Domingo, 20 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Ethevaldo Siqueira

30/08/2005 na edição 344

‘O mundo e o Brasil nunca tiveram tantos problemas graves e de difícil solução, como a desigualdade, os bolsões de miséria, o terrorismo, a corrupção, a unipolaridade do poder e as ameaças ao meio ambiente. Mesmo assim, leitor, insisto em dizer que vivemos tempos fascinantes. O planeta se transformou realmente numa aldeia global, muito mais do que nos anos 1960, quando McLuhan criou essa expressão. Em grande parte, porque a internet quebrou nos últimos 15 anos todas as fronteiras, de países, continentes, culturas, economias e meios de comunicação.

Pertenço a uma geração que, talvez mais do que qualquer outra, tem vivido e testemunhado essa ruptura de quase todos os paradigmas tecnológicos. Como milhões de cidadãos de classe média, utilizo um arsenal de ferramentas de comunicação que seria impensável há 10 anos. Exemplifico: faço ligações telefônicas internacionais com a tecnologia de voz sobre protocolo da internet (VoIP), entrevistando especialistas, durante horas, sem gastar mais que alguns centavos. Pela internet, vivo a experiência cotidiana da convergência digital, ao acessar jornais, revistas, universidades, laboratórios, emissoras de rádio, instituições como as Nações Unidas (ONU), a Nasa ou o Vaticano. Permanentemente ligado a essa rede, posso acompanhar qualquer tipo de evento no planeta, sejam conferências internacionais, Olimpíadas ou partidas de futebol. Conectado à TV por assinatura, posso escolher o que quiser, entre mais de uma centena de canais e ainda gravar os programas preferidos num Personal Video Recorder (PVR), com qualidade digital.

Com essa tecnologia, recebo todos os dias a visita virtual de alguns gênios. Muitos deles são líderes mundiais, escritores ou cientistas. Outros são compositores ou grandes intérpretes. Quando as notícias ruins começam a me intoxicar, recorro a esses gênios e sua música maravilhosa. Esse convívio com tantos artistas é um privilégio do homem moderno que nem os reis mais cultos do século 18 ou os Médicis de Florença tiveram. Vladimir Horowitz deu anteontem um concerto exclusivo para mim. Depois dele, sorvi cada nota da Balada nº 1 de Chopin, fluindo dos dedos mágicos de Artur Rubinstein num Super Áudio CD. Era como se o pianista estivesse ali, diante de mim, no seu Steinway de cauda inteira. No começo da semana, recebi Herbert von Karajan à frente da Filarmônica de Berlim, Jascha Heifetz tocando seu Guarneri del Gesu.

Avaliemos alguns dos avanços da eletrônica digital que amenizam nossos dias, lembrando que eles são muito recentes. Tanto assim que muitos filhos perguntam hoje a seus pais: ‘Como podiam viver num mundo sem celular, sem computador, sem internet, sem música MP3?’

Para o cidadão do século 21, o acesso crescente ao conhecimento, à informação e ao entretenimento deixa de ser um fato inusitado para se transformar em rotina. Pena que o homem comum perde a capacidade de admirar-se, como, também, de indignar-se.

É claro que a revolução científica e tecnológica vai muito além. Por ter assistido a toda essa transformação da tecnologia e das comunicações, minha geração se considera, de alguma forma, privilegiada. Testemunhamos as mais profundas transformações da ciência, da tecnologia, da economia, da medicina e dos costumes da história da humanidade.

Nasci antes da Segunda Guerra Mundial, quer dizer, antes da televisão, do computador e de toda a revolução digital. Testemunhei, portanto, a chegada de quase tudo que a eletrônica e as comunicações nos oferecem de bom em nosso dia-a-dia. Quando criança, além da luz elétrica, tudo que dispunha em casa não passava de um telefone de magneto e um rádio de mesa de 8 válvulas – lindo, de madeira entalhada. Geladeira? Nem pensar.

Mas as mudanças mais radicais que eu vivi de perto foram as ocorridas desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar aqui no Estadão, em março de 1967. Como na maioria dos jornais do mundo, a composição era feita em linotipos, inventadas em 1884 pelo alemão Otto Mergenthaler. Aquelas máquinas fundiam os tipos de metal à medida que um operador acionava seu teclado, consumindo grande quantidade de energia. Transformar uma foto num clichê (uma chapa de zinco, com a imagem em negativo) era uma operação longa, complicada e cara. Recebíamos radiofotos, com todas as limitações da tecnologia daquele tempo, em transmissões internacionais que custavam até centenas de dólares, em máquinas imensas.

O jornal dispunha de um PBX manual com apenas 6 linhas-tronco analógicas e menos de 50 ramais. Hoje tem mais de 500 troncos digitais e quase 3 mil ramais. Os serviços de 1967 eram simplesmente horríveis. Havia dias em que tínhamos que esperar até meia hora para obter o tom de discar, tal era o grau de congestionamento. O Brasil tinha a média de apenas 2 telefones por 100 habitantes. Hoje tem quase 70.

Na redação de 1967 ou 68, mesmo vivendo tempos difíceis da censura e da ditadura, nosso jornalismo era feito com alma e coração, mais do que com tecnologia. Ainda tenho no ouvido aquele ruído de 120 máquinas de escrever, funcionando a todo vapor, às 8 da noite, com montanhas de laudas cheias de rabiscos e emendas. Tudo isso parecia uma espécie de música a embalar nossos sonhos de liberdade. Que saudade.’



Pedro Doria

‘Uma nova Microsoft?’, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 27/08/05

‘A mais importante característica do GoogleTalk, programa de mensagens instantâneas lançado nesta última semana, é que ele é baseado num protocolo aberto. Isso ainda não vale para a primeira versão, mas se quiser o Google poderá lançar um software para conversas com o qual outros programas podem conversar.

Isso é diferente da regra. Programas de conversação não são como email. Email todo mundo que está na Internet tem um e envia para seja lá quem for. Com mensagem instantânea, não. Quem vai de MSN, conversa com quem está naquela redezinha – e só. O mesmo para o (quase) falecido ICQ, Yahoo, AOL, tantos outros.

Outra característica do GoogleTalk é que ele provê conversa de voz. Está, aí, entrando no campo do Skype, que tem ano e pouco de vida mas já monopoliza o nascente mercado de telefonia via Internet.

Na verdade, GoogleTalk não foi o único lançamento do Google esta última semana. Lançou também uma nova versão do GoogleDesktop, um eficiente mecanismo de busca que leva a qualidade Google na rede para o computador pessoal de cada um. Desde que seja um computador Windows, claro – mas quem usa Mac ou Linux não tinha dificuldade de achar aquele texto ou aquele email antigo num HD de 50 gigas. Em PCs, a tarefa era inglória. Não mais.

E não houve, estes últimos meses, quem não tecesse loas ao GoogleEarth, que permite ver um naco do planeta pelo Windows XP, bem de perto, através de imagens de satélite ou helicóptero. Ponha-se na conta serviços como o GoogleMail, com dois gigas de espaço para o pobre usuário usar como bem quiser. E ainda os que não têm o nome do Google: Orkut, Blogger.

O Google parece estar por todo lado nesses últimos tempos.

Não se viu nada, ainda. Este agosto, comprou também uma pequena empresa de software para telefonia celular chamada Android. Em maio, já havia comprado outra do mesmo ramo, a Dodgebell. A diferença é que, no caso desta, sabe-se o que produzia: uma espécie de Orkut para celulares.

Ao longo do último ano, a empresa que sustenta o mais popular serviço de busca que há correu o mercado contratando os melhores programadores nos ramos de browsers e sistemas operacionais. Então pode haver um novo concorrente para o Explorer ou para o segundo colocado, Firefox? Talvez. Mas – sistemas operacionais? Tipo um novo Linux? Ou MacOS? Ou Windows?

Nos últimos dias, a imprensa internacional anda tentando juntar os pontos – do ‘New York Times’ à ‘Business Week’, do ‘Guardian’ à BBC. Ninguém chegou a qualquer conclusão. O fato é que quem tinha o melhor sistema de buscas agora está de olho no mundo. E, por conta, vieram as críticas.

Para o ‘New York Times’, o Google virou a Microsoft, aquela empresa que todos amam odiar no Vale do Silício. Têm motivos. Por conta de sua agressividade no mercado, puxou para cima o salário dos engenheiros de software – mas isso é do jogo. Também não deixou nenhum bom sobrando no mercado. O resultado é que, com todos os melhores concentrados numa única empresa, a inovação vem em conta-gotas. Isto também é do jogo.

A crítica maior é que o Google parece querer ser tudo e ocupar todos os espaços. Quer ter o melhor sistema de email, disputar espaço nas mensagens instantâneas, dominar – isto já domina há tempos – as buscas na rede. E não se submete a críticas. Em seu próprio campo nativo, elas vêm.

