Terça-feira, 26 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

08/02/2011 na edição 628

ANÁLISE

Daniela Milanese

Jornal inglês acha que petista tem início ‘encorajador’

O diário britânico Financial Times afirmou ontem, em editorial, que a presidente Dilma Rousseff teve um início de governo ‘encorajador’ em razão das posições que já diferenciam sua administração da anterior, de por Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o jornal, o primeiro mês de governo de Dilma deixou claro que ‘foram apressadas’ as previsões de que ela nada mais seria que uma continuação do governo Lula. Ao contrário, Dilma ‘rompeu com as políticas de seu antecessor de várias maneiras animadoras’. Na avaliação do editorial, Dilma ‘fez um começo sólido’, que surpreendeu a muita gente experiente nos mercados financeiros.

O novo tom nas relações com o Irã foi um dos assuntos destacados pelo texto. Para o FT, a aproximação com Irã foi um dos mais problemáticos momentos do governo Lula, assim como sua recusa a criticar os abusos cometidos contra os direitos humanos pelo governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

A nova presidente ‘está revertendo essa posição’, ressalta o editorial. Ela acertou ao criticar a postura do governo anterior por não condenar os apedrejamentos praticados no Irã. É uma nova posição que pode facilitar a aproximação do Brasil com os Estados Unidos. O FT acrescenta, porém, que essa aproximação só avançará se Brasília encarar de maneira mais séria as evidências de que o programa nuclear iraniano não tem só objetivos civis.

Política interna. O editorial analisa, ainda, os caminhos adotados pelo novo governo brasileiro na política interna. Ela acertou, segundo o texto, ao optar por políticas destinadas a diminuir os gastos públicos, que tinham aumentado bastante no governo anterior.

Nessa linha, a presidente assegurou ainda ‘o menor aumento possível’ do salário mínimo. Mas o jornal adverte que a lista de tarefas não termina aí. O nível de poupança necessita de estímulo e o sistema de impostos precisa ser simplificado.

O Financial Times entende que a presidente brasileira ‘não deve se desviar desse caminho’, mesmo sabendo que terá pela frente fortes pressões dos partidos aliados, interessados em cargos e em aumentar os gastos.

 

EGITO

Jornalista morre em meio a ataque de milícias no Egito

O jornalista Ahmad Mohamed Mahmoud, que trabalhava para o jornal Al-Ta?awun, de maior circulação no Egito, morreu ontem em um hospital do Cairo. Ele tomou um tiro no dia 28 de janeiro, durante as manifestações na Praça Tahrir. A repressão a jornalistas estrangeiros e funcionários de ONGs se intensificou ontem.

Câmeras de TV e máquinas fotográficas fora confiscadas nas entradas da Praça Tahrir para impedir a difusão de imagens da crise. A rede CNN foi proibida de filmar, repórteres do jornal britânico The Guardian ameaçados pelo exército e aconselhados a não voltar ao local.

Uma equipe de TV do Brasil foi impedida de entrar com câmera na Praça Tahrir, o escritório da Al-Jazira foi saqueado e os equipamentos, destruídos. Também ontem, a polícia egípcia deteve por cinco horas jornalistas de uma rede de TV canadense.

O governo egípcio admite que, ao todo, 18 jornalistas foram levados por milícias e forças de segurança em apenas dois dias. Grupos da BBC, ABC, Zero Hora, Washington Post e vários outros veículos da imprensa internacional foram agredidos. Para o Comitê de Proteção de Jornalistas, com sede nos EUA, a onda de repressão resultou em 24 prisões, 21 agressões e 5 casos de confisco de equipamentos. ‘O Egito quer criar um vazio de informação que o coloca ao lado do Irã e de Cuba’, afirmou Joel Simon, diretor da entidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

TECNOLOGIA

Eduardo Rodrigues

Tablets podem ter benefícios da Lei do Bem

Para incentivar a produção dos tablets no País, barateando o acesso dos consumidores aos computadores portáteis com telas sensíveis ao toque, o governo deve apoiar a aprovação de uma emenda à medida provisória 517, que tramita no Congresso, estendendo aos dispositivos os benefícios tributários que a chamada Lei do Bem já garante a computadores de mesa e notebooks.

