Quinta-feira, 09 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Folha de S. Paulo

22/06/2010 na edição 595

SARAMAGO
Morre Saramago, único Nobel da língua portuguesa

‘Morreu ontem, aos 87 anos, o escritor português José Saramago. Autor do idioma que conquistou o maior reconhecimento internacional na literatura contemporânea, por causa do Prêmio Nobel ganho em 1998, ele estava em casa, na ilha espanhola de Lanzarote, com a mulher, Pilar.

O corpo será levado para Lisboa, onde acontecem o velório e a cremação.

Saramago nasceu numa família pobre, foi operário e se iniciou tardiamente como escritor de ficção. Atuou também como jornalista e dramaturgo. Estabeleceu uma obra marcada pela carga ideológica, em que seu ateísmo e seu marxismo se fundiam à uma escrita vigorosa e original. Ao longo Suas posições políticas renderam tantas polêmicas quanto seus lançamentos.

Após o Nobel, tornou-se popular, especialmente no Brasil, onde foram vendidos R$ 1,4 milhões de exemplares dos seus livros. Deixa uma única filha, Violante, do seu primeiro casamento.

Leia caderno com textos de Leyla Perrone-Moisés, Luiz Schwarcz e João Pereira Coutinho.’

 

Ranier Bragon

Lisboa recebe com serenidade morte de seu único Nobel

‘Único escritor de língua portuguesa a ser premiado com o Nobel de Literatura, José Saramago morreu na manhã de ontem na ilha espanhola Lanzarote, para onde havia se mudado no início dos anos 1990.

Mais de 2.000 km distante dali, as autoridades e o mundo literário em Portugal destacaram o gênio e as polêmicas nos 87 anos de vida do escritor, mas, nas ruas de Lisboa, as reações não foram muito além de livrarias que destacaram suas obras.

Coube à fundação que leva o nome do escritor fazer a confirmação, via internet, de que Saramago havia morrido às 12h30 de ontem (7h30 em Brasília) ‘em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença’.

De acordo com a instituição, o escritor estava acompanhado pela família, despedindo-se de uma forma ‘serena e tranquila’.

Na sede da fundação, em Lisboa, funcionários atendiam telefonemas simultaneamente e pareciam atordoados a ponto de demorar cerca de cinco minutos para atender à campainha.

‘Para mim, foi uma pessoa da família que foi embora’, lamentou-se à Folha Rita Pais, 57, revisora dos livros de Saramago e diretora literária da fundação. ‘Conhecia-o tanto que já sabia quando uma vírgula estava naquele lugar não intencionalmente, mas por engano.’

Não havia concentração de pessoas na fundação na tarde de ontem.

Autoridades, colaboradores e admiradores de Saramago esperam manifestações para hoje, quando o corpo do escritor chega a Lisboa para ser velado na Câmara Municipal de Lisboa a partir das 9h30 (hora de Brasília) e, amanhã, cremado no Cemitério do Alto de São João.

Saramago começou a ser velado ontem, em Lanzarote, mas seu corpo será conduzido hoje por avião da Força Aérea portuguesa até Lisboa.

CINZAS DE LANZAROTE

Agências de notícias afirmavam que parte das cinzas poderiam ser depositadas em uma oliveira na propriedade do escritor na ilha espanhola. Outra parte iria para Azinhaga, onde nasceu, a cerca de 100 km de Lisboa.

A fundação e o governo português não confirmaram as informações, dizendo que caberá à viúva, Pilar del Rio, e à família decidir.

No início da noite, o governo português anunciou luto oficial hoje e amanhã. O primeiro-ministro, José Sócrates, disse ter havido uma ‘grande perda’ para a cultura portuguesa. O presidente, Cavaco Silva enviou mensagem de condolências à família do escritor.

As principais TVs portuguesas dedicaram cobertura especial à morte do escritor. Mas o assunto teve de dividir espaço com relatório aprovado ontem por uma comissão de inquérito que levanta suspeitas de que o primeiro-ministro, José Sócrates, mentiu ao Parlamento.

Na parte dedicada a Saramago, foram destacadas e discutidas as polêmicas nas quais o escritor se envolveu, entre elas com a Igreja Católica, que tem importante peso em Portugal.

Em relação ao seu último livro (‘Caim’; Cia. das Letras), por exemplo, lembraram a frase segundo a qual a Bíblia era ‘o maior livro dos maus costumes, o catálogo da crueldade’.

‘Pobres dos escritores consensuais. Acho que o escritor consensual fez alguma coisa errada’, disse na TV o escritor e crítico literário Pedro Mexia.

Nas ruas e nas telas, a Folha testemunhou manifestos de apreço e de crítica ao autor. Na TVI, por exemplo, um aposentado chegou a dizer que não lia Saramago assim como não lia ‘a obra de Hitler’. ‘Não era um fã dele, mas considero-o um dos grandes autores’, disse o gerente da Livraria Portugal, Joaquim Carneiro.

Alguns momentos depois da confirmação da morte, a praça localizada no Rossio, um dos pontos mais tradicionais da cidade, mantinha a sua rotina, com movimentação de turistas e uma aglomeração para assistir, em um telão, ao jogo da Alemanha x Sérvia na Copa.’

 

Romance inacabado é sobre tráfico de armas

‘José Saramago deixou inacabado em seu computador um romance sobre o tráfico de armas -a que chamou de ‘Alabardas, Alabardas! Espingardas, Espingardas!’.

O título faz referência a dois versos da tragicomédia ‘Exortação da Guerra’ (1513), escrita por Gil Vicente, um dos grandes nomes da dramaturgia portuguesa.