Antes do Google, só a existência de sites de busca era motivo de celebração. Como um parecia bater o outro a cada seis meses – Yahoo!, Lycos, Excite, HotBot, Altavista etc. -, tudo parecia que vinha bem. E fazia todo o sentido que surgisse um Google. E que em no máximo um ano um Google fosse desbancado pelo sistema novo.

Porque isto não aconteceu, porque ninguém lança algo melhor que o Google já faz uns cinco anos, o serviço oferecido virou um pouco a cara da Internet, o ponto de partida. Há um problema nisto, um problema bem simples: quais os critérios de busca? O que faz de um site melhor resposta que outro?

Num ambiente em que o Google cresce e ameaça monopolizar boa parte dos serviços da Internet, a questão fica particularmente delicada. Uma única empresa decide que lugar merece ser mais visitado que outro na Internet e não dá qualquer pista a respeito de seus critérios. Esta mesma empresa tem informação privilegiada a respeito do gosto de pessoas, sobre com quem conversam, por onde navegam – basta ter um perfil no Orkut, um blog no Blogspot, ou mesmo um gmail.

Todas as informações que só o dono de uma conta no Orkut – por exemplo – vê, a empresa Google também vê. O Google está crescendo muito, esticando os braços. De empresa simpaticona com o espírito da rede, começa a ficar mais esquisita, estranha. Talvez não fique bem no papel de vilã. Mas, assim tão grande, com tanto poder de definir como as pessoas navegam pela rede, não é difícil entender por que tem gente preocupada.’



BLOG DO MAIA
Diogo Mainardi

‘O bom de blog’, copyright Veja, 31/08/05

‘Cesar Maia tem um blog. Os leitores de O Globo o acusam de dedicar mais tempo ao blog do que à prefeitura do Rio de Janeiro. Não foi o que aconteceu hoje. Ao longo do dia, ele já mandou apreender um lote de calcinhas com a imagem de Santo Expedito, atendendo à solicitação de um morador. E, atendendo à solicitação de outro morador, já mandou averiguar por que um fiscal da prefeitura interditou o Bar Getúlio no dia do aniversário da morte de Getúlio Vargas. Cesar Maia garante que só trabalha no blog fora do horário de expediente. Pena. No momento, ele tem muito mais utilidade como blogueiro do que como prefeito. Deveria bloguear o tempo todo. Santo Expedito pode esperar.

O blog foi inaugurado em 31 de julho. A idéia inicial era difundir, para o público em geral, os boletins que ele remetia diariamente a um grupinho de leitores, com comentários sobre matérias publicadas na imprensa. No último domingo, o blog mudou. Para provar que Palocci mentia, Cesar Maia fez o que a imprensa deixou de fazer: reproduziu um contrato milionário entre a prefeitura de Ribeirão Preto, na gestão Palocci, e a Leão& Leão, a empresa suspeita de pagar-lhe uma propina mensal de 50.000 reais. A cópia do contrato chegou a Cesar Maia por meio de um internauta de Ribeirão Preto. De lá para cá, o blog publicou muitos outros contratos comprometedores. Até eu encontrei um, de 1994, para as obras do conjunto habitacional Jardim Heitor Rigon, em que Palocci favoreceu a Leão& Leão, e foi condenado pelo Tribunal de Contas de São Paulo a uma multa de 150 Ufesp, prontamente saldada por ele.

Com a publicidade recebida pelo furo palocciano, o blog de Cesar Maia virou uma central de denúncias contra o governo federal. Um funcionário do fundo de pensão Previ forneceu-lhe informações sobre a Trevisan Associados, a empresa de auditoria metida em todas as encrencas do petismo, do caso Gtech à compra da produtora do filho de Lula, por parte da Telemar. Um morador de Belo Horizonte confidenciou-lhe os segredos de Carla, uma das recepcionistas de Jeany Corner, atual acompanhante de Rogério Buratti e, segundo ela, ex-acompanhante do próprio Palocci. Um espião infiltrado no Tribunal de Contas da União revelou-lhe detalhes sobre os gastos exorbitantes do casal Lula e Marisa com cartões de crédito corporativos.

A acusação contra Palocci acabou com o último engodo petista: o de que a corrupção foi fruto das alianças políticas de 2002. Na verdade, ela é muito mais antiga e abrangente. O petismo corrompeu todos os ambientes em que se instalou: a administração local, a igreja, o sindicato, o movimento social, a cultura, a escola. A imprensa também foi contaminada. A reação dos jornalistas à entrevista de Palocci foi mais uma prova de seu vexaminoso sectarismo. A morte do petismo será boa para o jornalismo. Será boa para todo mundo.’



