Domingo, 20 de Setembro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Jornais se mobilizam contra candidatura de Lula

Por Luiz Antonio Magalhães em 22/09/2006 na edição 399


Leia abaixo os textos de sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 22 de setembro de 2006


ELEIÇÕES 2006
Editorial


Por que se duvida de Lula


‘Não faz nem um mês que o presidente Lula disse: ‘Irmão a gente não escolhe, mas companheiro a gente escolhe.’ Com o escândalo da frustrada compra do ‘dossiê’ que vincularia o candidato José Serra à máfia dos sanguessugas, essas palavras, ditas nos funerais de d. Luciano Mendes de Almeida, voltaram a galope para pisotear a de há muito esgarçada credibilidade do seu autor. Pois foi o próprio Lula quem escolheu, de livre e espontânea vontade, os companheiros que participaram da operação que não se cansa de chamar ‘abominável’. Alguns o acompanham desde a sua ascensão como sindicalista. Outros estavam ao seu lado na fundação do PT ou a ele aderiram na sua fase heróica. Outros chegaram depois e subiram depressa. Lula deve conhecê-los tão bem como a si mesmo.


Veja-se, por exemplo, a trajetória de Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro famoso e até há pouco um discreto operador político do recandidato; de Oswaldo Bargas, o redator do programa para o segundo governo; e de Ricardo Berzoini, duas vezes ministro, presidente do PT e chefe da campanha da reeleição, os principais defenestrados para prevenir a queima do estoque de votos necessários à vitória já no primeiro turno. Acrescentem-se aos deles os nomes de José Dirceu e José Genoino, que precederam Berzoini no comando do PT, também caídos em desgraça por causa do mensalão. E ainda, da nova geração de petistas notáveis, o de Antonio Palocci – de quem Lula se livrou, como de todos os demais, não por seus malfeitos comprovados em juízo, mas para remover cirurgicamente tudo e todos quantos possam atrapalhar os seus projetos de poder.


Entrevistado ontem no Bom Dia Brasil, da Rede Globo, ele não poderia ter sido mais cândido. ‘Quando eu afasto um companheiro como o Ricardo Berzoini, não é que eu ache que ele tem culpa ou que está envolvido’, argumentou. ‘É que não posso, faltando 10 dias para as eleições, ter um coordenador que vai passar 10 dias respondendo sobre dossiê.’ A questão que acerta em cheio o presidente da República, portanto, não é obviamente a de ele novamente jurar ignorância dos fatos que deplora. O essencial é que ele pode não saber o que fazem os seus em dado momento, mas sabe perfeitamente o que são capazes de fazer a qualquer momento. A entrevista, que deixou Lula amuado porque se concentrou no ‘dossiê’, foi reveladora em outros sentidos também.


Por convicção ou conveniência, rasgou metaforicamente em pedacinhos as acusações da família Vedoin ao tucano José Serra. Ridicularizou ‘os companheiros que tiveram a ilusão de que estavam encontrando algo tão poderoso que poderia mudar o planeta Terra’ e achavam que estavam ‘descobrindo as minas de Salomão’, ou que o material equivalia aos ‘17 dias que abalaram o mundo’ – numa citação que bateu na trave do clássico de John Reed sobre a Revolução Russa: Os Dez Dias que Abalaram o Mundo. Mas a pá de cal na validade do dossiê foi a sua lição aos operadores da ‘Operação Tabajara’ e ao jornalismo venal ou irresponsável. ‘A pessoa que pede dinheiro (para fazer uma denúncia) não merece confiança’, asseverou, para concluir pouco depois: ‘Mexer com bandido não dá certo em parte alguma do mundo.’ Ainda em relação aos companheiros, foi ao extremo de dizer que ‘as pessoas deveriam ter denunciado’ as ofertas dos chefes da máfia dos sanguessugas, com o que ele implicitamente sustenta que a iniciativa do negócio partiu deles. Essa é a versão difundida pelo ex-policial Gedimar Passos, que trabalhava como araponga no comitê da campanha de Lula. Mas não é de descartar, tendo em vista os muitos aspectos ainda não esclarecidos da tabajarada, que a iniciativa tenha partido do petismo. De todo modo, o presidente driblou as questões mais incômodas com que foi confrontado. Primeiro, se de Waldomiro Diniz até o ‘dossiê’, passando pelo mensalão e pelos dólares na cueca, não seria tudo ‘coincidência demais’. Segundo, o que impediu o governo, desde o primeiro escândalo, de tomar ‘medidas preventivas’ para evitar o seu eterno retorno.


