Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Folha de S. Paulo

18/05/2010 na edição 590

DIREITOS HUMANOS

Mídia elogia nova versão de plano de direitos humanos

‘Entidades representativas dos meios de comunicação divulgaram ontem nota em que elogiam as modificações feitas pelo governo no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

Assinada por Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e ANJ (Associação Nacional de Jornais), a nota afirma ser ‘louvável a iniciativa do governo de suprimir pontos críticos que ameaçavam a liberdade de expressão’.

As entidades enfatizam o ‘compromisso com a defesa dos direitos humanos’ e dizem esperar que a definição do marco legal referente aos serviços de radiodifusão se paute pelo respeito à liberdade de expressão.’

 

CUBA

Paula Adamo Idoeta

Dissidente condenada é libertada em Cuba

‘Uma corte de apelações em Havana deu liberdade ontem a Dania Virgen García, jornalista dissidente cubana que fora detida em 20 de abril e condenada três dias depois a 20 meses de prisão. Ela era acusada de ter agredido sua filha de 23 anos.

A libertação foi vista como uma vitória pela comunidade dissidente de Cuba, num momento de pressão interna e externa sobre o regime castrista.

García disse à Folha por telefone que considera sua prisão uma ‘manobra’ política. Ela negou ter agredido a filha (que prestara queixa), de quem diverge politicamente.

‘Tivemos uma briga normal de mãe e filha, como acontece em qualquer lugar’, disse. ‘Sou correspondente [de sites cubanos no exterior] e tenho uma trajetória [de oposição ao regime]. Se aproveitaram da briga para tentar me silenciar.’

Pouco antes de ser presa, García, 41, havia participado de atos de protesto do grupo Damas de Branco, formado por mulheres de dissidentes presos. Segundo o site CubaNet, a jornalista foi condenada pela Justiça, em 23 de abril, por ‘exercício arbitrário do direito’, ‘num julgamento sem advogado de defesa’.

A prisão foi criticada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que viu indícios de caráter político na pena.

García conta que, em sua primeira semana em Manto Negro -presídio feminino de alta segurança nos arredores de Havana-, testemunhou o suicídio de uma mulher que havia sido condenada a dez meses de prisão por vender bolsas no mercado negro.

Na semana seguinte, ‘as detentas ficaram sabendo que eu era uma presa política e quiseram me conhecer, para que eu contasse ao mundo seus sofrimentos’, disse.

No último dia 7, a jornalista deixou a cadeia sob medida cautelar e foi ordenada a esperar em casa o julgamento de apelação, ocorrido ontem.

Sua liberdade está condicionada ao pagamento de multa de 300 pesos cubanos (cerca de R$ 23) -descontados os 18 dias em que García esteve presa, terá de pagar 282 pesos. É cerca de 70% do salário médio mensal dos cubanos.

A blogueira dissidente Yoani Sánchez divulgou no Twitter campanha para arrecadar o dinheiro da multa.

Pressão e repressão

O regime castrista tem estado sob maior pressão desde fevereiro, quando morreu o dissidente preso Orlando Zapata, após 85 dias de greve de fome.

Desde então, outros opositores iniciaram jejum em protesto -o jornalista Guillermo Fariñas está sem comer há mais de dois meses.

Para García, a pressão não resultou em avanços nos direitos humanos. ‘Tem havido ainda mais repressão e violência.’

Dissidentes alegam que há 200 opositores presos arbitrariamente em Cuba. O governo, por sua vez, nega que os detidos sejam presos políticos e acusa os dissidentes de serem financiados pelos EUA para desestabilizar o regime.

Com agências internacionais’

 

INTERNET

‘NYT’ on-line será cobrado em janeiro

‘O ‘New York Times’, o jornal mais influente do mundo e o terceiro maior em circulação nos EUA, começará a cobrar pelo acesso ao conteúdo publicado em sua página na internet a partir de janeiro de 2011.

