Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Facebook luta para manter seu prestígio na web

Por Jenna Wotham, Vindu Goel e Nicole Perlroth em 26/11/2013 na edição 774

Quando Evan Spiegel consultou uma bola de cristal para adivinhar o futuro da sua companhia, a Snapchat, ele não viu ali o Facebook. Ele enxergou outra coisa, muito maior – uma rede social que poderia existir por conta própria, sem o Facebook. O Facebook ainda é a rede social dominante e tem sido atrativo para muitas startups. E a Snapchat muito provavelmente rejeitou a oferta do Facebook, em partes, porque acha que poderá ganhar muito mais do que os US$ 3 bilhões que a companhia estava oferecendo.

Mas o desdém também prenuncia um possível futuro em que o Facebook não será mais o local imprescindível na internet para as pessoas se conectarem. A ascensão rápida de novas empresas de pequeno porte como a Snapchat num ambiente de mídia social que muda velozmente sugere uma nova realidade sobre como e onde as pessoas querem passar seu tempo. A recusa também revela como a percepção do Facebook no setor de tecnologia vem mudando. À medida que a outrora startup se transforma numa enorme corporação, as empresas mais jovens que se consideram mais disruptivas não acham mais o Facebook tão atraente. Sem falar que muitas vêm tentando oferecer alternativas à rede social e isto significa que ser comprada pelo Facebook frustraria o seu objetivo.

Apesar da primazia da rede social no mercado, alguns dados sugerem que o vício está dando lugar à fadiga, pelo menos entre alguns usuários. Um estudo feito pelo Pew Internet e o American Life Project concluiu que a maioria dos usuários faz uma pausa de algumas semanas do serviço, citando o tédio e a irrelevância do seu conteúdo.

Fontes de crescimento

Entre os usuários jovens – em idade de 18 a 29 anos – que projetaram o Facebook, levando-o a se tornar o site social predominante, 38% disseram que pretendem ficar menos tempo na rede social este ano. A pesquisa confirmou algo que a empresa já sabia. Em sua última conferência com os investidores, seus executivos disseram que os usuários mais jovens estão passando menos tempo usando o serviço, mas que no geral o envolvimento dos adolescentes segue estável.

Mas este cansaço também deu início ao abandono paulatino dos desenvolvedores que criam aplicativos para a plataforma do Facebook. Depois de mudar suas regras e tornar mais difícil para os aplicativos se tornarem virais, a empresa vem tentando atrair os desenvolvedores de volta, oferecendo condições mais favoráveis. Em uma conferência realizada um dia depois da notícia sobre a rejeição da oferta pela Snapchat, os gerentes de produto do Facebook insistiram para os desenvolvedores incorporarem o Graph Search – recurso de busca social da empresa.

Para qualquer grande companhia como o site social, encontrar novas fontes de crescimento é um desafio. Seus executivos usaram as aquisições feitas para promover este crescimento. Identificar empresas potenciais e adquiri-las rapidamente e a um preço acessível é importante para o sucesso continuar.

Crise de identidade

No caso da Snapchat, sua compatibilidade com o Facebook é vaga. A startup está concentrada no que é temporário e oferece privacidade e anonimato. O Facebook instiga constantemente seus usuários a compartilhar mais e mais e tem como base identidades reais.

A oferta de compra da startup pareceu uma tentativa de trazer algo novo para os jovens usuários. Há três anos o serviço nem existia e o Facebook era a empresa do momento. Agora, o Snapchat pode muito bem assumir a liderança. “É desconcertante”, disse Christopher Poole, de 25 anos, fundador do 4chan, caixa de mensagens. “De uma perspectiva empresarial, eu compreendo. Mas do ponto de vista cultural é caso de perguntar ‘espere, e daí?”

Para ele, a tentativa de adquirir a Snapchat pode apontar para uma crise de identidade. “Significa que estão pretendendo incorporar uma identidade alternativa ao Facebook ou estão se sentindo ameaçados pelo Snapchat, achando que podem perder o comando da situação?”

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Jenna Wotham, Vindu Goel e Nicole Perlroth, do New York Times

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