Eis por que o ex-presidente Fernando Henrique está certo quando disse anteontem que não pode acreditar que Lula ‘seja tão ingênuo’, e Lula não convence quando disse ontem que o seu comportamento na política é ‘impecável’.’


MERCADO EDITORIAL / EUA
Katharine Q. Seelye, Jennifer Steinhauer


‘Los Angeles Times’ tenta controlar rebelião interna


‘Depois que Jeffrey M. Johnson, o publisher do jornal The Los Angeles Times, desafiou abertamente seus patrões da Tribune Company na semana passada recusando-se a fazer demissões no jornal, ele foi convocado a Chicago e passou a terça-feira reunindo-se com altos executivos da empresa.


Para colegas de Johnson em Los Angeles, foi um espanto ele não ter sido demitido. Eles disseram que Johnson voltou a redação e lhes contou que havia chegado a ‘um entendimento’ com Chicago, ao menos por enquanto. ‘Vamos nos concentrar em tocar o negócio’, disse.


Depois desse último episódio, alguns funcionários do jornal mantiveram esperanças de que Johnson e Dean Baquet, o editor do jornal que também desafiou a Tribune, conseguirão conservar os empregos. Mas, embora o confronto tenha sido provisoriamente evitado, o impasse entre a Tribune e os altos executivos de seu maior jornal continua de pé.


O conselho da Tribune reuniu-se ontem e esperava-se que ali se trataria de um outro problema que está perturbando a companhia: uma cobrança da família Chandler, maior investidora na empresa, para desmanchar parcerias que a família tem com o Tribune – grupo que possui 11 jornais e 25 estações de radiodifusão e a equipe de beisebol Chicago Cubs.


Nessa reunião, previa-se que Dennis J. FitzSimons, presidente-executivo da Tribune, apresentaria um plano para desfazer essas parcerias. Isso permitiria que o conselho pudesse analisar outras opções estratégicas, como a venda de suas estações de televisão ou a colocação de alguns de seus jornais à venda, tal como foi pedido pelos Chandlers e outros acionistas.


Mas é a forma como a Tribune está tratando a crescente rebelião em Los Angeles que tem galvanizado a atenção do setor de jornais. ‘A Tribune está numa sinuca’, disse Conrad C. Fink, que leciona administração jornalística na Universidade das Georgia. ‘Seu instinto provavelmente lhes dizia para demitirem imediatamente o publisher e o editor, mas por alguma razão eles hesitaram, e agora a redação assinou uma petição e eles sairão às ruas com cartazes em 30 segundos.’


Johnson e Baquet, que assumiram seus empregos no ano passado, disseram a amigos que não sabem o que esperar do futuro.’


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 22 de setembro de 2006


ELEIÇÕES 2006
Renata Lo Prete


O pêndulo de Lula


‘O ROTEIRO se repete toda vez que petistas são apanhados em flagrante delito. Somos entupidos de relatos palacianos segundo os quais Lula estaria ‘muito irritado’, ‘furioso’ até, com o acontecido. No caso da montagem e compra de informações contra os tucanos, quer ver a Polícia Federal ‘colocar algemas’ nos responsáveis.


Motivo para irritação de fato existe. Se mais não fosse, o presidente perdeu seu churrasqueiro oficial e ainda teve de enfrentar uma bateria de perguntas embaraçosas ontem no ‘Bom Dia Brasil’.


A questão, no entanto, é saber se Lula ficaria aborrecido caso a operação -em suas palavras ‘abominável’ e ‘imoral’- tivesse transcorrido em sigilo e ao final dado certo. Claro que não.


Ainda que integrantes da campanha de Aloizio Mercadante estejam enrolados até o pescoço no episódio, não pára em pé o raciocínio de que ‘apenas o PT de São Paulo’ teria a lucrar com a eventual desmoralização de José Serra.


Não que Lula perca o sono com a perspectiva de vitória tucana no Estado. Pretende mesmo se beneficiar da rivalidade entre Serra e Aécio Neves no jogo de 2010. Mas infinitamente melhor seria uma oposição de espinha quebrada. Foi o que os compradores do dossiê e da entrevista de Luiz Antonio Vedoin à ‘IstoÉ’ tentaram providenciar. A crônica oficiosa do humor presidencial ajuda Lula porque lhe dá a oportunidade de ser e não ser PT ao sabor de sua conveniência. No auge da crise do mensalão, ele não era.


Passado o pior da tormenta, foi voltando a ser. Mais recentemente, com a campanha em céu de brigadeiro, já se permitia afagar em público os caídos. Agora, retoma as queixas e procura se mostrar apartado ‘desses meninos’ -como se referiu, no ‘Bom Dia’, aos operadores do dossiê, alguns dos quais lhe são fiéis desde sempre e acima de tudo.


Trata-se, óbvio, de uma mistificação. Fale Lula quantos palavrões bem entender, em seu DNA está escrito PT-SP. Não há dissociação possível.


A outra mistificação consiste em qualificar os homens do dossiê como ‘trapalhões’ -o problema, fica implícito, é que ‘fizeram tudo errado’- e não como os golpistas que na verdade são.


O tratamento condescendente cumprirá a função de facilitar a recondução ‘desses meninos’ a suas funções, tanto subterrâneas como na churrasqueira, quando a poeira baixar e o pêndulo de Lula se mover novamente.


Num ambiente em que o jornalista responsável pela entrevista de Vedoin declara sem corar que ‘da minha assinatura para trás, não sei o que aconteceu’, não faltarão ingênuos para comprar essa farsa, nem espertos interessados em vendê-la.


RENATA LO PRETE é editora do Painel’


Francisco Figueiredo


Na TV, partidos violam regras, dizem surdos


‘A ‘tradução para surdos’ na propaganda eleitoral de TV não tem cumprido o seu papel, segundo pessoas com deficiência auditiva entrevistadas pela Folha. Resolução de junho do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estabeleceu que, na propaganda da TV, os partidos utilizem a Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) ou legendas.


Para Anahi Guedes de Mello, 31, presidente do Centro de Vida Independente de Florianópolis, o tamanho das imagens, a velocidade dos sinais, a falta de contraste com o fundo e até mesmo a pouca prática de alguns dos intérpretes fazem boa parte das propagandas continuarem incompreensíveis para esses eleitores. ‘Os primeiros passos foram dados, mas falta bastante para uma eleição realmente acessível.’


Segundo Neivaldo Augusto Zovico, 40, diretor da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, a parte menos compreensível é aquela em que o intérprete tenta informar o nome e o número dos candidatos. Ao contrário de conceitos gerais, para os quais há sinais próprios feitos com a ajuda de braços e da expressão, os nomes precisam ser ‘soletrados’ manualmente.


Substituir a Libras pela legenda escrita não é considerada uma solução. ‘O ideal é ter os dois, pois temos de respeitar todos’, afirmou Zovico, também entrevistado por e-mail. Para ele, os diretores dos programas resistem ao oferecimento simultâneo por avaliarem que poluiria a tela.


‘É uma realidade que muitos surdos não lêem bem, ainda mais na velocidade em que aparecem as legendas no horário eleitoral’, disse Ana Maria Barbosa, coordenadora da Rede Saci (Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação).


