Sábado, 06 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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Por Luiz Egypto em 30/06/2015 na edição 857

Com esta edição, de número 857, despeço-me do Observatório da Imprensa online, que editei nos últimos 16 anos e alguns meses. Antes de assumir o posto de redator chefe (um misto de editor geral e gerente deste site), minha integração ao projeto se dera como responsável pela edição impressa do OI, que circulou mensalmente por 29 edições, a partir de julho/agosto de 1997. Agora, olhando para trás, constato que é muito, muito tempo. É mesmo chegada a hora de passar o bastão.

Aprendi a gostar de jornais lendo o Jornal do Brasil no fim da década de 1960; petrifiquei de emoção com a primeira página sem manchete e sem foto do JB de 12 de setembro de 1973, sobre o golpe de Augusto Pinochet, no Chile; deliciei-me e aprendi à beça, a cada semana, entre julho de 1975 e setembro de 1977, com a leitura da coluna “Jornal dos Jornais” nas edições dominicais da Folha de S.Paulo; e tive, por fim, a ventura de conviver, trabalhar e privar da amizade de Alberto Dines, o jornalista que esteve por trás daqueles marcos de minha memória jornalística e o inspirador e mentor deste Observatório. Sou, por isso, um privilegiado.

Privilégio também foi participar de um projeto como o do Observatório da Imprensa, que prestes a completar vinte anos de atividade ininterrupta pode se orgulhar de ter contribuído decisivamente para a qualificação do debate sobre a mídia no Brasil. Este é um site jornalístico cuja pauta primordial é a crítica de mídia; em concomitância – e aí está o pulo do gato –, é um fórum de discussão sobre o jornalismo, a imprensa e a comunicação aberto à participação da cidadania. Essa norma é uma cláusula pétrea de sua política editorial. Não foram poucas as vezes que publiquei artigos com os quais não concordava um pingo, mas tinham espaço garantido no Observatório porque era nossa obrigação publicá-los. Aí reside o segredo da longevidade de um veículo jornalístico ao mesmo tempo plural e diversificado, embora a sua agenda, pauta e conteúdo não necessariamente interessem a uma grande massa de leitores. Essa abertura a opiniões diversas, ao debate e ao contraditório está no corpo e na alma deste site, tal como Dines o concebeu na primeira metade dos anos 1990. E eu me orgulho por ter sido um dos responsáveis pela manutenção dessa linha editorial radicalmente anti-sectária.

Esses últimos vinte anos que coincidem com o nascimento e consolidação do projeto do Observatório da Imprensa foram e têm sido tempos velozes e vorazes, alinhados com a mais profunda transformação por que passaram a imprensa, o jornalismo e a mídia como um todo desde que Gutenberg inventou a tecnologia de impressão com o uso de tipos móveis. Variados relatos e reflexões sobre as perplexidades, os impasses e as formulações daí advindos estão nas páginas do Observatório.

E como o tempo não para, convém seguir o tempo. É hora de uma nova etapa para o OI. Sou grato aos companheiros de jornada, à minha valente equipe, aos colunistas e aos colaboradores frequentes, tantas pessoas do bem que evito nominar para não incorrer em esquecimentos injustos. Foi muito bom tê-los por perto. Até mais.

***

Luiz Egypto é jornalista

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