Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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A revolução da mobilidade

Por Ethevaldo Siqueira em 08/02/2011 na edição 628

Para uma população de 190 milhões de habitantes, o Brasil dispõe hoje de 203 milhões de celulares em serviço, o que lhe dá a densidade média de 107 celulares por 100 habitantes. O mundo, por sua vez, conta neste momento com 5,3 bilhões de telefones móveis para uma população de 6,8 bilhões de habitantes e deverá alcançar a universalização da comunicação móvel e quebrar a barreira dos 100% de penetração em menos de cinco anos.

A humanidade vive, portanto, a revolução da mobilidade. E a grande tendência, do ponto de vista do conteúdo da comunicação, é a predominância do uso do vídeo móvel e das imagens sobre o texto e a voz na internet.

Esse impacto da imagem faz crescer de forma explosiva a demanda por banda de frequência e de velocidade de transmissão dos dados.

Um estudo especial, elaborado pela Cisco Systems e divulgado na terça-feira passada, faz um retrato atual e projeta o futuro da mobilidade para os próximos cinco anos. Seu título: ‘Índice de Redes Visuais: previsão do tráfego de dados móveis globais, atualizada para o período 2010-2015’ (de ‘Visual Networking Index: Global Mobile Data Traffic Forecast Update, 2010-2015’).

Universalização

Entre outras conclusões, a pesquisa prevê que, em 2015, os prováveis 7,3 bilhões de habitantes do planeta estarão usando mais de 8 bilhões de dispositivos móveis, entre os quais celulares comuns, smartphones, tablets, netbooks, iPods e outros.

Imagine a reação das pessoas, se um visionário ou futurologista tivesse feito essa previsão há 10 anos. Seria, certamente, ridicularizado e considerado louco.

Ou se alguém previsse que Brasília teria este ano mais de 170 celulares por 100 habitantes, como, realmente, tem.

Existem numerosas outras projeções interessantes e surpreendentes na última versão desse estudo anual preparado pela Cisco Systems.

Há exatamente um ano, a versão anterior do estudo previa que o tráfego de dados móveis no mundo alcançaria o volume de 3,6 exabytes em 2014 e muita gente supôs que havia exagero nessa previsão. Neste ano, feitas as correções, a projeção para os próximos cinco anos se revelou modesta e tímida, pois o mundo de 2015 produzirá um tráfego de dados móveis da ordem de 6,3 exabytes.

Como o exabyte não faz parte de nosso cotidiano, vale a pena recordar que essa unidade de informação equivale a um quintilhão de bytes.

Em notação científica, um quintilhão é escrito com o número 10 elevado à 18.ª potência, ou seja, a unidade seguida de 18 zeros.

Múltiplas redes

As redes móveis terão diversas formas de acesso – via celular 3G e 4G, bem como via redes sem fio Wi-Fi, WiMax, WiMesh e outras. Em 2014, a expectativa é a de que 208 milhões de tablets entrem no mercado.

Para atender à demanda desses novos dispositivos móveis, o mundo tem de investir maciçamente em redes sem fio, de banda larga. E a maioria dos usuários dessas redes serão usuários profissionais que utilizarão a comunicação móvel para trabalhar e para o comércio eletrônico.

Mas há outras projeções que nos surpreendem ainda mais: o tráfego de comunicação de dados móveis em 2015 será 26 vezes maior do que o de 2010; e o número de tablets vendidos será superior a 300 milhões de unidades.

O volume de dados móveis alcançará o nível de 6,3 exabytes por mês ou o total de 75 exabytes por ano.

Isso corresponderá ao conteúdo de 19 bilhões de DVDs ou 536 quatrilhões de mensagens de textos (SMS ou torpedos), ou ainda 75 vezes o volume total de dados em protocolo IP gerados pela internet no ano 2000.

Aliás, o mundo já vive essa explosão do tráfego de dados móveis, cujo volume cresceu 159% de 2009 para 2010. Nenhum outro insumo ou atividade econômica no mundo de hoje cresce a uma taxa de 150% ao ano. Em 2010, o volume de dados alcançou a média mensal de 237 petabytes (PB) ou o equivalente ao conteúdo de 60 milhões de DVDs.

O tráfego de dados móveis globais cresceu 4,2 vezes mais rápido do que o tráfego de banda larga fixa em 2010. O maior crescimento anual regional de dados móveis nos próximos cinco anos será do Oriente Médio (129%), seguido da América Latina (111%).

A Índia tem hoje a maior taxa de crescimento do tráfego de dados móveis do mundo, com um incremento anual da ordem de 158% – com essa taxa anual, esse tráfego em 2015 será 118 vezes superior ao atual. Seguem-se países como África do Sul (87 vezes) e México (66 vezes).

Desafio mundial

Como provam os dados relativos ao crescimento do tráfego de dados das redes sem fio, a utilização do vídeo móvel é o maior fator de demanda de redes móveis de alta velocidade nas comunicações nos próximos cinco anos, em todo o mundo. Diante desse cenário, todos os governos deveriam preocupar-se com o futuro de suas redes sem fio e dar-lhes maior prioridade em seus projetos nacionais.

Poucos países, no entanto, parecem conscientes dessa prioridade. Desse modo, são bem-vindos todos os estudos independentes, elaborados por grandes corporações ou universidades, que poderão ter papel relevante na preparação de cidadãos e empresas para o futuro que nos espera.

Entre as raras exceções a esse comportamento, estão, entre outros países, a Coreia do Sul, a Finlândia, Suécia, Japão e países menores, como Luxemburgo, Taiwan e Cingapura.

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Jornalista

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