Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Lilian Cristofolletti

09/08/2005 na edição 341

‘O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares antecipou-se ontem à reunião do Diretório Nacional, onde eram discutidas eventuais punições que seriam impostas a ele pelo partido, e pediu seu afastamento da sigla até a conclusão dos trabalhos da comissão de ética, o que deve ocorrer em 60 dias.

A decisão atendeu ao Campo Majoritário, ala dominante no PT e formada, entre outros, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ex-ministro José Dirceu.

Essa corrente conseguiu aprovar, com 29 dos 56 votos, uma resolução em que o partido assume parte da responsabilidade pela crise política, mas joga parte da culpa na imprensa e na ‘direita’.

‘O PT defende a apuração rigorosa e as punições inclusive no âmbito partidário para aqueles que colocaram em risco o patrimônio político acumulado pelo PT e pela esquerda brasileira. Mas o PT não aceita e denuncia as estratégias oportunistas da direita que quer usar esse processo para abreviar o mandato popular, legal e legítimo do presidente Lula’, diz trecho da resolução. O partido ecoa discurso feito pelo próprio presidente, que atribuía o recrudescimento da crise às ‘elites’ e que reclamou publicamente de a imprensa só publicar notícias negativas ao governo.

‘Não somos ingênuos a ponto de pensar que todas as denúncias que circulam pela imprensa visam combater a corrupção. Combinada com essa sadia possibilidade democrática, também está em curso um procedimento difamatório montado contra a totalidade do PT e as suas lideranças e contra o governo e seus representantes, que visa aniquilá-lo’, diz o texto. A proposta prega ainda o total apoio a Lula e a seu governo.

A resolução foi um dos pontos mais polêmicos da reunião.

A esquerda esperava um texto mais autocrítico em relação ao PT.

Logo na entrada da reunião, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, já dera a tônica dos discursos. Disse que a oposição estava muito agressiva no discurso contra o presidente Lula. ‘Agressivos têm sido os discursos de uma parte da oposição, tentando de uma maneira completamente descabida, artificial, atingir a pessoa do chefe de Estado, eleito pelo voto popular.’

Não foi aprovada durante a reunião a instauração de um procedimento na comissão de ética contra os parlamentares e outros petistas suspeitos de terem sacado dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como o operador do suposto ‘mensalão’.

A proposta era defendida pela esquerda do PT, que queria ainda o afastamento desses petistas de suas atividades parlamentares.

O afastamento do ex-tesoureiro Delúbio Soares foi considerada a alternativa menos traumática para o partido. A proposta de expulsão (que chegou a ser votada, mas foi rejeitada) livraria-o da responsabilidade de dar conta de suas ações à legenda, o que foi considerado um argumento contra a sua desfiliação sumária.

A carta de afastamento de Delúbio chegou ao Diretório no fim da tarde. Na reunião, que começou às 11h, já havia sido proposto o afastamento dele ou mesmo sua expulsão -iniciativa que irritou a mulher de Delúbio, Mônica Valente, presente no encontro.

O afastamento do ex-tesoureiro não suspende o procedimento aberto na comissão de ética do PT para investigar a participação dele no financiamento ilegal de campanha. Seu depoimento à comissão, inicialmente marcado para hoje, foi suspenso.

Causou mal-estar a leitura de uma carta assinada pelo bancada petista no Senado e lida por Aloizio Mercadante como uma forma de reafirmar o apoio a Lula e cobrar uma atitude dura do partido.

A mensagem foi entendida por alguns petistas como uma tentativa de criar uma bancada paralela. Colaborou Marcelo Salinas, da Reportagem Local’



Sérgio Lapastina

‘Jornalista não pede desculpas’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 6/08/05

‘O Governo Federal, na voz de seu principal mandatário, voltou a demonstrar seu total e completo despreparo para lidar com os assuntos que afloram e que comprovam que Regina Duarte estava coberta de razão. Agora todo o escândalo é culpa da mídia, da Imprensa…

Em seu último discurso, ele chegou mesmo a dizer que a Imprensa tem o dever – reparem, dever – de pedir desculpas a todos os que forem inocentados nos processos conduzidos pelas CPI e apurações. Pedir desculpas? Que tipo de pedido é esse?

Esqueceu-se o senhor discursante que – diante da esbórnia que está sendo demonstrada ser sua gestão e da qualidade de seus comparsas – a Imprensa não fabrica informação.