Mas, segundo o editor de Saramago, Zeferino Coelho, a viúva, Pilar del Rio, não decidiu se será publicado. Ele acrescentou que há ‘muita coisa no espólio’ do autor de ‘Ensaio sobre a Cegueira’ que pode vir a público, como sua correspondência.

Após concluir ‘Caim’ em 2009, Saramago começou a redigir com entusiasmo esse novo romance, mas parou por não estar satisfeito com o título. Era comum em seu processo de criação saber o título das obras antes mesmo de começar a escrevê-las. Demorou até finalmente glosar os versos de Gil Vicente. Mas, segundo amigos, a obra vinha lhe dando mais dores de cabeça do que as anteriores.

DOCUMENTÁRIO

A produtora O2, de Fernando Meirelles, está coproduzindo o documentário ‘José e Pilar’. Dirigido pelo português Miguel Mendes, conta os últimos anos de convivência do escritor com sua mulher. Para Meirelles, ‘vemos ali um homem brilhante que sabe que seu tempo está acabando’.

Já a Companhia das Letras irá publicar, ainda sem data definida, ‘José Saramago em Suas Palavras’. Organizada por Fernando Gómez Aguilera, reúne declarações dadas à imprensa escrita.

LEITURAS

Entre os últimos livros que Saramago estava lendo, consta, segundo seus familiares, ‘Às Cegas’, do italiano Claudio Magris, que fora visitá-lo meses atrás em sua residência em Lanzarote.

Também havia ‘George Steiner at The New Yorker’, que colige as resenhas que o crítico inglês fez para a revista entre 1967 e 1997. Saramago sempre recomendava a obra a seus amigos.

Recentemente, estava muito feliz com a publicação da correspondência que ele próprio manteve com o também autor português José Rodrigues Miguéis, entre 1959 e 1971. Segundo Pilar, ele comentou: ‘Agora posso morrer tranquilo’.’

 

Adriano Schwartz

Permanência da vasta obra de José Saramago será agora posta à prova

‘Em uma das mais belas cenas escritas por José Saramago, ao final de ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’, o protagonista acompanha o fantasma de Fernando Pessoa para a morte.

Descobre que a capacidade de ler seria a primeira coisa que perderia na nova circunstância, instante derradeiro em que ‘o mar acabou e a terra espera’.

Mesmo assim, ele carrega consigo um livro, uma obra que tanto o perturbara nos meses anteriores, pois desse modo deixaria o mundo aliviado de um enigma.

Saramago não levou livro algum e, infelizmente, não irá mais se preocupar com enigmas ou leituras.

Os seus livros, contudo, ficam, e a permanência deles será agora posta à prova.

Essa questão será solucionada ao longo do tempo, mas desconfio que a parte mais importante de sua produção -aquela que começa com o ‘Memorial do Convento’ e vai até ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ ou talvez o ‘Ensaio sobre a Cegueira’ (apesar de seu final problemático)-, resistirá e ganhará novos adeptos à medida que for diminuindo o impacto da figura forte e polêmica de seu autor na compreensão dos textos.

CARGA IDEOLÓGICA

Livres da excessiva carga ideológica com que sempre foram associados e que contaminou boa parte de sua repercussão crítica, esses romances lançados em um período tão curto, de 1982 a 1995, serão avaliados de modos menos ‘apaixonados’ e, creio, mais positivos.

Será o momento em que ficarão ainda mais claros o elaborado jogo entre memória e literatura de ‘O Ano da Morte’, a construção sofisticada de ‘O Evangelho’, o delicado paralelo entre os casais do presente e do passado em ‘História do Cerco de Lisboa’, a arquitetura exagerada e bela do ‘Memorial do Convento’.

Isso não quer dizer que não será também reavaliado o que veio antes, desde o primeiro romance -’Terra do Pecado’, publicado em 1947 e por décadas renegado-, até o ‘Manual de Pintura e Caligrafia’, de 1977, e ‘Levantado do Chão’, de 1980, volume em que pela primeira vez Saramago adota o uso intensivo da vírgula como sinal de pontuação fundamental, uso que se tornou sua marca registrada.

E o que veio depois, alegorias ambiciosas de alcance duvidoso -como ‘Todos os Nomes’, de 1997, e a ‘A Caverna’, de 2000-, exercícios curiosos -como ‘O Homem Duplicado’, de 2002, ou ‘A Viagem do Elefante’, de 2007-, e intervenções bastante forçadas, como ‘Ensaio sobre a Lucidez’, de 2004, e ‘As Intermitências da Morte’, de 2005. Essas serão, porém, tarefas (enigmas) para o futuro.

Hoje, vale a pena lembrar um comentário do professor João Alexandre Barbosa, publicado no caderno Mais!, da Folha, em 1998.

Escreveu ele então que os romances que José Saramago vinha produzindo lhe ‘conferiam a posição de um dos melhores prosadores de língua portuguesa’ do século que ia terminando.

E acrescentou: ‘E, para dizer a verdade, o plural só está aí pela existência anterior de João Guimarães Rosa’. Se o julgamento é exagerado ou não, cabe a cada leitor decidir.

O que importa é que ele atesta a ordem de grandeza de uma obra que foi por tantas décadas construída e que, há poucas horas, chegou ao final.

ADRIANO SCHWARTZ é professor de literatura da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e autor de ‘O Abismo Invertido – Pessoa, Borges e a Inquietude do Romance em O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago’ (ed. Globo).’

 

Fabio Victor

Carga ideológica alimentou disputas políticas e religiosas

‘Um comentário no Twitter publicado por Marina Silva -no qual uma seguidora da presidenciável escreveu: ‘Como podemos lamentar a morte de uma pessoa que blasfemou contra Deus a vida toda?’- detonou ontem uma batalha na internet.

