Quinta-feira, 09 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Serra monopoliza programa do DEM na TV

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 29/05/2010 na edição 591


Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 28 de maio de 2010


 


CAMPANHA


Serra ocupa metade do programa do DEM na TV


‘O tucano José Serra monopolizou ontem o programa partidário do DEM. Pré-candidato do PSDB à Presidência, ele consumiu 5 dos 10 minutos de programa. Foram dez aparições, sempre pontuadas por depoimentos em louvor a seu trabalho.


Por três vezes, foi martelado o slogan da pré-campanha: ‘o Brasil pode mais’.


Além de trechos do discurso de Serra durante o pré-lançamento de sua candidatura, o DEM apresentou obras do governo de São Paulo.


Embora presentes no ato, outros tucanos -como o ex-presidente Fernando Henrique- não apareceram.


O senador Agripino Maia (RN) chegou a citar o PT, ao comentar o programa exibido há duas semanas. ‘É triste ver o PT usar seu espaço de propaganda para semear a discórdia’, disse.


Para legitimar a exibição, numa tentativa de fugir da acusação de desrespeito à lei, a presença de Serra limitou-se a trechos do discurso, sob o argumento de que o evento também fora organizado pelo DEM.


O discurso funcionou, porém, como liga para cenas de exaltação ao pré-candidato. A menção do Rodoanel foi acompanhada por imagens e informações sobre a obra.


No programa -feito pelo coordenador de campanha de Serra, Luiz Gonzalez-, a participação do prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) foi dedicada à obra do tucano.


A pretexto de defender o trabalho em parceria, Kassab citou obras do Estado nas áreas de saúde e de educação profissionalizante.


Numa demonstração de que o pré-candidato pretende impor a segurança na agenda de debate, o contrabando de drogas esteve entre os temas explorados.’


 


 


REFORMA


José Sarney


Navegar sem mouse


‘Volto do exterior. Encontro a Folha de S.Paulo de roupa e alma novas. Obriga a habituar os olhos e a ver o futuro no e do jornal. É uma desafiadora ousadia. Nunca vacilei no meu dogma de que tudo acabará, menos o jornal e o livro, um e outro como instrumento de fugir da solidão, de conviver com pessoas e fatos.


Comecei a escrever aqui em 1983, logo após entrar para a Academia Brasileira de Letras. Parei para ser vice e presidente. Em 1991, na Cidade do México, recebo um telefonema. Era Octavio Frias de Oliveira [publisher da Folha, morto em 2007]. Convidava-me para assumir esta coluna às sextas-feiras. Não faltei uma só vez, com paixão. Nunca usei este espaço para tratar de assuntos pessoais, defesa ou ataque.


Houve um tempo em que se discutia ser possível fazer literatura no jornalismo. Sim. Basta um bom texto. Mas em coluna é sempre discutível.


O colunista é o historiador do cotidiano. O texto deve ser leve, os adjetivos, ques e porque são inimigos e só devem entrar em caso de absoluta necessidade. É preciso segurar o leitor com o tema, nunca afastado do dia a dia, e brincar com as palavras, para enganar o que é sério com capa de burlesco ou cômico, ferino ou inútil. E haja tantos gêneros de crônicas!


Destas colunas, já amealhei sete livros publicados, começando por ‘Sexta-Feira, Folha’ (1994), no total mais de 2.300 páginas. Assisti a várias reformas do jornal, como leitor e escritor. Sempre para melhor, mas nenhuma tão ousada quanto a presente. Desde a fusão das equipes da mídia on-line até à aspiração a um texto de qualidade para servir a uma ‘informação de qualidade’, em qualquer plataforma, como escreveu Otavio Frias Filho.


Mas, no testemunho destes anos, algo nunca mudou com as mudanças: os valores do pluralismo, o dever com o leitor e a notícia, o respeito ao direito de dizer e a resistência a patrulhas organizadas, hoje fáceis no mundo da internet, querendo cabeças.


O conceito de rede, a partícula fundamental do novo mundo da comunicação, trouxe os ‘smartphones’, ‘tablets’, torpedos, e-mail, Twitter, YouTube, comunidades virtuais; tudo isso seria o antijornal, o sem papel, e provoca o desafio de domesticar os meios de modo a que, integrados, sejam o jornal do futuro.


Polanco, publisher de ‘El País’, é cético: ‘Em dez anos desaparecerá o ‘El País’ atual e surgirá um outro tipo de jornal’, fugindo às imposições. E uma que ele mesmo cita é do governo Aznar, exigindo ‘apenas isto’ (cito): ‘Que Eduardo Tecglen deixasse de escrever no ‘El País’.


A Folha ousa adiantar-se e faz um jornal de como navegar com os olhos, sem mouse, integrando meio, forma e conteúdo. Haja coragem e criatividade.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Obama diante dos Brics


‘Na manchete do UOL, fim do dia, ‘Nova Estratégia dos EUA admite peso do Brasil’.


Em sua primeira Estratégia de Segurança Nacional, destacou o ‘New York Times’, Obama enfrenta a ‘realidade de um mundo fracionado’.


Na introdução, ele próprio escreve que ‘o peso de um século jovem não pode cair só nos ombros americanos’. O autor do relatório, o assessor Ben Rhodes, diz ao ‘NYT’ que o país está ‘profundamente comprometido em ampliar o círculo de atores responsáveis’.


Seriam eles, pela ordem, China, Rússia, Índia e, por fim: ‘Nós damos boas vindas à liderança do Brasil’. Por outro lado, diz o jornal, ‘o documento insiste: ‘Vamos manter a superioridade militar que assegurou o nosso país por décadas’.


Richard Haas, presidente do influente Council on Foreign Relations, publicou já ontem, antes de sair a Estratégia, o artigo ‘EUA precisam urgentemente de parceiros’.


Afirma que ‘os emergentes têm potencial para preencher a necessidade. A questão é se China, Índia, Brasil e outros estão preparados’.


TURQUIA EMERGENTE


A ‘Fortune’, em especial sobre investimento, com a ilustração acima, sugere evitar Europa e até a China. E priorizar, pela ordem, o Brasil (‘Disciplina numa terra de fartura’), a Índia (‘A jovem potência asiática’) e, novidade nas listas, a Turquia (‘A encruzilhada do mundo’)


HILLARY VS. LULA


No topo das buscas de Brasil pelo Google News, com a agência estatal France Presse, ‘Divisão na ONU aumenta sobre acordo Brasil-Turquia com o Irã’. O despacho abre com a crítica do primeiro-ministro Erdogan, em Brasília, à ‘inveja do sucesso diplomático’. Depois, relata que a secretária de Estado, Hillary Clinton, citou diferenças ‘muito sérias’ com o Brasil. Por aqui, da Folha.com ao G1, ‘EUA e Brasil têm sérias divergências, diz Hillary’.


Nos EUA, onde pouco ecoaram as declarações dos dois lados, a ‘Foreign Policy’ destacou artigo de Stephen Walt, professor de relações internacionais de Harvard, dizendo que não ‘compreende quem está realmente dirigindo a política dos EUA para o Irã’, que ‘não faz qualquer sentido’, pois se sabe que as sanções não teriam efeito.


RÚSSIA VS. IRÃ?


A americana Associated Press despachou de Moscou que o chanceler russo ‘repudia a crítica do Irã’ ao país, pelo apoio à sanções. A chinesa Xinhua foi por outra linha, também de Moscou, ‘Rússia considera bem-vindo o acordo no Irã, afirma chanceler’.


Na agência estatal russa RIA Novosti, ‘Rússia garante apoio para solucionar questão nuclear do Irã’, em telefonema do chanceler ao colega iraniano.


Eles querem que artistas como eu deixem o país, mas eu nunca vou sair. Esta é minha terra, eu vou ficar aqui e fazer filmes independentes e apoiar o que é justo.


AUTO-ESTIMA


A BBC produziu mais uma série de reportagens sobre o Brasil, agora do correspondente Matt Frei. Em suma, ‘este país tem algo que está em falta no resto do mundo: auto-estima’.


Entrevista o analista da FGV que identificou a ascensão da classe C -e, por outro lado, a primeira juíza negra de Salvador. Frei destaca que o debate sobre racismo ‘despertou’, afinal, no país ‘desacostumado’


MORREU


Manchete da Folha.com ao Terra, a decisão de Aécio Neves surgiu no portal mineiro Uai, do ‘Estado de Minas’, com o enunciado acima’


 


 


TELEVISÃO


Andréa Michael


‘Bela’ (Record) terá casamento católico


‘No capítulo final de ‘Bela, a Feia’, no dia 2 de junho, a protagonista da trama da Record, interpretada por Gisele Itié, casará com Rodrigo (Bruno Ferrari) em uma igreja católica. O fato é inusitado porque a emissora tem como acionista majoritário Edir Macedo, líder religioso da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus).


Para o decorrer da cerimônia, a autora,Gisele Joras, reservou um acontecimento que mantém sob segredo. As cenas serão gravadas neste amanhã, no Rio.


A autora entregou o texto final à direção da emissora na quarta, com os detalhes da cerimônia católica, na qual Bela irá ao altar, diante de um padre, vestida de véu e grinalda. Não houve veto.


Outra surpresa: Bela terminará a novela com um terceiro visual: nem mocoronga, como no início, nem chiquérrima, como Valentina. Resgatará os óculos e a tiara.


A transformação ocorrerá depois que, ainda na pele de Valentina, ela contar aos colegas de agência que na verdade é Bela, a ex-feia. Nesse momento vai se montar com os acessórios, que por mais de cem capítulos camuflaram a bela Gisele Itié.


Passaporte Como sempre fazem, diretores da Globo aguardaram a estreia da programação -e neste ano também esperaram ‘Passione’- para tirar férias. Juntaram esta semana com a próxima. Passeiam o diretor-geral, Octávio Florisbal, o de entretinemento, Manoel Martins, e o comercial, Willy Haas.


Berimbau No ‘FTV News’ de hoje (Fashion TV, às 21h), Caetano Veloso conta que sua cantora predileta da nova safra é Roberta Sá e que foi condecorado com título de Hóspede de Honra da Cidade de Buenos Aires.


Urna O Bradesco pagará R$ 8 milhões por pílulas de comerciais ao longo da cobertura das eleições do SBT, de julho ao utubro. Inclui debate.


Cortina A grade 2010 que a CNT lança em junho traz a série inédita no Brasil ‘Mulheres Assassinas’, uma produção argentina baseada em histórias reais, sempre com uma protagonista diferente. No ‘CNT Repórter’ a temática serão enigmas seculares.


Vertigem Apresentadora do ‘A Tarde É Sua’ (Rede TV!), Sonia Abrahão, está chateada. Não poderá acompanhar como gostaria a transmissão em 3D da emissora. ‘Eu tenho labirintite e me dá tontura.’


Estrada O ESPN exibe domingo o documentário ‘Caravana do Esporte Brasil África do Sul: direitos humanos no país da Copa’. Foram dez dias em contato com instituições que usam esporte e arte para em trabalho com crianças.’


 


 


Clarice Cardoso


Banho de sangue encerra boa temporada de ‘Grey’s Anatomy’


‘Nem dez minutos se passaram no episódio que encerra o ano de ‘Grey’s Anatomy’ e uma médica está morta enquanto um protagonista se arrasta, sangrando. É um banho de sangue, à ‘Tiros em Columbine’, e um dos melhores finais de temporada do seriado, visto por 15 milhões de pessoas nos Estados Unidos.


O especial de duas horas da atração, que acompanha cirurgiões em um hospital de Seattle, começa com Meredith (Ellen Pompeo) alegre e serelepe com a vida.


Mas isso muda rapidamente quando um viúvo invande o hospital para matar os médicos da mulher. Ele atira para todos os lados e aponta a arma literalmente para todo o elenco principal. Quando a primeira parte acaba, outro protagonista acaba de ser atingido.


(Se não quiser saber de nada antes de ver o episódio, melhor parar de ler por aqui.) Apesar de deixar Alex (Justin Chambers) e Derek (Patrick Dempsey) bem mal, não mata ninguém importante.


Pelo contrário: só livra a série dos triângulos amorosos que ameaçavam retomar o mesmo drama de anos anteriores e resolve bem ideias ruins, como a de trazer novos médicos com a integração dos hospitais, assassinando dois deles.


E se livrar de personagens chatinhos, o exemplo de Izzie (Katherine Heigl) mostrou, costuma funcionar bem para dar fôlego à história.’


 


 


TECNOLOGIA


Apple aumenta a liderança em vendas de música nos EUA


‘O iTunes (a loja virtual da Apple) continuou a aumentar a sua liderança no mercado norte-americano de música e representa agora 28% das vendas desse segmento, levando em conta tanto arquivos digitais como CDs.


A empresa, que estaria sendo alvo de investigação pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ganhou quatro pontos percentuais em participação de mercado em relação ao primeiro trimestre de 2009, segundo pesquisa da consultoria NPD.


De acordo com o ‘New York Times’, o governo americano investiga se a Apple vem usando a sua posição de líder para pressionar as gravadoras a não darem para a Amazon.com acesso exclusivo à música a ser lançada.


Ainda que distante, a Amazon vem se delineando como a principal rival da Apple nesse mercado. Ela contava nos primeiros três meses deste ano com 12% do mercado americano de música, ante 9% no começo do ano passado, e está empatada com o Walmart no segundo lugar.


Diferentemente da Apple, que vende somente arquivos digitais, a Amazon também comercializa CDs.


‘O crescimento da Amazon reflete uma posição expressiva tanto no formato digital como em CDs’, afirmou Russ Crupnick, analista da empresa responsável pelo estudo. ‘Essa atuação nos mercados digital e de CDs ajuda a atrair o comprador de música mais valioso e mais dedicado, que prefere ter acesso a ambos os formatos.’


Quando é levado em conta apenas o mercado digital, o iTunes tem 70% do mercado americano, ou um ponto percentual mais do que entre janeiro e março do ano passado. Como a participação da Apple ficou praticamente estável, o seu crescimento no mercado total é explicado pela queda nas vendas de CDs.


Já a Amazon aumentou a sua participação em 50%, para 12% das vendas digitais, em relação ao primeiro trimestre de 2009.


As vendas de arquivos digitais continuam a se aproximar das de CDs e no primeiro trimestre representaram 40% das músicas comercializadas nos Estados Unidos, elevando em cinco pontos percentuais a sua participação no mercado total.


Na venda de CDs, o líder nos EUA é o Walmart, com 17% de participação.’


 


 


 


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