Segunda-feira, 06 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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O Estado de S. Paulo

25/05/2010 na edição 591

TECNOLOGIA
‘Estado’ lança 2ª versão de aplicativo para iPad

‘Estará disponível a partir de amanhã a segunda versão do aplicativo para iPad do Estado e do estadão.com.br. A primeira versão foi lançada em abril e o Estado foi o primeiro jornal brasileiro a desenvolver um aplicativo especialmente para o tablet da Apple. O programa é gratuito e foi desenvolvido em parceria com a empresa MobiMarket.

Para o editor-chefe de Conteúdos Digitais do Grupo Estado, Pedro Doria, o jornal aproveita as possibilidades que o iPad tem de se aproximar do jornal impresso. ‘É possível editar o jornal no iPad como é feito no papel, sem perder a beleza gráfica.’

Com o novo aplicativo, os leitores que tiverem o aparelho poderão acompanhar as principais notícias das versões online e impressa de forma mais organizada. ‘Para essa segunda versão, pudemos testar o formato de apresentação do jornal e a leitura das notícias no aparelho. Com isso, conseguimos organizar melhor as informações e aproveitar melhor o espaço da tela do iPad’, diz o diretor de plataformas digitais do Grupo Estado, Nicholas Serrano.

Além de acompanhar as principais notícias do Estadão, os leitores poderão acessar a galeria de fotos, assistir a vídeos e ler a edição do dia do jornal. O acesso à edição digital diária, que não era permitido com o primeiro aplicativo, ficará liberado nessa etapa de lançamento do software. ‘A leitura está muito mais próxima da do jornal impresso, com as manchetes em destaque, espaço para colunistas e blogs’, diz Serrano. ‘Aproveitamos os critérios de edição do jornal impresso em um formato multimídia.’

Os leitores que já possuem a versão atual do aplicativo vão receber um alerta automático, avisando do lançamento da nova versão. O download gratuito pode ser feito na Apple Store.’

 

CAMPANHA
Malu Delgado e Julia Duailibi

Uso da internet ainda é desafio para partidos

‘O papel da internet na eleição presidencial no Brasil ainda não será decisivo, avaliam coordenadores de comunicação das pré-campanhas e especialistas. Mas é a batalha ideológica já aguerrida na rede que municiará e mobilizará militantes para o debate nas ruas.

Justamente pela internet ser vista como instrumento político valioso para preparar a militância é que as equipes dos pré-candidatos José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) começaram a montar seus núcleos de comunicação digital.

Nos bastidores, o PSDB já contabiliza um exército informal de pelo menos dez mil militantes. O PT, só em São Paulo, já tem quase mil ‘soldados’ atuando diariamente na rede. O partido, com mais de um milhão de filiados, acredita no efeito virtual multiplicador da militância.

PT e PSDB terão ainda equipes especializadas pagas para atuar na campanha digital. Dirigentes das duas legendas temem um certo ‘descontrole’ na linguagem e conteúdos de blogs e redes sociais dos candidatos. Por isso, passaram a centralizar a comunicação na internet.

No PSDB, o núcleo duro da internet é formado por dez pessoas. As iniciativas, antes pulverizadas, foram unificadas, na semana passada, sob a coordenação do jornalista Marcio Aith.

No PT, a comunicação é coordenada por Rui Falcão, vice-presidente da sigla. O partido decidiu separar a mobilização nas redes sociais, a cargo de Marcelo Branco, da comunicação institucional produzida para a internet.

Efeito Obama. No ano passado, tucanos e petistas flertaram com estrategistas da campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na rede. Ben Self, da Blue State Digital, veio ao Brasil e foi cortejado por ambos os partidos como conselheiro. Acabou fechando com o marqueteiro do PT, João Santana.

‘Vendeu-se aqui o mito da internet, e alguns brasileiros compraram. Achavam que a internet elegeu Obama, quando na verdade quem elegeu Obama foi o próprio Obama’, afirma Sérgio Caruso, integrante do núcleo tucano. ‘Ainda é uma incógnita quantos votos vão virar ou se posicionar por uma ou outra candidatura a partir do e-mail que recebem, ou do que estão lendo no Orkut’, diz Marcelo Branco.

‘A internet não faz um candidato ganhar ou perder’, sentencia o secretário nacional de Comunicação do PV, Fabiano Carnevale. Porém, acrescenta, as manifestações criativas na rede podem seduzir eleitores e desafiar a lógica dos marqueteiros.

O PV, até o momento, aposta mais fichas na mobilização apartidária. O Movimento Marina, criado por não filiados, já tem 19 mil integrantes. Ainda assim, a sigla terá um núcleo digital composto por cerca de 40 pessoas.

‘Todo mundo está superestimando o poder da web na conquista de votos. Os sites reforçam convicções que as pessoas já têm’, declara Marcelo Coutinho, professor da FGV-SP e autor de um estudo sobre o uso de novas mídias na campanha presidencial de 2006.

Para Tiago Dória, jornalista e pesquisador de mídia, o efeito Obama não vai se reproduzir no Brasil. ‘Não tem como comparar o poder da internet nos Estados Unidos com o Brasil.’ Segundo ele, a internet, se bem usada, pode angariar simpatizantes não partidários. A tendência no Brasil, diz ele, é que a campanha seja menos propositiva e que os boatos sejam constantes.

Os partidos temem o efeito do bate-boca na rede. Os estrategistas do PSDB citam a forte campanha virtual em 2006 contra o então candidato Geraldo Alckmin. À época, circularam e-mails dizendo que o tucano faria privatizações se eleito. ‘Isso contaminou e pegou na veia’, diz Marcelo Vitorino, estrategista de marketing digital que poderá integrar a campanha de Serra.

‘A estratégia de usar a internet para a campanha negativa, o que tem acontecido com o PT e o PSDB, é uma furada. É mais do mesmo. O grande barato da internet é atingir um grupo heterogêneo de pessoas’, pondera Carnevale. Para ele, o bombardeio de e-mails de militantes não é eficaz para definir o voto do eleitor.

Abrangência. O baixo grau de politização do brasileiro, aliado às limitações sócio-econômicas que reduzem a abrangência da internet, explica, segundo especialistas, a predominância da guerrilha virtual. Levantamento da comScore, empresa que mede audiência da internet em mais de 40 países, mostra que no Brasil só 2% dos internautas acessam páginas com o conteúdo político. Nos EUA, são 9,8%.

Dados do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) mostram que só 24% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet – cerca de 13,5 milhões de casas no final de 2009. Esse porcentual é ainda menor no Nordeste e no Norte (13%).

Por outro lado, é nas classes populares que o acesso à internet mais cresce. ‘O Nordeste é o local onde há o maior porcentual de internautas integrando redes sociais’, afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br. As informações apontam, por exemplo, que o acesso à internet em domicílios de famílias com renda de 1 a 2 salários mínimos cresce a uma média anual de 69%.

‘As classes de renda mais baixa estão mais conectadas do que estavam na eleição de 2006’, diz Sérgio Amadeu, pesquisador de cibercultura e professor da Universidade Federal do ABC.’

 

STEVE JOBS
Gênio, sim. Do mal?

‘Talvez não exista no mundo outra empresa tão descompromissada e ao mesmo tempo poderosa quanto a Apple, cujo fundador, despótico e muitas vezes doente, dita não só o que compramos – mas como vivemos.

Estava quente no estádio de Stanford. Os estudantes tinham bebido, gargalhavam, por isso levou um tempo até entenderem que lá na frente um ícone do mundo ocidental subia à tribuna para dar um depoimento.

Ele seria tímido, diz quem o conhece. Só se manifesta quando tem algo para vender. Um novo telefone (iPhone), algo plano e maravilhoso (iPad), um novo meio publicitário (iAd), ou quando comunica, como no mês passado, novo lucro recorde: US$ 3,07 bilhões, no mais recente trimestre, 90% a mais do que no mesmo período de 2009.

No mais, ele se cala e exige silêncio de todos que o cercam. Inexplicáveis são as razões que o levaram a admitir, naquele dia de junho, em Stanford, o que o move, o que teme, o que pensa. Só lá, nesta vez e nunca mais.

Ele queria contar três histórias, somente, ‘no big deal’, disse Steven P. Jobs, barba e óculos, cabeça erguida, beca preta. Três histórias, nada demais.

A primeira história trata de ligar pontos, disse Jobs, e contava como sua mãe o deixou para adoção, como foi adotado, como largou a faculdade, como caminhava quilômetros por um prato de sopa. Até encontrar um amigo e ter uma ideia.

A segunda história abordava o amor e a perda. Jobs disse que aos vinte anos encontrou o que amava, a Apple, a obra da sua vida, e que aos trinta foi demitido. Porém, continuou atuando no mundo dos computadores, por amor. ‘Às vezes, a vida atinge você com uma pedra’, disse, ‘não perca a fé, a única forma de ter um desempenho grandioso é o amor pelo que faz’.

Isso foi poesia? Talvez ética? Psicologia de cozinha? E a terceira história? Trata de vida e morte. E é contada mais adiante.

Jobs tem vários rótulos. Guru, gênio, ditador e dominador.

Pois Steve Jobs é considerado diabólico, como um sociopata. Fama que fez por merecer. Isso fica claro logo que adentramos seu mundo. A Apple, originalmente uma empresa de computadores e hoje uma potência do entretenimento eletrônico, é um empreendimento forte como poucos e, ao mesmo tempo, com fraquezas, que, perante sua força, chegam a ser bizarras.