Nós jornalistas não temos máquina de notícias. Temos sim o instrumento necessário para levar à sociedade a verdade dos fatos e mostrar o que está acontecendo.

Francamente já cansou essa estratégia (benchmarking de amadorismo e sucessão de erros) de tentar calar a Imprensa, de cobrar que as páginas dos jornais tragam boas notícias: como se elas proliferassem aos montes em um País assolado pelo desalento – claro, tirando o fato do Timão já estar na liderança do Brasileirão e de lá não pretendemos sair mais….

Imprensa, excelentíssimo senhor, é o instrumento de formação da sociedade pela informação. Informações que não são criadas, inventadas ou fabricadas pelos redatores. Informações que são colhidas em depoimentos pelos repórteres, no registro dos fatos que acontecem e querer tirá-los das páginas do noticiário não quer dizer que não existam. Mas é típico de uma política de negação, de fraqueza e que o mundo inteiro já repudiou, chegando mesmo a derrubar o muro, lembra-se?

Se a Imprensa já cometeu erros? Claro, sem sombra de dúvidas. Consultou fontes erradas e foi enganada por depoimentos fantasiosos, mas até aí, querer que sejam pedidas desculpas, é demais. Quem garante que o resultado da CPI vai ser o correto? Que os culpados terão sua culpa efetivamente demonstrada?

Conheço pelo menos uma dúzia de pessoas que acredita que chegaremos (se é que já não chegamos) aos culpados, mas que nada acontecerá, pois faltarão as famosas provas conclusivas e incriminatórias. Em suma, fica a fama não a pena e como a memória do povo é curta…

Imprensa é fator de democracia, de educação, da sociedade e para a sociedade. Ao invés de calar a boca, censurar, controlar, deve ser preservada e incentivada.

Mas o depoente requer o direito de prestar depoimento a portas fechadas…

Mas tem gente que quer tirar a capacitação profissional (felizmente não conseguiu…)

Mas tem gente que prefere ficar colocando a culpa na Imprensa…

Tudo isso é muito fácil, o que está efetivamente sendo difícil é acompanhar a festa do caqui maduro em que se transformou o cenário brasileiro – ainda bem que temos a Imprensa que se desdobra para nos informar de tudo isso.

(*) Jornalista – Fonte: Informativo Mega Brasil’



Rubens Valente e Marta Salomon

‘DNA pagou assessoria de petistas’, copyright Folha de S. Paulo, 4/08/05

‘A DNA, do publicitário Marcos Valério de Souza, pagou R$ 34 mil mensais, entre 2003 e 2004, em assessoria de comunicação para dois deputados federais do PT: Professor Luizinho (SP), ex-líder do governo na Câmara, e Virgílio Guimarães (MG).

A assessoria foi prestada entre abril de 2003 e dezembro de 2004 por meio de uma microempresa, a IFT (Idéias, Fatos e Texto), que pertence ao jornalista Luís Costa Pinto. Ao mesmo tempo, Costa Pinto assessorava, por R$ 20 mil mensais, o então presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Esse serviço também era pago por uma empresa de Valério, a SMPB, que detinha um contrato de publicidade com a Câmara.

A DNA confirmou que pagou R$ 34 mil por mês, entre fevereiro de 2003 e março de 2005, ao jornalista, mas afirma não ter tido conhecimento sobre a assessoria aos dois parlamentares do PT.

Os contratos foram assinados para serviços de assessoria de imprensa e estratégias em comunicação, informou a DNA. Eram gastos da própria agência.

O jornalista Costa Pinto disse que foi contratado pela DNA para subcontratar dois jornalistas e um serviço de acompanhamento de notícias diárias para assessorar Luizinho e Guimarães. ‘Quem me pagava era a DNA. Quem pagava a DNA, eu não sei’, disse. Segundo ele, todos os serviços prestados por sua empresa foram comunicados à Receita Federal.

Além dos pagamentos mensais à IFT, anteontem a CPI dos Correios localizou uma transferência de R$ 50 mil para a conta de pessoa física de Costa Pinto. Ele alegou que esse valor se refere a um terceiro relacionamento comercial com as empresas de Valério.

Segundo o jornalista, sua empresa foi contratada por um pool de empresas formado pela DNA, SMPB, Vox Populi e Vitória Comunicação para ‘tentar realizar até 30 campanhas eleitorais em 2004’. Costa Pinto recebeu R$ 200 mil por esse trabalho, e o depósito de R$ 50 mil, disse ele, refere-se a uma parcela desse total.

