Sábado, 06 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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“Ativismo online funciona”

Por Camilo Rocha em 20/03/2012 na edição 686

Como a Avaaz avalia o fenômeno Kony 2012?

Emma Ruby-Sachs – É mais um exemplo de uma verdade reforçada todos os dias: as pessoas do mundo todo querem as mesmas coisas – menos guerra, menos pobreza, proteção aos direitos humanos e ao ambiente. Também querem uma oportunidade de tomar uma atitude concreta e fazer do mundo um lugar melhor. E a internet está reunindo pessoas, dinheiro e informação de maneira mais rápida e efetiva do que jamais aconteceu.

O filme fala em “experiência”. Por que a experiência deu certo e o que ela ensina ao ativismo online?

E.R.-S. – Isso não é mais uma experiência. É um método comprovado de conduzir uma campanha com impacto enorme e de criar engajamento de maneira rápida e global. Ainda é preciso acompanhar como a Invisible Children vai usar seu sucesso, mas tenho esperança de que eles e outras organizações mobilizadas em torno desse tema aproveitem a conversa global que esse vídeo iniciou e conduzam isso para uma solução eficaz.

O vídeo foi acusado de fazer simplificações para atingir o maior número de pessoas possível. Isso é justificável?

E.R.-S. – Na Avaaz, mandamos ao menos um e-mail por semana para 13 milhões de pessoas no mundo inteiro que faz apenas isso: conta uma história curta e precisa e apresenta uma oportunidade de mudança efetiva. Por outro lado, o vídeo alerta sobre um problema real.

O debate global em torno de um conflito que nunca chega às manchetes é uma oportunidade de começar uma nova conversa e reunir energia para fazer algo. A solução envolve cooperação global. As pessoas, quando colocadas diante de uma oportunidade de agir por uma mudança efetiva e sabendo como sua ação vai fazer a diferença, transformam indignação em ação.

O fato de ser tão fácil apoiar uma causa com apenas uns cliques torna as pessoas mais suscetíveis à manipulação?

E.R.-S. – As pessoas querem fatos, querem saber por que agir e por que aquela ação fará diferença. Na Avaaz, submetemos as campanhas à avaliação dos membros, para garantir que eles escolham quais serão encampadas. Volta e meia, quando os fatos de alguma campanha não estão claros e o motivo de ação não é concreto o suficiente, a campanha é reprovada. Kony 2012 contou uma história – ainda que com imprecisões – que muita gente não conhecia e que despertou a vontade de agir. A narrativa básica é comovente e real: Kony é procurado pelo Tribunal Penal Internacional, ele escraviza, sim, crianças, o Exército de Resistência do Senhor de fato ataca vilarejos e sequestra crianças. O fato de isso ter despertado as pessoas a querer fazer algo não só é esperado como é estimulante e reforça aquilo que conhecemos como responsabilidade humana global e responsabilidade de um para o outro.

Qual tipo de checagem a Avaaz faz de propostas de campanhas?

E.R.-S. – As campanhas da Avaaz são sugeridas por membros ou organizações parceiras, então são elaboradas pela pequena equipe da Avaaz. Ela é testada com grupos de membros ao longo das várias etapas do processo de desenvolvimento da proposta. Somente depois que esses grupos aprovam a campanha, ela é enviada a toda a nossa lista de membros. Estamos agora começando a testar um novo site em que os membros pode dar início a campanhas e enviá-las para suas comunidades usando as ferramentas que desenvolvemos ao longo dos anos.

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***

[Camilo Rocha, do Estado de S.Paulo]

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