simples: criticar as duas.

 

O monopólio do acesso à seleção, derivado da audiência e obtido durante várias Copas pela Globo, fez fermentar uma cultura bocó e nociva, na qual as fronteiras entre jornalismo verde-amarelo e negócios nem sempre foram claras. Isso, é bom destacar, a despeito da seriedade e da qualidade de muitos profissionais que atuam na emissora.

 

Até mesmo num assunto tão sério como o futebol, a sociedade ganha quando há pluralismo, opções de escolha, debate, divergências -enfim, imprensa independente.

 

Quando se volta contra profissionais da Globo, Dunga não está preocupado com o direito à informação desimpedida. Isso não existe no seu horizonte. Ele não aceita, não tolera e não perdoa a crítica. E exibe isso com um grau de franqueza que deve incomodar o espírito de compadrio & cia. que rege a CBF.

 

Dunga é uma figura tosca e autoritária. Naquela instrutiva entrevista que concedeu ao convocar a seleção, disse que não poderia avaliar se a ditadura brasileira foi boa ou ruim: ‘Só quem viveu é que pode nos dar a resposta’. Não satisfeito, foi mais longe: ‘É a mesma coisa sobre a época da escravidão. Eu não vivi, como é que vou dizer -ah, era ruim, era bom, não sei’.

 

Depois da história, a moral e cívica; depois da teoria, a aula prática: na sua recente coletiva, o ‘professor’ primeiro interpelou de forma intimidatória o repórter da SporTV que havia balançado negativamente a cabeça -’algum problema?’. A seguir, o insultou com palavrões em voz baixa, repetidas vezes.

 

Foi o que bastou para que o assunto invadisse a seara política. Na blogosfera, militantes do PT e da candidatura Dilma Rousseff transformaram o técnico em herói da resistência antiglobal. Espalhou-se na rede um subdunguismo eleitoral. Soa como um sintoma -como dizer?- de fascismo democrático.’

 

 

 

Marcos Augusto Gonçalves

 

‘Dunga em Um Dia de Fúria’ é a melhor coisa que rola na rede :))) , 23/6


‘Não vi nada melhor ontem do que o videozinho ‘Dunga em Um Dia de Fúria’, obra de @Pablo- Peixoto (Twitter), que divertiu a galera na rede. É só buscar pelo nome no YouTube. Imperdível.

 

É em cima da cena do Michael Douglas na lanchonete, no filme de 1993. Dublado com sotaque gaúcho, o personagem vira Dunga, que chega ao balcão e começa a conversar com os funcionários Fátima e Tadeu Schimdt.

 

‘Vocês da imprensa ficam só fazendo fofoca. Quer saber de uma coisa? Eu vou fechar o treino amanhã. E vocês estão fodidos’, ameaça.

 

Com jeitinho irritante, Fátima responde: ‘Mas eu tenho exclusividade para fazer reportagem’. Tadeu, meio bobo e prepotente, reafirma os direitos da Globo. O técnico então explode e puxa a metralhadora. Pânico geral.

 

Duas passagens impagáveis: uma com um carequinha que vira o Alex Escobar e outra com o Robinho. D+.’

 

 

 

Mônica Bergamo

 

Faça o que eu digo, 23/6


‘Frustrada com a decisão de Dunga de não permitir que jogadores deem entrevistas exclusivas para a emissora, a Globo adotou receita idêntica com Galvão Bueno. Vários veículos tentaram falar com ele depois da campanha ‘Cala Boca Galvão’. Nada feito. A TV argumenta que o locutor ‘está concentrado nas transmissões e no trabalho’ e é por isso que está na Copa. Entrevista, Galvão só deu à própria Globo.’

 

 

 

Eduardo Arruda, Martín Fernandez, Paulo Cobos e Sérgio Rangel

 

Dunguismo, 24/6


‘A era Dunga ficou para trás. O que impera agora é o dunguismo e seus dunguistas. O técnico, com seu estilo polêmico, manias e convicções, transformou a seleção numa espécie de religião que jogadores e comissão técnica seguem sem contestação.

 

Ou você está com ele ou você está contra ele. E, apesar dos entreveros com a imprensa, cada vez mais frequentes na África, a quantidade de seguidores de Dunga cresce com sua seleção.

 

Há um ano, o técnico gaúcho mantém bons índices de aprovação a seu trabalho, segundo pesquisas do Datafolha. Na última, de 20 e 21 de maio, 49% dos entrevistados consideravam a atuação do técnico ótimo ou bom.

 

No fim de 2009, quando a seleção vinha de uma série de bons resultados, sua aprovação alcançou os 64%.

 

Se Dunga técnico um dia foi tratado como uma temerária novidade, o dunguismo tem raíz bem mais antiga -a fracassada campanha da seleção na Copa de 1990.

 

A era Dunga, rótulo pesado para o então volante do time de Sebastião Lazaroni que carregou, injustamente, o fardo da derrota para a Argentina, cunhou por razões óbvias o principal mandamento do dunguismo: ‘A imprensa sempre é inimiga’.

 

Não há dúvida de que, ao alimentar a rixa com os jornalistas, o dunguismo recebeu injeção extra de popularidade. Nos últimos dias, milhares de campanhas explodiram em redes sociais na internet com apoio a Dunga e ataques à TV Globo, cujos privilégios o técnico cortou.

 

Além disso, os principais jogadores do time, como Kaká, Júlio César, Luis Fabiano e Lúcio, usaram o pouco tempo de contato que tiveram com a imprensa para reafirmar o técnico e sua lógica.

 

No discurso de todos, quase uníssono, a exaltação ao trabalho duro, à importância de colocar a seleção como prioridade em detrimento dos objetivos individuais e, claro, ao resultado -nem que para alcançá-lo seja preciso sacrificar o jogo bonito.

