Domingo, 07 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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IPs antigos estão próximos do fim

Por Murilo Roncolato em 26/11/2013 na edição 774

A analogia reflete em partes o que está acontecendo na internet. No lugar do CEP, são os números IPs (Protocolo de internet) que devem se esgotar no primeiro semestre de 2014. Um novo formato de endereço online existe (foi criado em 1996) e pode permitir um número quase infinito de novos IPs. Para funcionar, bastaria que todos na internet adotassem a novidade. E é aí que está o problema.

O “novo” protocolo é o chamado IPv6, que veio para suceder o IPv4, de 1981. Quando o IPv4 foi desenhado para suportar 4,3 bilhões de IPs, não se previa a popularização da internet nem o surgimento de quase 2 bilhões de celulares conectados. Para ajudar, redes adaptadas ao IPv6 não conversam com redes IPv4. Por isso, a transição precisa ser feita em conjunto com os diferentes atores da rede para não gerar “duas internets”.

São eles: os fabricantes de equipamentos (celulares, roteadores), que precisam estar atualizados; provedores de conexão, que precisam adaptar suas redes; os usuários, que devem atualizar os equipamentos conectados; e os provedores de conteúdo (como Google, Facebook e governos), que precisam ajustar seus serviços e aplicações para ficarem acessíveis. Na corrida, o Brasil está para trás, mas não perde de muito, já que o resto do globo também não se adiantou.

 

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Medida

O Google, que fez a transição para IPv6 em junho de 2012, mede a adoção do novo protocolo entre os países tomando como base a quantidade de acessos ao seus serviços pela nova rede.

Segundo seu ranking, o primeiro colocado é a Suíça, com 9,69%; seguida por Romênia (7,61%), Alemanha (5,21%), França ( 4,96%) e EUA (4,71%). Na América Latina, o Peru lidera, com 4,29% de adoção; seguido por Equador (0,11%) e Brasil (0,04%).

Antonio Moreiras é o engenheiro responsável pelo IPv6 no Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade responsável pelos endereços da web no País. Seu trabalho é articular governos, provedores de conexão e conteúdo, fabricantes e usuários, para incentivar a adoção do novo protocolo o quanto antes.

“Como não existia uma data clara para o IPv4 acabar, todos foram empurrando essa história com a barriga. As empresas, em particular os provedores de conexão, já deveriam ter começado a transição há algum tempo, até porque não se faz isso do dia para a noite”, diz.

No Brasil, nenhum site governamental (.gov.br) se adaptou. Para andar, os órgãos federais dependem de uma determinação da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento. A secretária adjunta, Nazaré Bretas, diz que um cronograma está sendo desenvolvido. “É preciso algo com mais planejamento, mais orquestrado de forma a sinalizar a questão como estratégica pela instância federal”, diz. “Precisamos elaborar o esquema para as coisas fluírem rapidamente, e não se trata de uma questão que qualquer uma das estruturas envolvidas (operadoras, fabricantes, etc) possa equacionar sozinha.”

Charles Costa, diretor do SindiTelebrasil, que representa as telecoms, diz que as operadoras estão se adequando. “Nossa previsão é de que a migração se conclua ainda em 2014”, diz. Segundo ele, para a transição será necessário oferecer as duas redes simultaneamente. Em função do esgotamento da oferta de IPs antigos, será usada uma técnica conhecida pela sigla NAT (Network Address Translation), que permitirá às operadoras compartilhar IPs já existentes de usuários.

O engenheiro Eduardo Tude, da consultoria Teleco, compara o IP compartilhado aos prédios, onde todos os apartamentos têm o mesmo endereço. “O NAT vai dar o mesmo endereço para até mil pessoas. Problemas podem ocorrer, mas nada que seja o fim do mundo.”

Antonio Moreiras, do NIC.br, diz que ter muitas pessoas sob o mesmo IP pode dificultar investigações, gerar problemas com aplicações P2P (peer-to-peer) e mal desempenho de serviços de voz por IP, como Skype.

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Murilo Roncolato, do Estado de S.Paulo

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