Sábado, 15 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Mais perto do limite

Por Rafael Capanema em 10/01/2012 na edição 676

Ao mesmo tempo em que o crescimento das redes sociais já estabelecidas, como o Facebook e o Twitter, se aproxima de um ponto de saturação, elas devem se tornar parte cada vez mais integral do cotidiano em 2012, preveem especialistas.

O carro-chefe dessa tendência é o “compartilhamento sem esforço”, introduzido pelo Facebook em setembro do ano passado, que permite aos usuários propagar automaticamente aos seus amigos as músicas que ouve, os filmes que vê e as notícias que lê na internet.

À medida que mais serviços se integram ao Facebook e a outras redes sociais, vai aumentar a variedade de informação compartilhada: refeições consumidas, horas de sono e distâncias percorridas, por exemplo, aposta Marshall Kirkpatrick, do site de tecnologia ReadWriteWeb.

Novatos

Vivek Wadhwa, pesquisador da Escola de Informação da Universidade de Berkeley, pintou no Washington Post um cenário pessimista para as start-ups (empresas iniciantes) de redes sociais.

“O Vale do Silício é obcecado com mídia social, e os investidores financiaram centenas de start-ups ‘de ocasião’ com bilhões de dólares”, afirma Wadhwa, citando como exemplos “redes sociais para donos de animais de estimação” e “um número ridículo de apps de compartilhamento de fotos”.

O pesquisador afirma que, assim como aplicações baseadas em localização se reduziram a mera funcionalidade de redes maiores, a mídia social vai sobreviver e se tornar parte ainda mais integral do dia a dia. “Mas a festa acabou para investidores e start-ups nesse espaço”, opina.

Segundo Wadhwa, os lucros dessas empresas novatas não corresponderam às expectativas, e a maioria delas se aproxima da falência.

50 bilhões conectados

Nos próximos anos, as informações compartilhadas nas redes sociais irão muito além do conteúdo digital, segundo Kirkpatrick.

Hans Vestberg, executivo-chefe da Ericsson, estima que, em 2020, haverá 50 bilhões de dispositivos conectados à rede, desde eletrônicos até itens triviais -número muito maior do que as atuais 5 bilhões de assinaturas de serviços móveis no mundo.

Kirkpatrick fantasia uma caixa de cereal inteligente, que, ao detectar que a guloseima acabou, executa um pedido de compra de uma caixa nova automaticamente.

“O que vai acontecer depois do seu 50º reabastecimento automático de Cap’n’ Crunch? Você vai ganhar uma medalha de superfã no seu perfil de mídia social, tenho certeza”, afirma Kirkpatrick.

Ele reconhece que a perspectiva de “instrumentação do cotidiano” pode soar assustadora, mas lembra que, poucos anos atrás, postar fotos de si mesmo em redes sociais e usar cartões de débito também parecia estranho.

“Se isso for feito corretamente, com proteções de privacidade, segurança, educação, consenso informado e usuários satisfeitos, esse tipo de engajamento com mídia social pode representar um período enorme e desejável de crescimento na indústria”, afirma.

Em expansão, Siri vai ter Google como rival

Neste ano, o Siri, sistema de comando de voz da Apple, deve se integrar a mais aplicativos e serviços de terceiros e estimular a evolução de tecnologias concorrentes, principalmente a do Google.

Disponível hoje apenas no modelo mais recente do iPhone, o 4S, o Siri deve ser a principal forma de controle das TVs inteligentes que a Apple pode lançar ainda neste ano.

Desenvolvido a partir da tecnologia da empresa homônima adquirida pela Apple em 2010, o Siri impressiona pela flexibilidade na interpretação de frases: para obter a previsão do tempo, por exemplo, pode-se perguntar “vai fazer frio?” ou “preciso sair de casaco?”.

O Siri foi anunciado pela Apple em outubro do ano passado com o aviso de que está em fase beta (de testes) -expediente raro para a empresa e indicação de que ele ainda tem muito a evoluir.

Hoje, o Siri não conversa com aplicativos obtidos na App Store e só é integrado a alguns poucos serviços, como o Google, o buscador WolframAlpha e o site de avaliação de restaurantes Yelp.

O investidor Gary Mergenthaler prevê que a abertura do Siri para desenvolvedores externos gerará uma “corrida do ouro” semelhante à que se viu no lançamento da App Store, em 2008.

“Imagine as possibilidades: jogos com os quais você pode conversar, apps que desenvolvem personalidades, que ensinam crianças e fazem perguntas a elas”, sugere Paul Sloan, editor-executivo do site de tecnologia Cnet.

Em resposta ao Siri, o Google deve lançar neste ano o sucessor de seu Voice Actions (ações de voz), para Android, que hoje entende poucos comandos preestabelecidos.

Com sofisticação semelhante à do Siri, o novo serviço, mantido em segredo, estava previsto para o final de 2011, mas foi adiado, segundo o site Android and Me.

***

[Rafael Capanema é da Redação da Folha de S.Paulo]

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