O caso, embora miúdo, ilustra o potencial de polêmica em torno de Saramago, cuja veemência (convicção para uns, sectarismo para outros) sempre alimentou entusiastas e detratores.

Foi um intelectual de posições políticas e filosóficas inarredáveis, ateu convicto e ‘comunista hormonal’ (definição dele) até a morte.

Desta carga ideológica surgiram as principais controvérsias de sua biografia.

Em 1993, mudou-se para as ilhas Canárias em protesto contra censura do governo português, que impediu ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ de ser inscrito num prêmio da União Europeia.

Por desconstruir dogmas seculares do catolicismo, a obra foi vista como ataque ao ‘patrimônio dos cristãos’.

Saramago foi criticado por toda a vida pela demissão, em 1975, quando foi diretor-adjunto do ‘Diário de Notícias’, de jornalistas que se opunham à linha do veículo, de orientação comunista.

Em assembleia, o escritor votou pela demissão, mas negava ter sido seu mentor.

Em 2002, comparou a ocupação israelense na Palestina ao campo de concentração de Auschwitz. A defesa da causa lhe trouxe acusações de antissemitismo.

Apoiou a Revolução Cubana sem restrições até 2003, quando, após a execução de três dissidentes, escreveu num artigo no jornal ‘El País’: ‘Até aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá o seu caminho, eu fico’.’

 

João Pereira Coutinho

Após o Nobel, livros ficaram esquemáticos e primitivos

‘Fernando Pessoa e José Saramago são os maiores escritores portugueses do século 20. Não pretendo ferir sensibilidades brasileiras.

Mas poderia dizer que Pessoa e Saramago são os maiores escritores de língua portuguesa também.

O juízo não é estético ou literário. É fatual e empírico. Pessoalmente, e para ficarmos nos lusos, prefiro Mário Cesariny ou José Cardoso Pires, dois nomes que o Brasil conhece mal.

E, por falar em Brasil, admito que Drummond ou Guimarães Rosa possam rivalizar com qualquer um desses.

Mas Pessoa ou Saramago habitam um universo diferente. Basta entrar em qualquer livraria do mundo e fazer o teste.

Fernando Pessoa paira acima da média porque, depois da morte, os seus heterônimos ganharam vida própria e saíram por aí, deslumbrando. Saramago, porque recebeu o Prêmio Nobel em 1998.

O que não deixa de ser irônico e injusto: se existe um Saramago que interessa como escritor, ele existe antes do Nobel, não depois dele.

Em ‘Memorial do Convento’ ou no espantoso ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (a sua homenagem a Fernando pessoa, ‘et pour cause’…), Saramago oferecia uma reinterpretação estilística dos pregadores lusitanos (como Antônio Vieira), elaborando fábulas de fôlego ‘humanista’ e ‘universal’.

A Academia Sueca sempre gostou desse tipo de exercício e premiou a obra. Saramago agradeceu e, literariamente falando, foi produzindo parábolas atrás de parábolas, cada uma mais esquemática e mais primitiva do que a anterior.

‘A Caverna’ ou ‘Ensaio sobre a Lucidez’, para citar apenas dois exemplos recentes, representam o pior do Saramago pós-Nobel: um escritor moralista e verborrágico com certa atração pelo maniqueísmo mais vulgar.

Curiosamente, o único lampejo da criatividade passada deu-se com o simpático e despretensioso ‘A Viagem do Elefante’. De 2008, é uma história (quase) de aventuras em que o escritor relata, com leveza de tom, a viagem do elefante Salomão pela Europa do século 15, uma oferta do rei d. João 3º ao primo Maximiliano da Áustria.

HONRARIA INSULTUOSA

Agora, na hora da morte, Portugal prepara-se para honrar o escritor, o que me parece justo. Mas é provável que se prepare também para honrar o ‘democrata’, o que me parece insultuoso.

Comunista até ao fim, Saramago assinou algumas das páginas mais intolerantes do período revolucionário português, quando integrou a direção do ‘Diário de Notícias’ no ano quente de 1975.

Um período de violência física (nas ruas) e verbal (nos jornais), com Saramago a vestir a farda do fanatismo bolchevique e a salivar de ódio contra os ‘reacionários’ e os ‘burgueses’ (um oximoro, eu sei).

Contra a vontade de Saramago, Portugal acabaria por optar pela via da democracia representativa e da liberdade sob a lei. Uma escolha que sempre soou a Saramago como uma traição essencial dos valores moscovitas que, no século em que ele nasceu e viveu, produziram centenas de milhões de cadáveres.

Nas culturas latinas, a morte melhora sempre o caráter. Só se espera que não se faça o mesmo com a biografia política do defunto.’

 

Ana Paula Sousa

Autor construiu profunda relação com país

‘José Saramago não suportava que tentassem separar Brasil e Portugal. Para ele, os dois países estavam fadados a um amálgama.

Num texto publicado na revista portuguesa ‘Status’, em 1985, voltou a 1822 para dizer que, após a independência, o que ficara para trás não era o tempo das trevas ou da ignorância, e sim um formigueiro cultural.

‘A parte visível da cultura que diremos brasileira emerge, e assenta, como parte visível de um iceberg, sobre a massa profunda da história e da cultura portuguesas (…). Mas somos gente da mesma família, de uma mesma língua, de uma cultura que é, embora diferente, a mesma.’

Do pensamento complexo, fez-se o afeto. Três anos depois de ter escrito o texto, Saramago veio ao Brasil para lançar ‘A Jangada de Pedra’ e ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’, as duas primeiras obras editadas pela Companhia das Letras.

‘Foi nessa viagem que nos conhecemos’, conta Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras. ‘Depois, ele veio inúmeras vezes para cá. Ele adorava estar no Brasil.’

Não por acaso, escolhera o país para fazer o lançamento mundial do livro que acreditava ser o derradeiro, ‘A Viagem do Elefante’. Em 2008, aos 86 anos, já adoentado, veio pela última vez ao país.

Tratado como personalidade de proa, recebeu homenagem na Academia Brasileira de Letras, no Rio, e, em São Paulo, falou com o público no Sesc Pinheiros, participou de sabatina na Folha e foi tema da exposição ‘José Saramago – A Consistência dos Sonhos’, no Instituto Tomie Ohtake.

INSPIRAÇÃO

Fora recebido como um ídolo. Deixou o país visivelmente encantado com a recepção, a ponto de, aqui, ter tido a ideia para ‘Caim’.

Por onde quer que andasse, atraía olhares, ouvintes e pedidos de autógrafo. ‘No lançamento, ele ficou até meia-noite dando autógrafos’, recorda Schwarcz. ‘Várias vezes, o vi ser parado na rua por leitores.’

Nas vindas ao país, Saramago criou, também, uma afetiva rede de relações. Ficou amigo de Jorge Amado (1912-2001), Chico Buarque, Caetano Veloso, Lygia Fagundes Telles, Sebastião Salgado e Raduam Nassar.

Alguns deles figuram até mesmo em ‘Os Cadernos de Lanzarote’, diário do autor. ‘Esta vida de Jorge [Amado] e Zélia [Gattai] parece do mais fácil e ameno, uma temporada aqui, uma temporada ali, viagens pelo meio, em toda a parte amigos à espera, prêmios, aplausos, admiradores -que mais podem estes dois desejar? Desejam um Brasil feliz e não o têm.’

A canção ‘Romaria’, de Renato Teixeira, também atravessa o diário: ‘Como o romeiro da canção de Elis Regina, que, igualzinho a mim, não sabia rezar, fui mostrar o olhar ao dr. Mâncio dos Santos: Nossa Senhora Aparecida, para estes casos, não serve. Resultado do exame: terei de mudar de lentes’.

E o Brasil era, também, um mercado e tanto para suas obras. ‘Ele era nosso autor mais vendido em literatura estrangeira’, diz Schwarcz. Os 24 títulos lançados pela editora somam 1,4 milhões de exemplares vendidos -’Ensaio Sobre a Cegueira’, com 350 mil, à frente.

‘O Brasil era um dos principais mercados do Saramago no mundo’, diz o editor. ‘Talvez só a Espanha vendesse mais que o Brasil. Além disso, enquanto em Portugal muita gente o criticava duramente, aqui ela era, sobretudo, admirado.’’

 

Pasquale Cipro Neto

Vai-se o escultor das palavras

‘‘A oficina do escultor é alta como uma caverna que esvaziasse uma montanha.’ Assim começa ‘A Oficina do Escultor’. Em seu livro de crônicas ‘A Bagagem do Viajante’ (de 1973), de que faz parte ‘A Oficina’, Saramago esculpiu essa pequena obra-prima sobre o fazer criativo/ criador.

Já no primeiro parágrafo do texto, Saramago compõe uma rica imagem dessa oficina, que, além de ser ‘alta como uma caverna’, é ‘sonora como um poço’.

Estão apresentados os dotes que transformam a oficina em sala de concerto, em catedral e em vulcão, ‘e a música abre-se como uma flor rubra e gigantesca debaixo de cujas pétalas curvamos a cabeça’.

Essa flor vermelha e imensa é a literatura. Não foi por acaso que Saramago batizou de ‘A Maior Flor do Mundo’ sua única (e brilhante) obra dedicada às crianças.

Mas Saramago diz que as três metáforas com que ele idealiza a oficina do escultor (‘sala de concerto’ -a harmonia e a elevação da música-, ‘catedral’-o culto ao trabalho do criador-, e ‘vulcão’ -a ebulição do espirito do criador) não são o trabalho.

O trabalho está em, iniciadas as esculturas (‘envolvidas como espectros em telas brancas, em sacos de plástico translúcido que dentro condensam a respiração do barro’), ter o escultor, a um tempo, o gesto delicado e forte -delicado para despir essas esculturas ‘como a um corpo vivo’; forte (e macio) para esmagar o barro, à procura da linha exata.

Dada a justeza do movimento das mãos, ‘a massa de argila recria-se pelo lado de dentro e é um rosto sombrio ou aberto, um lábio…’.

E as imagens de Saramago para (tentar) traduzir o ofício do escultor continuam. Vão para a folha branca, ‘vertical e nua como um corpo’, seguem pelas figuras que povoam a oficina e desembocam na apoteose: ‘O escultor circula como habitante único de um país onde só ele cabe e que se move devagar, como uma veia do pulso’.

O fato é que a oficina-caverna é o dentro do escultor/ escritor, é o ventre do texto esculpido. Ao mesmo tempo em que nos mostra metalinguisticamente a reflexão sobre um ‘fazer’, é, ele mesmo (texto), algo que se vai fazendo imagem à nossa frente, lugar de habitação em que tudo está em aparente inércia, mas pode, a qualquer momento, fazer-se erupção pela respiração do barro das palavras. Saramago é vida pura.

É isso.

Colaborou JULIANA LOYOLA, professora da PUC-SP’

 

Sylvia Colombo

Era duro com jornalistas, mas doce com o público do Brasil

‘Numa manhã fria de outubro de 2008, José Saramago recebeu a Folha para uma entrevista em Lisboa, na sede da Fundação José Saramago.

