Domingo, 27 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Um longo caminho a percorrer

Por Boanerges Lopes em 10/04/2007 na edição 428

Demonstrar a importância da formação acadêmica para o pleno exercício do Jornalismo não tem sido uma tarefa fácil ao longo da História da Comunicação no país. Estimular o engajamento dos profissionais e estudantes na luta pela defesa da formação é lidar com barreiras quase intransponíveis e muitas vezes enfrentar estranhos hiatos regulados por um certo marasmo que os envolve.

Como lembra a jornalista e professora Cremilda Medina, desde o início do século sempre que o jornalista consegue ora privilégios (isenção de Imposto de Renda, descontos de 50% em bilhetes de viagem, credenciais especiais etc), ora ‘encostar-se’ em algum emprego anexo ou obter alguma fonte de renda complementar, aplacam-se seus impulsos de luta pela profissionalização, por aumentos de salários, por regulamentação da carreira e ele deixa de se preocupar em delimitar precisamente sua função específica.

João do Rio talvez tenha sido bem duro ao expressar este descaso com a profissão, mas não faltou com a verdade: ‘O povoamento do solo já não tem empregos, nem para os mineiros. Que fazer? Um pequeno estudante arranja um empenho político e amanhece repórter. Um cidadão qualquer fracassou em todas as profissões, quebrou, foi posto fora de um clube de jogo. Que faz? É jornalista. Aquele moço bonito, cuja bolsa parca só se compara à opulência de vontade de freqüentar as rodas chiques, vê-se a beira do abismo? Não há hesitações. Faz-se jornalista. O idiota que quer gastar dinheiro, o industrial esperto, o político com apetites de chefe, estão em crise? Surge imediatamente o jornal para lançá-los, lançado por ele.’ Palavras que demonstram, de longa data, o uso e abuso da profissão de jornalista como campo de ninguém e só reforçam a necessidade de ações eficazes, conscientes e cada vez mais conjuntas num momento em que, depois de muitas conquistas, mais uma vez tentam agredir a regulamentação da atividade jornalística.

Improvisados pelo autodidatismo

Sob o ponto de vista do alicerce intelectual, de condições para a reflexão sobre as práticas profissionais, e de um aprendizado didático-pedagógico organizado e produtivo, a Universidade é o local adequado para formar jornalistas no atual estágio da História da Imprensa, não só brasileira, mas mundial. São pontos ressaltados desde os anos 50 por profissionais experientes, como José Hamilton Ribeiro, Barbosa Lima Sobrinho e Alberto Dines; educadores conceituados, como Carlos Rizzini, Erasmo Nuzzi e José Marques de Melo; e intelectuais como Antonio Gramsci. Um dos grandes historiadores da Imprensa, o jornalista Carlos Rizzini, após ter examinado o desenvolvimento e os resultados do ensino de Jornalismo no mundo e especialmente nos EUA, já afirmava em seu livro O Ensino de Jornalismo, publicado em 1953, que se tomássemos como exemplo a tese de que um jornalista só se forma na prática teríamos de refugar o labor intelectual, o conhecimento e a experiência de séculos, assim como trancar todas as escolas do universo se admitíssemos a inutilidade do estudo, guiados pelas exceções do gênio. ‘Até porque o gênio tem também suas dimensões.’

A comunicação no Brasil tem uma tradição de mais de meio século através do ensino nos cursos de Jornalismo. E muito mais tempo em outras realidades. Historicamente, a idéia de que o Jornalismo é uma atividade para ser ensinada nas escolas superiores foi defendida também por vários empresários do meio, destacando-se Joseph Pulitzer, que patrocinou a criação da primeira escola de Jornalismo nos EUA e também serviu como referência para as primeiras escolas em nosso país.

Apesar da disseminação dos cursos de Jornalismo – a partir do início da década de 50 no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Salvador e Santos – contribuir de forma acentuada para precipitar a questão da regulamentação, muitos anos se passaram para que os jornalistas que se improvisaram pelo autodidatismo e empresários de imprensa que temiam a elevação dos padrões salariais de nível universitário fossem superados por pensamentos de profissionais conscientes e atuantes na mídia.

Constituição é explícita

Posições como a do jornalista Luis Nassif vêm nos últimos anos, aos poucos, contaminando – no bom sentido – os que ainda se mantêm reticentes e os que hoje se formam nas mais diversas instituições do país que possuem cursos de Jornalismo: ‘Seguramente, a redação forma, mais do que a faculdade, profissionais de segundo nível.’ Apoiado em sua larga experiência, Nassif desestimula quaisquer pretensões que possam ser acalentadas sobre as redações enquanto redutos formadores de bons profissionais: ‘A soma de conhecimento das partes, isto é, dos jornalistas, é muito maior do que o produto final, que é o jornal, o telejornal ou o radiojornal. As redações não ficam atrás em nada, em termos de mediocridade: É um esquema opressivo, um clima ideológico castrador. As redações acabam, efetivamente, com qualquer trabalho personalizado.’

Alberto Dines, jornalista e coordenador do Observatório da Imprensa, também tem uma opinião bem definida sobre o assunto: ‘A atividade jornalística é necessariamente multidisciplinar e como combinar conhecimentos senão numa Universidade? A escola de Jornalismo é lamentável onde a Imprensa é lamentável. Onde a Imprensa tem nível e qualificação, estabelece-se uma inter-relação com a Universidade, benéfica para ambas. O importante, então, é melhorar o nível de nossos veículos e dos quadros que os dirigem.’

Um outro aspecto que sempre vem à tona em discussões sobre a formação dos jornalistas é o de que a reserva de mercado impede a liberdade de expressão ou é uma atitude corporativa e inconstitucional. Argumentos que assim podem ser rebatidos: colaboradores têm cada vez mais espaços fixos e se multiplicam pelos veículos; profissionais com salários aquém da realidade, que vivem sob stress permanente e sujeitos a doenças específicas, não podem se considerar privilegiados; e a Constituição é muito explícita em seu artigo 5º, onde se lê que ‘livre é o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer’. E a lei estabelece que a profissão é regulamentada, como tantas outras, fundamentais para a sociedade.

Fábricas de diplomas

O que não é nenhuma novidade, já que, desde 1938, com o Decreto-Lei 910, a profissão de jornalista vem sendo contemplada gradativamente. E, se em algum momento, o foi por uma Junta Militar, não lhe tira a legitimidade, como lembra Dines: ‘O fato de regimes autoritários, oportunisticamente, atenderem legítimas aspirações não as tornam espúrias’ (O Papel do Jornal, Summus, apêndice a 4ª edição).

Vale lembrar também as palavras do advogado e ex-secretário-geral do Ministério da Justiça, José Paulo Cavalcanti Filho: ‘A primeira dificuldade em tratar de um tema como esse consiste na equivocada identificação entre regulamentação e censura.’ Ressalta que essa primeira dificuldade se resolve na compreensão ampla da dimensão institucional da regulamentação. ‘Temos interferências na vida econômica, com a definição de cada uma das políticas setoriais: Educação, Saúde etc., e no campo institucional, onde os controles são generalizados.’ E acrescenta: ‘Devemos compreender também que a idéia da informação como valor absoluto não é senão um mito’ (Informação e Poder, Record, 1994). A própria Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, condiciona o exercício da liberdade de informação (art.10) a deveres e responsabilidades concernentes à privacidade (art.8.2.) e à liberdade de pensamentos, consciência e religião (art.9.2) reunião e associação (art.11.2.). Cavalcanti Filho destaca que a democracia tem fundamento político e ético no direito de livre acesso à informação: à notícia – como fato terminal – e a suas fontes primárias. Mas esse livre acesso vê seus limites sendo progressivamente definidos em todas as legislações modernas, sobretudo em áreas específicas.

Torna-se imprescindível, nesta fase avassaladora de inovações tecnológicas, a interação entre meio acadêmico e mercado. Nas universidades tem-se enfrentado ao longo dos últimos anos avaliações sucessivas (talvez ainda não de todo adequadas) buscando definir melhor as condições dos cursos (outra luta difícil, já que em muitos casos o Estado não cumpre seu papel tanto no investimento nas públicas – salarial e infra-estrutura laboratorial –, quanto na autorização e fiscalização das particulares que proliferam e transformam-se em verdadeiras fábricas de diplomas) e conseqüentemente estabelecer profissionais mais próximos às suas vocações específicas, principalmente regionais.

Paramentos estilosos

É um trabalho árduo, que tem envolvido comissões de professores em grande parte dos sindicatos no país, o Fórum de Professores de Jornalismo, as atividades e realizações de entidades importantes no cenário acadêmico como a Intercom, a Enecos, a Compós, a Abecom, e na interação com os profissionais através do Fórum pela Democratização dos Meios, da Fenaj, com a criação de sua cátedra de Jornalismo, iniciada na UFSC e que caminha para ser instalada em breve na UFAL.

O que se espera urgentemente é que as empresas revejam suas condições de atuação, pois como diz o jornalista Ricardo Noblat em seu livro A arte de fazer jornal diário, ‘a concentração de veículos de comunicação nas mãos de poucos donos conspira contra o Jornalismo de qualidade e é uma séria ameaça ao pluralismo de opinião. Jornalismo nada tem a ver com essas corporações. Elas reconhecem o impacto poderoso da mídia no processo político. Sabem quanto a mídia ajuda a formar opinião sobre os assuntos públicos. E querem por meio dela influenciar governos, ampliar seus negócios e lucrar mais. Só isso. O que é muito perigoso’.

É inconcebível que todos os nossos esforços na luta pela formação dos futuros profissionais sejam ‘recompensados’ com inserções de profissionais com paramentos estilosos e embevecidos com o poderio tecnológico e que dizem, ou melhor, especulam: ‘Segundo rumores…’ ou ‘Dizem que….mas ainda temos que investigar…’ É preciso rever muitas coisas nas escolas, mas imprescindível é que as empresas repensem especificamente seus sistemas de seleção, treinamento e – por que não? – seus métodos de produção das informações. Com certeza, temos ainda um longo caminho a percorrer.

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Jornalista, professor da Universidade Federal de Alagoas, diretor do Departamento de Mobilização em Assessoria de Comunicação da Fenaj

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Um longo caminho a percorrer

Por lgarcia em 30/09/2003 na edição 244

ENSINO DE JORNALISMO

Boanerges Lopes (*)

Demonstrar a importância da formação acadêmica para o pleno exercício do jornalismo não tem sido uma tarefa fácil ao longo da história da comunicação no país. Estimular o engajamento de profissionais e estudantes é lidar com barreiras quase intransponíveis e muitas vezes enfrentar estranhos hiatos regulados com um certo marasmo que os envolve. O que tem dado chance para situações as mais absurdas possíveis: angústia e ansiedade acompanharam estudantes, recém-formados e profissionais nos dois últimos anos até a recente decisão da desembargadora Alda Bastos que retoma a obrigatoriedade do diploma.

Como lembra a jornalista e professora Cremilda Medina, desde o início do século, sempre que o jornalista consegue ora privilégios (isenção de imposto de renda, descontos de 50% em bilhetes de viagem, credenciais especiais etc.), ora "encostar-se" em algum cargo governamental ou obter alguma fonte de renda complementar aplacam-se seus impulsos de luta pela profissionalização, por aumentos de salários, por regulamentação da carreira, e ele deixa de se preocupar em delimitar precisamente sua função específica.

O cronista João do Rio talvez tenha sido bem duro ao expressar o descaso com a profissão. Mas não faltou com a verdade: "O povoamento do solo já não tem empregos, nem para os mineiros. Que fazer? Seja jornalista. Um pequeno estudante arranja um empenho político e amanhece repórter. Um cidadão qualquer fracassou em todas as profissões, quebrou, foi posto fora de um clube de jogo. Que faz? É jornalista. Aquele moço bonito, cuja bolsa parca só se compara à opulência de vontade de freqüentar as rodas chiques, vê-se à beira do abismo? Não há hesitações. Faz-se jornalista. O idiota que quer gastar dinheiro, o industrial esperto, o político com apetite de chefe, estão em crise? Surge imediatamente o jornal para lançá-los, lançado por eles". Vêm de longa data o uso e o abuso da profissão de jornalista como "campo de ninguém". O que só reforça a necessidade de ações eficazes, conscientes e cada vez mais conjuntas.

Exceções do gênio

Sob o ponto de vista do alicerce intelectual, de condições para a reflexão sobre as práticas profissionais, e de um aprendizado didático-pedagógico organizado e produtivo, a universidade é o local adequado para formar jornalistas no atual estágio da história da imprensa, não só brasileira, mas mundial.

São pontos ressaltados desde os anos 1950 por profissionais experientes como José Hamilton Ribeiro, Barbosa Lima Sobrinho e Mário Erbolato; educadores conceituados como Carlos Rizzini, Erasmo Nuzzi e José Marques de Melo; e, antes disso, intelectuais como Antonio Gramsci. Um dos grandes historiadores da imprensa, o jornalista Carlos Rizzini já afirmava em seu livro O ensino de Jornalismo, publicado em 1953, após ter examinado o desenvolvimento e os resultados do ensino de Jornalismo no mundo e especialmente nos EUA, que se tomássemos como exemplo a tese de que um jornalista só se forma na prática teríamos de refugar o labor intelectual, o conhecimento e a experiência de séculos. E de trancar todas as escolas do universo se admitíssemos a inutilidade do estudo, guiados pelas exceções do gênio. "Até porque o gênio tem também suas dimensões".

Inter-relação benéfica

A comunicação no Brasil tem tradição de mais de meio século no ensino nos cursos de Jornalismo. E muito mais tempo em outras realidades. Historicamente, a idéia de que o jornalismo é uma atividade para ser ensinada nas escolas superiores foi defendida também por vários empresários do meio, destacando-se Joseph Pulitzer, que patrocinou a criação da primeira escola de Jornalismo nos EUA. Serviu como referência para as primeiras escolas em nosso país. Apesar de a disseminação dos cursos de Jornalismo a partir do início da década de 50 ? Rio, São Paulo, Porto Alegre, Salvador e Santos ? contribuir de forma acentuada para precipitar a questão da regulamentação, muitos anos se passaram para que os jornalistas que se improvisaram pelo autodidatismo e empresários de imprensa que temiam a elevação dos padrões salariais de nível universitário fossem superados por pensamentos de profissionais conscientes e atuantes na mídia.

Infelizmente ainda hoje travamos verdadeiras "batalhas" contra o aproveitamento de mão-de-obra barata dos estágios que continuam proibidos, mas que são realizados ilegalmente sem quaisquer preocupações com aprendizado e conseqüentemente com qualidade. Desde meados dos anos 1990 a Fenaj vem aprimorando o seu Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação Profissional dos Jornalistas e constituindo comissões de gestão de qualidade do ensino nos sindicatos para acompanhar projetos de estágio, desenvolvidos em conjunto pelas empresas e universidades. Experiências bem interessantes têm acontecido em Santa Catarina, São Paulo e Alagoas. Que devem se consolidar com a aprovação do projeto do Conselho Federal de Jornalismo, que prevê entre vários pontos importantes a regulamentação do estágio.

O jornalista Alberto Dines, editor-responsável do Observatório da Imprensa, tem uma opinião interessante sobre o assunto: "A atividade jornalística é necessariamente multidisciplinar e como combinar conhecimentos senão numa universidade? A escola de Jornalismo é lamentável onde a imprensa é lamentável. Onde a imprensa tem nível e qualificação estabelece-se uma inter-relação com a universidade, benéfica para ambas. O importante então é melhorar o nível de nossos veículos e dos quadros que os dirigem" (Dines, 4? edição, p.155, 1986).