MERCADO DE TRABALHO
Eduardo Ribeiro

‘Contratações pipocam pelo mercado’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 24/08/05

‘A crise política incendiou o jornalismo brasileiro e talvez, exceção às posses presidenciais e ao impeachment de Collor, nunca Brasília teve tantos jornalistas de plantão como agora.

Não dá, obviamente, para fazer uma relação de causa e efeito entre a crise e um eventual crescimento do mercado de trabalho no segmento editorial, mas cabe aqui uma pergunta: e se por acaso a crise refluir, qual será a atitude dos veículos de comunicação? Vão desmontar estruturas, demitir, repactuar os contratos, redistribuir novamente as equipes?

Difícil saber. O fato é que o mercado convive com duas realidades distintas e até mesmo antagônicas. De um lado, vemos já veículos da imprensa escrita falando novamente em corte de custos, sobretudo pelo elevado preço do papel. E, de outro, constatamos que há muitos outros investindo em equipe, contratando mesmo. Sinal de que ruim as coisas não estão, embora seja arriscado dizer que estão boas. Na pior das hipóteses estão melhores.

Vamos então aos fatos, fazendo uma varredura por alguns veículos, deixando de fora o SBT, sobre o qual já falamos anteriormente (ressaltando que também lá os investimentos estão em curso e devem resultar em novas contratações, sobretudo para os telejornais locais, que deverão ser criados futuramente).

O Grupo Bandeirantes abriu a chave do cofre e desde que decidiu criar a Rádio Bandnews FM (só com jornalismo), meses atrás, vem elevando seus investimentos em Jornalismo. Está pondo dinheiro também na AM, na TV (São Paulo e outras praças, inclusive exterior) e olha lá se não estiver pensando num jornal diário impresso (a pedra me foi cantada por um amigo, mas deixo isso por conta da mera especulação – ao menos por enquanto).

Uma das novidades por lá foi a aquisição dos direitos de transmissão dos campeonatos italiano e espanhol com exclusividade na tevê aberta. Para reforçar a equipe, a Band contratou como comentaristas o diretor de Placar, Sérgio Xavier, e o ex-craque Leivinha. Também o Esporte da Rádio Bandeirantes AM foi reforçado com a contratação de Paulo Calçade, para substituir Fábio Sormani, que foi para a Rádio Record. Sérgio Patrick, repórter, foi efetivado como apresentador do Esporte Total, na mesma Rádio Bandeirantes.

No plano da cobertura internacional, a Band (TV) decidiu ter um correspondente em Nova York e acabou contratando Pablo Toledo (que já havia trabalhado na casa) para o cargo; e, em Brasília, contratou Eduardo Castro para a Chefia de Redação, no lugar de Cláudia Buono, que foi para a Assessoria de Imprensa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS. Lá mesmo em Brasília, a Bandnews FM fechou com Flávio Figueiredo Lemos para ser o correspondente na Capital Federal, já a partir da próxima semana, no primeiro passo concreto rumo à efetiva criação da Bandnews Brasília, que deve entrar no ar até o final do ano, segundo destacou o diretor geral Marcello D’Angelo.

A Rede Record, que já havia levado para lá Britto Júnior, para apresentar o Hoje em Dia (muito mais como comunicador do que como jornalista), agora nomeou um correspondente na Inglaterra, escolhendo para o cargo o repórter Paulo Panayotis, que estava no Domingo Espetacular. Ele já se mudou para Londres, onde a emissora inaugura um escritório. Terá, na equipe, duas produtoras, editor, cinegrafista e motorista. Na vaga dele, no Domingo Espetacular, entrou Michael Keller, que trabalhava na Globo, no programa da Ana Maria Braga. O Michael também fará o Repórter Record. Outra novidade do Domingo Espetacular foi a criação de mais uma vaga, de editor especial, ocupada por Henri Karam. Ele era da Band onde trabalhou durante oito anos, os últimos como editor executivo do Jornal da Noite (apresentado por Roberto Cabrini). Tudo isso sem contar as contratações da Rádio Record, para o seu Departamento de Esportes.

Vem de Minas e da Globo outra boa notícia. A emissora anunciou a contratação de quatro reforços, três deles para o Jornalismo e um para o Esporte. Chegam para a emissora, no Jornalismo, os repórteres Wendel Teixeira (ex-Rede Integração de Divinópolis) e Vanda Cristina Sampaio (que foi por 12 anos da TV Alterosa e começa na Globo dia 1º/9) e o editor Marcello Leandro Barbosa (ex-Rede Integração, em Uberlândia), para o Bom Dia Minas e MGTV 1ª Edição. No Esporte entrou o repórter Marcos Leandro, que foi anteriormente da Rádio Globo e da TV Minas.