Jobs criou uma marca que é ao mesmo tempo alternativa e tendência, sonho de todo publicitário. A Apple domina o mercado mundial da música online, conquistou o mercado de tocadores e de smartphones: 8,75 milhões de iPhones foram vendidos no último trimestre. O iPad, mix de telefone e laptop, foi histericamente festejado nos EUA e é aguardado com o mesmo entusiasmo no resto do mundo.

A Apple é talvez único empreendimento do mundo que há décadas tem uma fanática torcida, milhões de pessoas para as quais é sinônimo de estilo.

A New York Magazine chamou Jobs de ‘iDeus’. No lançamento do iPad, a Economist o mostrava Jobs como um ícone católico.

Toda essa loucura tem muito a ver com design. Os produtos Apple são sóbrios, simples, descompromissados. Tem a ver com coragem. Poucas empresas pensam tão grande quanto a Apple. Provavelmente nenhuma renovou seus princípios com tanta frequência e profundidade.

Agora a Apple lança o iPad, o tablet com dimensões semelhantes às de uma folha A4 e espessura de um dedo. Há mais de uma década os concorrentes tentam lançar esse produto. Todos fracassaram. Mas o iPad é chique, cool e rápido. É a conhecida máxima: pegar uma ideia disponível e vesti-la de tal forma que as massas a consumam.

Tudo isso tem muito a ver com tempo e estilo, como queremos viver. Um iMac no escritório, um Macbook quando em trânsito, um iPad para consumir cultura e um iPhone para conectar os eternos adolescentes: é dessa forma que o ser humano do século 21 quer se ver e ser visto, o que já ocorre há muito tempo em Nova York, Tóquio, Londres, Berlim ou Hamburgo. Isto transforma Steve Jobs, hoje com 55 anos, no filósofo do século 21.

Pois Jobs, o sedutor em sua beca preta e jeans, cabeça erguida e óculos de metal, é o homem que define como queremos viver: ele impõe o que podemos ter e nos convence de que é isso o que queremos. Ele alterou o consumo das massas e mudou estilos de vida e, portanto, a cultura.

Estará Apple se tornando a empresa mais influente do mundo?

A primeira vez que Jobs faltou no trabalho foi em 2004. Estava com câncer no pâncreas. A operação iria salvá-lo, disseram os médicos, ele viveria, no mínimo, mais dez anos. Mas Jobs hesitava, o papa da tecnologia não confia na medicina tecnológica. Zen budista e vegetariano, preferia métodos alternativos. Por nove meses adiou a operação, enquanto o conselho discutia a necessidade de informar aos acionistas sobre a doença e os métodos de tratamento. Mas o conselho administrativo é composto de pessoas que veneram Jobs. Eles não disseram nada.

Em julho de 2004, Jobs foi operado. No dia seguinte, escreveu um e-mail aos colaboradores: esteve doente, com risco de vida, mas agora estava curado.

Cinco anos mais tarde, ele faltava novamente. Precisava de um novo fígado, que, obviamente, recebeu rápido. De um jovem que, aos 20 anos, morreu em um acidente de carro, como diz Jobs. Em meados de 2009, estava de volta ao seu reino, fazendo de conta que tudo estava como antes, mas não estava.

Jobs fazia falta e a Apple era uma coleção insegura de jovens. Se a empresa tiver que prosseguir sem ele, diz Andy Hertzfeld, o ‘mágico do software’, ela se tornaria melhor, pois seria menos temperamental e mais planejada. A Apple poderia reaprender algo como humildade, depois de um tempo.

O chefe, normalmente, não gosta de falar sobre si, muito menos de suas fragilidades.

Porém, naquela ocasião, em Stanford, quando se dirigia aos estudantes e fazia um discurso que parecia uma confissão, ele contava finalmente a sua terceira história. Sobre vida e morte.

Quando jovem, disse Jobs, ele leu a citação: ‘Se você vive todo dia como se fosse o último, um dia você terá razão’. Desde então, ele se pergunta se faz o que quer, como se fosse seu último dia. E caso a resposta for não, é preciso mudar algo.

Ele engoliu e continuou falando, que há um ano, às 7:30 esteve em um médico, o diagnóstico: câncer de pâncreas, incurável, três a seis meses de vida, ‘ponha as suas coisas pessoais em ordem’, disseram os médicos. ‘Eu vivia com o diagnóstico, naquela noite ainda faria uma biópsia’.

Os médicos examinaram o tumor e choraram. Uma operação poderia talvez salvá-lo, ele seria uma rara exceção, disseram eles.

Existe uma moral? Sempre há uma moral. ‘O tempo de vocês é limitado, não o desperdice vivendo a vida alheia, não se deixe limitar por dogmas, que são resultado do pensamento de outros. Não deixe que o barulho das vozes de outros sufoque a sua voz interna. O principal: siga seu coração e sua intuição, eles sabem o que você realmente quer ser.’

E, finalmente, encerrou o depoimento, com as seguintes palavras: ‘Continuem famintos. Continuem tolos.’ /Tradução de Harald Wittmaack’

 

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