Terça-feira, 07 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Nelson de Sá

10/08/2005 na edição 341


‘Foram dois dias com Tarso Genro no contra-ataque, após as derrotas para José Dirceu no PT e na Câmara.


Falou a emissoras regionais e nacionais de TV e rádio -e terminou na manchete de ‘O Globo’ de ontem, ‘Tarso: manobras de Dirceu ameaçam transição no PT’. Em destaque, ameaçou ‘jogar a toalha’.


Retomou o esforço em entrevista ao ‘Bom Dia Brasil’, chegando a dizer, ao ser questionado se existe na legenda ‘ânimo e coesão para trabalhar pela reeleição de Lula’:


– Se tu me perguntasses agora, neste momento, eu te responderia que não. O partido está muito constrangido. O que posso garantir é que tem uma vontade de superação.


Enviadas as mensagens, no início da tarde começaram a borbulhar nos sites e blogs registros de que Dirceu e outros não temiam o eventual processo de cassação.


Até que no fim da tarde, em meio ao depoimento de Marcos Valério na Band News, veio o enunciado na barra de informações do canal:


– Severino envia representação contra Dirceu.


Mais algum tempo e a escalada de manchetes dos três principais telejornais abria na mesma linha. Do ‘Jornal Nacional’:


– O presidente da Câmara encaminha a cassação de José Dirceu e mais três deputados.


E no final da reportagem do mesmo ‘JN’:


– Em reunião [hoje] às 15h, o Conselho de Ética vai instaurar os processos. É quando acaba o prazo para que os acusados possam renunciar sem perder os direitos políticos.


Quanto a Tarso Genro, mais do ‘JN’, ontem sobre a reunião da bancada do PT:


– Havia expectativa de que desistisse de comandar o partido, insatisfeito com a influência de Dirceu. Mas Tarso disse que mantém a candidatura a presidente e que só desistiria se o partido encontrar um nome de consenso.


Quanto a Dirceu, ele ‘participou da reunião, mas não falou das divergências’, só de seu pedido para Severino encaminhar o processo.


Por outro lado, segundo o Blog do Noblat, ‘Tarso encantou a esquerda’ na reunião, dizendo que pediu audiência com Lula para falar da preocupação com a política econômica.


Foi um dia de Tarso.


VOSSAS EXCELÊNCIAS


Os telejornais da Globo e o ‘Brasil Urgente’, da Band, reproduziram longamente as cenas de ‘hostilidade’ e até ‘agressão’ contra Roberto Jefferson, anteontem. Na Band, a narração de José Luiz Datena:


– Ele tenta falar e a molecada não deixa. [grita junto com os estudantes:] Picareta, picareta, picareta. Olha lá a molecada. Que beleza! Olha lá, a mala cheia de dinheiro para ele! Aí o cara foi embora com um sorriso deslavado na cara.


Da Globo, desde o ‘Bom Dia Brasil’:


– Há dois meses Roberto Jefferson vem fazendo ataques. Mas agora ele virou o alvo. Logo na chegada, foi vaiado pelos estudantes. [vaias] Enfrentou coro ainda mais agressivo. [mais vaias] Na saída, o deputado foi atingido por laranjas.


O ‘JN’, à noite, equilibrou as coisas ao editar também os gritos de ‘Fora Lula’, de ‘um grupo de estudantes’.


O Globo Online entrou com nova -a terceira- canção sobre o escândalo, agora dos Titãs, intitulada ‘Vossas Excelências’, em referência a ‘ministros, magistrados, deputados, vereadores, senadores’.


O refrão é um palavrão, ‘fdp’.


MISTURAR PT E PSDB


Na síntese do Blog do Cesar Maia para o depoimento de Marcos Valério à CPI do Mensalão, o primeiro ponto da ‘estratégia’ foi ‘misturar PT e PSDB’.


Foi o que mais chamou a atenção da blogosfera, com o ‘listão de Minas’ -e declarações paralelas de que as provas estão com Cláudio Mourão, ex-tesoureiro de Eduardo Azeredo, e de que um ex-funcionário da SMPB e do Banco Rural está hoje no governo Aécio Neves. Valério falou até em FHC, várias vezes.


Não demorou e a CPI dos Correios convocou Mourão e, de quebra, Luiz Gushiken. Reação de Cesar Maia, que vem defendendo um acordo PFL/PMDB:


– A convocação estressará as relações PT/PSDB.


