Domingo, 09 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Cinco gols da mídia e tecnologia em 2011

Por Tiago Dória em 20/12/2011 na edição 673

Esse é um texto que as pessoas sempre pedem que eu faça. Compartilho com vocês cinco pontos que chamaram a atenção em 2011 na área de mídia e tecnologias emergentes (não necessariamente na ordem de importância).

1. Monetizar a audiência e não o conteúdo

Em 2011, o NYTimes.com impressionou muita gente ao apresentar resultados positivos com a medida de adotar um sistema de cobrança.

Quem não é assinante do jornal pode ler de graça 20 artigos por mês. Mais do que isso, é convidado a assinar um plano de acesso. O conteúdo via sistemas de busca, blogs e plataformas de redes sociais continua com acesso gratuito e sem limite de leitura.

Normalmente, quando se pensa em sistema de cobrança, logo vem à memória o modelo mais tradicional, ainda adotado no Brasil, e que já se mostra superado em diversas partes do mundo – o de quebrar o conteúdo em dois – pago e gratuito. Neste caso, o critério para cobrança é o conteúdo.

No caso do NYTimes, o critério de cobrança não é pelo tipo de conteúdo (analítico ou hardnews, especializado ou generalista, exclusivo ou não), mas sim pelo tipo de audiência (quem lê mais, quem lê menos; quem é mais fiel ou não). Ou seja, o jornal busca explorar melhor a base mais fiel de leitores da publicação, que, de uma forma ou outra, pagaria pelo acesso.

O modelo mantém o conteúdo aberto e ainda converte em pagantes a base mais fiel de leitores. Em outubro, o Independent anunciou que adotaria o mesmo modelo, totalizando 3 sites de notícias que utilizam a dinâmica de monetizar a audiência e não o conteúdo (NYTimes, Financial Times e Independent).

2. Interfaces web e mobile mais integradas e homogêneas

Para suportar experiências mais intuitivas e unificadas, aos poucos, as empresas estão mesclando a visão mobile com a desktop. Como consequência, elementos de uma estão na outra e a experiência entre os dispositivos – smartphones, tablets, desktop – está cada vez mais uniforme.

Em 2011, isso se refletiu com o lançamento do sistema operacional Mac OS Lion. A Apple trouxe diversos elementos da interface dos tablets para o desktop.

A Microsoft seguiu caminho idêntico ao apresentar o Windows 8, que levou para o desktop vários recursos visuais do sistema Windows Phone 7.

Do mesmo modo, na área de mídia, a BBC lançou uma nova versão de sua home que mistura elementos do desktop com o mobile/touch.

Para reforçar a tendência, no finalzinho do ano, o Twitter também seguiu dinâmica parecida ao lançar o seu novo layout, que mescla ainda mais a experiência mobile com a desktop.

3. Do “jornalismo cidadão” à curadoria de conteúdo

Quem é leitor antigo deve se lembrar que, há uns três anos, chegamos à conclusão que uma hora as pessoas iriam desacelerar a dinâmica de enviar conteúdo para os chamados “sites de jornalismo cidadão”. Era um modelo que não iria se sustentar à medida que as pessoas percebessem que, por estarem mais perto de suas redes de contatos, plataformas de vídeos e redes sociais poderiam fornecer bem mais visibilidade e impacto ao conteúdo publicado.

Em 2011, o modelo de sites como CNN iReport, em que você espera que o leitor envie o conteúdo, perdeu ainda mais espaço para o sistema de curadoria no jornalismo. Cada vez menos, as pessoas enviam conteúdo para os “sites de jornalismo de cidadão” e, cada vez mais, enviam para as suas redes de contatos mais próximas, que, no caso, estão no Twitter e no Facebook.

Com isso, os jornalistas são obrigados a ir atrás desse conteúdo e integrá-lo à cobertura de um assunto, reforçando assim a sua habilidade de curador de conteúdo.

O site Storify reflete bem isso. Em 2011, foi eleito um dos mais inovadores na área de jornalismo. Ele permite que você contextualize, destaque e separe o melhor conteúdo publicado nas plataformas de redes sociais sobre um determinado assunto.

4. Consumo simultâneo de conteúdo entre dispositivos

O conceito de segunda tela dominou o noticiário de mídia e tecnologia em 2011. Por trás da ideia, existe uma dinâmica maior, que é o consumo simultâneo de conteúdo entre dispositivos. Enquanto você assiste à TV (primeira tela), acompanha no celular ou tablet (segunda tela) informações adicionais sobre o que está passando na televisão.

Fox, BBC, ABC, ESPN e outras grandes emissoras de TV trabalharam com o conceito. Durante a transmissão do Oscar 2011, houve uma disputa para ver quem dominava a segunda tela.

Ademais, neste ano, diversos estudos indicaram que, com os aplicativos de segunda tela, as pessoas assistem mais à TV e sentem-se mais envolvidas com o conteúdo do programa de TV.

Segundo Lori MacPherson, da Walt Disney Studios, o conceito de segunda tela é um “game changer” no mercado. Neste ano, o grupo de mídia lançou diversos aplicativos de segunda tela para serem utilizados enquanto uma pessoa assiste a um filme.

5. Outposts para estender plataformas de conteúdo

O pesquisador de mídia Chris Brogan fala sobre a necessidade das empresas adotarem outposts – “pontos fora do eixo central de sua presença online onde as empresas podem se conectar com novos consumidores, informações e ideias”.

Segundo Brogan, outposts permitem não somente que sua empresa estenda a sua presença online, fazendo com que o seu conteúdo fique mais visível, mas também se envolva em conversas que estão acontecendo fora do eixo central de sua presença online.

Outposts nada mais são do que perfis em plataformas de redes sociais e blogs. Ou melhor ainda, pensar de modo distribuído. A presença das empresas nestes pontos deve ser um mix entre fidelizar/conversar com os consumidores e levá-los para o eixo central de sua presença online.

Em 2011, com o lançamento do novo sistema de aplicativos, que rodam dentro da própria plataforma de rede social, o Facebook facilitou o processo que o próprio Brogan chama de “crosspolinização” de conteúdo.

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As cidades mais digitais em 2011

A Government Technology, principal publicação sobre a digitalização de governos, anunciou os vencedores do 2011 Digital Cities Survey, concurso que busca identificar as cidades mais digitais nos EUA.

A cidade de Honolulu, no Havaí, liderou o ranking.

Sem qualquer custo para os cidadãos, o município criou o projeto Kokua Wireless, que fornece internet sem fio gratuita para toda a cidade. Por meio de antenas no topo dos prédios, empresas privadas compartilham parte de sua banda ociosa e, em troca, ganham espaços publicitários na rede.

O governo municipal também implementou um sistema de ERP, que digitalizou e integrou todos os dados financeiros da cidade.

A previsão é de uma redução anual dos gastos públicos entre US$ 18 e 35 milhões.

Por sua vez, a cidade de Olathe, no Kansas, abraçou ferramentas sociais – Twitter e Facebook – como uma forma de envolver mais a população em reuniões de orçamento da cidade. Encontros do conselho da cidade passaram a ser transmitidos por uma emissora local, com participação ao vivo dos cidadãos por meio de Twitter e email (no caso de Olathe, a população já tinha uma boa noção de cidadania. A tecnologia foi apenas o combustível para que essa cidadania florescesse ainda mais).

A virtualização de 75% dos servidores da cidade garantiu o terceiro lugar para Roseville, na Califórnia. O processo de virtualização garante maior economia e otimização de uso dos recursos de um servidor.

Percebe-se – o que une todas essas cidades vencedoras do 2011 Digital Cities Survey é um conceito simples. Tratar tecnologia não como meio, mas fator de geração de valor. Lição de casa para municípios em outros países. (T.D.)

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[Tiago Dória é jornalista]

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