Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Nossa vida no data center

Por Ethevaldo Siqueira em 13/03/2012 na edição 685

Que importância têm os data centers em nossa vida? Há alguns anos, eu fiz a mim mesmo essa pergunta e obtive uma resposta contundente: nossa vida, na maioria das cidades, depende do bom funcionamento e da disponibilidade de um ou de vários data centers. Não é exagero. Eles controlam quase tudo em cada segmento da atividade humana: energia, iluminação, telecomunicações, internet, transportes, tráfego urbano, bancos, sistemas de segurança, saúde pública, entretenimento ou até nossa integridade física.

Em suma, o bem-estar e a segurança de bilhões de seres humanos estão entregues a esses centros de controle e supervisão de dados e informações. A maioria das pessoas talvez nem se preocupe muito com isso. Mas as grandes corporações e as instituições públicas, por outro lado, têm a obrigação de levar esse assunto a sério.

Um apagão desses centros nos impediria de fazer uma simples consulta ao Google, já que esse gigantesco portal armazena mais de 700 trilhões de páginas de informações em milhares de data centers espalhados pelo mundo. Muitas pessoas preferem não pensar no problema, até porque, dizem, nada podem fazer para mudar a situação.

Este artigo quer provar que podemos fazer muita coisa.

Que bicho é esse?

Faço uma rápida pesquisa e encontro uma definição clara e didática: “Data center é um local centralizado provido de recursos de computação e de telecomunicações de importância crucial – incluindo servidores, sistemas de armazenamento, bancos de dados, periféricos, redes de acesso, software e aplicativos – operado por pessoal altamente especializado, para uso e controle de indústrias, governo e empresas de serviços.”

Para conhecer melhor as tendências desses centros, entrevistei há poucos dias Henrique Cecci, um dos grandes especialistas no assunto do Grupo Gartner. Provoquei-o de cara, acusando o data center de ser um dos maiores vilões do meio ambiente, por seu absurdo consumo de energia, pelos investimentos brutais que demandam e por seus custos operacionais estratosféricos. “Isso talvez fosse verdadeiro há 15 ou 20 anos. De lá para cá, as coisas mudaram”, diz Cecci. “Os data centers modernos são muito menores e modulares. Essa é a grande tendência corporativa: o crescimento modular. É claro que eles continuam tendo um ciclo de vida longo, mas sua expansão ocorre de forma modular. Da mesma forma que as corporações buscam essa modularidade do desktop ao mainframe, assim também acontece com o data center.”

Os data centers que visitei recentemente comprovam que eles consomem muito menos energia e ocupam muito menos espaço. Crescem à medida que a demanda de serviços vai crescendo. Nascem pequenos e levam em conta o consumo de energia, a emissão de carbono e o aquecimento global. A sustentabilidade e seu impacto no ambiente constituem uma preocupação verdadeira, com resultados muito mais positivos para as próprias empresas, dentro da filosofia da green technology.

A evolução

Para Henrique Cecci, “os data centers modernos têm capacidade de processamento quatro vezes superior aos do passado, embora ocupem apenas 40% do espaço dos antigos”. E não se trata, a rigor, de simples miniaturização de componentes, mas de uma busca permanente pela eficiência geral do sistema, que inclui os conceitos de virtualização (uso das máquinas virtuais) e computação em nuvem.

Os data centers modernos armazenam muito mais dados e informações nos racks ou bastidores do que antigamente, até porque era mais difícil refrigerá-los. As novas tecnologias não apenas possibilitam esse aumento de densidade, mas, também, asseguram melhor refrigeração. Com isso, os data centers modernos ocupam menos espaço. Há ainda outros meios de aumentar a eficiência geral do sistema, como as multizonas, com espaços especializados em alto, médio e baixo nível de processamento.

Outra grande tendência dos data centers é a busca incessante de maiores níveis de segurança, em especial daqueles que servem às áreas de serviços essenciais e setores financeiros. Grandes bancos – como Bradesco, Itaú ou Banco do Brasil – precisam garantir continuidade absoluta de serviços e reduzir praticamente a zero os riscos de interrupção ou de apagões. O mesmo ocorre com as empresas de telecomunicações, em especial depois do advento da internet.

Um evento

Para empresas e profissionais interessados na atualização e nas grandes tendências desse tema, lembramos que será realizada a Conferência Data Center, evento promovido pelo Grupo Gartner, nos próximos dias 3 e 4 de abril, em São Paulo, no Sheraton WTC Hotel (acesse o site www.gartner.com/br/datacenter para obter mais informações).

O evento focalizará outros temas interligados, como otimização de custos, estratégias de virtualização, continuidade dos negócios, cloud computing, crescimento explosivo dos dados, operações de tecnologia da informação (TI), melhores práticas métricas e recomendações da indústria, as 10 principais tendências de TI no mundo, TI na América Latina e as tendências para o Brasil e para os data centers.

***

[Ethevaldo Siqueira é jornalista]

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