Segundo o jornalista, o pool não chegou a trabalhar nas 30 campanhas projetadas e se desfez por ‘diferenças metodológicas’. A transferência detectada pela CPI ocorreu em fevereiro de 2004.

Indagado sobre o fato de o depósito ter ocorrido na sua conta de pessoa física, e não na jurídica, Costa Pinto disse que somente a DNA poderia esclarecer.

O deputado Virgílio Guimarães disse que nunca pagou pela assessoria de comunicação. Segundo ele, a idéia de fornecer essa estrutura partiu de João Paulo Cunha. Guimarães afirmou que, pelo o que sabia, o serviço era pago no âmbito do contrato da SMPB com a Câmara. Mas, informado de que Costa Pinto disse se tratar de um outro contrato assinado entre sua empresa e a DNA (que não trabalhava para a Casa), Guimarães alegou que somente João Paulo poderia esclarecer o assunto.

Professor Luizinho disse, primeiro, que seus dois assessores de imprensa eram pagos pela liderança do governo na Câmara e pelo seu gabinete parlamentar. Depois, afirmou não se lembrar se o assessor do seu gabinete havia sido pago, durante determinado período, pela empresa ITF.’



Mario Cesar Carvalho

‘Negócio com filho de Lula é raro no mercado mundial’, copyright Folha de S. Paulo, 08/08/05

‘O investimento de R$ 5 milhões que a Telemar injetou na Gamecorp, a empresa que tem entre seus sócios o filho do presidente Lula, é avis rara não só no Brasil, mas no mercado mundial. Só há um caso conhecido em que uma operadora de telefonia comprou uma produtora de TV: é a aquisição da Endemol, a produtora holandesa que criou o reality show ‘Big Brother’, pela Telefonica.

A diferença de escala entre os negócios só realça a raridade do investimento da Telemar. A Endemol criou o maior fenômeno da TV dos últimos anos e foi comprada por 5,5 bilhões em 2000 (R$ 15,7 bilhões, pela cotação atual). A Gamecorp é uma empresa de nicho, cujos programas de TV sobre videogame atingem de 2 a 3 pontos de audiência, e recebeu um aporte de R$ 5 milhões. Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é diretor de tecnologia e internet da Gamecorp.

A Telemar informa tratar-se de investimento estratégico porque a Gamecorp atua junto a um público que interessa à empresa, formado por adolescentes, e detém a exclusividade no Brasil do G4 TV, um canal americano que tem uma programação dedicada exclusivamente a videogames e novas tecnologias. O conteúdo dos programas será explorado pela Oi, subsidiária de telefonia celular da empresa, e pela Oi Internet, segundo a Telemar.

Setor aquecido

A razão mais forte para as empresas de telefonia não precisarem investir ou comprar empresas de conteúdo como a Gamecorp é o aquecimento desse mercado no Brasil.

Alguns números da Vivo, operadora que detém a maior fatia do mercado de celular do país, com 37,67% do mercado, ajudam a dimensionar o aquecimento. A empresa recebe por mês cerca de 50 ofertas de produtos novos para serem aplicados em celular, de jogos a ‘ringtones’ (o som que o aparelho produz). Dos mais de 500 produtos que são oferecidos à Vivo por ano,não mais do que 15 são aceitos.

A conclusão óbvia, segundo cinco especialistas em mercado de celular consultados pela Folha, é que, com tanta oferta, a Telemar não precisaria fazer o investimento. Esse tipo de aporte é usual quando faltam fornecedores de um produto ou serviço.

Com a super-oferta, três modelos de negócios são os mais usuais entre as teles e produtoras de conteúdo: 1) a operadora divide a receita com a empresa que fornece o conteúdo; 2) a empresa de telefonia antecipa receita para capitalizar a produtora; ou 3) compra um projeto específico.

Mercado futuro

Ninguém tem dúvidas de que a junção de games, TV, celular e internet é uma boa aposta no mercado futuro. A G4 TV nos EUA parece ser a ponta-de-lança desse novo mundo. Lançada em 2002 como uma TV a cabo, já tem 50 milhões de assinantes.

Ainda nos EUA, o mercado de jogos para celulares movimentou US$ 345 milhões (R$ 1 bilhão) no ano passado e deve alcançar US$ 1,5 bilhão (R$ 4,35 bilhões) em 2008, segundo pesquisa da empresa de consultoria IDC.

No Brasil, não há números claros sobre o porte desse mercado. As operadoras de telefonia não informam o quanto faturam com SMS (mensagens curtas), ‘ringtones’ e games por celular, serviços que a Gamecorp pretende oferecer para a Telemar.

Há estimativas de que cerca de 5% do faturamento das operadoras de celular sejam obtidos com envio de mensagens, ‘ringtones’ e imagens e jogos. Se a estimativa estiver certa, a Oi, que teve uma receita líquida de R$ 685 milhões no segundo trimestre deste ano, pode ter faturado R$ 3,4 milhões com os serviços adicionais de celular. A empresa, no entanto, não divulga números nem cifras por considerá-los ‘estratégicos’.

Levantamento feito pela Abragames ( Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos) concluiu que as empresas brasileiras que produzem games faturaram R$ 18 milhões no ano passado. Marcelo Carvalho, presidente da entidade, estima que os jogos para celular devem responder por 15% do total. Caso a estimativa esteja certa, as empresas desse nicho faturaram R$ 2,7 milhões no ano passado.

O investimento de R$ 5 milhões da Telemar na Gamecorp supera aportes que foram feitos em outras empresas desse setor. A Meantime Mobile Games, empresa de Recife (PE) que criou jogos a partir de filmes animados como ‘O Espanta Tubarões’ e ‘Madagascar’ e é apontada como um dos dos negócios mais promissores na área, teria recebido investimentos de R$ 3 milhões -número que não é confirmado pela empresa por conta de um acordo de sigilo assinado com os investidores na marca.

Esses números são só uma aproximação do que pode ser o mercado que será explorado pela Telemar-Gamecorp. A empresa do filho de Lula não faz jogos, mas programas de TV sobre jogos. Um deles é o G4 Brasil, que é exibido pela TV Bandeirantes.’

***

‘Ação é estratégica, diz Telemar’, copyright Folha de S. Paulo, 08/08/05

‘A Telemar informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que o investimento na Gamecorp é ‘estratégico’ por causa do público que a produtora atinge e dos produtos que pode gerar para a Oi e a Oi Internet. Quando o negócio com a Gamecorp foi oferecido à operadora, não havia a opção de patrocínio; era o investimento ou nada, segundo a Telemar.

A empresa afirma que o investimento em conteúdo diferenciado, como o feito em um produtora de TV voltada para games, faz parte da estratégia inovadora que a empresa diz adotar.

A busca por inovação, afirma a empresa, encontra às vezes resistência ou incompreensão, como aconteceu quando a operadora de celular adotou o nome Oi -foi a primeira empresa de telefonia a dissociar seu serviço de celular do nome da companhia. É, no entanto, uma estratégia de sucesso, na avaliação da Telemar: a operadora é líder de mercado em 16 estados brasileiros.

A Telemar não tem interesse em produzir conteúdo, de acordo com seus assessores. O foco da operadora é a distribuição desses conteúdos. Há casos, porém, em que a produção de conteúdo torna-se ‘estratégica’ pela receita que pode gerar em vários negócios. Esse é o caso da Gamecorp, ainda segundo a assessoria da empresa.

Ainda fazem parte dessa estratégia a produção da revista ‘Oi’ e duas rádios FM, em Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).

O uso de conteúdo da Gamecorp vai aumentar o tráfego de chamadas nos celulares da Oi, nos serviços da Oi Internet e na Velox, o serviço de banda larga da Telemar, informa a empresa. A junção de tecnologias possibilitará a oferta de jogos interativos pela TV.

A operadora não informa em quanto tempo pretende recuperar o investimento de R$ 5 milhões, metade dos quais gastos para a aquisição de 35% das ações da empresa. Os outros R$ 2,5 milhões foram investidos na exclusividade do conteúdo produzido pela Gamecorp.

No ano passado, a Telemar teve um faturamento bruto de R$ 22,124 bilhões, o que faz dela a maior empresa privada do país. A Oi, criada em junho de 2002, registrou, entretanto, um prejuízo de R$ 488,6 milhões.

Gamecorp

A Gamecorp, que além de Fábio Lula tem como sócios Kalil e Fernando Bittar, filhos de Jacó Bittar, correligionário e amigo do presidente Lula, diz que não pode revelar o seu faturamento por ter como acionista uma empresa que tem ações na Bolsa de Valores, no caso a própria Telemar.

Entre outros produtos, a Gamecorp informa que vai fornecer para a Telemar mensagens com dicas de jogos, ‘ringtones’, campeonatos e a possibilidade de os clientes da operadora interagirem com seus programas de TV.’

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