Sexta-feira, 29 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Web não é igual para todos no celular

Por Anton Troianovski em 06/03/2012 na edição 684

Uma das maiores operadoras europeias de telefonia celular começou recentemente a oferecer um novo plano na França: por menos de US$ 14 por mês, os clientes podem ter navegação ilimitada na web em seus telefones. Mas o acesso à internet se restringe a dois sites, o Twitter e o Facebook. Para cada 20 minutos gastos em qualquer outro site, o cliente tem de pagar cerca de US$ 0,70.

A Orange Group, da France Télécom SA, é uma das várias operadoras de celular em todo o mundo que estão experimentando compartimentalizar a web em ofertas de acesso limitado e pacotes exclusivos, na esperança de que isso gere vantagens de marketing e lucros mais altos. Na Turquia, a operadora Turkcell permite que os usuários paguem uma taxa mensal só para ter acesso ao Facebook, mas não a redes sociais turcas rivais. A operadora polonesa Play oferece acesso gratuito a alguns sites, incluindo o Facebook, mas cobra por acesso ao resto da web. E nos Estados Unidos, a AT&T Inc. planeja para permitir aos criadores de aplicativos subsidiar o acesso de clientes americanos a serviços. Esses produtos estão na linha, por exemplo, do Vivo On, um plano da Vivo que dá acesso às redes sociais Facebook, Twitter e Orkut, além do uso dos serviços de email Gmail e Hotmail, mas não a outros sites da web.

Tais pacotes restritos ainda são uma exceção, e não a regra. Mesmo assim, eles mostram que o ideal de web aberta que há muito tempo governa o uso da internet está começando a romper-se, à medida que navegação cada vez mais é feita através de celulares e tablets. Os executivos da indústria de telefonia, cansados de serem apenas “canais” por onde flui o valioso tráfego de internet, dizem que precisam oferecer esses novos serviços para que o alto investimento em redes de dados de celular valha a pena.

Grupos de defesa do consumidor criticam AT&T

Mas as empresas que buscam inovar nas ofertas de serviços para celulares temem que a mudança nas regras do jogo acabe favorecendo companhias abastadas que podem pagar pelos novos termos das operadoras. “Com toda a franqueza, não há igualdade de condições”, disse Dilawar Syed, diretor-presidente da Yonja Media Group, firma que administra uma rede social na Turquia, onde a Turkcell permite acesso ilimitado para o Facebook por cerca de US$ 2 por mês. Syed disse que sua empresa, cujo site tem mais de seis milhões de membros, está respondendo com um redesenho da interface móvel do Yonja de forma que consuma menos dados e, dessa forma, reduzir o custo para os usuários.

A AT&T surpreendeu a indústria celular na feira internacional do setor em Barcelona esta semana, quando um dos executivos da segunda maior operadora celular dos EUA descreveu um plano para transferir parte do custo do tráfego de dados para as empresas que o geram. John Donovan, diretor de tecnologia e redes da telefônica, disse ao Wall Street Journal que estava trabalhando em um produto que permitirá que os desenvolvedores e provedores de conteúdo da Web paguem pelos dados celulares que seus produtos consomem, o que significa que certos filmes e aplicativos não seriam incluídos na conta de dados de usuários com planos da AT&T. Donovan disse que a AT&T precisa ser criativa em produzir lucros com sua rede à medida que o tráfego de dados dispara e as empresas de internet ganham dinheiro com serviços entregues aos clientes através delas.

Mas alguns grupos de defesa do consumidor criticaram duramente a proposta de Donovan, dizendo que ela mudaria o campo de jogo da tecnologia celular em favor de empresas estabelecidas com o dinheiro para pagar a AT&T para tornar os seus serviços gratuitos para usuários de celulares.

Operadoras procuram alternativas

A iniciativa das operadoras de permitir acesso especial para alguns sites também tem atraído críticas de defensores da “neutralidade da internet”, que dizem que a web em sua totalidade deve ser igualmente acessível para os usuários. Nos EUA, a Comissão Federal de Comunicação, o órgão governamental que regula o mercado de telecomunicações, aprovou regras de neutralidade da internet que são mais exigentes para as redes terrestres do que as de celular.

O tráfego de internet por redes de celular em todo o mundo mais do que duplicou em cada um dos últimos quatro anos, e em cinco anos será responsável por 10% do tráfego total, segundo dados da fabricante americana de equipamentos para redes Cisco Systems Inc.

As operadoras estão cada vez mais procurando alternativas além de simplesmente cobrar de clientes com base em megabytes ou gigabytes consumidos. E muitas estão concluindo que devem seguir as empresas de tecnologia que mais lucram com o tráfego da internet. A Turkcell informou que a Facebook Inc. não paga pelo direito de ser parte de suas ofertas especiais. Um porta-voz da Orange disse que não poderia comentar sobre se há um acordo comercial. A Facebook se recusou a comentar. Süreyya Ciliv, diretor-presidente da Turkcell Iletisim Hizmetleri AS, disse que decidiu oferecer acesso exclusivo para o Facebook para atrair clientes que não podem pagar um plano mais abrangente, extraindo mais lucro de sua rede de dados.

***

[Anton Troianovski, do Wall Street Journal]

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