Sábado, 26 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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‘Agências de notícias’ personalizadas mudam rotinas de acesso a informações 

Por Carlos Castilho em 13/08/2010 | comentários

Redes sociais como Facebook já funcionam como verdadeiras agências de notícias por meio das quais as pessoas recebem as informações que desejam ou necessitam, e além disso referendadas pela recomendação de amigos ou colegas de confiança.


 Redes Sociais


Esta nova aplicação das redes sociais — incluindo You Tube, Orkut, Twitter e muitas outras — está crescendo rapidamente, a ponto de uma pesquisa realizada pelo Pew Center, dos Estados Unidos, ter indicado que 75% dos norte-americanos consomem hoje, preferencialmente, notícias indicadas por amigos por meio de redes sociais e correio eletrônico.


 


A notícia personalizada por recomendação está se tornando tão popular na Web que há segmentos inteiros de usuários, como os jovens com menos de 25 anos, onde esta modalidade informativa já supera os 95% de preferências, inclusive no Brasil, conforme pesquisas que tenho feito com alunos de cursos de graduação em comunicação.


 


As empresas jornalísticas também já perceberam a importância do fenômeno, tanto que jornais como o Los Angeles Times e emissoras de rádio ou TV, como a National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, terem incluído a recomendação de leitores na organização da pauta de notícias diárias.


 


No caso da NPR, uma sondagem entre 40 mil ouvintes revelou que 60,7% deles se informam basicamente através da internet, e entre estes nada menos que 74,6% recebiam notícias via Facebook. Outro resultado surpreendente: o público da rádio estava mais na internet do que na sintonia dos programas de transmissão aberta.


 


Isto dá uma indicação do grau de penetração  que a internet está alcançando na difusão noticiosa, a ponto de uma emissora ter mais público na web do que ouvintes sintonizados nas freqüências radiofônicas. No caso dos jornais, a circulação impressa já perdeu longe para os acessos online. 


 


As pesquisas da NPR e do Pew Center coincidem na constatação de que o público não só descobriu sozinho esta nova utilidade das redes sociais, como mostra uma confiança nela, muito maior do que nos veículos convencionais. Os dados da NPR indicam que 72,3% dos consultados querem que o fluxo de indicações feitas por amigos cresça ainda mais.


 


Este novo fluxo notícias personalizadas é o golpe de misericórdia nas agências de notícias convencionais, que reinaram absolutas no atacado da informação jornalística durante mais de um século. Agências como a AP, UPI, Reuters e France Presse lutam para sobreviver diversificando suas atividades fora da distribuição de notícias em escala mundial.


 


As redes sociais também já perceberam o alcance da facilidade criada e divulgada espontaneamente  pelos próprios usuários e começam a abrir espaço para facilitar a troca e recomendação de notícias. A rede Facebook criou uma interface especial com o Washington Post para que os leitores do jornal façam recomendações para amigos. Esta facilidade já existia antes, mas era pouco destacada pelo Post e pela Facebook.


 


As redações estão descobrindo como os leitores, ouvintes, espectadores e internautas podem se transformar em “co-editores” do noticiário, ampliando ainda mais a idéia de colaboração crescente entre profissionais e amadores na produção de informações jornalísticas.


 


As empresas jornalísticas ainda são os principais fornecedores primários de notícias recomendadas por leitores, mas o percentual de participação tende a diminuir na medida em que cresce a circulação de material produzido por amadores por meio de vídeos, podcasts e postagens no Twitter ou blogs.


 


O que levou os internautas a aderirem ao fluxo personalizado de informações via redes sociais foi a expectativa de que o novo sistema reduza a perplexidade e a desorientação provocados pelo que já se convencionou chamar de avalancha informativa. A recomendação não apenas filtra as informações em função do interesse ou necessidade do usuário, mas também agrega uma maior confiabilidade ao material, por conta do crédito dado a um amigo, colega ou parente.


 

Este fenômeno da informação personalizada levou o professor de jornalismo e diretor da escola de Comunicação da Universidade de Nova York Jay Rosen a afirmar que “não temos um problema de excesso de informações, mas de filtragem de notícias”. A filtragem baseada na recomendação por amigos e colegas pode ser a solução para o complicado problema da credibilidade noticiosa na web.

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