Segunda-feira, 01 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Empresas precisam deixar intranet convidativa

Por Mary Persia em 06/03/2012 na edição 684

Redes sociais corporativas são realidade para grande número de empresas no Brasil. Mas elas não sabem – ao menos, não oficialmente. Entre no Facebook agora e procure um grupo de funcionários da sua empresa. Ou da concorrência. É grande a probabilidade de encontrar um, ou mais de um. Experiências, ideias e soluções vêm sendo compartilhadas em grupos na internet desde o surgimento dos fóruns e ganharam um novo fluxo com o Orkut. Com o Facebook, as intranets tradicionais perderam de vez como plataformas de diálogo.

Nesta época em que os ativos de conhecimento são, cada vez mais, vantagem competitiva, por que desprezar o capital intelectual que, com alguma garimpagem, pode ser extraído dos ambientes virtuais comunitários? A nova economia ousa sobrepor esse tipo de intangível aos ativos sólidos das empresas, e a Apple é o retrato desta era. É um desafio para as companhias criar um ambiente convidativo ao diálogo entre seus funcionários.

Para essa “intranet social”, vale ter o crowdsourcing em mente. Os processos de criação colaborativa ainda são imaturos, não há protocolos estabelecidos, mas certamente não se dão em ambientes virtuais sisudos como as telas das intranets. Faça um teste. Abra diversas telas no seu navegador, incluindo a da intranet da sua empresa, e verá que ela deve ser a menos convidativa. Muito do digital se desenvolve priorizando a experiência do usuário, não mais especificações técnicas. Não é mais suficiente ser feio e funcionar. Na prática, só se vai à intranet por obrigação.

Repositório de informações indeléveis

Uma intranet atrativa, que convide ao diálogo, expõe o conhecimento do funcionário e mostra o que ele sabe além do que lhe é solicitado dentro da estrutura empresarial. Um bom trabalho de gestão desse ambiente pode detectar ideias alinhadas à cultura organizacional e trazer contribuições à companhia. Mas, assim como as boas ideias, os deslizes também ficam registrados. O abandono da sisudez pode ser um incentivo ao relaxamento do superego e ao surgimento de comentários sem edição. Mudar a plataforma de diálogo pode pedir uma ação educativa.

É como beber na festa de fim de ano na empresa. Estamos acostumados ao consumo do álcool em nossa vida pessoal, mas muitos de nós já presenciamos excessos de colegas. Com sorte, o episódio não vai para o mundo digital, esse democrático repositório de informações indeléveis que, quanto mais cresce, mais subjuga o direito à segunda chance – para beberrões, ex-detentos ou maus funcionários.

***

[Mary Persia é editora de Mídias Sociais da Folha de S.Paulo]

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