Domingo, 31 de Maio de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

A casa caiu

Por Fernando Schweitzer em 15/02/2011 na edição 629

Um rápido compilado de nossa realidade atual e de que porcaria de país dos sonhos os governos FHC-Lula construíram. Lendo a Folha hoje – nem falo das matérias de outros dias, hoje e não mais –, quase tive um infarto. Eis algumas das notas que me ‘comoveram’ neste dia.

Folha 1 – ‘O governo estuda elevar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) das compras no exterior com cartão de crédito de 0,38% para mais de 4%, informa a reportagem de Valdo Cruz e Sheila D´Amorim publicada na edição desta terça-feira.’

Folha 2 – ‘O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse nesta terça-feira (08/02) que o governo está disposto a ceder na negociação sobre a correção do IR (Imposto de Renda), mas manterá a proposta de R$ 545,00 para o salário mínimo.’

Folha 3 – ‘A TV Cultura anunciou nesta segunda-feira por meio de comunicado oficial divulgado à imprensa a demissão de 150 funcionários da empresa. Segundo o comunicado, o corte foi feito para adequar o quadro ao `projeto de reestruturação da emissora´ e reduzir custos.’

Em agosto de 2010, o novo presidente da Cultura, João Sayad, negou boatos surgidos à época de que a emissora passaria por demissão em massa. ‘Não há nenhum plano de demissão de ninguém. A não ser que haja necessidade de trocar um por outro melhor, nós faremos’, declarou Sayad.

Cultura e inclusão social na contramão

Parece que encontraram uma forma de recuperar o rombo da CPMF? Não! É mau caratismo e capitalismo mesmo. Pobres dos que outrora acreditavam que FHC fora de esquerda, tendo estudado em Harvard, ou que Lula sendo sustentado por sindicatos capitalistas também o seria. Nesse afincá louco me marejo. Quem nesse país onde não é necessário inflação para que as coisas sejam caras, conseguirá viver com R$ 545,00 por mês? Se só a passagem de ônibus custa em média R$ 3,00, multiplicado por 26 dias de trabalho, ida e volta já somam os R$ 156,00. O preço da cesta básica subiu em 14 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em janeiro. Em comparação a dezembro, o valor caiu apenas em Curitiba (2,79%), São Paulo (1,47%) e Recife (0,32%). A maior alta ocorreu em Brasília, onde o conjunto de bens essenciais ficou 9,41% mais caro.

Mesmo após o recuo de preços em janeiro, São Paulo permanece com a cesta básica mais cara do país, em R$ 261,25. Em seguida, vieram Manaus (R$ 255,80) e Brasília (R$ 255,65). Os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 182,76, o único lugar com valor menor que R$ 200,00) e João Pessoa (R$ 200,21). O Dieese notou que, para comprar a cesta básica em janeiro, um trabalhador que ganha salário mínimo precisou de 95 horas e 3 minutos de sua jornada. Em dezembro de 2010, porém, foram necessários 98 horas e 11 minutos.

Talvez por isso, o investimento em cultura e inclusão social esteja na contramão dos países verdadeiramente desenvolvidos e de muitos vizinhos do famigerado Mercosul. Por ‘lás’, o investimento é crescente, por nossos ‘aquis’? Melhor não mais falar nada, antes que me acusem de anti-patriótico.

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Ator, diretor teatral, cantor, escritor e jornalista; de Buenos Aires

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