Domingo, 31 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Sob críticas, Google muda suas políticas de privacidade

Por Melissa Cruz em 06/03/2012 na edição 684

Toda mudança provoca reações e com a Google não seria diferente. Nesta quinta-feira (01/03) entrou em vigor para todos os usuários a nova política de privacidade da companhia, que concentra 60 de suas normas em apenas uma. Antes, havia um termo de uso para cada serviço mas com o novo modelo, que se aplica a todos eles, as normas foram “simplificadas” pela companhia, o que gerou críticas e debates em sites e jornais. A gigante de buscas tem alertado seus usuários desde janeiro e, nos últimos dias, os alertas ganharam mais destaque nas páginas da companhia.

A partir de agora, a Google vai compartilhar informações de usuários entre seus diferentes sites para que, quando conectados às suas contas, sejam reconhecidos. Com isso, a companhia poderá sugerir termos de pesquisa, vídeos ou adequar os resultados de busca de acordo com os interesses captados de dados de Google+ e YouTube, por exemplo. E, sobretudo, recolher ainda mais informações sobre os hábitos de navegação do internauta, dados preciosos para a venda de links patrocinados e banners direcionados. Contatos de Gmail também estão inclusos na nova organização de dados pessoais.

De acordo com a Google, que recebeu críticas nos Estados Unidos e na Europa, a empresa manterá os mesmos controles de privacidade que os usuários já conhecem. “Não estamos coletando informações novas ou adicionais. Não vamos vender dados pessoais. E continuaremos a nos esforçar para manter informações seguras”, defendeu a companhia. O diretor de comunicação e políticas públicas da Google no Brasil, Felix Ximenes, reforçou que as mudanças são apenas uma forma de tornar a navegação e a própria política de privacidade “mais simples e intuitivas”. O executivo convida aos usuários a conhecerem as novas normasque estão mais simples de serem compreendidas, em menos palavras. “Fico surpreso com a inquietude. Todas as empresas mudam constantemente seus termos de uso e ninguém dá muita atenção” disse. “Esse é um gesto de transparência muito grande da Google” completou. Segundo Ximenes, como havia uma política para cada serviço, qualquer mudança implicava alterações em quase todas as outras, o que naturalmente provocava alguma discrepância nos termos de uso.

Nova política desrespeita leis europeias

Os usuários Google precisam aceitar a mudança, informada em links espalhados por todos os sites da companhia. Eles não podem optar por não participar se quiserem continuar utilizando serviços. Entretanto, caso não cliquem em “já entendi”, o uso continuado da ferramenta caracteriza a aceitação das novas políticas de privacidade. Caso o usuário não concorde, poderá editar suas configurações pessoais ou desativar o histórico de pesquisas, além de usar o Chrome com navegação anônima. “Ele poderá manter a sua conta Google que estará sobre a nova política, e fazer o logout quando quiser usar serviços como Mapas, busca e YouTube que permanecem disponíveis mesmo sem fazer login” explicou Ximenes.

Na Europa, agências de proteção de dados pessoais apontam que a nova política de privacidade da Google está violando leis do bloco. A comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding, disse que órgãos reguladores como a Comission Nationale de l’Informatique e des Libertés (CNIL), na França, também levantaram dúvidas. Reding disse à BBC Radio Four nesta quinta-feira que autoridades pediram às contrapartes francesas uma análise do texto e que eles chegaram à conclusão de que as novas regras não estão de acordo com a lei europeia e com as regras de transparência.

Questionada sobre quais aspectos da nova política da Google poderiam estar desrespeitando as leis da União Europeia, Reding disse que “são vários os aspectos”. “Um deles é que ninguém foi consultado” disse. Para Reding, a maior parte dos usuários não está ciente sobre o que esta concordando. “Cerca de 70% deles (os usuários) usam raramente, ou nunca, os termos e condições, que são escritos em letras pequenas e costumam ser complicados para o usuário comum” disse.

Empresa afirma que não vai dificultar controle

Já nos EUA, as mudanças na política de privacidade da Google estão chamando a atenção de membros do Congresso. Um grupo de oito congressistas dos EUA questionaram se a nova política de privacidade permitirá que os usuários não façam parte do novo sistema de informação compartilhada e expressou preocupação pela segurança dos dados.

Para minimizar preocupações dos parlamentares americanos, a Google publicou um post em seu blog reafirmando que não vai dificultar o controle, por parte dos usuários, dos dados coletados pela companhia. Na ocasião, a companhia fez uma defesa pública de sua nova políticas de privacidade que cria uma política global para todos os seus produtos.

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[Melissa Cruz, do Globo.com]

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