 

‘Eu acredito que já está chegando a um momento em que temos que mudar. As críticas têm que ser endereçadas ao trabalho, e não ao ser humano. As pessoas têm que saber que o ponto central é a seleção, e depois vem o entorno’, filosofa Dunga.

 

De fato, ele conseguiu, após o vexame na Alemanha em 2006, fazer com que seus comandados sentissem vontade de seguir a cartilha da seleção, algo que foi deixado de lado por medalhões como Ronaldo e Ronaldinho.

 

‘O mais importante é defender a pátria. Não há dinheiro que pague isso’, diz Lúcio, do grupo evangélico.

 

‘É a filosofia do Dunga. Cada treinador tem a sua. Se continuarmos nesse caminho, focados, eu vou ser o melhor do mundo, o Maicon e todos os outros, inclusive os que não estão jogando’, afirma Júlio César, como que justificando sua adesão.

 

Na véspera do terceiro jogo, contra Portugal, o dunguismo corre solto na África. Só será legitimado ou contido ao fim da segunda era Dunga. Com ou sem o título.’

 

 

 

Fãs de Dunga realizam campanha pelo treinador, 24/6

 

‘O dunguismo ganhou espaço nos sites de relacionamento e na internet . As desavenças do treinador com jornalistas, principalmente com os da Rede Globo, levaram os torcedores a se manifestarem a favor do técnico na rede mundial de computadores.

 

Dois perfis no Twitter favoráveis a Dunga ficaram congestionados durante a tarde de ontem, por causa do grande número de acessos.

 

Há dois dias, os tuiteiros estão programando um boicote à Globo na rede social construída por meio de mensagens via telefone celular.

 

Até o final da tarde de ontem, a página ‘o#diasemglobo’ pedia aos torcedores para assistirem ao jogo da seleção contra Portugal, amanhã em outra emissora. A página superou os 1.600 seguidores.

 

O ponto alto da desavença entre Dunga e os jornalistas foi no domingo, durante a entrevista coletiva dada pelo treinador após a vitória sobre a Costa do Marfim. Na ocasião, o treinador xingou um jornalista da emissora.

 

Outra página em apoio a Dunga, que saiu do ar várias vezes no Twitter por causa do sucesso, foi a ‘Dunga Rei’. O perfil do coordenador da página afirmava, em inglês, que era comandada pelo técnico da seleção, o que não é verdade. Dunga estampou em seu site que não faz parte de nenhuma rede social.

 

Na página ‘Dunga Rei’, os seguidores faziam chacotas contra a emissora carioca. ‘Desespero na Globo! Pesquisa CNI/Ibope para a presidência sai hoje à noite [ontem] no Jornal Nacional. Parece que vai dar Dunga!’, informava o tuiteiro identificado como ‘Diasemglobo’.

 

Fora do Twitter, os defensores de Dunga também fazem campanha com outras ferramentas virtuais. Desde o início da semana, circula na internet um e-mail convocando os fãs a apoiarem Dunga durante a Copa-2010.

 

‘A TV Globo está realizando uma campanha covarde contra o técnico porque ele cortou os privilégios da emissora na cobertura da seleção’, diz o texto, que pede que internautas recomendem a mensagem a amigos.

 

No Orkut, várias comunidades apoiam Dunga. As que possuem o maior número de frequentadores são a ‘Eu acredito no Dunga’, com 19.256 perfis, e a ‘Dunga x Globo’, com 13.121 pessoas.

 

Nas duas, os frequentadores postam manifestações de apoio ao treinador. A comunidade ‘Eu acredito em Dunga’ declara que é dedicada a ‘quem não é manipulado pela mídia e não entrou nessa onda contra o treinador, que teve a coragem de peitar a imprensa’.’

 

 

 

Rede Globo confirma veto a entrevistas, 24/6

 

‘A Rede Globo confirmou que tentou entrevistas com os jogadores da seleção no último domingo, após a vitória do Brasil por 3 a 1 contra a Costa do Marfim.

 

Em reportagem veiculada pelo UOL na manhã de terça, o jornalista Mauricio Stycer informou que o motivo da discussão entre Dunga e o repórter Alex Escobar, da Rede Globo, em entrevista coletiva, havia sido o veto do técnico a pedido feito pela emissora para falar com os atletas.

 

‘Os jogadores não foram liberados para dar as entrevistas. Alex Escobar faria as entrevistas e a ausência dos jogadores era o que ele estava comunicando ao telefone, quando chegava à coletiva de Dunga’, diz a nota, enviada ao portal UOL pela Central Globo de Comunicação.

 

A Globo ainda afirma que ‘não houve, em nenhum momento, qualquer combinação’ de entrevista dos atletas apenas para a emissora.

 

Segundo o UOL, até Ricardo Teixeira, presidente da CBF, foi procurado pela emissora para tentar, sem sucesso, convencer Dunga.

 

A briga entre a Rede Globo e o treinador gaúcho foi escancarada no último domingo, durante a entrevista coletiva de Dunga depois do jogo contra a Costa do Marfim.

 

Alex Escobar conversava ao telefone celular quando o técnico interrompeu uma resposta e perguntou, olhando para o jornalista: ‘Algum problema?’. Escobar respondeu: ‘Não, nem estou olhando para você, Dunga’.

 

Enquanto esperava uma nova pergunta na coletiva, Dunga começou a murmurar xingamentos dirigidos a Escobar. Os palavrões foram captados pelo microfone: ‘Besta, burro, cagão’.

 

Ainda no domingo, durante o ‘Fantástico’, o apresentador Tadeu Schmidt leu uma nota da Globo condenando a atitude de Dunga.’

 

 

 

Eduardo Arruda, Martín Fernandez, Paulo Cobos e Sérgio Rangel

 

Desabafo, 25/6

 

‘Dunga estava emotivo, cabisbaixo. Em sua entrevista mais reveladora em quase quatro anos de seleção, o técnico pediu desculpas.

