Quarta-feira, 27 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
Menu

FEITOS & DESFEITAS >

‘O Globo’ adota modelo multiplataforma

Por Renata Batista em 12/11/2013 na edição 772

Sob o conceito “Mais do que uma assinatura, um novo modelo de relacionamento com você”, o jornal “O Globo” lançou no fim de semana sua nova estratégia de negócios, que contempla pacotes de assinatura multiplataforma e um programa de benefícios – o Sou + Rio – por pontos, nos moldes das companhias aéreas. Para o diretor-geral da empresa, Marcello Moraes, trata-se de uma aposta no aumento da interação com o leitor. “O objetivo é estar presente no dia a dia do leitor 24 horas e não apenas no começo da manhã, como ocorre com o produto impresso”, disse Moraes.

Nos novos pacotes, o leitor terá acesso a todo o conteúdo de “O Globo”, que inclui jornal diário, site, acesso ao acervo digitalizado desde 1925, o vespertino para tablet “Globo a Mais” e e-books, como o recente título sobre o estádio do Maracanã. O Sou + Rio substitui o Clube do Assinante, que funcionava como um clube de desconto, e, agora, terá o perfil de um clube de privilégios. O cliente ganha pontos ao acessar conteúdos, comentar reportagens, enviar informações, fotos etc. Os pontos poderão ser trocados por entradas de cinemas e teatros, lugares privilegiados em espetáculos e produtos.

“Observamos o uso dos dispositivos, o comportamento do consumidor e os modelos de negócios adotados no mundo. Concluímos que apenas o ‘pay wall’ não era suficiente e que precisávamos ofertar mais do que isso ao assinante”, afirma Moraes. “Pay wall” é o modelo pelo qual o leitor paga para acessar o conteúdo depois de ultrapassar um determinado volume de reportagens ou número de cliques no site. “No nosso modelo, quanto mais interação, mais pontos”, disse o executivo.

Na prática, o jornal está ampliando o relacionamento com os assinantes digitais – que não tinham acesso ao antigo Clube do Assinante – e incentivando a utilização de novas plataformas e produtos pelos assinantes do jornal impresso. A migração dos dois grupos, que somam cerca de 240 mil assinantes, para o novo modelo é automática, mas as pesquisas feitas pelo jornal indicam potencial para ampliar a base de assinaturas com o novo modelo, mantendo o foco nas classes A e B.

Canais digitais

Para o diretor-geral de “O Globo”, o jornal impresso ainda existirá por muito tempo. “Como toda a indústria, não estamos saindo do impresso para o digital, mas para um modelo multiplataforma.”

O novo modelo de negócios incluiu o desenvolvimento de uma nova plataforma para dispositivos móveis. Antes disponível apenas para iPad, o novo sistema inclui todos os celulares e tablets com os sistemas operacionais Android, do Google, e iOS, da Apple. Um sistema foi desenvolvido pela Adobe – a companhia americana por trás de softwares como o Photoshop – permite a leitura do jornal, inclusive no layout impresso, em qualquer um desses dispositivos.

O jornal impresso permanece como um componente essencial na transição do modelo de negócio. Cerca de 60% da receita publicitária de “O Globo” permanece concentrada na edição em papel, uma porcentagem menor que a de grandes jornais internacionais, como o “The New York Times”, no qual essa fatia chega a 90%. “Nosso desafio é fazer uma transição para um modelo de negócios sustentável no futuro”, afirmou Moraes.

O lançamento do novo pacote conta com uma campanha publicitária em TV, com filmes de 30 segundos que foram ao ar ontem [domingo, 10/11], pela primeira vez, em intervalos do “Fantástico” e do humorístico “Sai de Baixo”, da Rede Globo. A campanha inclui, também, peças no próprio jornal e nos canais digitais. Em uma segunda etapa, uma campanha de sustentação dará maior visibilidade aos produtos individualmente. A assinatura de todo os conteúdo digital custará R$ 29,90.

******

Renata Batista, do Valor Econômico

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem