Quinta-feira, 09 de Julho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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FEITOS & DESFEITAS >

Cada um com seu cada qual

Por Raphael Pontes em 18/05/2010 na edição 590

Ética. Praticamente todos os profissionais têm um código que pouco é seguido e que muito é cobrado. Cada categoria profissional, na verdade, se preocupa mais com a ética do vizinho do que com a sua própria, e talvez isso seja a mola propulsora que mantém os códigos sempre atualizados e respeitados.

Grande parte dessas preocupações com a conduta alheia transforma-se em pilhas de processos a serem julgados pelo judiciário. Muitas desses processos podem ser referentes à classe jornalística. Afinal, quem nunca ouviu falar que para ser um bom jornalista é preciso ter um processo ‘nas costas’?

Os jornalistas muitas vezes são tachados de fofoqueiros, intrometidos, sem educação e noticiadores de fatos distorcidos. Temos que reconhecer a existência de muitos profissionais sensacionalistas na Comunicação, mas em todas as áreas sempre haverá profissionais que menos se destacam e querem encontrar meios fáceis de ganhar dinheiro. No caso do jornalismo, partem para a espetacularização, a editorialização da notícia e o sensacionalismo seguido de muita invasão de privacidade.

Tempo de reflexão

Muita gente acredita que cada um deve saber o que é certo e o que é errado e que não é preciso ninguém determinar o que deve ser feito ou dito, mas acredito na ética em forma de código, nem que seja para discutirmos a sua eficácia e validade, assim como debatemos a subjetividade e a objetividade no texto jornalístico. A ética é importante pelas reflexões que provoca.

As críticas feitas aos profissionais da Comunicação devem nos levar, antes da apaixonada defesa deste profissional, a um debate sobre os nossos limites éticos e sobre os (des)caminhos atuais de nossa profissão. O fato de não ser mais exigido o diploma para o exercício da profissão, por exemplo, prejudica-nos ou pode nos levar a um aprimoramento de nosso trabalho, através de um maior empenho e preparo?

Não é fácil ser jornalista, isso todos sabemos. É preciso ter muita coragem para enfrentar os desafios e limites da carreira. Debaixo de chuva ou sol, temos que apurar os fatos e repassá-los em forma de notícia, a mais fiel possível. O que não pode ser olvidado é que temos grande importância na sociedade atual. Os diálogos das pessoas são mediados pelo que ouvem no noticiário, a rápida transmissão de dados traz ao nosso conhecimento informações sempre novas acerca do que ocorre no Rio de Janeiro ou em Taiwan.

O fortalecimento desta profissão, e o respeito que todos esperamos da sociedade, passa pelas reflexões que nós devemos fazer sobre nós mesmos, profissionais ou futuros profissionais da área, e sobre os resultados que esperamos de nossa atuação. É apenas para receber um salário no fim do mês, ou este trabalho é importante pelos efeitos que produz, pela necessidade de informação que todos temos, pelas verdades que podemos dizer?

Este texto, antes de oferecer uma resposta a estes e outros questionamentos, oferece uma reflexão. Cada um com seu cada qual e, ao mesmo tempo, todos juntos pela comunicação.

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Acadêmico de Jornalismo da UFT

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