Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Jornais dão um pulo no escuro para tentar sair da crise

Por Carlos Castilho em 09/11/2012 | comentários

Cada tragédia deixa as suas lições e a inundação provocada pela tempestade Sandy, nos Estados Unidos, não fugiu à regra, especialmente na imprensa. A enchente mostrou como a indústria do jornal impresso é vulnerável quando os sistemas físicos de distribuição deixam de funcionar. Mas também revelou como a internet é frágil quando falta energia elétrica por longos períodos de tempo.

 Mas o que alguns jornais, como o The New York Times, aprenderam não está  em nenhum manual sobre conduta em situações críticas. O centenário jornal  usou a tempestade Sandy para testar um novo sistema por meio do qual ele pretende não só combinar texto, áudio, vídeo e interatividade numa única plataforma, como também torná-la compatível com dispositivos móveis tão diversos quanto os tablets e smartphones que usam sistemas operacionais como o Android, Blackberry , IOS e Windows 8.

É claro que nem tudo funcionou a contento, mas o simples fato de que alguém tenha pensado em desafiar as dificuldades criadas pela tormenta para experimentar algo novo já é, por si só, uma iniciativa revolucionária, principalmente em se tratando de exploração de narrativas multimídia em formato digital. 

O que o Times está tentando é mergulhar mais fundo num ambiente que para a maioria dos jornais ainda é um grande mistério, um salto no escuro. Como transformar a cultura, as regras e as técnicas de produção jornalística baseada em linguagem linear e unidirecional numa narrativa multimídia, interativa, móvel e fluída.  Na teoria já existe muita coisa pensada sobre isso, mas o que interessa mesmo é a prática porque se trata de um território desconhecido onde só a experiência tem valor real.

O problema é que os executivos da imprensa têm muito medo de arriscar nessa área porque os fracassos inevitavelmente são e serão mais frequentes do que os êxitos. A questão é que se ninguém resolver arriscar, nunca se descobrirá qual o caminho das pedras para a narrativa jornalística  digital. Os pioneiros pagarão o preço da audácia e os que conseguirem superar todo o ceticismo somente serão reconhecidos pela história, porque dificilmente os resultados aparecerão de imeditato.

Pode-se gostar ou não da velha Dama Grisalha (apelido do Times em Nova York), mas não se pode negar que o jornal teve bastante coragem, ou desespero, para aproveitar tempos duros e difíceis para arriscar.  Coragem também teve o britânico The Guardian, que resolveu tornar pública a difícil situação financeira do jornal e a polêmica entre seus dirigentes sobre as opções disponíveis para escapar de uma inglória falência.

Os dois jornais enfrentam conjunturas financeiras delicadas, mas optaram por estratégias diferentes. O Times está apostando na sua capacidade de criar uma plataforma jornalística capaz de combinar sistemas tecnológicos e narrativas muito diferentes num modelo capaz de convencer os leitores a abandonar arraigados hábitos de leitura. O Guardian optou pela busca de um modelo de negócios capaz de obter, em cinco anos, um faturamento na web capaz de compensar os prejuízos com o jornal em papel.

Nenhum dos dois tem a menor garantia de sucesso. Mas resolveram dar o pulo no escuro dentro do jornalismo, enquanto a maioria das empresas de comunicação no mundo inteiro aposta no entretenimento e nos investimentos imobiliários para safar-se dos prejuízos causados pela redução da rentabilidade dos negócios com jornais e revistas impressos.  

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