A maioria tem dificuldades para fazer leitura labial na TV. ‘Os partidos não tentam passar conteúdo, tentam só cumprir burocraticamente a norma’, queixa-se Barbosa. Para o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, a norma vem sendo respeitada e ‘o aperfeiçoamento é constante’. Segundo o IBGE, 5,7 milhões de brasileiros têm alguma deficiência auditiva, aponta o senso de 2000. Com base nesse dado, estima-se que 166.400 têm surdez total -segundo Mello, 30% deles são usuários da Libras.’


Barbara Gancia


Fala sério, presidente!


‘EM NOVA YORK , nesta semana, ao comentar o dossiê Vedoin, Lula fez a mesma pergunta que depois apareceu em sua propaganda eleitoral: ‘Estou a dez dias da eleição, e minha situação é altamente favorável. Por que haveria alguém de querer me ajudar, de fazer um ato insano desses?’, indagou.


Pois se Lula tivesse enviado sua prosaica pergunta à coluna ‘Barbara Responde’, da Revista da Folha, a resposta óbvia que esta humilde datilógrafa teria lhe oferecido seria a seguinte: ao presidente interessa, e muito, melar a eleição no Estado mais poderoso da União.


Acompanhe o raciocínio, ó leitor que não gosta que o façam de palhaço: em um panorama em que Lula vence a eleição presidencial em primeiro turno, e o PT consegue forçar a ida de Aloizio Mercadante ao segundo turno, alguém imagina que Lula não viria a São Paulo e não passaria os 28 dias entre um turno e outro fazendo campanha maciça a favor de Mercadante? Será que, para uns, esse argumento não justificaria a confecção de um dossiê fajuto que tentasse empurrar o candidato do PT até o segundo turno?


A eleição de Lula em primeiro turno, e a de Mercadante no segundo, pintaria um cenário sombrio. Agora que ninguém mais tem dúvidas de que o governo Lula é capaz de qualquer sordidez no aparelhamento do Estado, é possível imaginar São Paulo nas mãos do PT? Já pensou o que não deve existir de espaço, no mais vital dos Estados, para a criação de cargos que acomodem toda a tropa petista, para que ela possa então se perpetuar no poder?


Na terça-feira, ‘O Estado de S. Paulo’ informou que a Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro usado na compra do falso dossiê teria sido adiantada pela ‘IstoÉ’, e que, em troca, a revista receberia de uma estatal R$ 13 milhões pela publicação de publicidade. Logo mais saberemos de onde veio a dinheirama da compra do dossiê.


Mas, enquanto isso, convém lembrar que não é de hoje que o candidato Orestes Quércia, aliado do PT, exerce grande influência sobre seu amigo do peito Domingos Azulgaray, dono da ‘IstoÉ’.


E não nos esqueçamos de que grampear o TSE é o tipo de operação que só pode ter sido engendrada por mafiosos muito, muito desembaraçados. Lá no purgatório, o tesoureiro de Collor, PC Farias, deve estar admirado com tamanhas peripécias…


Iluminista


Se alguém ainda tinha dúvidas sobre quem vem a ser Bento 16, agora já temos a resposta. Com sua clara posição contra a espada do Islã, o papa colocou-se como porta-voz na defesa dos valores ocidentais. Racionalidade e amor incondicional são a antítese do uso da violência em nome da religião.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Bastante natural


‘Saiu o Ibope no ‘Jornal Nacional’ e, pouco antes, no blog de Ricardo Noblat, e quase nada. Saiu também o Vox Populi, no ‘Jornal da Band’, e quase nada.


Mas o ‘JN’ não tem parada. Abriu com manchete dizendo que ‘parte do dinheiro entrou ilegalmente’. Mostrou no ar informações confusas para ver, quem sabe, como no ‘Linha Direta’, se algum espectador desvenda. E usou o primeiro bloco para explicar passo a passo, em horário nobre, o que saiu até agora.


Em reportagem da Reuters Brasil, o outro lado. Na avaliação de um dirigente petista, o ‘recuo pequeno’ nas pesquisas seria ‘bastante natural diante da alta exposição do caso no noticiário de televisão’.


O ‘JN’, por exemplo, segundo dados da campanha de Lula, ‘transmitiu 42 minutos sobre o escândalo’ de segunda a quarta. E seguiu ontem na mesma toada.


NA PRIMEIRA PESSOA


Nem a quarta edição de ataque no ‘JN’ nem o programa de Alckmin _que ontem fez até uma ‘dramatização’ com o dinheiro. A maior prova de que as coisas já não vão bem para os lados de Lula foi que, a uma semana do primeiro turno, ele próprio falou ontem da crise


VÍTIMA OU LADRÃO


Geraldo Alckmin, em arrancada retórica, iniciou o dia dizendo à CBN que sobram ‘razões para o impeachment’ e carregando em um paralelo para a crise do dossiê:


– Ladrão de carro quando é pego diz ‘poxa, mas eu não precisava’. Por que roubou? Por achar que não seria pego.


Algumas horas e já estava declarando, à Folha Online e outros, que ‘tem que afastar o Lula, é mais prático’.


Por outro lado, não demorou e o também tucano Aécio Neves saiu dizendo, de sua parte, aos sites e portais:


– O presidente Lula trouxe seus amigos para governar ao lado dele e hoje está pagando um altíssimo preço… Ele acabou sendo vítima de sua excessiva generosidade.


CANELAS


A nova revista ‘Economist’ não mencionou, aliás, mal lembrou do Brasil. E jornais como o ‘New York Times’ continuam sem cobrir.


Mas ontem, afinal, o site do ‘Financial Times’ entrou na crise, com o correspondente adiantando texto da edição de hoje, sob o título ‘Escândalos enrolam as canelas de Lula’. Ele ouve Raul Jungmann, do PPS, e Fernando Gabeira, do PV, e encerra com o blogueiro Ricardo Noblat analisando que não afeta a eleição, mas o segundo mandato, sim.


PAZ


O mesmo ‘FT’, registre-se, preferia destacar ontem em seu site, sobre o Brasil, que Lula ‘tenta conter a disputa sobre o gás boliviano’.


A notícia era que, ontem na Globo, o presidente brasileiro lançou uma mensagem de paz em direção ao boliviano. Foi tudo o que o jornal financeiro tirou de informação da longa entrevista de Lula ao ‘Bom Dia Brasil’ -entrevista que, como se sabe, praticamente só tratou da crise do dossiê, mas no final abriu uns poucos minutos para a Bolívia.


No jornal espanhol, a campanha européia diz ‘você não tem como se proteger da vergonha’


EUROPROSTÍBULO


A expressão ‘cidade europrostíbulo do Brasil’ foi usada domingo no jornal ‘El Mundo’ para tratar de Natal (RN). A longa reportagem é parte de uma campanha contra o turismo sexual. No título, ‘Sou menor, vai sair caro’.’


OCTAVIO FRIAS
Folha de S. Paulo


Livro sobre o ‘publisher’ da Folha é lançado hoje no Rio


‘A Academia Brasileira de Letras (ABL) promove hoje no Rio de Janeiro o lançamento do livro que traça o perfil biográfico do ‘publisher’ da Folha, Octavio Frias de Oliveira.


O evento começa às 17h, com a presença de Frias, 94, e do jornalista Engel Paschoal, autor de ‘A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira’ (editora Mega Brasil). O lançamento em São Paulo ocorreu no dia 14 de agosto.


O livro conta a história do empresário que comprou a Folha no início da década de 1960 e a transformou, de um jornal sem maior expressão, no diário mais influente e de maior circulação do país.


Embora tenha passado quase toda a vida em São Paulo, Frias nasceu no Rio, no bairro de Copacabana.


De acordo com o presidente da ABL, Marcos Vilaça, o livro retrata um ‘homem de empresa, como expressão econômica, e homem do desenvolvimento social, como participante do esforço pela interação da educação com os contextos culturais’.


A ABL está localizada na avenida Presidente Wilson, 203, no centro do Rio.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Pós-Copa e eleições causam recessão na TV


‘As redes estão passando em setembro pelo pior mês do ano em seus caixas. Quase todas terão um crescimento próximo do zero em relação a setembro de 2005. O SBT admite que seu faturamento ficará 10% abaixo da meta. Para um setor que cresceu 18% no primeiro semestre, o quadro é de recessão.


Os principais motivos são a ‘ressaca’ da Copa e as eleições, mas o corte na publicidade do governo federal e a retração dos anúncios do varejo (com Casas Bahia) também pesam.


‘O mercado está recessivo em relação a antes da Copa, mas não é uma tragédia’, afirma Marcelo Mainardi, diretor comercial da Band, que desde junho não ‘briga’ com a área de programação por intervalos mais longos no ‘Jornal da Band’, seu principal produto.


Para Antonio Rosa Neto, superintendente da Rede TV!, criou-se um ‘vácuo entre a Copa e as eleições’. A eliminação precoce do Brasil tirou da TV anunciantes que apostavam no ufanismo da Copa. Agora, grandes anunciantes aguardam outubro chegar para lançarem novas campanhas publicitárias. Há dois motivos para isso: os intervalos das emissoras estão ‘poluídos’ pela propaganda política e é prudente aguardar a definição político-partidária.


Na Globo, o cenário comercial de setembro é até de tédio. Seus principais executivos aproveitaram para tirar férias. ‘A salvação virá em outubro’, torce Rosa Neto, da Rede TV!.


NO LIMITE O telejornal ‘SBT Brasil’ vai mudar novamente de horário após as eleições. Passará a ser exibido das 21h às 21h40. Silvio Santos tratou do assunto pessoalmente com Ana Paula Padrão. Por contrato, a jornalista não pode entrar no ar antes das 18h nem depois das 21h.


TRASH 80’S O SBT vai criar uma faixa diária de seriados após o ‘SBT Brasil’. A ‘estréia’ será com ‘Pássaros Feridos’, um dos primeiros grandes sucessos de audiência da emissora, em meados dos anos 80.


TUDO IGUAL O ‘Bom Dia Brasil’ de ontem, com entrevista do presidente e candidato Lula, deu média de 12 pontos, uma audiência normal para o telejornal da Globo.


LATA CHEIA 1 A Record definiu anteontem com a Universal Studios um novo pacote de séries. Entre outros títulos, a emissora adquiriu novos episódios de ‘Monk’, as primeiras temporadas da bem-sucedida ‘House’ e a aguardada ‘Heroes’, que ainda nem estreou nos EUA.


LATA CHEIA 2 Os seriados da Universal são candidatos a ocupar uma nova faixa de séries que a Record deve criar após as eleições, na meia hora seguinte à exibição de sua novela das oito.


LATA CHEIA 3 Outro enlatado adquirido pela Record é ‘Dawson’s Creek’ (Sony). A série, com temática adolescente, entrará no ar em outubro às 17h30, ‘aquecendo’ o horário para ‘Alta Estação’, sua versão de ‘Malhação’.’


ENTREATOS & ATOS
Silvana Arantes e Rafael Cariello


Salles lança filme com Lula ‘público’


‘Terminada a atual eleição, recomeça outra, iniciada quatro anos atrás.


O cineasta João Moreira Salles anuncia para 17 de novembro o lançamento do DVD de ‘Entreatos’, o já clássico registro dos bastidores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Ocorre que outro filme, seu duplo e reverso, acompanhará o documentário.


‘Atos’, montado por Eduardo Escorel, trará duas horas e 40 minutos do que quase não se viu neste ano eleitoral de 2006 e que foi deliberadamente deixado de fora da obra de Salles de 2004: imagens de campanha, comícios e passeatas -no caso, da candidatura petista.


Entre as poucas seqüências entre quatro paredes presentes em ‘Atos’ está uma conversa de Lula com seu atual colega norte-americano, George W. Bush, no dia seguinte à vitória eleitoral do brasileiro.


O episódio foi narrado por Salles durante debate organizado pela Folha que se seguiu à reapresentação de seu filme, anteontem, em São Paulo.


O cineasta conta que a cena, preciosa do ponto de vista jornalístico, mas excluída por razões formais do filme original, mostra o então presidente eleito do Brasil, tradutor e assessores, num hotel em São Paulo, conversando em viva-voz com Bush, que fazia a ligação do avião presidencial norte-americano, o Air Force One.


O inusitado, disse Salles, é que se percebe a determinada altura que ‘Bush dorme durante a conversa’ e precisa ser despertado por um assessor. ‘Ele tem que ser acordado porque acha um tédio falar com o Lula’, disse Salles à platéia de cerca de 200 pessoas. ‘Atos’ trará ainda diálogo de Lula com o premiê britânico Tony Blair, a quem o petista conta haver ‘bebido a noite toda’ e diz que ‘o Brasil está uma festa’.


O filme de Salles deu início ao ciclo ‘Folha Documenta -°Cinema e Política’, que até o dia 28 trará ainda outros três títulos, sempre no Cine Bombril (av. Paulista, 2.073), às 19h. ‘Bolívia – História de uma Crise’, de Rachel Boynton, será apresentado amanhã e depois; ‘Intervalo Clandestino’, de Erick Rocha, nos dias 25 e 26.


O ciclo se encerra com o filme de Escorel e José Joffily ‘Vocação do Poder’, nos dias 27 e 28. Responsável pela montagem de ‘Atos’, Escorel cumpriu a mesma função em ‘Terra em Transe’, a obra de Glauber Rocha de 1967 que, na definição de Caetano Veloso, apresentou ao país ‘a morte do populismo’.


Escolhas


São outros os debates éticos e políticos que envolvem o filme de Salles, quase quatro décadas depois. Após a exibição de ‘Entreatos’ para uma audiência relativamente minguada em 2004 (cerca de 50 mil espectadores), o cineasta foi acusado pelo prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), de censurar o próprio filme ao não permitir a sua reexibição na esteira das acusações de corrupção que o governo Lula passou a enfrentar com a crise do mensalão.


Salles se justificou anteontem, ao dizer que são escolhas éticas e políticas que orientaram tanto a forma do filme quanto as decisões de exibição. O cineasta disse que, da mesma forma que evitou exibir o filme no momento de euforia pós-posse, não quis relançá-lo durante a crise. ‘Seria uma pura jogada oportunista’, declarou.


Relançar o filme em 2005, ele disse, seria fazer dele uma espécie de ‘acidente de beira de estrada’, objeto de uma curiosidade que para o diretor tem algo de ‘pornográfica’.


A mesma preocupação determinou a forma do documentário, continuou Salles. Ele defendeu preferir se ater à ‘poeira’, à ‘sobra’ e à ‘migalha’ do que aos grandes atos públicos e fatos jornalísticos da campanha, que, segundo ele, perderiam seu vigor no filme.


O cineasta fez para a platéia uma defesa do documentário como espaço da dúvida em vez de veículo de uma idéia ou de possível instrumento para a transformação da realidade.


Segundo Salles, o documentário se constrói mais na forma narrativa do que na escolha do tema a ser tratado, e não basta descobrir ‘um quilombo no Espírito Santo em que os habitantes falam aramaico ao contrário’ para se ter um bom filme.


Disse que a certeza é perigosa e, ainda que possa produzir bons panfletos, nunca levará a boas obras. ‘Quando vejo um filme do Michael Moore [autor de ‘Fahrenheit 11 de Setembro’], sinto que estou sendo tão conduzido que tenho vontade de usar uma camisa do Bush.’


‘O filme do Michael Moore acontece só na tela’, em vez de num diálogo entre o que se passa na película e os espectadores, defendeu o cineasta. ‘Vocês [a platéia] são o rebanho, os que devem ser convertidos. Ele não lhes dá a chance de pensar com a própria cabeça.’’