Saindo da tevê para os jornais, o cenário também mostra-se no mínimo interessante.

No Rio de Janeiro, por exemplo, uma briga de família, envolvendo duas das três herdeiras de Ari Carvalho, de O Dia, pode resultar no lançamento de dois jornais diários, o que significa, por baixo, por baixo, ao menos umas 30 ou 40 vagas novas. Na verdade as duas – Ariane e Gigi Carvalho – já tornaram pública a decisão de lançar, cada uma delas, um novo jornal. Vejam o que escreveu a correspondente Cristina Vaz de Carvalho, deste J&Cia, sobre a situação.

‘Na semana passada, chegaram à imprensa especializada, simultaneamente, o release sobre o novo jornal de Ariane Carvalho e um comunicado de Gigi Carvalho sobre o jornal que o grupo O Dia pretende lançar ainda este ano. O site Blue Bus comentou que as estratégias de lançamento coincidentes conseguiram produzir um caos de informação. O Meio&Mensagem desta semana listou as semelhanças de preço, formato, linguagem e design, mencionando algumas diferenças no posicionamento. Outros veículos não fizeram leitura comparada, de modo que as notícias confundiram o leitor. Mesmo que a promessa de postos de trabalho seja motivo de comemoração, a dúvida é se o mercado terá capacidade para absorver os novos produtos.

História – Quando Walter de Mattos Jr, que acabava de deixar O Dia, resolveu fundar o Lance, em 1997, a reação de Ari Carvalho foi imediata. Criou o caderno Ataque, que acabou contendo o crescimento do Lance no início. A situação não deixa de ser parecida, com um jornal sendo aparentemente lançado para tentar matar o outro antes mesmo de nascer.

O que há de novo – Porém, as redações prosseguem em seu trabalho. No Que Notícia, de Ariane, Rodrigo Alves e Silvio Essinger (ambos ex-JB) são novos nomes confirmados. Carlos Magno (ex-BBC) está cotado para responder pela Economia. Dois fotógrafos, Carlos Magno (homônimo do anteriormente citado), hoje na Época, e Zeca Fonseca (filho de Rubem Fonseca) também foram convidados. Quem já foi contratado está sendo convidado a assinar um ‘contrato de confidencialidade’, pelo qual se compromete a não divulgar informações. A Rádio MPB FM, que tem prevista uma conexão com o jornal, deixa as instalações de O Dia, pois fechou acordo com a Band para usar a infra-estrutura do prédio da Álvaro Ramos.

No jornal de O Dia, o editor será Humberto Tziolas, atual sub de Polícia, e deve contar com dois editores executivos. Cinco estagiários, cujos contratos vencem no final do ano, serão efetivados. As matérias terão um abre e uma retranca de 15 linhas, em estilo colunão. Será trabalho mais de redator que de repórter, reformatando material produzido pelo grupo. Ainda na semana passada, ocorreram mudanças administrativas. Produtos como o Online, Portal Mais, Agência de Notícias e SMS, ligados ao Aquário desde a saída de Amauri Mello, passaram para a área Comercial.’

Outra notícia nesta direção também vem do Rio, porém com efeito direto em São Paulo. É que o centenário Jornal do Commercio, dos Diários Associados, finalmente arregaçou as mangas e está se mexendo para montar uma sucursal na capital paulista, que terá um chefe e quatro repórteres. E já iniciaram contatos com vistas às contratações. São pelo menos dois os objetivos desse investimento: ficar mais próximo do mais importante centro econômico do País (o que é vital para um jornal de economia e negócios) e fazer a reentrada dos Diários no Estado, de onde está afastado há anos.

Até a área corporativa deu lá sua contribuição para uma melhor situação de mercado. A Câmara Americana de Comércio – Amcham, de São Paulo, por exemplo, criou uma Diretoria de Relações Institucionais, chamando para o cargo o experiente Adhemar Altieri (ex-Eldorado, SBT e City TV, de Toronto), que, para isso, teve de deixar a Diretoria de Comunicação do Instituto Hospitalidade, que tem sede em Salvador – vaga que certamente será preenchida.

Como nem tudo são flores, devemos ficar atentos, pois há também, no ar, rumor de que a crise ronda um ou outro veículo e se a coisa se confirmar obviamente parte desse ganho estará perdida. Diz a prudência que é melhor aguardar um pouco para ver o desenrolar dos acontecimentos. Obviamente com as barbas (quem as tem) de molho.’

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