O prêmio Nobel preparava-se para uma visita ao Brasil na qual lançaria mundialmente ‘A Viagem do Elefante’, seu penúltimo romance lançado em vida.

Estava na capital portuguesa, e não nas ilhas espanholas onde vivia, por causa da saúde frágil. Amparado pela mulher, Pilar del Río, conferiu e-mails, deu uma olhada no blog que atualizava com regularidade e pediu que eu esperasse enquanto lia seu jornal diário -no caso, o ‘El País’, da Espanha.

Depois atendeu-me com respostas educadas e elaboradas, quando o assunto era literatura, mas curtas e secas quando o tema era política, em especial quando eu insistia em conversar sobre sua convicção esquerdista.

Saramago era assim. Mantinha-se geralmente na defensiva quando estava com jornalistas. Por outro lado, era doce e emotivo com o público, particularmente com o público brasileiro.

Foi o que se viu aqui no Brasil na referida viagem, que ocorreu poucas semanas depois. Em palestra no Sesc Pinheiros, comoveu a plateia ao falar de vida, morte, doença, a falta de Deus e literatura. Os aplausos foram efusivos e Saramago ficou com os olhos cheios d’água.

No dia seguinte, em sabatina realizada pela Folha, a situação foi um pouco menos confortável para ele. Questionado por um grupo de jornalistas e pelo público sobre seu ateísmo e sua militância política, respondeu de modo duro, dividindo opiniões entre os ali presentes.

Findo o evento, segurou-me pelo braço e falou ao meu ouvido: ‘Acho que a gente ficou um bocado brava com algumas coisas que eu disse, não te pareceu?’.’

 

Luiz Schwarcz

O adeus do editor

‘Amigo pessoal do autor português, Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, relata histórias dele no Brasil e conta que o viu morto pelo Skype

***

Acabo de ver o escritor José Saramago morto. Quando a notícia apareceu na internet, liguei pelo Skype para Pilar, que sem que eu pedisse me mostrou José deitado na cama, morto. Tenho falado com Pilar quase todos os dias. Sabia que não havia chance de recuperação, o destino de José já estava traçado, os médicos não acreditavam mais na possibilidade de um novo milagre, como o do ano passado, quando venceu, contra todas as expectativas, os problemas pulmonares que o acometiam.

Posso dizer que José Saramago era um grande amigo meu e da minha família. Quando vinha ao Brasil hospedava-se em minha casa, no quarto que foi da Júlia, minha filha. Detestava hotéis. Viu meus filhos crescerem. Fui conhecer sua casa em Lanzarote logo que se mudou com Pilar, abandonando Portugal.

Assisti emocionado à cerimônia do Nobel em Estocolmo – pouco antes, no hotel, aprovamos, Lili e eu, o vestido de Pilar para o evento. Estava em Frankfurt quando ele recebeu a notícia do prêmio; celebramos juntos.

A obra de Saramago veio para a Companhia das Letras por acaso. No fim da Feira de Frankfurt de 1987, ao me despedir de Ray-Gude Mertin, uma amiga pessoal e agente literária de muitos autores brasileiros, comentei que José era dos meus autores favoritos. Conversa à toa, de fim de feira. Não fazia ideia de que ela representava o escritor português, junto com a editora Caminho, e que estava para mudar Saramago de editora no Brasil.

Atrasei minha partida e voltei, com a bagagem no porta-malas do táxi, para falar com Zeferino Coelho sobre a Companhia das Letras.

Foi tudo muito rápido, ‘Jangada de Pedra’ foi o primeiro livro, lançado em abril de 1988 com a presença do autor no Brasil, junto com Pilar, jornalista que conhecera em 1986 e que mudou tanto a sua vida. A empatia foi imediata, apesar da minha gafe inicial -perguntei-lhe em plena praia de Copacabana se era verdade que, em Portugal, ‘Psicose’, de Hitchcock, fora intitulado ‘O Filho que Era Mãe’, e ‘Vertigo’, ‘A Mulher que Morreu Duas Vezes’.

Em seguida fui a Lisboa. Já éramos bem amigos, ele queria me mostrar o novo livro que escrevia. Em sua casa, na rua dos Ferreiros à Estrela, José leu trechos de ‘A História do Cerco de Lisboa’, e me levou para jantar no seu restaurante favorito, o Farta Brutos. Pilar foi minha guia de Lisboa na ocasião, reservou o hotel num velho convento na rua das Janelas Verdes, e mostrou os locais que aparecem no meu livro favorito de Saramago, ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’.

Comprei com Pilar o primeiro computador de José. Antes disso, ele datilografava três vezes cada livro para entregá-lo completamente limpo a seus editores.

No Brasil, o lançamento de ‘Jangada de Pedra’ foi uma festa interminável. Filas enormes na livraria Timbre e a efusão de beijos e abraços no escritor fizeram-no exclamar, ‘Luiz, esta gente quer me matar de amor’. Daí para frente, esse amor dos brasileiros por José Saramago só cresceu, suas visitas se tornaram mais frequentes, e vários dos últimos livros lhe ocorreram em viagens pelo país, nas quais estávamos juntos.

Lembro-me ao menos de três ocasiões em que isso aconteceu. A mais recente delas foi em sua última estada no Brasil, quando da publicação de ‘A Viagem do Elefante’, livro que José resolveu lançar mundialmente aqui, em novembro de 2008, como presente ao carinho e aos amigos brasileiros.

Ele já estava muito fraco, e a viagem era uma ousadia.

Ao chegar em minha casa, numa das nossas primeiras conversas, me disse que não escreveria mais, estava se sentindo velho e cansado.

Depois do evento de lançamento no Sesc Pinheiros, vencida uma fila enorme de autógrafos -Saramago nunca recusava autografar, nem mesmo doente-, fomos ao Rio, para a continuidade dos eventos. Ao pousarmos na cidade, enquanto eu recolhia as bagagens, José anunciou, para Lili, Pilar e eu, que decidira voltar a um velho projeto e que no voo achara a solução que faltava para ‘Caim’, que virou seu último livro.

Eu poderia contar outras tantas histórias aqui. Poderia até falar das nossas discordâncias, de uma discussão amigável que tivemos, sentados no alto do Bauzinho, em São Bento do Sapucaí, olhando para o horizonte da Serra da Mantiqueira, que nós dois adorávamos. Mas o espaço é curto: um blog, mídia que Saramago curtiu antes que eu.

Em outro momento, quem sabe. Agora só quero me despedir mais uma vez de José. Com as melhores lembranças, o amor, e minha saudade. Maldita palavra, tão portuguesa, que agora ficará associada ao meu amigo. Mas saudade não tem remédio, não é, José?

LUIZ SCHWARCZ é editor da Companhia das Letras, que publica livros de José Saramago no Brasil

Este texto foi publicado no blog da editora (www.blogdacia.com.br)’

 

Plínio Fraga

Saramago, o fingidor

‘No começo dos anos 90, nas páginas desta Folha, um leitor implicava com um colunista que chamava a rede mundial de computadores de ‘o internet’, em vez de ‘a internet’. O colunista lançava a hipótese de ser um sistema, daí ‘o internet’.

Leitores são sábios; articulistas, contorcionistas. Este exercício inicial foi para dizer que achar um número de telefone nos anos 90 era difícil. E o número de telefone em questão era em Lanzarote.

Foi necessária uma rede, não de computadores, mas de contatos entre autores, para que o repórter ligasse para Saramago. O escritor foi solícito, mas pediu que mandasse as perguntas por escrito.

Horas depois, o telefone tocava e o próprio autor pedia o sinal de fax para que enviasse suas respostas, publicadas na capa da Ilustrada.

Cinco anos depois, Saramago citava a Folha em seu ‘Cadernos de Lanzarote’. O melhor da entrevista não estava nela. Saramago havia sido questionado sobre declaração de Antônio Houaiss, que apostava que o primeiro Nobel para escritor em língua portuguesa seria para ele ou para João Cabral de Melo Neto.

Repetindo Graham Greene, disse que vencer o Nobel o engrandeceria, mas, se a escolha fosse Cabral, o prêmio é que sairia engrandecido.

No livro, esclareceu o espírito que o movia: ‘Esgotada a minha capacidade de abnegação e modéstia e para não aparecer aos olhos dos leitores da Folha como um sujeitinho hipócrita, acrescentei, desta maneira me sangrando em saúde: ‘Em todo o caso, parecer-me-ia justo que o primeiro Nobel para a língua portuguesa fosse dado a um português, porque, na verdade, vai para 900 anos que estamos à espera dele, enquanto vocês (brasileiros) nem sequer dois séculos de esperanças frustradas levam…’.’

Três anos depois, Saramago recebia o Prêmio Nobel. Como o poeta de Pessoa, era também um fingidor. Driblara o repórter por fax.’

 

ELEIÇÃO
Jogo travado

‘Mudanças, por vezes surpreendentes, pontuais e arbitrárias, ocorrem com frequência no campo da legislação eleitoral. Existem regras, todavia, que mudam pouco -e contribuem para tornar a disputa política brasileira, em certos aspectos, algo tão ritualizado e fixo quanto certas cerimônias religiosas do Oriente, uma apresentação de balé clássico ou as entrevistas de jogadores de futebol depois de uma partida.

É o caso das determinações relativas aos debates entre candidatos no rádio e na TV. A lei dá direito de participação a todo candidato cujo partido tenha eleito deputados federais no último pleito. Além de José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), bem colocados nas pesquisas, outros quatro candidatos, com índices de popularidade próximos de zero, preparam-se para a porfia.

Embora a última alteração da lei permita acordos no sentido de flexibilizar a regra, o escrete é capaz de prejudicar ainda mais o nível técnico do encontro. Com exceção de Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, que não peca pela falta de ideologia, quase nada há a esperar, em termos de visão estratégica, de candidatos como Mario de Oliveira (PT do B) e Oscar Silva (PHS), sem contar com a presença veterana de Ciro Moura (PTC).

Os fanáticos desse tipo de disputa lamentarão, sem dúvida, a ausência de eternos favoritos. Levy Fidelix (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) ou José Maria Eymael (PSDC), apesar de candidatos, não estão, desta vez, entre os titulares nos debates. Há razão suficiente, contudo, para prever que serão travados como sempre.

Não é apenas a legislação, com efeito, a responsável pela má qualidade do espetáculo. Estabelecidas com antecedência pelos assessores dos principais candidatos, as regras dos debates, com sua irritante cronometria de réplicas e tréplicas, parecem feitas de encomenda para adequar o tempo das respostas à estreiteza de imaginação de quem as enuncia.

Criou-se, ademais, a cultura dos números -como se recitar estatísticas suspeitas, em velocidade estonteante, atestasse a competência administrativa e a visão política dos contendores.

Os momentos mais emocionantes se reservam para as denúncias de corrupção, repartidas sem dificuldade pelos envolvidos. Surgem nos derradeiros ‘blocos’ do debate -quando boa parte dos telespectadores já foi dormir ou fazer coisa melhor.

