Sábado, 04 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
Menu

ENTRE ASPAS >

Sérgio Lapastina

22/09/2005 na edição 347


‘Parece brincadeira, mas toda sexta-feira, justamente quando mais deveria escrever alguma coisa leve, descontraída, me provocam para algum assunto sério, pesado, que cutuca feridas… mas se é assim, se tem que ser assim, que assim seja.


Há algum tempo que desisti de brigar com grandes amigos que insistiam e ainda insistem em dizer que assessor de imprensa não é jornalista. Entre manda-los para aquele lugar – que era e é minha real vontade, para os que me conhecem – e começar uma eterna discussão que nunca vai chegar ao final e nem levar a nada…acabo não fazendo nenhuma das duas.


Os livros (e como todo livro, repleto de teorias de pouca aplicabilidade prática) dizem que assessoria de imprensa deve ser feita por profissionais formados em relações públicas, não por jornalistas. Esses e alguns caras que respeito (tipo o Eduardo Ribeiro e a Carmen Vasquez) e outros que não merecem nada além do desprezo profissional (tanto que estão desempregados sem chance nenhuma de arrumar uma forma decente de pagar suas contas e ficam escrevendo besteiras por aí, tipo o Delmar Marques) insistem nessa tese idiota e sem fundamento.


Alegam que o jornalista tem que ter liberdade de atuação e que atuando em uma empresa não podem ser isentos e imparciais. Usam como exemplo os assessores de imprensa ligados ao poder público (administração direta ou indireta, não importa), que não vão poder ter a tão falada liberdade ao exercer a profissão para seus patrões – até parece que os veículos de comunicação não são empresas, que anunciam e recebem anúncio. Parece que esses alienados da realidade, teóricos de plantão que rara e esporadicamente sentam a bunda em uma cadeira para trabalhar, preferindo a crítica pela crítica, não sabem que tem muito comercial por aí mandando e desmandando nas redações.


Nas faculdades, em qual especialidade tem a matéria assessoria de imprensa? RP? Não, Jornalismo.


Em qual sindicato há a Comissão de Assessoria de Imprensa? No Conrerp ou Conferp? Não, no de Jornalistas (abraços a amiga Mara Ribeiro que em agosto estará a frente do XX Encontro Estadual de Jornalistas em Assessoria de Comunicação – Jornalistas e não RPs).


Sabem o que a gente escuta quando liga para alguma redação e conversa com os profissionais de lá? Ah, que bom falar com jornalistas, que nos entendem e conhecem a profissão. Vê se eles falam isso quando algum rp liga tentando vender pauta (argh).


Jornalista é responsável pela informação e de como melhor faze-la de forma verdadeira à sociedade. Enquanto os jornalistas não se aperceberem disso, continuaremos a ser uma classe dividida e fraca.


Uma das mais antigas e improdutivas discussões é a relativa à ‘briga’ entre assessorias de imprensa e redações. Sobre isso inúmeros artigos, alguns radicais outros conciliatórios, já foram escritos; diversos debates nos mais diversos fóruns (envolvendo sindicatos, organizações, universidades e outras instâncias) foram realizados e, apesar dos avanços obtidos, a realidade é que ainda existe muito a ser vencido. Em meu ponto de vista, somos todos jornalistas, profissionais a serviço da Comunicação e da Informação, com um maravilhoso dom a nós concedido de transformar fatos em palavras, estas em informação e esta em conhecimento – na nobre esperança de que este venha a se transformar em fatos e ações, para que possamos novamente exercer o que melhor sabemos fazer.


É justamente por isso que a Assessoria de Imprensa da Sabesp tem como princípios de sua atuação a transparência e o respeito. Por isso que nossa prática tem sido a de – muitas vezes até mesmo brigando internamente – atender com agilidade e verdade à enorme quantidade de pedidos que nos chega diariamente de solicitações. Tenha absoluta certeza de que fazemos o possível e muitas vezes o impossível para fazer nosso papel de assessoria de imprensa e ajudar a que você e os colegas de redação façam o seu.


A base de nossa atuação tem sido, pelo menos nos últimos anos, a da parceria e do relacionamento com os veículos, sem importar o porte, a circulação ou qualquer fator que não seja a informação e a conscientização da sociedade. Mas, infelizmente, nem sempre isso é encarado dessa forma.


É como dizia meu avô: quanto mais se abaixa, mais aparece.


Muitas vezes, por mais que sejamos solidários, é preciso que as redações entendam que os executivos ou técnicos tem agendas ou compromissos já agendados ou realmente se encontram em eventos e lugares onde a maldita e ao mesmo tempo maravilhosa invenção chamada telefone celular não pega ou precisa ficar desligado. Em resumo: não é sempre que os nossos clientes estão disponíveis para uma entrevista.