 

Mas não à imprensa. Só ao torcedor. Por seus palavrões após o jogo contra a Costa do Marfim durante conferência com os jornalistas.

 

Dunga também falou de seu pai, que sofre de mal de Alzheimer, assunto que sempre evitou, e da mãe, professora de história. E mostrou ter sentido as críticas que recebeu de parte da mídia.

 

Em nenhum momento, porém, o treinador da seleção foi agressivo. Nem quando deu suas habituais alfinetadas nos repórteres.

 

E disse que falaria ‘uma única vez’ sobre os palavrões proferidos ao jornalista da TV Globo Alex Escobar.

 

‘Quero pedir desculpa ao torcedor brasileiro pela minha atitude, a forma como me comportei. O torcedor não tem nada a ver com problemas pessoais meus’, afirmou ele, referindo-se ao imbróglio com a emissora.

 

O técnico explodiu com Escobar após saber que a emissora negociara diretamente com Ricardo Teixeira entrevistas exclusivas com jogadores da seleção.

 

Nos dias seguintes ao episódio, o treinador ganhou apoio popular, manifestado em milhares de redes sociais espalhadas na internet.

 

O desabafo final, e mais dramático, de Dunga, ocorreu na pergunta final, quando ele foi questionado sobre o problema de seu pai.

 

‘Não é a primeira vez que ele está nessa situação, desde que eu cheguei à seleção brasileira. Há muito mais tempo ele vem sofrendo e, para mim, é só mais uma oportunidade de eu demonstrar para o meu pai tudo o que ele me ensinou’, disse.

 

Logo em seguida, o treinador falou mais grosso.

 

‘Homem para ser homem tem de ter virtude, tem de ter posição, tem de ter dignidade, tem que ter transparência, tem que saber pedir desculpa quando erra’, disse.

 

Dunga lembrou também, amargurado, de quando disse que sua mãe era professora de história. O técnico foi ironizado quando afirmou que não poderia dizer se a escravidão ou o apartheid foram ruins porque não havia vivido nenhum deles.

 

‘A outra [pessoa com quem aprendi] é a minha mãe, que talvez me deu o maior exemplo. O que estão fazendo com o filho dela não é para fazer com ser humano. Mas ela me ensinou a não largar nunca e levar até o final.’

 

‘E como fizeram chacota quando falei que ela era professora de história, e a história que ela me demonstrou é que a gente tem de dar amor ao nosso país, nós temos de ser patriotas, por mais que muitos não gostem.’’

 

 

 

Globo nega veto de Dunga a entrevista, 25/6

 

‘Em nota, a emissora não confirma que o veto partiu de Dunga. Afirma que, no domingo, se preparou para ouvir os jogadores, mas que eles não apareceram. O fato tornou pública a disputa entre técnico e emissora.’

 

 

 

Juca Kfouri

 

A crença de Kaká, 23/6

 

‘QUANDO AQUI se informou que Kaká estava com mais problemas no púbis do que se tem noticiado, foi dito na abertura da coluna que ele desmentiria.

 

Quarenta anos nesta estrada ensinam qualquer jornalista a conviver com desmentidos e com a confirmação adiante do que se desmentiu.

 

Mais ou menos, só para citar caso recente, como aconteceu em relação à exclusão do Morumbi da Copa de 2014.

 

E Kaká desmentiu. Desmentiu enfiando Jesus Cristo onde Jesus Cristo não foi chamado.

 

Ele atribuiu a informação que dei, com pena e preocupação em um texto que era só de elogios à sua atuação contra a Costa do Marfim, ao fato de persegui-lo por sua fé.

 

Está redondamente enganado. Nada tenho contra a fé de ninguém, até por não ter fé alguma e querer que não me incomodem por isso.

 

Apenas critico a propaganda religiosa desmedida que alguns jogadores da seleção brasileira, Kaká entre eles, fazem dentro de campo, a ponto de a Fifa tê-la proibido.

 

Se Kaká acredita na bispa Sônia e em seu marido, é problema dele, e tomara que amanhã isso não lhe traga dificuldades com a Justiça daqui e dos Estados Unidos, como ontem aconteceu com os dois.

 

Quanto ao que interessa mesmo, qual seja, o problema no púbis, Kaká reconheceu que sente dores, embora não na região. E caiu em duas contradições em seguida.

 

A primeira em relação ao que disse logo depois da Copa de 2006, na Alemanha, ao atribuir sua má atuação às dores que sentia e ao prometer que jamais voltaria a fazer tal sacrifício.

 

Pois está fazendo. E até merece elogios por isso.

 

A segunda, mais grave, ele cometeu ao responder que era delicada a questão de ele vir ou não a ser operado do púbis depois da Copa, porque os médicos divergiam sobre a questão.

 

Ora, mas se ele nada tem no púbis, por que a discussão, que divergência seria esta?

 

Kaká, enfim, confundiu alhos com bugalhos. E deve reconhecer que seus problemas físicos são tão evidentes que ele não teve como retribuir ao Real Madrid os R$ 180 milhões nele investidos, dinheiro, aliás, enviado ‘pelo Senhor’, pelo menos segundo disse, à época da transação, a pastora Caroline, mulher do camisa 10 da seleção.’

 

 

 

Eduardo Arruda, Martín Fernandez, Paulo Cobos e Sérgio Rangel

 

Príncipe valente, 23/6

 

‘O meia-atacante Kaká decidiu ontem falar grosso. Único liberado por Dunga para participar da entrevista coletiva, ele defendeu o técnico, disse que os atletas da seleção não têm ‘sangue de barata’ e censurou veladamente o atacante Robinho.

 

Fora da partida contra Portugal, na sexta-feira, em Durban, por causa do cartão vermelho recebido contra a Costa do Marfim, o jogador do Real Madrid surpreendeu pela dureza do discurso.

 

Embora tenha dito que vai se ‘policiar’ para não ser expulso mais uma vez na Copa, o meia-atacante afirmou que não evitará as divididas com os atletas dos times rivais durante este Mundial.

 

‘Apesar de o grupo ser tranquilo, ninguém tem sangue de barata. Em campo, vocês viram o que aconteceu. Em nenhum momento, a seleção foi desonesta ou desrespeitou o adversário.’

 

Principal dúvida de Dunga na competição por causa da série de lesões sofridas na última temporada, Kaká afirmou que a imprensa nunca viu atletas da seleção serem violentos. ‘E nem vão ver a seleção retroceder em um confronto físico com divididas’, disse o jogador.

 

Ele disse que não mereceu o cartão vermelho. ‘Não aconteceu nada. Se eu tivesse tido atitude irresponsável, eu chegaria aqui e pediria desculpas. Joguei uma partida normal e que acabou com a minha expulsão.’

 

Ele foi punido ao trocar entradas duras no jogo de domingo -a expulsão foi aos 43min da etapa final. O segundo amarelo foi dado pelo juiz Stephane Lannoy após encontrão dado por Kaká em Keita. Tocou no peito, o rival caiu com a mão no rosto.

 

CONTADOR DE PIADAS

 

Em seguida, Kaká defendeu Dunga, que tem relação conflituosa com os jornalistas. No domingo, o técnico proferiu palavrões na entrevista após a vitória de 3 a 1.

 

‘Na concentração com a gente, ele brinca, conta piada. É tranquilo em relação ao grupo’, disse. Segundo ele, Dunga sofreu muito com críticas ao longo da carreira.

 

Eleito melhor jogador do mundo pela Fifa em 2007, Kaká contou que foi favorável à decisão do treinador de restringir o acesso dos jogadores aos jornalistas. ‘Juntos, de uma forma coletiva, decidimos que seria feito assim, com entrevistas coletivas diárias e um contato maior só depois dos jogos.’

 

Robinho foi o único que violou a norma. Ele deu entrevista à Globo e foi censurado pelos colegas. No dia seguinte, foi obrigado a pedir desculpas ao time. Robinho nega que exista esse pacto.’

 

 

 

Jogador se diz perseguido por causa da religião, 23/6

 

‘Kaká negou ontem ter dores decorrentes de lesão no púbis, mas considerou a possibilidade de passar por cirurgia no local após a Copa.

 

‘Muitos médicos não aconselham e é uma coisa que terá de ser analisada profundamente após a Copa’, disse ele, que teve sua temporada comprometida no Real Madrid pelo problema.

 

Pouco antes, Kaká respondeu, irritado, a uma pergunta do repórter da ESPN Brasil André Kfouri -filho do colunista da Folha Juca Kfouri- sobre sentir ou não dores.

 

‘Há algum tempo os canhões do seu pai são disparados contra mim. As críticas que ele vem fazendo não são profissionais, mas porque ele não aceita minha religião. Porque eu sou uma pessoa que segue Jesus Cristo. Eu o respeito como ateu, e gostaria que ele me respeitasse como alguém que professa a fé em Jesus Cristo’, disse Kaká.

 

Em sua coluna anteontem, Juca escreveu que o atleta sofre com o problema e que, segundo médicos ouvidos por ele, poderia encerrar a carreira prematuramente.

 

Em seu blog no UOL, Juca negou crítica ao atleta por ele ser evangélico e que só não concorda com o ‘marketing religioso’.’

 

 

 

ESTRELAS

 

Técnicos superpoderosos viram vedetes nesta Copa, 23/6

 

‘Ricos, poderosos e prato principal para milhares de jornalistas. Na Copa do Mundo, os antes coadjuvantes treinadores foram transformados em vedetes.

 

A começar pela própria Fifa. A entidade tem normas que geram uma superexposição dos treinadores e esconde os jogadores.

 

Resultado: Dunga e seus colegas de profissão são obrigados pela federação internacional a conceder entrevistas coletivas na véspera dos jogos e após as partidas. Isso sempre nos estádios, com as marcas dos patrocinadores da Fifa bem atrás dos treinadores. São, em cada sessão, cerca de 15 minutos.

 

Assim, só na primeira fase serão seis entrevistas e cerca de 90 minutos de imagens e palavras dos técnicos exibidas para todo o mundo.

 

São, portanto, excessivamente expostos Dunga, Maradona e Fabio Capello, por exemplo, mas pouco se vê de Messi, Rooney e Kaká.

 

Pelas regras da Fifa, o único jogador que obrigatoriamente precisa falar com os jornalistas é o melhor da partida. Mas quase sempre o eleito precisa responder a só duas breves perguntas.

 

Para os jogadores, existe a zona mista, entretanto fala apenas quem quer. Fora disso, restam as entrevistas organizadas pelas federações -em mais de um mês, a CBF colocou o atacante Luis Fabiano, por exemplo, para falar duas vezes.

 

Os técnicos falam muito também porque ganham muito. Levantamentos de publicações europeias mostram que os 32 treinadores que comandam as seleções deste Mundial ganham juntos o equivalente a R$ 80 milhões por ano, ou uma média individual de R$ 2,5 milhões.

 

PODERES INIMAGINÁVEIS

 

Quem puxa a fila dos técnicos mais bem pagos é o italiano Fabio Capello, que recebe quase R$ 20 milhões para comandar a Inglaterra, que corre sério risco de eliminação já na primeira fase.

 

Dunga está longe das primeiras colocações -seu salário anual está na casa dos R$ 2 milhões. Mas o brasileiro é, porém, um dos exemplos mais acabados dos superpoderes que os técnicos de seleções têm hoje, pelo menos desde a década de 90.

 

Dunga decide como o time vai se relacionar com a imprensa e determina se os treinos serão fechados ou não -algo inimaginável em 1958, quando a imagem do técnico campeão é a de um Vicente Feola que, dizem, dormia no banco de reservas e deixava a seleção brasileira jogar.

 

Capello resolveu até avaliar as hospedagem da equipe. Vetou a Universidade de Pretória, o mais desejado local de treinos da Copa, por avaliar que os quartos não estavam à altura do time.

 

A Argentina assumiu o lugar, e a mídia inglesa atacou o técnico italiano.’

 

 

 

VIOLÊNCIA

 

Meia argelino agride repórter após revés, 24/6

 

‘De acordo com a agência France Presse, após deixar o vestiário, Rafik Saifi deu um tapa em Asma Halimi. A jornalista do ‘Algeria Competition’ revidou a agressão. Halimi disse que denunciará o jogador à Fifa.’

 

 

 

IMAGENS

 

Globo notifica UOL por uso de imagens; portal diz cumprir a lei, 24/6

 

‘A Rede Globo e a Fifa notificaram o UOL, do grupo Folha, pelo que consideram utilização irregular de vídeos da Copa do Mundo de 2010. Desde a abertura do Mundial, no dia 11, o UOL exibe gols e melhores momentos dos jogos.

 

A emissora, detentora dos direitos da competição para TV e internet no país, defende que a manutenção por mais de 48 horas dos vídeos no banco de imagens do portal caracteriza perda do ‘caráter jornalístico’ de seu uso.

 

A argumentação dos advogados que defendem o portal é fundamentada na Lei Pelé, que garante a utilização de imagens de eventos públicos para fins jornalísticos, desde que a exibição se restrinja a 3% da duração dos eventos.

 

Lembram que o UOL dá os créditos às imagens da Rede Globo quando as utiliza em suas reportagens, respeitando a lei de direitos autorais.

 

O UOL sustenta que matérias jornalísticas devem continuar disponíveis ao público por prazo indeterminado e ressalta que não existe na lei nenhuma limitação à disponibilidade das imagens.

 

Em nota, a Globo diz que o UOL usa imagens de forma não autorizada e que a Lei Pelé ‘não dá a qualquer veículo o direito de utilizar imagens captadas por terceiros e exibidas em canal de TV aberta, cujo sinal é protegido pela lei de direitos autorais’.

 

Para a defesa do UOL, se a Lei Pelé regula a negociação de direitos entre entidades esportivas e veículos de comunicação, ela é suficiente para definir a utilização desses direitos por terceiros, desde que o uso seja estritamente jornalístico.’

 

 

 

 

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O Estado de S. Paulo


 

FRANÇA

 

Imprensa francesa faz duras críticas à seleção do país, 23/6

 

‘Eliminada da Copa do Mundo, a seleção da França não deve encontrar um clima tranquilo quando voltar para casa. Nesta quarta-feira, um dia após a eliminação, com a derrota para a África do Sul por 2 a 1, os jornais franceses fizeram duras críticas aos jogadores e à forma com que deixaram a competição.

 

O L’Equipe estampou em sua manchete o seguinte título: ‘Viagem ao fundo do inferno’. Nela, classificou os jogadores como ‘incapazes’ e comparou a atuação no Mundial deste ano à de 2002, quando a equipe também foi eliminada na primeira fase, sem marcar um gol sequer.

 

Já o Le Monde foi além e chamou os acontecimentos polêmicos ocorridos durante o torneio – a exclusão de Anelka após ofensas ao técnico Raymond Domenech, o boicote ao treinamento e a briga entre o preparador físico e o capitão Evra – de ‘guerra civil futebolística’. Além disso, afirmou que, por tudo que ocorreu, ‘a derrota pareceu quase normal’.

 

Outro dos principais diários franceses, o Le Figaro estampou que ‘os Azuis deixaram a Copa do Mundo pela porta dos fundos’, em manchete. Ao analisar a partida contra os sul-africanos, o jornal comparou o desempenho da seleção a uma ‘via-crúcis’, além de dizer que os jogadores eram ‘incapazes de reagir’.’

 

 

 

ITÁLIA

 

Imprensa italiana define eliminação na Copa como ‘vergonhosa’, 25/6

 

‘Eliminada precocemente da Copa do Mundo, a seleção italiana sofre, agora, com as críticas da imprensa local. Tida como grande decepção do Mundial até o momento, ao lado da França, também eliminada na primeira fase do torneio, a Itália teve sua participação no torneio resumida em uma palavra pelos jornais: vergonha.

 

‘Vergonha!’ foi a manchete de capa do Corriere dello Sport, um dos principais diários esportivos do país. Na matéria sobre o jogo que definiu a eliminação italiana, o jornal foi além e elegeu um culpado pela eliminação. ‘Lippi, a culpa é só sua’, destacou.

 

A Gazzetta delo Sport também utilizou a palavra ‘vergonha’ para definir a participação da Azzurra na Copa, estampando em suas páginas a frase ‘Para casa com vergonha’ para definir a dramática saída do país do Mundial.

 

Mas o diário italiano mais crítico ao falar sobre o fiasco da Itália foi o Il Messaggero. Para o jornal, além da eliminação, a seleção mostrou que ‘não tem honra’ ao jogar um futebol ‘sem coração’ e decepcionar os torcedores que apoiaram a equipe.’

 

 

 

PORTUGAL

 

Ana Freitas

 

Campanha pede bigode na seleção portuguesa, 23/6

 

‘Portugal deve enfrentar os adversários cortantes da Copa do Mundo com bigodes cerrados, segundo 60 mil internautas que acompanham o desempenho da seleção do país no mundial da África do Sul.

 

Uma campanha no Facebook pede que os jogadores comandados pelo técnico Carlos Queiroz adotem o tradicional bigode português no lugar do rosto liso, como o da principal estrela do time Cristiano Ronaldo. Veja a página.

 

A galeria de bigodes em estrelas do futebol, particularmente da década de 1980, incluem Carlos Manuel, que marcou o gol que colocou Portugal no mundial de 1986, e o meia-atacante Chalana, que recebeu o apelido de ‘Chalanix’ na Eurocopa de 1984 por conta de seu bigode que o deixava parecido com o personagem Asterix.

 

‘Pelo que um bigode faz pela seleção, é obrigação ir à Copa do Mundo com um. Pelos melhores técnicos e jogadores, queremos um bigode para nos unir’, afirma a página.

 

‘Após atingir 50 mil fãs, a meta é 100 mil. Mas o objetivo principal é conseguir que todos os jogadores deixem o bigode crescer, o que é sempre mais difícil’, disse o web designer João Carmona, que iniciou a campanha após uma conversa com um amigo em fevereiro.

 

Para a decepção de Carmona, os jogadores de Portugal aparentemente não atenderão ao chamado. A maioria deles pareceu constrangido quando questionados se pretendiam aderir.

 

O defensor Bruno Alves causou frenesi quando apareceu num amistoso usando um fino bigode, mas o usou desde então.

 

Portugal empatou na sua estreia na Copa do Mundo por 0 x 0 com a Costa do Marfim. Na segunda-feira, 21, bateu a Coreia do Norte por 7 a 0, na partida que fechou a segunda rodada do Grupo G do Mundial. Os portugueses agora enfrentam a seleção brasileira, na sexta-feira, 25.’

 

 

 

 

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O Globo

 

 

XINGAMENTO

 

Fifa decide não punir Dunga, 23/6

 

‘Dunga xingou o árbitro Stephane Lannoy, o atacante Didier Drogba e terminou a noite de domingo, após a vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim, falando palavrões para um jornalista, numa entrevista transmitida ao vivo para milhões de pessoas. Em resumo, fez tudo o que o Código Disciplinar da Fifa condena, em seu artigo 57. Mas a entidade preferiu fazer vistas grossas.

 

Ontem, de forma oficial, a Fifa anunciou que não vai sequer advertir o técnico ou a CBF pelo destempero, numa decisão que fere todos os preceitos do ‘Jogo Limpo’, um dos programas que mais divulga.

 

— Após analisar o caso, o Comitê Disciplinar não viu motivos para abrir um processo contra o técnico brasileiro — disse o porta-voz da Fifa, Pekka Odriozola.

 

Antes preocupada com uma possível punição ao treinador, a CBF também não deu nenhuma declaração sobre o comportamento de Dunga, que é funcionário da entidade. O que mais chamou a atenção, porém, foi a atitude contraditória da Fifa.

 

Em novembro de 2009, por ofender jornalistas depois que a Argentina assegurou a classificação para a Copa ao vencer o Uruguai, Maradona foi suspenso por dois meses pelo Comitê Disciplinar da Fifa de qualquer atividade relacionada ao futebol. E ainda foi multado em 25 mil francos suíços (R$ 42,5 mil).

 

— Não posso comparar este caso com o de Maradona. A Fifa avaliou a situação e tomou a decisão — disse Odriozola.

 

Omissão tem sido a regra

 

De acordo com o código de ética Fifa, oficiais devem registrar evidências de violação de conduta e informá-las ao secretáriogeral da entidade, Jerôme Valcke. Mas, contrariando o rigor com que costuma agir nestes casos, a Fifa tem dado exemplos de omissão e benevolência neste Mundial, a começar pelo próprio Maradona, que já havia dado declarações deselegantes referindo-se a Pelé e ao presidente da Uefa, Michel Platini, a quem depois pediu desculpas.

 

Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção anfitriã, também escapou de sanções após criticar o juiz da partida em que a África do Sul foi derrotada por 3 a 0 pelo Uruguai. Após o jogo, Parreira disse que o suíço Massimo Busacca fora ‘o pior árbitro’ e que não merecia estar na Copa do Mundo.

 

— A entidade avaliou as declarações de Parreira e disse que não houve violação do código disciplinar da Fifa — afirmou Nicolas Maingot, chefe do departamento de mídia da Fifa.

 

O jornalista Carlos Maranhão, da revista ‘Veja’, esclareceu ontem que não se sentiu intimidado pelas frases que Dunga dirigiu a ele após a entrevista coletiva de domingo’

 

 

 

Mauricio Fonseca

 

Dunga, agora em versão mais light, 25/6

 

‘Bem mais tranquilo do que na última entrevista que concedeu na África do Sul, após a vitória de 3 a 1 sobre a Costado Marfim, quando balbuciou palavrões para ofender o jornalista Alex Escobar, da TV Globo, Dunga aproveitou para pedir, ontem, desculpas aos torcedores brasileiros por seu destempero.

 

Mas, em momento algum, se dirigiu diretamente ao jornalista xingado.

 

— Quero pedir desculpas ao torcedor brasileiro, pela minha atitude e pela forma como me comportei. O torcedor não tem nada a ver com os meus problemas pessoais. Não tem que ouvir meus desabafos.

 

Mais uma vez, peço desculpas.

 

Só quero que me deixem trabalhar pela seleção e fazer um bom trabalho — disse Dunga.

 

A entrevista coletiva foi realizada poucos minutos depois da derrota da Itália para a Eslováquia.

 

E o treinador brasileiro não pareceu surpreso com a eliminação da atual campeã do mundo. Para ele, não há mais espaço para surpresas no futebol atual: — Todo mundo brinca que o futebol é uma caixinha de surpresas, mas hoje nada surpreende mais. Você tem que estar preparado para evitar surpresas.

 

Acabou esta história de tradição. O que vale é o que acontece dentro do campo.

 

Como sempre faz quando um jogador da seleção é criticado, Dunga saiu em defesa de Kaká, que, segundo um jornalista, estava visivelmente tenso no fim da partida contra a Costa do Marfim: — Respeito a sua opinião, mas, para mim, o Kaká estava bem tranquilo. O primeiro cartão amarelo, ele recebeu porque falou com o juiz após receber uma série de faltas. No segundo, a televisão já mostrou diversas vezes que foi o adversário quem veio em sua direção. De qualquer maneira, sempre batemos na tecla da importância de o Brasil sempre terminar as partidas com 11. Quando isso acontece, meio caminho está andado.

 

Como o Brasil já está classificado, Dunga deixou a escapar que Elano será mesmo poupado.

 

Depois tentou voltar atrás.

 

Em seguida, disse que a vitória de 6 a 2 sobre Portugal em novembro de 2008 não terá influência no jogo de logo mais: — O que passou ficou para trás. O que interessa é jogo de Copa do Mundo.

 

Ele confirmou que o substituto de Kaká será Júlio Baptista: — Com o Júlio a gente ganha em chute de longa distância.

 

É claro que ele não tem as mesmas características do Kaká.

 

Poucos jogadores no mundo têm a arrancada do Kaká.

 

Quando há uma troca de jogadores a equipe toda tem que se adaptar e se ajudar.

 

Dunga se emocionou ao falar sobre o pai, que está internado, em estado grave, em um hospital de Ijuí, no Rio Grande do Sul. Seu Edelceu Verri, de 71 anos, sofre de Mal de Alzheimer há oito anos e já esteve internado outras vezes. Dunga disse que o problema do pai é mais um estímulo para ele executar bem o seu trabalho: — Para mim, é mais uma oportunidade de demonstrar para o meu pai tudo o que ele me ensinou. Homem tem que ter virtude, posição, coerência, dignidade, transparência. E saber pedir desculpas quando erra.

 

E voltou a falar da importância de ser patriota, como já fizera no dia em que anunciou os 23 convocados para a Copa.

 

— Minha mãe me deu o maior exemplo. O que estão fazendo com o filho dela não é para fazer com um ser humano.

 

Mas, ela me ensinou a não largar nunca nada, a levar tudo até o final… Fizeram chacota comigo quando eu disse que ela era professora de História, mas ela me demonstrou que a gente tem que ter amor pelo nosso país. Por mais que muitos não gostem, a gente tem que ser patriota. A adversidade só vai fazer com que a gente cresça — disse.

 

Para não atrapalhar Dunga, a família evita mandar notícias sobre o estado de seu Edelceu, mas Dunga faz questão de receber o boletim médico todos os dias. Dona Maria Verri, sua mãe, é quem acompanha o marido.’

 

 

 

A SELEÇÃO E A IMPRENSA

 

Kaká segue exemplo do chefe, 23/6

 

‘Na entrevista coletiva, Kaká mostrou que obedece à cartilha de Dunga nos ataques à imprensa e acusou o jornalista Juca Kfouri, colunista da ‘Folha de S. Paulo’, de criticálo por não concordar com sua opção religiosa. O jogador reclamou de um suposto preconceito do jornalista contra evangélicos.

 

Kaká entrou no assunto quando respondia a uma pergunta de André Kfouri, do canal ESPN Brasil, filho de Juca: — Há algum tempo, os canhões do seu pai são disparados contra mim. A artilharia dele está voltada contra mim.

 

Eu queria aproveitar a pergunta para responder às críticas que ele vem fazendo. O que me deixa triste é que o problema dele comigo não é profissional, mas porque ele não aceita minha religião. Porque eu sou uma pessoa que segue Jesus Cristo. Eu o respeito como ateu, e gostaria que ele me respeitasse como (seguidor de) Jesus Cristo, como alguém que professa a fé em Jesus Cristo.

 

Não só a mim, mas a todos os milhões de brasileiros que acreditam em Jesus Cristo.

 

Em seu blog no UOL, Juca Kfouri respondeu a Kaká. Ele negou a perseguição religiosa: ‘Critico sim o merchandising religioso que ele e outros jogadores da seleção costumam fazer, tentando nos enfiar suas crenças goela abaixo. Um tal exagero que a Fifa tratou de proibir, depois do que houve na comemoração da Copa das Confederações.

 

Mas não abri bateria alguma contra ele, provavelmente mal assessorado, tanto que o considerei o melhor em campo contra Costa do Marfim’.

 

Juca atribuiu a declaração do jogador à notícia que publicou há alguns dias de que Kaká ainda sente fortes dores no púbis: ‘Apenas noticiei que ele sofre com seu púbis e há quem avalie que isso o levará a encerrar a carreira prematuramente. Ele negou as dores no púbis ao dizer que sente dores como qualquer jogador profissional, e que o prazer de jogar pela seleção o faz superá-las. Aí caiu na primeira contradição, pois ao atribuir às dores que sentia a sua má atuação na Copa da Alemanha, quatro anos atrás, declarou que não jogaria mais com dores. E hoje mesmo, na entrevista coletiva, ao responder sobre se seria operado do púbis depois da Copa, respondeu que esta era uma questão delicada e que os médicos divergiam a respeito.

 

Mas, para quem não tem nada no púbis, como alegou, por que cogitar de tal hipótese?’ Na entrevista, Kaká defendeu o estilo de Dunga: — Cada um tem os seus motivos para tomar determinadas decisões. Dunga sofreu ao longo de sua carreira e tem os motivos dele. Mas a decisão de agirmos dessa forma foi tomada de comum acordo entre jogadores e comissão técnica’

 

 

 

EUA

 

O gol cibernético de Donovan, 24/6

 

‘O meia americano Landon Donovan precisou de 91 minutos para classificar os Estados Unidos como líder de sua chave, pela primeira vez em Copas, para as oitavas de final contra Gana, com seu gol aos 46 do segundo tempo, ontem, contra a Argélia. Já os torcedores americanos precisaram de apenas alguns minutos de comemoração para deixar fora do ar o Twitter e o site Yahoo Sports instantes após o jogo, devido ao grande número de acessos, o segundo maior registrado na história da rede.

 

Não à toa, o nome de Donovan chegou aos Trending Topics (TT), lista dos tópicos mais postados no Twitter. O empate eliminaria os EUA e classificaria a Eslovênia. Durante o primeiro tempo, o gol legítimo de Dempsey, anulado erroneamente pelo juiz, que marcou impedimento inexistente, fez com que a expressão ‘another disallowed goal’ (outro gol anulado) também chegasse ao topo dos TT. A tenista americana Serena Williams foi uma das que protestaram ao escrever ‘Estou assistindo ao futebol online e isso é escandaloso! Copa do Mundo? Copa da fraude… Não é à toa que os EUA não se interessam por futebol! Está tudo arranjado!’ Repercussão na imprensa Serena estava certa no motivo do protesto, mas errada ao dizer que seu país não se interessa por soccer. Prova disso é que o astro Shaquille O’Neal, jogador de basquete, um dos esportes mais populares nos EUA, rendeuse ao poder do futebol ao twittar ‘Parabéns a Landon Donovan por marcar o gol vencedor.

 

Excelente trabalho. Boa sorte na próxima fase. Vai EUA!’ A liga americana de futebol MLS pode não ser tão famosa quanto a NBA, mas o gol de Donavan fez com que Alecko Eskandarian, seu companheiro de ataque no Los Angeles Galaxy, tivesse uma reação quase orgástica no Twitter ao postar que ‘Assistir a meus jogadores marcarem no 90ominuto para mandar os EUA para a segunda fase da Copa do Mundo é melhor do que sexo.’ Não foi apenas no Twitter que a vitória americana repercutiu.

 

Jornais como o ‘New York Times’ deram destaque à classificação, com a chamada ‘Estados Unidos avançam com gol dramático nos acréscimos’ na capa de sua edição virtual. Já o ‘Washington Post’ estampou no topo de seu site : ‘Gol de Landon Donovan no último minuto salva os EUA’. A reportagem chamava a atenção para o fato de o ex-presidente Bill Clinton estar presente no Loftus Versfeld.

 

Clinton, que é presidente de honra da candidatura dos EUA como sede da Copa de 2018, não se decepcionou com o que viu. A seleção americana dominou o jogo desde o primeiro tempo e perdeu várias oportunidades de marcar. Além do gol anulado, Dempsey perdeu outra chance ao chutar em cima do goleiro M’bouli, cara a cara. A Argélia também ameaçou com uma bola chutada por Djebbour no travessão.

 

No segundo tempo, Dempsey perdeu outro gol incrível ao chutar na trave e mandar o rebote para fora, sem goleiro. Já nos acréscimos, Donavan marcou o gol da classificação depois do chute de Altidore.

 

Estados Unidos: Howard, Cherundolo, Demerit, Bocanegra e Bornstein (Beasley); Bradley, Edu (Buddle), Dempsey e Donovan; Altidore e Gomez (Feilhaber). Argélia: M’bolhi, Bougherra, Halliche e Yahia; Yebda, Lacen, Kadir e Belhadj; Matmour (Saifi), Ziani (Guedioura) e Djebbour (Ghezzal).

 

Gol: Donovan, aos 46 do segundo tempo. Cartões amarelos: Yebda, Yahia, Lacen, Altidore, Beasley. Cartão vermelho: Yahia.

 

Juiz: Franck de Bleeckere’

 

 

 

HUMOR

 

Luiz Garcia

 

Bussunda, 25/6

 

‘Aqui estamos, de volta às nossas dimensões tradicionais, e sempre fiéis ao nosso lema histórico: Concisão é vida! Falemos, como todo mundo, de futebol.

 

Até esta quinta-feira em que escrevo, apenas uma observação parece que permanecerá válida até o jornal ir para a rua: esta Copa do Mundo está pintando como a mais chata desde o tempo em que Jules Rimet era gandula.

 

Poucos jogos escapam de um modelo: desesperados versus retrancudos.

 

E chega de Copa.

 

Para sobreviver ao tédio destas primeiras rodadas, uma boa receita pode ser mergulhar de cabeça na recém-publicada biografia de Bussunda, talvez a figura mais fascinante do grupo humorísticoartístico-televisivo Casseta Popular & Planeta Diário. Ele morreu, do coração, na última Copa, a da Alemanha.

 

Tinha 43 anos.

 

A coincidência de copas não tem a menor importância. O livro, do jornalista Guilherme Fiúza, é principalmente a história bem contada de como o humor debochado e desrespeitoso acima de qualquer limite conseguiu se impor por aqui.

 

Nunca antes a receita dera certo. Na verdade, nem chegara a ser tentada. Numa entrevista citada por Fiúza, Bussunda explicou: ‘A gente faz a paródia do jornalismo… Todos os outros programas de humor… brincam só com os costumes…

 

Nós só fazemos piada com o que deu no Jornal Nacional.’ É bom lembrar: as paródias do Jornal Nacional e o próprio JN sempre tiveram o mesmo endereço: Rede Globo.

 

Na época áurea do grupo, o pessoal contou com dois governos que bem se prestavam à sátira, os de Fernando Collor e seu sucessor, Itamar Franco. O chumbo era grosso: quando o Congresso discutia o impeachment de Collor, Bussunda e Beto Silva gravaram uma cena em frente ao Palácio do Planalto — e ambos usavam vestidos ‘tomara-quecaia’, em homenagem ao presidente.

 

Com a mesma roupa invadiram uma reunião do PMDB no apartamento de Orestes Quércia. E se sentaram ao lado de Lula e Ulysses Guimarães. A classe política definitivamente não sabia o que fazer com eles. Não saberia, até hoje.

 

Tudo isso está bem contado no livro de Guilherme Fiúza. O humor rasgado e anárquico do grupo continua no ar. Mas esta Copa do Mundo certamente seria mais interessante se Bussunda estivesse lá, de vuvuzela em punho.’

 

 

 

 

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