Domingo, 05 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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25/05/2010 na edição 591

REFORMA
Izabela Vasconcelos

Especialista avalia que reformas editoriais de Folha e Estadão ‘deixaram a desejar’

‘A recente reforma gráfica e editorial do jornal Folha de S. Paulo ainda é vista como tímida pelo diretor para o Brasil da Innovation Media Consulting, Eduardo Tessler. Para ele, ainda falta o jornal passar pela mudança editorial. De acordo com o especialista, a criação de novos cadernos e participação de novos colunistas não implica na reforma editorial.

‘A mudança editorial deixa a desejar. A reforma editorial é mudar o conceito do jornal, mas ele continua sendo noticioso, não pós-noticioso. Os jornais hoje em dia devem considerar a notícia como algo que já foi dado em outros veículos, fora do papel, mas eles chegaram a anunciar esse tipo de mudança na publicidade. Eles devem considerar não o que aconteceu, porque a audiência já sabe, mas por que aconteceu e para quê, como uma revista diária’, explica.

Para Tessler o jornal O Estado de S. Paulo também não passou pela devida reforma editorial e nenhum jornal brasileiro adotou essa linha, mas cita alguns veículos que chegam próximo do pós-noticioso, como Correio Braziliense, Diário de Pernambuco e O Povo. No exterior o Liberation, Independent e Las Vegas Sun.

De acordo com Tessler, a dificuldade está na grande estrutura das empresas. ‘Os jornais pequenos são mais fáceis de trabalhar. O grande problema desses grandes jornais como Folha e Estado é o DNA informativo que eles não conseguem mudar’.

Impacto nos leitores

O diretor de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da ECA (USP), José Luiz Proença, defende que a principal mudança da Folha foi integrar as Redações impressa e online. Mas para ele, a reforma gráfica e editorial não tem o mesmo impacto que em outras décadas.

‘A mudança sob o ponto de vista jornalístico é importante pela integração do impresso e online. Mas as mudanças de antigamente eram históricas. Depois da década de 90 essas mudanças ficaram mais comuns, então o impacto nos leitores é menor’.

Proença também falou da reforma no Estadão. De acordo com o jornalista, o veículo não investiu em reportagem, mas em análise. ‘O Estado fala da mudança deles com um certo enlevo glorioso por ter 91 colunistas. Mas o jornal não está indo atrás dos fatos, de reportagem, mas de análise’, critica.

Reforma gráfica

As mudanças gráficas no jornal são bem aceitas pela maioria dos leitores, mas criticadas pelos assinantes mais tradicionais. ‘O leitor sente que há um cuidado com ele. Estar sempre mudando é bem visto. Mas a primeira reação do leitor tradicional é não gostar’, explica Michaela Pivette, especialista em Comunicação Visual e Mestre em Ciências da Comunicação pela USP.

Para ela, dois fatores contribuem para a boa aceitação do leitor. ‘O leitor já está incorporado na mudança visual, pela publicidade que se faz do jornal, e pela cultura das mudanças. Outro ponto são os bastidores. O jornal diz: ‘olha que interessante, vamos nos aproximar e mostrar como fizéssemos isso’. É interessante que o leitor saiba como se faz’, conta a especialista a respeito da forma que os jornais comunicam suas reformas aos leitores.’

 

FUTEBOL
Anderson Scardoelli

Jornalistas reclamam do relacionamento da CBF com a imprensa

‘O modo como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está tratando a imprensa durante a preparação da seleção em Curitiba está causando insatisfação entre os jornalistas. Pouco contato com jogadores e a falta de estrutura são as principais críticas.

‘É uma atitude antipática. Se fosse para se isolar, não falar com a imprensa e nem ter contato com a torcida, seria melhor ter feito a preparação da Copa fora do Brasil’, avalia o gerente de esportes da CBN, Álvaro Oliveira Filho.

O repórter do site GazetaEsportiva.net Luiz Felipe Fagundes, que está na capital paranaense cobrindo a seleção, reclama da falta de estrutura apresentada no dia em que a comissão técnica e alguns jogadores chegaram ao centro de treinamento do Caju.

‘No primeiro dia em Curitiba, debaixo de chuva, caos no credenciamento, poucos banheiros químicos, atraso de mais de duas horas na primeira coletiva, sala sem tomadas suficientes e a falta de informações oficiais. Mostrou que a CBF não fazia muita questão do trabalho dos jornalistas’, afirma Fagundes.

Apresentador da Band Milton Neves não critica o isolamento adotado pela seleção. Em sua opinião, esta é a ‘seleção mais fechada da história’, mas teme que alguns veículos tenham privilégios na cobertura.