Após reunião na tarde de ontem com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, afirmou que o novo governo apoiará a aprovação da emenda pelos parlamentares, resultando em uma redução das alíquotas de PIS/Cofins sobre esses produtos dos atuais 9,25% para zero.

‘Isso deverá fazer com que os tablets fabricados no Brasil passem a ter preços de padrão internacional, assim como já ocorre com computadores e notebooks’, disse Barbato. Segundo ele, o preço médio do produto fabricado no País pode ficar entre R$ 800 e R$ 1.000.

Segundo o presidente da Abinee, caso a emenda seja aprovada, o setor teria condições de começar a comercializar os produtos em três ou quatro meses. De acordo com ele, empresas nacionais como a Positivo e a Itautec já possuem planos para começar a produzir os dispositivos.

‘Somos o terceiro mercado mundial de computadores. Precisamos criar condições para que as empresas venham, produzam e desenvolvam seus produtos no País’, acrescentou.

Além da redução da tributação no âmbito federal, a Abinee também pleiteia com Estados onde se concentram essas indústrias, sobretudo São Paulo e Paraná, a diminuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os produtos. ‘Seria complicado para os Estados não concederem a redução, porque, se eles já fazem isso para os computadores e notebooks, também devem fazer para os tablets’, disse o executivo.

 

Renato Cruz

Projeto do CPqD quer tornar internet mais rápida

Imagine baixar, em um segundo, 1,4 mil longas-metragens. Ou fazer 1 bilhão de chamadas de voz simultâneas via internet. Essa é a capacidade oferecida por uma conexão de 8 terabits por segundo (Tbps), que o CPqD prevê alcançar até o fim do ano, usando uma única fibra óptica.

Criado há 34 anos, o CPqD era o centro de pesquisas do Sistema Telebrás. Com a privatização, tornou-se uma fundação privada sem fins lucrativos, que tem como maior fonte de receita projetos que desenvolve para empresas. É o principal centros de desenvolvimento de tecnologia de telecomunicações do País.

‘Temos condições de competir com as empresas internacionais’, disse Hélio Graciosa, presidente do CPqD. ‘Só precisamos ser mais seletivos, porque temos menos recursos e menos engenheiros.’

Sediado em Campinas, no interior de São Paulo, o CPqD emprega 1,2 mil pessoas e registrou, em 2010, receitas de cerca de R$ 230 milhões. Desse total, um quarto veio de fundos setoriais do governo, para financiamento de pesquisa. O restante foram projetos com empresas.

Ontem, o CPqD inaugurou um laboratório de etiquetas inteligentes. São quatro suas linhas principais de pesquisa: banda larga, smart grid (tecnologia da informação e telecomunicações aplicadas à rede elétrica), cidades digitais e banco do futuro.

Inovação. Desde 1998, quando houve a privatização da Telebrás, foram vendidos R$ 15 bilhões em produtos com tecnologia do CPqD. Como a medida da inovação é o resultado financeiro obtido a partir da pesquisa, esse é um número importante.

Várias empresas surgiram a partir do CPqD, como a Padtec, que fabrica equipamentos de comunicações ópticas; a Trópico, que fornece centrais telefônicas; e a ClearTech, responsável pela solução tecnológica da portabilidade numérica. Essas empresas, que tem o centro como acionista, recebe tecnologia desenvolvida nos laboratórios do CPqD, e a transforma em produtos.

O sistema que permitirá transmitir 8 Tbps em uma única fibra está sendo desenvolvido num projeto chamado 100 Geth. Ele usa tecnologia WDM (sigla em inglês de multiplicação por divisão de comprimento de onda). Na prática, torna possível transmitir vários sinais ópticos simultaneamente em uma só fibra, como se fossem luzes de cores diferentes, cada uma delas carregando um fluxo de informações.

O 100 do nome do projeto refere-se aos 100 gigabits por segundo (Gbps) de velocidade de cada um desses comprimentos de onda. Os equipamentos comercializados pela Padtec, por exemplo, chegam a um décimo disso. O WDM permite colocar até 80 sinais simultâneos numa única fibra, o que totalizará 8 Tbps. Até agora, o CPqD conseguiu colocar 32 deles, chegando a 3,2 Tbps. O laboratório do centro aguarda a chegada de novos equipamentos, para alcançar os 80 comprimentos de onda simultâneos.

Vanguarda. ‘Essa pesquisa representa o estado da arte das comunicações ópticas mundiais’, disse Paulo Cabestré, diretor de redes convergentes do CPqD. Segundo ele, os grandes fornecedores mundiais de equipamentos de telecomunicações encontram-se no mesmo nível que o CPqD. ‘Usamos equipamentos no nosso laboratório que fomos o segundo ou o terceiro no mundo a comprar.’

O objetivo é terminar a pesquisa ainda este ano, e então transferir a tecnologia para a Padtec, que pode lançar produtos em 2012. Os equipamentos serão destinados às redes de transporte de dados das operadoras, e não ao acesso que chega à casa dos clientes. O CPqD participou das primeiras pesquisas com fibras ópticas no Brasil, ainda na década de 1970.

Além das pesquisas com comunicações ópticas, o CPqD tem uma grande aposta nos sistemas sem fio, com duas aplicações principais: a inclusão digital e smart grid. Uma das empresas que saíram do CPqD, a WXBR, tem como foco as telecomunicações sem fio.

 

TELEVISÃO

Thaís Pinheiro

Folia baiana ganha tela em HD

O carnaval é um dos eventos mais importantes – porque lucrativo – para as emissoras brasileiras. A Band, que há quase duas décadas vem trabalhando na cobertura das folias de Salvador, Olinda e Recife (além do eixo Rio-São Paulo), reforça suas expectativas para este ano e anuncia que o investimento para a transmissão dobrou em comparação a 2010.

Para a festa na capital baiana, a emissora anuncia grandes mudanças de estrutura. Antes alocada em um estúdio na Barra, ela agora ganha camarote próprio, o Planeta Band, com 8 mil m², 20 ambientes e capacidade para receber 6 mil pessoas por noite, em Ondina, no fim do circuito mais badalado de Salvador. No espaço, Felipe Andreoli, Daniela Freitas e Luize Altenhofen se dividem entre os convidados VIPs, enquanto Patricia Maldonado e Betinho comentam a passagem dos trios por ali. Já Rita Batista e Guilherme Arruda acompanham a folia no período da tarde, no circuito Campo Grande. ‘O local será uma grande arena, dando um sentido estético muito mais interessante ao carnaval baiano’, afirma o vice-presidente da emissora, Marcelo Meira.

A ideia é permitir maior integração com os trios e artistas da música baiana com os estúdios da Band, Band FM e o cyber do portal eBand.

Em números, a Band quer mesmo é impressionar: 500 profissionais envolvidos, 40 câmeras HD e 80 horas de transmissão, de sexta-feira, dia 4 de março, até a madrugada da quarta-feira de cinzas. O aporte para tamanha cobertura já está garantido com a venda de quatro cotas de patrocínio, no valor de R$ 24 milhões cada (Skol, Tim, Bradesco e UOL).

Para a edição da vez, a emissora também contará com transmissão online, em tempo real. O portal eBand, além de usar o material da TV, promete produzir conteúdo próprio. Duas equipes serão deslocadas para fazer a cobertura dentro do camarote Planeta Band.

Estreante. Alçando novo voo na cobertura de Salvador, o SBT também volta seu foco para a capital baiana. A retransmissora local de Silvio Santos, já fazia a transmissão da festa para a região, mas a exibição agora ganha rede nacional e, pela primeira vez, dois camarotes nos circuitos Barra-Ondina e Campo Grande, abrigando dois estúdios.

Na equipe escalada para a missão, Eliana (que há anos pilota seu próprio bloco infantil em Salvador) e Celso Portiolli encabeçam a lista. André Vasco e o time do jornalismo reforçam o time. De olho nos anunciantes, o SBT promete anunciar mais novidades no dia 15.

 

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Folha de S. Paulo – Sábado

Estado de S. Paulo – Domingo

Estado de S. Paulo – Sábado

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