Terça-feira, 04 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Não tema as novas mídias

Por Luiz Antonio Mello em 17/05/2011 na edição 642

Pouco a pouco, os jornais em todo mundo investem pesado em suas edições online. Nos primeiros dias em que abriu a venda de assinaturas para o seu conteúdo na web, New York Times abocanhou 100 mil leitores. Por aqui não é diferente.

Costumo comprar jornais numa banca perto de casa, em Icaraí, Niterói, RJ. Na Banca do Beto, como na maioria das bancas desta cidade – que mantém alguns costumes de seus fundadores indígenas –, o debate rola solto na banca que se transforma em oca. É claro que o assunto ‘jornais’ veio à tona um dia desses e o Beto, dono da banca, falou: ‘A internet está acabando com as vendas dos jornais em bancas.’ Puxou uma calculadora e fez contas sobre a vendagem dos jornais que eu compro todos os dias: O Fluminense, O Globo e Folha de S.Paulo. Beto digitou a calculadora e me mostrou os números: em um ano, O Fluminense vende -9%, O Globo -25% e a Folha de S.Paulo em torno de menos 35%.

Sim, as novas mídias estão levando as bancas de jornais e revistas a investirem em outros segmentos. A Banca do Beto vende DVD, incenso, bateria para celulares, bilhetes de loteria, livros e os jornais vão ficando, cada vez mais, em segundo plano. Mas, em se tratando de mercado para jornalistas, não há porque achar que vai haver uma degola geral. Não importa o formato, se a mídia é digital ou física, mas o jornalismo vai precisar, sempre, de repórteres, editores, colunistas. Se a qualidade do texto e da apuração caiu (no que concordo), é outro tema que não pode ser creditado na conta da internet.

Humanidade não vive sem notícias

Um dia desses escrevi um artigo para um jornal do Sul e, aproveitando que estava na casa de uma amiga, peguei o iPad dela e acessei a versão online. Estava lá o meu artigo, que recebi para escrever e tudo mais. Estou esperando os Correios terem o bom humor de entregarem em minha casa a versão impressa porque, como milhões de pessoas, eu preciso do papel, da textura, do cheiro – enfim, jornal é jornal. Mas não recuso as versões online.

Vivemos, sim, uma revolução (provavelmente sem precedentes) nas ferramentas de comunicação. Com um celular, qualquer pessoa tem acesso às notícias acessando redações online, Twitter e outras redes sociais. E vai continuar assim porque, desde sempre, a humanidade não consegue viver sem notícias. E um dia passou a pagar por elas, via jornais, internet, rádios, TVs. Não vai ser o avanço das novas mídias que irá aniquilar jornais e revistas impressas. Claro, as tiragens já devem estar caindo (os dados do Beto da banca me impressionaram), mas não vão chegar a 100%. Muitos jornais estão se aproveitando disso para suspenderem versões impressas, mais caras. Mas, em se tratando de mercado, nada, absolutamente nada muda. Que assim seja.

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