Terça-feira, 04 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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O bem-estar também pode ser encontrado nas redes sociais

Por Luciano Martins Costa em 26/11/2013 na edição 774

O bem-estar está disponível nas redes sociais digitais

Qual é a palavra central para entendermos a vida contemporânea, com a qual poderíamos criar uma metáfora adequada para que a experiência acumulada nos ajudasse a criar uma estratégia para os anos futuros?

Muita gente madura diria que a questão central da vida é individualidade. Há muitas teorias nos campos da comunicação e do comportamento humano apontando para um mundo composto por variados sistemas de eus, que eventualmente convergem para uma ação comum, por exemplo, para curtir uma música ou protestar contra esta ou aquela ação do poder público.

Outros teóricos ponderam que a vida atual não pode ser compreendida se você não aceitar que nada é sólido, ou seja, que tudo ao nosso redor está constantemente se liquefazendo como um iceberg na linha do equador.

Também há aqueles que afirmam que o conceito fundamental da modernidade seria o fim da própria modernidade, e que estaríamos vivendo um pós-tudo: pós-História, pós-ética, pós-família, pós-religião.

Conectados a essa linha seguem os adeptos da ideia segundo a qual o mundo real desapareceu e estamos todos imersos numa espécie de Matrix, ou seja, tudo que existe é virtual, nada é real e até mesmo nossa consciência seria uma projeção do grande sistema de simulacros.

Espetáculo da vida

As pessoas mais experientes vivem um estado permanente de angústia, que já foi descrito por muitos autores, desde Freud, com seu Mal-Estar na Civilização. Na verdade, os franceses exportaram uma descrição perfeita para essa sensação, a malaise, na qual juntamos as angústias existenciais com a melancolia dos sonhos desfeitos e a saudade produzida por aquela percepção de que “antes era melhor”.

Muitos se referem a uma suposta felicidade anterior como “no meu tempo”, sem se darem conta de que, ao se referirem a um tempo qualquer, estão reforçando sua conexão inevitável com o tempo presente.

Na verdade, qualquer uma dessas expressões serviria para definir a existência para quem se sente deslocado da contemporaneidade. No entanto, nunca em toda a história da humanidade a experiência foi tão fundamental para o ser humano compreender o mundo. Basta observar como as tecnologias de informação e comunicação entregam em suas mãos os meios de produção e compartilhamento de sua própria visão de mundo.

Aqui, por exemplo, neste Próximo Ato, está a oportunidade para compartilhar o que a vivência produziu de melhor e contribuir para que outros encontrem um significado no que parece um mundo caótico.

A propósito, todas as alternativas anteriores, somadas, definem da melhor maneira o mundo de hoje. Mas todos esses conceitos precisam ser colados com uma característica aglutinadora: a espetacularização. Tudo que se projeta no ambiente hipermediado pelas tecnologias digitais só faz sentido se produzir um efeito espetacular.

Então, para ir à essência das coisas, é necessário descontar o aspecto espetacular de tudo que aparece na nossa frente. Por baixo do brilho estará o mundo real.

Nenhuma tecnologia, por si só, contribui para melhorar as condições humanas ou para reduzir o bem-estar da humanidade. Todas dependem da forma como nos apropriamos delas.

Um estudo publicado recentemente pelo coletivo de cientistas chamado The Edge (edge.org) demonstra que o uso das tecnologias digitais torna a mente mais ágil e o compartilhamento de imagens bem-humoradas estimula o desempenho do cérebro.

Quando aquela sensação de malaise se aproximar, pegue seu aparelho digital, entre numa rede social e assista um vídeo bem-humorado que tenha muitos milhares de visitas: o espetáculo da vida está disponível em milhões de canais. O controle é seu.

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Luciano Martins Costa é jornalista, escritor, editor do programa radiofônico do Observatório da Imprensa, coordenador do curso Gestão de Mídias Digitais do GV-PEC e autor do ensaio O Mal-Estar na Globalização

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