Terça-feira, 07 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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A piada de que a Globo não riu

Por Samira Moratti em 22/06/2010 na edição 595

As redes sociais são a nova arma contra a censura velada de alguns veículos da imprensa. Prova disso é o recente movimento ‘Cala a boca, Galvão’ propagado pelo Twitter. Várias teorias foram pregadas para elucidar a novidade, desde um clipe da cantora internacional Lady Gaga até um movimento ambientalista pró-aves, intitulado ‘Save Galvão Birds Campaign’.

No entanto, o movimento teria iniciado após a abertura da Copa, quando usuários chateados começaram a disparar a frase no Twitter. O motivo seria os comentários quase ininterruptos do narrador Galvão Bueno que atrapalhavam os telespectadores a acompanhar os shows transmitidos pela emissora.

A brincadeira dos twitters, encarada como piada interna brasileira, chamou a atenção de usuários de outros países ao aparecer na lista de Trending Topics brasileira. Apesar do sucesso, a Globo até então se reservou e resolveu não dar atenção ao assunto.

Curiosos em saber do que se tratava, twitters do mundo inteiro retuitavam a frase que acabou por fazer parte dos Trending Topics mundial. Jornais como El País e New York Times publicaram notícias explicando o que seria a frase quando, finalmente, a Globo publicou uma notícia em seu site informativo G1 com a seguinte linha de apoio: ‘Ele se divertiu com a brincadeira e resolveu apoiar o movimento.’ Na notícia, o próprio Galvão Bueno depõe que se diverte com a história criada em torno de seu nome. Ainda com o objetivo de tentar confirmar a adesão da emissora ao movimento foi criado o ‘Fala, Galvão!‘, para contrapor a campanha pregada pelos twitters.

Todavia, o fato de supostamente Galvão aderir à brincadeira gerou controvérsias na web. No início do jogo em que a Seleção Brasileira estreou na Copa, no dia 15 de junho, telespectadores puderam identificar na torcida uma faixa com a frase. Minutos depois a faixa teria sido retirada, acarretando suspeitas de censura no controverso apoio da Rede Globo ao movimento.

Em virtude da suspeita retirada da faixa, a emissora informou em nota que nega o boicote à campanha, como noticiou a Folha.com:

‘A TV Globo afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, não ter a intenção de boicotar a campanha Cala Boca, Galvão. A febre na internet se tornou um dos assuntos mais comentados nos primeiros dias da Copa do Mundo. A emissora deu espaço para a polêmica na noite de ontem, debatendo o Cala Boca, Galvão no programa `Central da Copa´, apresentado por Tiago Leifert. A Globo afirma também não ter sido responsável pela retirada de uma faixa com a mensagem a Galvão Bueno durante a estreia da seleção brasileira no mundial. O adereço, exibido pela arquibancada, estava colocado pouco acima das placas de publicidade.’

É inegável que a emissora se mostrou um tanto quanto ressabiada com o poder da rede social, garantindo voz aos seus usuários. Em um momento no qual o Brasil lidera o uso de mídias sociais, o fato apresenta a força dessa modalidade de sites de relacionamento em detrimento do poder exclusivo antes garantido a poucos veículos, especialmente à televisão.

Não há como negar que com o advento da internet e posteriormente das mídias sociais o internauta passou a deter mais informação. Sorte para nós, que passamos a obter vários canais de informação e azar e falta de audiência e credibilidade para meios que ainda se apoderam de métodos como a censura para ludibriar e alienar o público.

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Jornalista, Florianópolis, SC

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