O anúncio foi feito pelo editor-executivo do jornal, Bill Keller, em um jantar da ‘Foreign Press Association’ na noite de anteontem. Os comentários ajudaram a precisar o ‘timing’ do plano, que fora anunciado, sem data precisa para ser posto em prática, no início do ano.

O acesso ao conteúdo on-line do ‘New York Times’ hoje é gratuito. A ideia é que ele passe a ser cobrado a partir de uma certa quantidade de textos lidos -como ocorre hoje, por exemplo, com o acesso ao conteúdo on-line do diário britânico ‘Financial Times’.

Se bem-sucedida, a ação pode iniciar um efeito dominó no resto da indústria jornalística local, que, na maioria dos casos, segue o modelo atual do diário.

De acordo com o que fora anunciado no início do ano, visitantes frequentes do site passarão a pagar uma mensalidade fixa depois de ultrapassarem um número de artigos lidos de graça num período de 30 dias.

O jornal, contudo, não divulgou o valor a ser cobrado nem o número limite de textos gratuitos. Assinantes da versão em papel continuarão com acesso on-line total gratuito, segundo informações do início do ano.

A mudança no ‘New York Times’ vem no ritmo da busca, pelas empresas de mídia, por novas formas de receita, a fim de amortecer o encolhimento do mercado publicitário (em decorrência da crise), a queda do número de leitores da versão em papel dos jornais, a fuga dos classificados para sites gratuitos e a migração de anúncios para o meio on-line num ritmo menor do que o esperado.

O jornal já cobrou por parte de seu conteúdo on-line antes, em 2005, quando o serviço TimeSelect fechou o acesso a artigos de colunistas e editoriais do jornal. Na época, 210 mil assinantes aceitaram pagar US$ 49,95 (R$ 88,45) por ano pelo serviço. A iniciativa foi abandonada com o boom na publicidade on-line, em 2007.

As ações do grupo que controla o jornal, a New York Times Company, registraram queda de 2,87% ontem.’

 

Giuliana Miranda

Roraima fica fora do plano de banda larga do governo

‘Estado com pior índice de acesso à internet, Roraima é o único Estado fora do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). A justificativa -ausência de fibras ópticas- é refutada pelo governo.

Em janeiro, a minuta do plano estabelecia 2016 como prazo para todos os municípios terem banda larga. Mais tarde, esse ponto foi substituído por trecho mais genérico, que não cita prazos.

‘Estranho não saberem da rede em Roraima, uma vez que houve financiamento da Sudam [Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia]’, disse o secretário de Planejamento de Roraima, Haroldo Amora.

Ele afirmou que a operadora Oi teve financiamentos do governo para construir, até 2010, a rede de fibra óptica entre Boa Vista e Manaus.

Informado pela reportagem sobre a ligação, Rogério Santanna, da Telebrás, que fará a gestão do PNBL, consultou assessores e verificou a presença dos cabos.

‘Eu não sabia que tínhamos essa fibra porque ela não é da União, pertence à Oi.’ Ele disse acreditar em parceria com a operadora e na presença da banda larga no Estado até 2012. A Oi disse que não comentaria o caso.’

 

CAMPANHA

Andreza Matais e Catia Seabra

Oposição também vai promover Serra na TV

‘A oposição prepara o contra-ataque ao programa do PT apresentado anteontem e que foi dedicado à pré-candidatura de Dilma Rousseff.

Embora a área técnica da campanha discorde da estratégia -e defenda uma investida contra o PT na Justiça-, o PSDB e seus aliados se preparam para promover o pré-candidato tucano José Serra.

Até junho, DEM, PPS, PTB e PSDB têm juntos direito a 40 minutos (dez cada partido) de programa partidário na TV.

Anteontem, o Tribunal Superior Eleitoral multou o PT em R$ 20 mil e Dilma em R$ 5.000, por entender que houve propaganda antecipada no programa que foi ao ar em dezembro.

Só que anteontem o partido também usou o programa de dez minutos para promover a candidata petista. A lei proíbe propaganda eleitoral no programa partidário, o que tradicionalmente é ignorado pela maior parte das legendas.

A oposição afirma que será mais cautelosa do que o PT, que incluiu no programa comparações entre os ‘governo Lula/ Dilma e FHC/Serra’. Dos aliados de Dilma, só o PR ainda tem programa, em 20 de maio.

A ideia é mostrar Serra em eventos promovidos pelos partidos e explicar a aliança. ‘Vamos apresentá-lo como nosso candidato’, disse o presidente do PPS, Roberto Freire.

O primeiro contra-ataque ao PT será no dia 27, no programa do DEM. ‘Nosso programa será conectado com o fato de estarmos às vésperas da eleição e articulado com a campanha do Serra’, afirmou o presidente do partido, Rodrigo Maia (RJ).

No PSDB, a avaliação é que o impacto do programa do PT nas pesquisas é inevitável. ‘O partido adotou o lema de que o crime compensa’, disse o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA), para quem a aplicação de multa é pequena em comparação com o ganho eleitoral.’

 

PUBLICIDADE

Mônica Bergamo

Café da manhã

‘Processada pela Promotoria do Consumidor de SP para que deixe de fazer publicidade dirigida a crianças, a Nestlé diz que não anuncia seus produtos para menores de 12 anos e que, entre seus princípios de comunicação, estão: encorajar a alimentação saudável e a atividade física, não diminuir a autoridade dos pais nem criar ‘expectativas irreais sobre popularidade ou sucesso’ em quem consome seus alimentos. A empresa assinou, com outras companhias, compromisso de ‘publicidade responsável’, em vigor desde novembro passado.’

 

TELEVISÃO

Laura Mattos

‘Vi pouco a Cultura’, diz presidente da TV

‘‘Esse é o Vila Sésamo’, disse à Folha João Sayad, 64, novo presidente da TV Cultura, ao ver foto do ‘Cocoricó’, principal programa da emissora. Para quem não sabe, ‘Vila Sésamo’ tem também uma versão produzida pela Cultura.

Diante da confusão, Sayad, que antes de ver a foto não sabia se ‘Cocoricó’ era desenho ou programa de bonecos, admitiu pouco ver a TV Cultura. ‘Não fiz a lição de casa. Preciso ver mais.’ Argumentou que ‘isso pode ser uma vantagem’. ‘Posso ser mais aberto.’

Por enquanto, o único plano mais concreto que tem para programação é uma premiação dos piores da TV aberta. ‘Podemos eleger a pior novela, o pior programa de auditório. É uma forma de discutir televisão.’

Ex-secretário de Estado da Cultura de São Paulo, Sayad afirmou que irá se concentrar em problemas jurídicos e financeiros da instituição. Após a entrevista com a Folha, na quinta-feira, ele se despediu do prédio da secretaria. Em junho, assume a emissora. Leia trechos da entrevista.

FOLHA – O que houve na eleição da Cultura? Soube que o sr. havia ligado para Paulo Markun [então presidente] dizendo que ele seria candidato único, mas, após uma semana, anunciou que o sr. iria concorrer.

JOÃO SAYAD – Foi muito desgastante. Fiquei chateado de ter criado esse desgaste ou ser parte desse processo. Sou amigo do Markun, é um profissional respeitado, prefiro não tocar nisso. Já passou. As coisas em política, a nível pessoal, podem ser muito tensionantes. O ideal para mim é passar para frente.

FOLHA – O que o sr. acha de o presidente da TV Cultura ser sempre alguém indicado pelo governador?

SAYAD – É contradição de toda organização autônoma que depende de verba do governo.

FOLHA – A contradição seria atenuada se o repasse estatal caísse?

SAYAD – Imagina se o presidente da Cultura vai querer que o repasse diminua! A fundação tem uma receita de R$ 200 milhões, e vem do Estado R$ 85 milhões. É muito importante. Se o conselho quer mais autonomia, isso precisa ser tratado juridicamente. É uma fundação pública de direito privado, ambiguidade com custos altos na Justiça trabalhista.

FOLHA – O sr. acha que a TV deveria ser mais independente do Estado?

SAYAD – Deveria ter autonomia maior, mas não consentida, e sim definida na organização jurídica e financeira. Discutirei com juristas e conselho a organização jurídica, que cria dificuldades nas relações trabalhistas. Dissídios são fixados, mas têm de ser aceitos pelo Codec [Conselho de Defesa dos Capitais], que fixa a política salarial do governo. Se não forem, a Cultura não pode pagar, isso vai para a Justiça. É um passivo trabalhista que cresce e atrapalha.

FOLHA – Há medo de demissões.

SAYAD – É uma preocupação que tem todo o meu respeito. Falam em números entre 1.700 e 2.100 funcionários. Os representantes dos sindicatos acham que há inchaço, o que é surpreendente. É um problema a ser analisado.

FOLHA – Quando estava no governo, o sr. criou o contrato de controle à TV Cultura. Como vê isso agora?

SAYAD – A Cultura precisa se comprometer com o conselho e com um dos maiores financiadores dela [o governo] com um programa de trabalho.

FOLHA – O sr. critica o jornalismo.

SAYAD – O jornalismo tem que ser bom. A Cultura persegue a ideia mítica de jornalismo público. Há jornalismo privado?

FOLHA – O sr. diz que discursos de sustentabilidade e cidadania são vazios. Afastará isso da emissora? Acabará, por exemplo, com programas como ‘Repórter Eco’, ‘Ecoprático’?

SAYAD – Palavras na moda perdem o significado. Não quer dizer que farei programa poluidor. Não conheço esses programas profundamente. Para julgar um programa, antes do estilo ou formato, se trata de ecologia ou não, tem de saber se é bom, tornar claro o critério de avaliação, com atributos como audiência, repercussão, pioneirismo, custo. Dizem que uma das forças da TV é estabilidade da programação. Não pode ser manipulada com urgência e subjetividade.

FOLHA – O sr. assiste à Cultura?

SAYAD – Tenho agora assistido.

FOLHA – O que tem visto?

SAYAD – Uns documentários. Vi pouco. Ainda não fiz a lição de casa, vou ver mais.

FOLHA – E a programação infantil?

SAYAD – A Cultura tem tradição e talento especial para isso e devemos prosseguir.

FOLHA – Como fica a questão do ‘Cocoricó’, que, apesar de ser o principal programa, tem uma equipe sem vínculos com a emissora?

SAYAD – O ‘Cocoricó’ é desenho ou de bonecos?

FOLHA – Bonecos, é esse aqui [repórter mostra foto do ‘Cocoricó’].

SAYAD – Esse é ‘Vila Sésamo’.

FOLHA – Não, é ‘Cocoricó’.

SAYAD – É a mesma cara. Acho que foi copiado do ‘Vila Sésamo’ [risos]. Bom, sobre a equipe, não posso dar resposta. É um problema que espero começar a entender.

FOLHA – O fato de o sr. não ser de TV, de não saber se é ‘Cocoricó’ ou ‘Vila Sésamo’, não é um problema?

SAYAD – Pode ser vantagem. Espero reunir bons profissionais. Posso ouvir a todos e ser mais aberto à criatividade.’

 

Emissora ABC resolve cancelar ‘FlashForward’

‘Não deram certo as tentativas dos roteiristas para tentar salvar ‘FlashForward’. O canal americano ABC decidiu cancelar o programa que foi comparado a ‘Lost’ quando estreou, no ano passado, e ia mal na audiência. Segundo a revista ‘Entertainment Weekly’, a emissora também não vai renovar ‘Better Off Ted’, ‘Scrubs’ e ‘Romantically Challenged’ -esta última estrelada por Alyssa Milano, a Phoebe de ‘Charmed’.’

 

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