Livre acesso

Um outro aspecto que sempre vem à tona em discussões sobre a formação dos jornalistas é o de que a reserva de mercado impede a liberdade de expressão ou é uma atitude corporativa e inconstitucional. Argumentos que assim podem ser respondidos:

1) Colaboradores têm cada vez mais espaços e se multiplicam pelos veículos;

2) Profissionais com salários aquém da realidade, que vivem sob estresse permanente e sujeitos a doenças específicas da profissão não podem se considerar privilegiados;

3) A Constituição é muito explícita em seu artigo 5?, onde se lê que "livre é o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". E a lei estabelece que a profissão é regulamentada, como tantas outras, fundamentais para a sociedade. O que não é nenhuma novidade, já que desde 1938, com o Decreto-Lei 910, a profissão vem sendo contemplada gradativamente. E provavelmente mais uma vez se reforçará com o projeto do Conselho Federal de Jornalismo, já nas mãos do presidente da República.

Sobre este &uacuacute;ltimo ponto, o advogado e ex-secretário geral do Ministério da Justiça José Paulo Cavalcanti Filho diz o seguinte: "A primeira dificuldade em tratar de um tema como esse consiste na equivocada identificação entre regulamentação e censura". Ressalta que essa primeira dificuldade se resolve na compreensão ampla da dimensão institucional da regulamentação. "Temos interferências na vida econômica, com a definição de cada uma das políticas setoriais: Educação, Saúde etc., e no campo institucional, onde os controles são generalizados". E acrescenta: "Devemos compreender também que a idéia da informação como valor absoluto não é senão um mito" (Informação e poder, Record, 1994).

A própria Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, condiciona o exercício da liberdade de informação (art. 10) a deveres e responsabilidades; concernentes à privacidade (art. 8.2.) e à liberdade de pensamentos, consciência e religião (art. 9.2) reunião e associação (art. 11.2.)". Cavalcanti Filho destaca que a democracia tem fundamento político e ético no direito de livre acesso à informação: à notícia ? como fato terminal ? e as suas fontes primárias. Mas esse livre acesso vê seus limites sendo progressivamente definidos em todas as legislações modernas, sobretudo em áreas específicas.

Interação

Torna-se imprescindível nesta fase avassaladora de inovações tecnológicas a interação entre meio acadêmico e mercado. Nas universidades têm-se enfrentado ao longo dos últimos anos avaliações sucessivas (talvez ainda não de todo adequadas) buscando definir melhor as condições dos cursos (outra luta difícil já que em muitos casos o Estado não cumpre seu papel ? tanto no investimento nas públicas ? salarial e infra-estrutura laboratorial ? quanto na autorização e fiscalização das particulares que proliferam e transformam-se em verdadeiras fábricas de diplomas).

É preciso também estabelecer profissionais mais próximos às suas vocações específicas, principalmente regionais. Trabalho árduo, que tem envolvido comissões de professores em grande parte dos sindicatos no país, o Fórum de Professores de Jornalismo já na sua sexta edição, as atividades e realizações de entidades importantes no cenário acadêmico, como a Intercom, a Enecos, a Compós, a Abecom, e na interação com os profissionais por intermédio do Fórum pela Democratização dos Meios, e da Fenaj com sua Cátedra de Jornalismo e Cidadania.

"Recompensa"

O que urge é que as empresas revejam suas condições de atuação, pois como diz o jornalista Ricardo Noblat (2002, p.14) "a concentração de veículos de comunicação nas mãos de poucos donos conspira contra o jornalismo de qualidade e é uma séria ameaça ao pluralismo de opinião. Jornalismo nada tem a ver com essas corporações".

É inconcebível que todos os esforços na luta pela formação dos futuros profissionais sejam "recompensados" com inserções de profissionais em paramentos estilosos e embevecidos pelo poderio tecnológico e que dizem, ou melhor, especulam: "Segundo rumores…" ou "Dizem que… mas ainda temos que investigar…" É preciso rever muitas coisas nas escolas mas imprescindível é que as empresas repensem especificamente seus sistemas de seleção, treinamento e ? por que não? ? seus métodos de produção das informações. Com certeza temos ainda um longo caminho a percorrer.

(*) Jornalista e professor da UFAL, doutor em Comunicação pela UFRJ

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