***


Diretor aposta que Lula ‘conta tudo’ no final de sua gestão


‘O cineasta João Moreira Salles gostaria de fazer uma seqüência do documentário ‘Entreatos’ (2004), em que filmou a vitoriosa campanha presidencial de Lula da Silva em 2002.


Mas o projeto não tem relação com a atual campanha do candidato petista. ‘Se tivesse oportunidade, não filmaria esta campanha. Esta talvez seja a mais desinteressante eleição que já vivi’, afirma o diretor.


O que ‘seria fascinante’, na avaliação do documentarista, é o registro dos 30 últimos dias de Lula da Silva no poder. ‘Essa seria a coda de ‘Entreatos’. Teríamos a euforia [da primeira eleição] e o final. Isso me interessa’, afirma.


Salles imagina que, num filme sobre o fim de seu governo, Lula ‘contaria tudo, falaria do mensalão, de Roberto Jefferson, de quem o traiu, de quem não o traiu’, porque ‘Lula não consegue não dizer. Ele tem muita dificuldade para falar em ‘off’, observa o diretor.


Além disso, Salles acha que, em 2010, Lula da Silva já não teria mais um horizonte de atuação política que o impedisse de fazer revelações. ‘Ele provavelmente não vai fazer seu sucessor. Não há nenhuma figura do PT com dimensão nacional. O partido está esfacelado’, disse.


O diretor observou que ‘é possível que Lula chegue ao fim do segundo mandato. É provável. Mas é possível que também não chegue’, dadas as denúncias envolvendo sua campanha.


Mesmo havendo ‘um processo de impedimento’ do presidente, Salles disse que tentaria filmar o término do governo Lula da Silva. ‘Mas acho mais interessante filmar os últimos dias do poder exercido até o final’, afirmou o diretor.


Depois das filmagens de ‘Entreatos’, Salles e Lula não mais se falaram. Com a permanência do presidente na liderança das intenções de voto, mesmo depois da série de escândalos em sua campanha, o documentarista estima que ‘ele não deve estar deprimido como a gente supõe’. ‘Alguma coisa certa deve achar que fez.’’


***


Cena de Freud atesta que ‘filme está vivo’


‘O recém-afastado assessor da Secretaria Particular de Luiz Inácio Lula da Silva Freud Godoy está na cena de abertura de ‘Entreatos’.


‘A primeira palavra dita pelo Lula é dita para o Freud’, observa o diretor João Moreira Salles. ‘Neste sentido é um filme vivo.’


Vivo porque os personagens secundários de ‘Entreatos’ ganham novos contornos conforme se sucedem as crises do governo Lula.


Godoy é um dos pivôs da atual turbulência, que envolve a negociação de um dossiê contra o candidato tucano ao governo paulista, José Serra.


Embora inaugure ‘Entreatos’, no filme, Godoy não é mais do que um personagem secundário. O co-protagonista do documentário, na opinião de Salles, é o ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu.


‘Dirceu aparece duas, três vezes no filme. Mas tem uma presença muito forte, que reflete o peso e a autoridade que ele tinha dentro do PT e sua desconfiança saudável em relação ao desvario de deixar uma equipe independente filmar aquela campanha’, afirma o diretor.


A ‘desconfiança’ de Dirceu está explícita na cena em que ele interpela Gilberto Carvalho sobre a presença de Salles e sua equipe, numa reunião para discussão das estratégias da campanha.


Carvalho esclarece que Lula está ciente do documentário e assevera sua confiança na equipe. Dirceu cita as informações que possui ‘da outra campanha’, para argumentar que não há garantia de confiabilidade.


‘Ele era o princípio de realidade. Os outros estavam no princípio do prazer’, diz Salles. As negociações diárias para as filmagens de ‘Entreatos’ eram feitas com o marqueteiro Duda Mendonça e com Gilberto Carvalho, eventualmente com ‘Palocci e Luiz Dulci e nunca com Dirceu’, segundo Salles.’


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