No relato quase escondido do ‘JN’, ‘Valério apresentou lista que envolve o PSDB e, segundo ele, foi o mesmo esquema de pegar empréstimo no Rural para financiar partidos, na campanha de Azeredo’.’



***


‘De cinema’, copyright Folha de S. Paulo, 9/08/05


‘Fátima Bernardes e William Bonner voltaram das férias e mudaram de assunto, ao abrir a escalada de manchetes do ‘Jornal Nacional’:


– Um roubo milionário. Um túnel de 80 metros leva assaltantes ao cofre e R$ 150 milhões somem do escritório do Banco Central em Fortaleza.


Na manchete da Folha Online, à tarde, foi um ‘assalto milionário’, aliás, ‘o maior já ocorrido no país’. A Globo News tachou de ‘roubo de cinema’.


O roteiro do filme, segundo a narração do ‘JN’:


– Em maio, a quadrilha alugou uma casa que fica a menos de 200 metros do banco. O negócio de grama sintética era só fachada. Os vizinhos nunca desconfiaram. O túnel começa num quarto, que fica no quintal da casa, e desce a uma profundidade de quatro metros.


Sobre as imagens:


– O túnel atravessa o quarteirão e uma avenida, antes de chegar exatamente onde o dinheiro estava guardado. Os assaltantes ainda tiveram que passar por uma barreira de um metro de espessura, um piso feito de concreto e malha de aço.


É claro que ‘no interior do cofre há sensores de movimento, mas eles não fizeram o alarme disparar’. E que ‘as câmeras do circuito interno também não gravaram a invasão’.


Era um golpe hollywoodiano.


Não demorou e ‘o maior roubo da história do Brasil’ estava na home page do espanhol ‘El País’ e no site do americano ‘Wall Street Journal’.


O do argentino ‘Clarín’ disse que foi ‘em Recife’.


O do americano ‘Washington Times’ abriu seu texto a um passo de louvar o ‘grupo de audaciosos ladrões de banco brasileiros’, que passou meses ‘movendo sacos de areia’.


CORRIDA NUCLEAR


Nem assalto ‘de cinema’ nem escândalo, o que mais ecoou no exterior foi a confirmação por José Sarney dos planos para explodir uma bomba atômica, 20 anos atrás. Explica-se pelas manchetes dos sites: o ‘NYT’ destacou a retomada do programa nuclear iraniano; o ‘Washington Post’, os planos dos EUA para o caso de ser atacado; o ‘Financial Times’, o recorde do petróleo por causa do temor de ataques.


Daí os despachos sobre um Brasil de 1986 ganharem importância, também para CNN e BBC e sites como o ‘Clarín’, com enunciados como ‘Ditadura brasileira queria a bomba atômica’.


É a reportagem do ‘Fantástico’ com o ex-presidente, que explicou por que mentiu, à época, sobre o ‘campo de provas da Serra do Cachimbo’:


– Seria a revelação de que o país estava participando da corrida nuclear. A minha função era resguardar qualquer problema com a Argentina.


A Folha Online registrou o que o programa omitiu -que ‘em agosto de 86 a Folha publicou reportagem da jornalista Elvira Lobato que descrevia a construção do poço para testes nucleares’.


Exibição de força


No fim de semana, no dizer da Globo News, o ex-ministro já fez ‘exibição de força na reunião do PT’. Ontem, mais uma vez, agora na Câmara e para a primeira manchete de Boris Casoy, no ‘Jornal da Record’:


– Severino segura pedido para cassar José Dirceu.


Audodestruição


A ‘força’ do ex-ministro acuou a esquerda, a começar de Tarso Genro, que retornou à TV, da Gazeta à Globo, para negar relações com o ‘valerioduto’ -e deixar recado para Dirceu não ir mais às reuniões. O resto da esquerda petista reagiu com Ivan Valente na Band, Plínio de Arruda Sampaio e Valter Pomar no ‘JN’ etc.


Para Alexandre Garcia, no ‘Bom Dia Brasil’, o PT vive uma ‘epidemia autodestrutiva’.


Lula faz


Enquanto o PT se autodestrói, Lula faz manchetes com palavras, dia após dia.


As de ontem, do ‘Café com o Presidente’, no rádio e reproduzidas na TV, ganharam leituras diversas. Na Folha Online, ‘Lula diz que não é possível apressar as investigações’. No Globo Online, ‘Lula: se alguém falhou, tem de pagar’.


Na escalada do ‘JN’:


– O presidente Lula avisa aos críticos: ainda vai viajar muito para inaugurar obras.


Gushiken fala


Luiz Gushiken também apelou ao rádio para voltar à cena. O ex-ministro falou a CBN e Eldorado, defendeu investigação dos fundos de pensão -e disse que eles só surgiram no noticiário por seu conflito com o banqueiro Daniel Dantas.’



FSP CONTESTADA


Painel do Leitor, FSP


Shows ‘, copyright Folha de S. Paulo, 10/08/05


‘‘A sensação que temos é que o colunista de TV da Folha fica com inveja do clima de denúncias e crises que esquenta o noticiário do país e tenta criar escândalos no inofensivo mundo do entretenimento. Só que, ao afirmar que o cantor Roberto Carlos -reconhecidamente uma pessoa de boa índole- foi o responsável pela exclusão de grupos populares no show do Criança Esperança, ele propositadamente ‘forçou a barra’ para garantir a sua manchetezinha. A decisão de excluir algumas atrações foi da exclusiva responsabilidade da produção do programa (como foi dito) não só pelo estouro do tempo previsto (independentemente da apresentação do cantor). No caso específico, da Fundação Cultural Beija-Flor, houve um agravante porque nem sequer puderam ensaiar, o que tornou inviável sua exibição. De qualquer forma, o trabalho deles foi exibido num clipe. Ou seja, Roberto Carlos nem tomou conhecimento dessa decisão. E, se soubesse, seria capaz de abrir mão da sua apresentação para não prejudicar ninguém. O que não foi o caso, já que a exclusão não foi por sua causa. Sinceramente, com tanta coisa séria acontecendo, pode parecer perda de tinta e papel ter que corrigir esse tipo de bobagem. Mas a gente acha que a imagem das pessoas também deva ser levada a sério. Mesmo numa coluna de televisão.’ Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação (Rio de Janeiro, RJ)’



PLAYBOY, 30 ANOS


Nicola Pamplona


‘‘Playboy’ se movimenta para reforçar marca no País ‘, copyright O Estado de S. Paulo, 9/08/05


‘A Playboy completa 30 anos de Brasil e já começou a se movimentar para reforçar a marca no País, segundo maior mercado mundial para a revista, atrás apenas dos EUA. Em parceria com o Grupo Abril, que edita a versão brasileira da revista, a Playboy Enterprise Inc. já iniciou a prestação de serviços por celular, com o envio de fotos e vídeos para os leitores. O próximo passo, disse Christie Hefner, principal executiva e herdeira do grupo, deve ser a abertura de uma loja de produtos como roupas íntimas e acessórios com o tradicional coelhinho.


A revista impressa continua sendo o ‘coração’ do grupo, destacou a executiva, mas as novas tecnologias estão hoje no foco dos negócios. ‘Os serviços wireless (sem fio) são a mais nova fronteira na distribuição de conteúdo de entretenimento’, disse Christie, que assumiu os negócios do pai, Hugh Hefner, em 1998. Hoje, TV, internet e wireless já representam cerca de 50% do faturamento do grupo, que somou US$ 329 milhões em 2004. A revista é responsável por 30% deste total.


Na edição comemorativa dos 30 anos da Playboy, que tem a ex-BBB Graziela Massafera como estrela, há anúncios sobre o serviço por celular no final de cada ensaio. Neles, o leitor é informado sobre a possibilidade de ver fotos inéditas no site da revista ou no telefone.


Christie diz que a Playboy foi a primeira revista a aderir à internet e quer manter o pioneirismo na divulgação de conteúdo pelo celular. Além de fotos e vídeos, o leitor pode receber piadas e dicas sobre motéis ou o que fazer á noite em seu aparelho. Já a loja deve ser aberta no Rio ou em São Paulo até 2006, informou Christie.’



Luiz Fernando Vianna


‘Novas mídias sustentam Playboy ‘, copyright Folha de S. Paulo, 9/08/05


‘No império de US$ 1 bilhão do grupo Playboy, a revista que é o núcleo da marca responde por apenas 30%. Foi o que disse ontem, no Copacabana Palace, a herdeira de Hugh Hefner no comando da Playboy Enterprises, Christie Hefner, que está no Brasil para comemorar os 30 anos da revista no país.


‘Hoje, metade do nosso faturamento vem de TV, internet e wireless [conteúdo sem fio]. É um mercado que continua aumentando. Mas a revista é que estabelece a marca e o estilo de vida Playboy’, disse Christie, 53, executiva-chefe da empresa desde 1988, quando o pai, hoje com 79, deixou a linha de frente dos negócios.


O papel importante do Brasil na receita da revista justifica a presença de Hefner na festa dos 30 anos, que aconteceria ontem à noite no Rio.


‘O Brasil é o nosso mercado mais importante na América Latina, e o segundo país em volume de vendas da revista, só atrás dos EUA.’


A edição de agosto da revista, com a ex-Big Brother Grazielli Massafera, chega às bancas hoje com 700 mil exemplares -ainda distante do 1,2 milhão vendido com Joana Prado, a Feiticeira, em 2000- e 280 páginas, a maior edição dos 30 anos.


A ‘Playboy’ é publicada hoje em 18 países e ancora produtos diversos como roupas íntimas, DVDs e conteúdos para serem acessados pelo celular. O grupo abriu lojas temáticas em Tóquio, Las Vegas e Melbourne.


‘Abriremos em 2006 uma no Brasil, mas ainda não sabemos se no Rio ou em São Paulo’, disse Hefner. Também no próximo ano, segundo ela, a Playboy inaugurará ‘clubes de entretenimento’ -com spa, restaurantes, bares e cabaré- em Las Vegas e em Xangai (China).


No último número da revista ‘Forbes’, Hefner foi apontada como uma das cem mulheres mais influentes do mundo -atraiu US$ 500 milhões para a Playboy Enterprises com seus planos de expansão para TV, internet e novas mídias.


Segundo ela, as receitas da revista estão em torno de US$ 400 milhões anuais, mas, se forem somados os lucros que os parceiros -como a editora Abril, no Brasil-, têm com a marca, a cifra chega a US$ 1 bilhão.’



BELLUZZO PREMIADO


Eduardo Simões


‘Luiz Gonzaga Belluzzo ganha o Juca Pato ‘, copyright Folha de S. Paulo, 9/08/05


‘A União Brasileira de Escritores (UBE) anunciou ontem à noite que o economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo foi o vencedor do Prêmio Intelectual do Ano de 2004 (Troféu Juca Pato), patrocinado pela Folha. O escritor concorria com o livro ‘Ensaios sobre o Capitalismo no Século 20’ (editora Unesp) e venceu o jornalista Paulo Markun, que disputava com o título ‘O Sapo e o Príncipe – Personagens, Fatos e Fábulas do Brasil Contemporâneo’ (editora Objetiva).


Belluzzo teve 339 votos, contra 307 para Markun. A cerimônia de premiação será em setembro, em data ainda a ser definida.


‘Foi uma disputa acirrada, mas sem ‘mensalão’ ou caixa dois’, brincou Belluzzo ao saber da premiação. ‘Tenho dificuldade de achar que mereço o prêmio. Mas, como foi indicação de outras pessoas, agradeço muito. É muito valioso, pois os que me antecederam são pessoas muito importantes, gigantes como Caio Prado e San Tiago Dantas.’


Nascido em São Paulo, em 1942, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo formou-se em direito pela Universidade de São Paulo em 1965. Estudou ciências sociais na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, entre 1963 e 1966, mas não se graduou. Ingressou em seguida no Curso de Desenvolvimento Econômico, promovido pela Cepal/Ilpes, que completou em 1969, especializando-se em Desenvolvimento e Programação Industrial.


Pesquisador, professor universitário, titular do Departamento de Economia e Planejamento Econômico da Universidade Estadual de Campinas desde 1986, também foi assessor econômico do PMDB (1974-1992), secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985-1987) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (1988-1990). É colunista da Folha.


Prêmio


O Prêmio Intelectual do Ano foi criado em 1962 por Marcos Rey, fundador e então vice-presidente da UBE. O troféu é uma estatueta que reproduz o Juca Pato, personagem criado pelo chargista Belmonte. Entregue anualmente, o prêmio pode ser disputado por autores de livro publicado no ano anterior, em qualquer modalidade, inscritos através de uma lista indicada por 30 sócios da UBE. A votação é nacional.


No ano passado, o vencedor do troféu foi o acadêmico e diplomata Alberto da Costa e Silva, por ‘Um Rio Chamado Atlântico’, livro que reúne 16 ensaios que tratam das relações entre Brasil e África.’


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