Entre chutes e caneladas, ninguém ganha -e o eleitor, com certeza, é o maior derrotado.

Tudo se origina, sem dúvida, de uma concepção cartorial e burocrática da vida política. Cartorial, porque os debates na televisão são vistos como uma espécie de concessão do poder público, um prolongamento do horário gratuito estabelecido pela lei, e não como um acontecimento jornalístico.

Burocrática, porque a codificação rígida convém aos próprios candidatos, presos a uma tática defensiva e sem imaginação. Num país de grande vitalidade democrática, e com tantos problemas a resolver, é lamentável que nos debates eleitorais esteja-se longe de jogar o melhor futebol do mundo.’

 

COPA
Marcos Augusto Gonçalves

Leifert e Schmidt já estão com a mão no troféu Cala Boca, Galvão

‘A primeira fase ainda não acabou, mas já temos dois fortes candidatos ao troféu Cala Boca, Galvão, para o chato da Copa na TV. Claro que o Galvão é ‘hors concours’. Ou como brincou alguém certa vez, referindo-se a um brilhante colunista social, é ‘horse concours’.

Bem, os nomes não poderiam ser outros: Tadeu Schmidt e Thiago Leifert, ambos da Globo.

O primeiro anda tentando psicografar Armando Nogueira em seus piores momentos. Ou então a linha está com defeito. É o kitsch poético que Pedro Bial já havia treinado na Copa passada.

Já o Leifert foi escalado para a espinhosa posição do jovem repórter irreverente e engraçadinho. Perigo.

Uma amiga sintetizou no Facebook: ‘Tem péssimo gosto nas piadas e comentários; tenta ser engraçado, mas não é. E a plateia do ‘Central da Copa’ é mega sem graça’. Assino em cima.’

 

Mônica Bergamo

‘Líder’ do ‘cala boca Galvão’ diz que só quis ajudar

‘Autor do vídeo ‘Cala Boca Galvão – Save Galvão Birds Campaign’, visto por mais de 760 mil pessoas no YouTube e que diz que a expressão é o slogan de uma campanha para salvar um fictício ‘pássaro da espécie galvão’, o produtor Fernando Motolese, 27, diz que ficou 32 horas acordado para produzir o viral. E que fez isso para ajudar o apresentador da TV Globo a ‘encontrar uma saída para as críticas’.

Folha – Por que fez o vídeo?

Fernando Motolese – Gosto do Galvão [Bueno]. Conseguimos ajudá-lo a encontrar uma saída para as críticas. O objetivo era reverter para algo positivo. Provocamos uma discussão política em torno do aquecimento global, da preservação dos pássaros. Por mais que fosse notícia falsa, assuntos sérios foram tratados. E fez com que surgisse o boato que [‘Cala Boca Galvão’] seria o novo single da [cantora] Lady Gaga. Nossa missão é gravar uma música com ela para salvar pássaros do mundo.

Como assim?

Já estou em contato com a produção [dela]. É questão de tempo. Pra ela será um megagancho. No Brasil, ela não é tão famosa. Imagine ela vincular sua imagem ao ‘Cala Boca Galvão’, a uma causa relevante. Ela vai se igualar ao [cantor] Bono. Estará protegendo o planeta.

O contato foi feito com quem?

Entramos em contato com o agente [dela] propondo consolidar esse boato como projeto real. Foram várias músicas feitas [na internet]. Vamos escolher a melhor. Gosto da ‘Ga Ga Galvão’ [cantarola], do [DJ] Divo FeFe. Tem uma letra bacana [‘Don’t kill the birds (não mate os pássaros)/Ga ga ga Galvão/Lady Gaga ga Galvão’].

O vídeo ajudou nos negócios?

Estamos em negociação com uma empresa americana para fazer uma campanha focada em brasileiros, para um site de cassinos on-line. Uma série de virais.

Já participava de campanha para preservar os pássaros?

Não. Porém, tenho experiência em ativismo. Em 2009, fundei o movimento Liberdade Telefônica, para protestar contra as tarifas abusivas, e o protesto 3G É Limitado, contra os abusos das operadoras. E sou do Greenpeace.’

 

VENEZUELA
Caracas pede à Interpol prisão de crítico

‘A Venezuela pediu ontem à Interpol (polícia internacional) que emita um mandado de prisão contra o presidente da emissora Globovisión, de orientação crítica ao governo Hugo Chávez, e o filho dele.

Guillermo Zuloaga está foragido desde o último dia 11, quando a Justiça venezuelana emitiu uma ordem de prisão contra o empresário e o filho dele por ‘usura genérica’ e formação de quadrilha.

Nesta semana, auxiliares do presidente da Globovisión afirmaram que ele se encontra fora do país, em lugar não revelado, e o próprio Zuloaga disse que não se entregará à Justiça, a qual afirma ser instrumentalizada por Caracas.

‘Vamos fazer cumprir as leis e a Constituição’, disse o ministro do Interior, Tarek El Aissami, ao anunciar o pedido de prisão feito à Interpol.

‘A investigação avança. O tempo dos intocáveis que cometiam crimes em detrimento dos interesses nacionais ficou no passado’, disse o ministro, que chamou Zuloaga e filho de ‘fugitivos e covardes que não dão as caras’.

Zuloaga, 67, já havia sido detido e interrogado por algumas horas no final de março após ‘vilipendiar’ o presidente venezuelano num encontro da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa).

A ordem de prisão emitida no último dia 11 refere-se a processo aberto no ano passado após operação da polícia em que foram apreendidos 24 veículos na casa de Zuloaga, que foi acusado de ‘ocultar’ os veículos com intuito de fazer especulação.

Zuloaga afirma estar sendo perseguido pelo governo por motivações políticas.

Chávez nega qualquer interferência na Justiça e garante que o mandado de detenção não partiu do seu governo, mas uma semana antes havia feito críticas a Zuloaga numa cadeia obrigatória de rádio e TV.

Nesta semana, o governo interveio no Banco Federal, cujo presidente, Nelson Mezerhane, é um dos maiores acionistas da Globovisión e também está no exterior, e ameaçou reter suas ações.

GOLPE FRUSTRADO

Atualmente, a Globovisión é a única emissora do país que preserva orientação acidamente crítica a Chávez.

O atrito entre o empresário e governo venezuelano remete a 2002, quando a Globovisión apoiou o golpe frustrado contra o mandatário.

No ano passado, chavistas atiraram bombas de gás lacrimogêneo na sede da Globovisión, porém o ataque foi condenado pelo presidente venezuelano. E neste ano o diretor-geral da emissora deixou o seu cargo dizendo ter sofrido pressão de Caracas.

O governo já abriu ao menos seis investigações contra a TV desde o ano passado.’

 

TRIBUNAL
Juiz condena escritor Fernando Morais a indenizar deputado

‘O juiz da 7ª Vara Cível de Goiânia, Ricardo Teixeira Lemos, condenou no último dia 11 o escritor Fernando Morais, Gabriel Douglas Zillmeister e a editora Planeta do Brasil a pagar uma indenização de R$ 2,5 milhões ao deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) por danos morais. Eles podem recorrer.

Caiado alegou que foi vítima de acusações inverídicas, de cunho calunioso, difamatório e injurioso, na primeira edição do livro ‘Na Toca dos Leões – A História da W/Brasil’, publicado em 2005.

Nele Morais relatava uma história contada por Zillmeister, de que Caiado teria lhe dito numa reunião que ‘era médico e tinha a solução para o maior problema do país, ‘a superpopulação dos estratos sociais inferiores, os nordestinos’. Segundo seu plano, esse problema desapareceria com a adição à água potável de um remédio que esterilizava as mulheres’.

Na época, Caiado retrucou que era casado com uma nordestina e que jamais diria algo tão infundado -’nem um charlatão nem um débil mental faria isso’- e moveu uma ação de indenização.

O juiz Teixeira Lemos condenou a editora Planeta e Gabriel Zillmeister a pagar R$ 1 milhão cada um, e o autor do livro, Fernando Morais, a R$ 500 mil.

Em nota, Caiado disse que fez ‘questão de não pedir proibição do livro. Apenas a correção e a verdade dos fatos’. A editora afirma que não vai comentar o caso. O escritor não foi localizado ontem para comentar.’

 

TELEVISÃO
Gustavo Villas Boas

TV relembra um ano da morte de Michael Jackson

‘Michael Jackson está entre nós. No próximo dia 25 de junho, completa-se um ano da morte do Rei do Pop em Los Angeles. Sua influência musical, a história familiar e a tragédia envolta em mistérios continuam atraindo as atenções dos fãs.

Os canais pagos e abertos de TV, pelo menos, apostam nisso: programaram dezenas de horas de Michael Jackson para esta semana.

‘This Is It’ (EUA, 2009), o filme póstumo que documenta os últimos ensaios de Michael Jackson para a turnê de mesmo nome e foi sucesso nos cinemas -faturou US$ 261 milhões-, vem, por exemplo, em dose dupla.

E, como os passos do dançarino, em caminho surpreendente. A Globo exibe o documentário no próximo dia 27, depois do ‘Fantástico’, antes da transmissão pela TV paga.

O ESPANTALHO

A infância de Jackson, a banda com os irmãos e a turbulenta vida familiar em um bairro de classe média pobre de uma cidade no Estado de Indiana vai ser relembrada na série ‘Os Jacksons: Um Sonho Americano’.

Os episódios da série musical de 1992 e inédita no Brasil são baseados no livro ‘My Family’ (1990; minha família), escrita pela mãe do artista, Katherine Jackson.

Até Michael Jackson como ator aparece no pacote. No musical cult ‘O Mágico Inesquecível’ (1978), baseado na história de ‘O Mágico de Oz’, o artista interpreta o personagem Espantalho.’

 

INTERNET
Facebook faturou mais de US$ 600 mi, segundo Reuters

‘O Facebook teve receita entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões em 2009, disseram fontes da empresa à agência Reuters.

O site de relacionamentos registrou lucro no ano passado, de algumas dezenas de milhões de dólares, segundo a agência.

O Facebook oficialmente não comenta os números e, como não tem capital aberto, não precisa divulgá-los publicamente.

Os números de receita são maiores que os já divulgados anteriormente pelo Facebook.

Em julho do ano passado, Mark Andreessen, do conselho da empresa, havia dito que o Facebook deveria ultrapassar US$ 500 milhões em receita em 2009.

Já em setembro de 2009, o site havia dito que tinha fluxo de caixa positivo, o que significa que suas operações geravam dinheiro suficiente para cobrir os gastos da empresa.

O mercado já vinha especulando sobre quando a empresa, fundada há seis anos, deve abrir seu capital. O fundador, Mark Zuckenberg, no entanto, vem resistindo à ideia.

Apesar de o Facebook ter se envolvido em polêmicas recentemente devido a mudanças em seus ajustes de privacidade, o site tem atraído cada vez mais anunciantes.

A empresa gera receitas com comissões pagas pelos anunciantes. O Facebook tem atualmente mais de 400 milhões de usuários.’

 

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