‘Esse ano vamos ter a seleção mais fechada da história, para o Dunga tem que ser assim. Só espero que ele trate a Globo, a Band e a rádio de Muzambinho de forma igual, sem regalias para alguns’, disse Milton.’

 

EXTORSÃO
Dono de jornal é preso por extorsão contra deputado federal

‘O dono do Jornal Atualidades, Maurício Machado, foi preso na última sexta-feira (21/05) após tentar extorquir R$ 15 mil do deputado federal Sérgio Nechar (PV-SP). Conhecido como Palhinha, o empresário foi detido em flagrante no escritório do parlamentar, em Marília, no interior de São Paulo.

‘Fizemos a oitiva com o deputado, que apresentou as gravações. Maurício Machado dizia que conhecia bandidos e faria mal ao dr. Nechar. Gravamos a conversa e, quando ele colocava o dinheiro no bolso, efetuamos a prisão em flagrante’, explicou o delegado da Polícia Federal em Marília, Anilton Roberto Turíbio.

Além do dinheiro, Palhinha exigia o pagamento de aluguel de prédio no valor de R$ 1,5 mil, impressão de três edições do jornal por semana, contratação de pessoal e carro adesivado. Ele ameaçava usar o jornal para denegrir a imagem do parlamentar caso as exigências não fossem cumpridas.

A Polícia Federal apreendeu a cópia de uma página do jornal que seria publicada caso Nechar não aceitasse a extorsão. Nela, uma matéria chamava o deputado de ‘falso assembleiano’ e o acusava de ter se tornado evangélico com fins eleitoreiros.

De acordo com Nechar, as ameaças começaram quando ele cortou as verbas de publicidade para o jornal. ‘Deixamos de dar recursos faz um mês e ele (Palhinha) disse que falaria mal de mim. Há três edições o jornal Atualidades trazia inverdades sobre o meu trabalho’.’

 

DESACATO
Repórter do Diário Catarinense é preso durante cobertura de manifestação

‘O repórter Felipe Pereira, do Diário Catarinense, foi preso durante uma manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus em Florianópolis, na noite da última sexta-feira (21/05). O jornalista e o colega Raphael Faraco, da RBS TV, foram acusados de desacato à autoridade. De acordo com policiais militares, os repórteres teriam xingado os PMs, após serem abordados.

Pereira chegou a ser algemado e levado para à Central de Polícia da Capital em um camburão. O jornalista prestou depoimento à Polícia Civil sobre a acusação de desacato. Um oficial da PM, que também ouviu o depoimento, abriu inquérito para investigar o caso. O repórter também passou por exames no Instituto Geral de Perícias.

Faraco não foi preso, mas se apresentou à Central de Polícia. A polícia registrou um termo circunstanciado (boletim de ocorrência de menor gravidade) contra os dois jornalistas. A Secretaria de Segurança informou que irá investigar o caso.

Jornalistas negam versão da PM

Os repórteres negam terem insultado os PMs e afirmam que os policiais foram agressivos com o fotógrafo Flávio Neves, o que deu início ao tumulto. Os jornalistas afirmam que se identificaram, mas mesmo assim foram tratados com palavrões e postura agressiva. Pereira diz que foi atingido no pescoço com um cassetete.

A Associação Catarinense de Imprensa (ACI) se manifestou em solidariedade aos jornalistas e afirmou que a conduta dos PMs foi violenta e desnecessária.

‘A ACI lamenta o episódio e espera sensatez e serenidade dos efetivos da Polícia Militar, em especial quando se relacionam com profissionais de imprensa, cuja presença nos eventos públicos está justificada pelo dever de ofício e pautada pela isenção’, diz a nota.

Com informações do Diário Catarinense.’

 

DANOS MORAIS
Correio Braziliense é condenado a indenizar desembargador

‘A Justiça do Distrito Federal condenou o jornal Correio Braziliense a indenizar em R$ 40 mil o desembargador aposentado Pedro Aurélio Rosa de Farias, por danos morais. O valor estipulado primeiramente pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal era de R$ 200 mil, mas a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça acatou o recurso do jornal e reduziu a indenização, por entender que o valor era exagerado para o caso.

O desembargador contestava reportagem publicada no dia 11/10/2002, em que o jornal tratava da concessão de liberdade ao empresário e então deputado distrital Pedro Passos (PSDB), aprovada e concedida por Pedro Aurélio Farias. De acordo com o desembargador, o jornal fez declarações tendenciosas a seu respeito, de que estaria favorecendo Passos em outras questões políticas e pessoais.

Em sua defesa, o jornal alegou que se ‘ateve a informações verídicas e dentro dos limites da narrativa, sem fazer qualquer juízo de valor’.

Com informações do Consultor Jurídico.’

 

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