Sábado, 06 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

01/02/2011 na edição 627

INTERNET

Roger Cohen, The New York Times

A revolução Geek

Livros intempestivos são uma subcultura interessante. Lembro-me de Dow 36.000, escrito por James Glassman e Kevin Hassett, publicado em 1999, quando a bolha de tecnologia chegava ao pico. Agora temos o livro de Evgeni Morozov The Net Delusion – que leva o subtítulo The Dark Side of Internet Freedom. Ele chega às lojas quando a juventude na Tunísia e no Egito, armada com o Facebook, se levanta para mostrar o poder libertador da mídia social.

Morozov, nascido na Bielo-Rússia, educado na Bulgária e vivendo na Califórnia, é um jovem de roupas amarrotadas, óculos, 26 anos (‘sou embaraçosamente jovem’, me disse ele), sem carteira de motorista e um cérebro fora do comum. É divertido e fala muito rápido, como se as palavras estivessem tentando, em vão, compor-se com as ideias que passam pela sua cabeça, como elétrons em torno de um átomo.

E essas ideias, reunidas no seu livro repleto de detalhes, são do tipo: os idealistas do mundo cibernético, principalmente a secretária de Estado Hillary Clinton, difundiram uma perigosa ilusão ao sugerir que, por meio dos blogs, Twitter, Facebook, YouTube e Google, o mundo consegue abrir o caminho para a liberdade e a democracia.

Numa era em que os melhores e mais brilhantes hoje são também os mais geeks, Morozov afirma que, com frequência, a chamada ‘doutrina Google’ se tornou uma sedutora armadilha. A internet, na verdade ‘dá poderes aos fortes e os tira dos fracos’. Longe de favorecer os oprimidos, ela dá novos instrumentos para o opressor reprimir alguns oponentes – ‘uma senha roubada hoje abre portas de dados que não existiam’ – colocando outros numa atitude passiva.

O fato de a mídia social estar dominada pelas corporações americanas dá munição a governos repressivos, da Bielo-Rússia à China, para tramarem convincentes teorias conspiratórias, fundindo, digamos, o Twitter com complôs do governo americano, especialmente quando, como ocorreu com a insurreição iraniana em 2009, existem contatos públicos entre autoridades do Departamento de Estado americano e a companhia.

Considero Morozov brilhante e seu livro é uma provocação útil. Mas acho também que ele está totalmente errado.

É certo que na primeira década do século 21 o autoritarismo antiocidental vem tomando corpo, e não há dúvida de que aqueles que administram sistemas repressivos estudaram como explorar, ou suprimir, uma tecnologia revolucionária que os desafia. Mas eles nadam contra a corrente. A liberdade de os indivíduos se conectarem é um instrumento de libertação – e poderoso.

Escrevo este artigo no meu retorno da Tunísia, onde o Facebook permitiu que os jovens manifestantes se conectassem para derrubar um ditador, como também vejo as imagens no YouTube dos corajosos jovens egípcios enfrentando os cassetetes e os canhões de água dos asseclas de Hosni Mubarak.

‘Eles têm tudo, eles têm tudo’, dizia um manifestante ensanguentado sobre a força bruta que enfrentou. Sim, quando o que você tem é um grande martelo – e isso é só o que ficou no arsenal dos regimes árabes decadentes e nepotistas -, tudo parece um prego.

A verdade é que esses homens – some o governo de 23 anos do ditador tunisiano deposto Ben Ali aos reinados de Mubarak e Kadafi na Líbia e você vai ter quase um século de despotismo – são relíquias que o mundo ligado na internet mostrou serem de mentira.

A organização, a comunicação em rede, o acesso a ideias e informações suprimidas, a prática do debate e o fortalecimento pessoal numa cultura de humilhação e conspiração: eis algumas dádivas que a mídia social vem concedendo a populações, na maioria jovens, em todo o mundo árabe.

O impacto da internet reside sobretudo no fato de ela expor a ilusão que levou os governos ocidentais a apoiar os autocratas árabes: de que a alternativa seriam os jihadistas islâmicos. A revolução na Tunísia foi da classe média, não islâmica e pró-ocidental. As pessoas nas ruas do Cairo são jovens conectados, não ideológicos e pragmáticos. Eles querem a promessa de que Mubarak não participará da eleição neste ano nem transferirá o poder para seu filho Gamal, que, a propósito, tem um belo apartamento na elegante Eaton Square, em Londres.

Se Hillary Clinton foi séria ao anunciar que a prioridade dos Estados Unidos hoje é ‘aproveitar o poder das tecnologias de conexão e aplicá-las a nossas metas diplomáticas’ e se acha realmente que as estruturas árabes estão ‘afundando na areia’, este é o momento de apoiar a mudança no Cairo.

E não posso pensar numa melhor expiação para os erros de Morozov do que ele aplicar sua genialidade e conhecimento da internet à causa da democracia tunisina e egípcia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

EGITO

Al-Jazira acusada de estimular atos

Analistas apontam a emissora de TV do Catar Al-Jazira como uma das instigadoras dos protestos que vêm ocorrendo no mundo árabe. Segundo The New York Times, a cobertura da TV árabe das manifestações que eclodiram inicialmente na Tunísia acabou garantindo a continuidade dos protestos e inspirou as manifestações nos demais países. Esta semana, escritórios e veículos da emissora foram atacados no Líbano e na Cisjordânia. Ontem, autoridades do Iêmen queixaram-se ao governo do Catar pela cobertura dos protestos de quinta-feira. ‘A noção de que há uma luta comum no mundo árabe é algo que a Al-Jazira ajudou a criar’, afirmou o especialista em Oriente Médio Marc Linch.

 

RÚSSIA

Rússia prende repórter brasileiro colaborador do Estadão

O jornalista brasileiro freelancer Solly Boussidan, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, foi preso ontem na Rússia, acusado de fazer reportagens sem autorização. Moscou determinou que Boussidan deve passar 10 dias na prisão antes de ser deportado, mas o Itamaraty e a Alemanha – país do qual o repórter também tem cidadania – trabalham para que ele deixe a Rússia o quanto antes.

Embora tenha se identificado como jornalista ao cruzar a fronteira, Boussidan não trabalhava em território russo e estava em trânsito rumo à Armênia com um visto de turista. No entanto, com o atentado de segunda-feira no aeroporto de Moscou, quando 35 pessoas morreram, o repórter enviou um relato sobre a cobertura televisiva da tragédia ao portal Terra Magazine.

Dois dias depois, a polícia o deteve em Sochi, no Mar Negro, e o interrogou por 12 horas. Em seguida, Boussidan foi levado a um juiz, que determinou sua prisão por 10 dias antes da deportação, além de uma multa de dois mil rublos (US$ 65).

O brasileiro, então, foi encaminhado a um centro de detenção para estrangeiros na cidade de Adler, perto da fronteira com a Geórgia. Preso, Boussidan passou 36 horas sem comida, sob pressão para assinar documentos em russo sem tradução e abrir mão da proteção consular brasileira.

O Itamaraty está em contato com o Kremlin (poder Executivo federal russo) e com o policial que dirige o centro onde está o brasileiro. A Embaixada da Alemanha em Moscou, por sua vez, enviou um representante a Adler. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

TECNOLOGIA

Microsoft enfrenta desafio de tablets e smartphones

A preocupação quanto à possibilidade de a demanda acelerada por tablets e celulares inteligentes, como o iPad e o iPhone, da Apple, deixar a Microsoft na poeira é exagerada, afirmou Jean-Philippe Courtois, presidente internacional da maior empresa de software do mundo.

‘Aparelhos vêm e vão’, disse Courtois durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, acrescentando que a empresa está fazendo progressos no desenvolvimento de produtos para o mercado de tablets. Em janeiro, a Microsoft anunciou que vai lançar versão do Windows compatível com os chips projetados pela ARM Holdings para estabelecer uma presença mais forte no mercado de celulares inteligentes e tablets.

A Microsoft divulgou na quinta-feira resultados que ficaram abaixo das expectativas mais otimistas do mercado. Os números não conseguiram fazer com que os investidores deixassem de acreditar que Apple e Google dominarão a próxima fase da computação.

Apesar de ainda não terem gerado muito impacto sobre grandes empresas de tecnologia, como a fabricante de processadores Intel, os segmentos de tablets e smartphones têm causado queda nas ações de outras companhias de computação.

Nuvem. Courtois disse que a parte mais crítica do setor de tecnologia da informação é a computação em nuvem, na qual a Microsoft estabeleceu forte presença. Computação em nuvem é a prática de utilizar a internet para transferir o processamento e a armazenagem de informação dos computadores de mesa para centrais de dados remotas. ‘Essa é a mais profunda transformação no cenário da tecnologia de informação nos últimos 10 anos’, disse o executivo.

A Microsoft segue cautelosa sobre o futuro, mas vê crescimento vindo de todas as regiões onde opera. ‘Vemos expansão tanto em países desenvolvidos quanto em emergentes, e isso ajuda o cenário de investimento em tecnologia da informação’, afirmou. As ações da Microsoft acumulam queda de 3% nos últimos 12 meses, ficando atrás da alta de 24 % do índice Nasdaq. Enquanto isso, as ações da Apple acumulam valorização de 65% no mesmo período.

Alguns analistas concordam com a avaliação da Microsoft sobre o cenário da indústria. Eles afirmam que, apesar de o mercado de tablets apresentar robustez, ele não tem o mesmo volume da indústria de PCs. A Apple vendeu 15 milhões de iPads no ano passado. Enquanto isso, a Microsoft vendeu 300 milhões de licenças do sistema operacional Windows 7.

Movimento. Olhando para frente, Courtois lembrou a tecnologia Kinect, da Microsoft, que permite controle de jogos por movimento dos usuários. Segundo ele, a Kinect pode se provar uma outra fonte de receita, conforme a Microsoft explore uma série de aplicações para ela.

‘Acabamos de fazer uma pesquisa nos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) que mostra que 8% das pessoas acham válida uma interface natural ao usuário, o que abrirá o mundo da tecnologia a muito mais pessoas no futuro’, disse o executivo. / REUTERS

 

TELEVISÁO

Etienne Jacintho

Canais pagos retomam inéditos

Após as reprises de fim de ano, os canais por assinatura começam a renovar suas grades de programação de séries a partir do início de fevereiro. Entre as estreias mais esperadas pelos fãs do gênero estão Blue Bloods, no canal Liv; $#*! My Dad Says, no Warner Channel; e Em Terapia (In Treatment), na HBO.

A primeira é um drama policial que marca a volta de Tom Selleck, o Magnum dos anos 1980, ao mundo das séries. Já a segunda traz o retorno de William Shatner – o eterno capitão Kirk, de Star Trek (Jornada nas Estrelas) -, após o sucesso da extinta Boston Legal, em que contracenava com o ator James Spader. E a terceira traz Gabriel Byrne novamente na pele do psiquiatra Paul Weston, que atende os mais variados pacientes. A série que virou sucesso cult estreia na HBO no dia 21.

$#*! My Dad Says entra em cartaz no dia 7 e é uma comédia inspirada no twitter @shitmydadsays, criado por Justin Halpern, um homem de 28 anos que se vê obrigado a voltar para a casa do pai, de 72 anos, um homem cheio de opinião. O problema é que o pai fala um monte de m… As citações renderam, além do perfil no twitter, um livro e, agora, a série.

O Warner Channel coloca no ar também no dia 7, após $#*! My Dad Says, a segunda temporada da comédia The Middle, com Patricia Heaton.

Drama policial. Blue Bloods chega ao Liv no dia 14, para contar o dia a dia de uma família de policiais de Nova York. Além de falar sobre os casos que os familiares investigam, a série acompanha, principalmente, as relações entre eles. A atração teve boas críticas e tem no elenco Donnie Wahlberg, Len Cariou, Will Estes e Bridget Moynahan.

O canal traz ainda os episódios inéditos do remake Hawaii Five-0, ação com o bonitão Alex O’Loughlin, além de Scott Caan, Daniel Dae Kim e Grace Park. Vai ao ar no dia 16. Dois dias mais tarde, estreia a segunda temporada do drama hospitalar Hawthorne, com a atriz Jada Pinkett Smith. Finalmente, dia 20, o canal mostra o serial killer que analisa sangue em Dexter – também em cartaz no FX e na RedeTV! -, desde a sua primeira temporada.

O canal Sony também passa a exibir, a partir da semana do dia 7, os episódios inéditos de todas as suas séries do horário nobre, incluindo as veteranas Desperate Housewives e Grey’s Anatomy, além da iniciante No Ordinary Family, sobre uma família com superpoderes.

Aliás, os super-heróis estão em alta e o Universal Channel lança, no dia 11, a série The Cape, sobre um policial acusado injustamente de homicídio que assume a identidade do herói favorito do filho para caçar bandidos.

 

 

 

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