Ok! Sei muito bem (por experiência e por convivência) que o jornal tem hora para fechar, que o programa da rádio tem hora para terminar, que o telejornal precisa dar lugar à novela (que por sua vez está atrasando o jogo de futebol), mas é preciso que o colega entenda que se a matéria é realmente tão importante e essencial, que ele deveria ter ligado um pouco antes.


De longe quero dizer que o jornalista de assessoria de imprensa trabalha em horário comercial – por vezes até trabalhamos mais do que nas redações, pois se as redações não param, precisamos estar atentos 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano para ver o que estão falando de nossos assessorados, nossos clientes e, por muitas vezes, de nós mesmos.


Por isso é que mais do que ficar trocando idéias sobre quem é mais jornalista do que o outro, quem é mais profissional ou mais capacitado, é preciso que pratiquemos o relacionamento, para efetivamente um quebrar o galho e ajudar ao outro a cada dia e a cada momento.


O que não se pode admitir (e aí, eu mesmo admito que se quiserem partir para a briga, vamos em frente que quero ver quem sai perdendo mais, nós assessores que ficaremos sem atender a este ou aquele veículos; ou este veículo que será furado por todos os outros por não ter informações dessa ou daquela empresa) é a quebra do acordo firmado entre as partes de que se a entrevista será concedida amanhã, a matéria não pode ser publicada colocando que a empresa não atendeu a reportagem ou não se manifestou a tempo ou que foi procurada até o horário do fechamento e não foi encontrada ou que ‘estamos ligando para a assessoria e ninguém atende’.


Ora, meus caros e invejosos colegas, nós trabalhamos sim 24 horas por dia, mas não trancados no escritório, mas nos celulares, em nossas casas e em mais um monte de lugares e números, plena e amplamente conhecidos de todos.


Portanto, como sempre foi e será, todas as vezes que a Assessoria de Imprensa da Sabesp for procurada para uma informação, entrevista ou esclarecimento, estará pronta para atender e resolver – dentro do possível e se passando este se for assim possível – a situação. E por isso espera que os veículos cumpram sua parte.


Não temos problema nenhum em ver ‘a Sabesp, procurada, não se manifestou sobre o assunto’, se realmente não quisermos (ou pudermos) nos manifestar. O que não admitimos é ver que tínhamos um acordo para a data da entrevista e, por algum motivo qualquer que certamente não é o da ética profissional, ele é quebrado e trocado por uma crítica estúpida e mal intencionada.’



TV DIGITAL


Renato Cruz


‘Governo tem plano B para TV digital ‘, copyright O Estado de S. Paulo, 22/09/05


‘Agora vai. Ou, pelo menos, parece. Com Hélio Costa, dono de rádio e ex-repórter do Fantástico, à frente do Ministério das Comunicações, finalmente deve ser dada uma solução para a TV digital brasileira. ‘Não haverá adiamento’, avisou ontem Joanilson Ferreira, secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, durante o evento SET 2005 Broadcast & Cable. A decisão está prevista para fevereiro do próximo ano.


O resultado, porém, não deve agradar muito aos pesquisadores brasileiros que trabalham no Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), sob a coordenação do CPqD, fundação privada que pertenceu à Telebrás. O ministério não está nada satisfeito com os trabalhos feitos até agora.


Tanto que já formou um grupo de trabalho para preparar um plano B, caso a pesquisa não dê o resultado esperado.’Se não estiver de acordo com o que esperam os participantes do mercado, vamos rever posições’, disse Ferreira.


O secretário descreveu uma situação difícil enfrentada pelo CPqD na semana passada, durante reunião no ministério com a participação das emissoras de TV. ‘Desde que colocaram a primeira lâmina da apresentação, apanharam, apanharam e apanharam…’, afirmou Ferreira. ‘Se eu fosse um desses gestores, sem resultados, nem iria à reunião.’


O ministro das Comunicações, Hélio Costa, solicitou aos participantes do SBTVD um relatório com resultados preliminares entre outubro e novembro. O relatório definitivo estava marcado para 10 de dezembro. ‘O tempo de pesquisas já terminou’, disse Ferreira. ‘O trabalho agora precisa ser avaliado pelos parceiros.’ No caso, as emissoras.


Em conflito com as operadoras de telecomunicações desde que assumiu a pasta, Hélio Costa é muito querido pelos radiodifusores, que se sentiam excluídos do processo de decisão sobre TV digital.


‘Cumprimento o ministro por sua postura correta, voltada ao setor, que não foi ouvido durante este governo e foi mal ouvido no governo passado’, afirmou Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes e da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra).


CELULAR


O ministro Hélio Costa disse à revista Tela Viva que celular não pode transmitir vídeo.


Esta, porém, não é a visão do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Elifas Gurgel do Amaral. ‘Pode sim’, disse Amaral.


‘Existe uma proposta mundial de convergência.’’


Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem