Segunda-feira, 01 de Junho de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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O veneno de “amigos”

Por George Felipe de Lima Dantas em 13/03/2012 na edição 685

Mais um final de semana de violência extrema no Distrito Federal (DF) – a violência dos homicídios. As vítimas desses crimes, na maior parte das vezes, são pessoas comuns da comunidade. Não são criminosos “marcados para morrer” ou membros de grupos rivais em sabido enfrentamento.

Elas passam a ser “novos números”, em uma contabilidade macabra de espancados até a morte (“Homem é espancado até a morte e corpo é jogado dentro de contêiner de lixo”, Jornal de Brasília, 04/03/2012), de crianças, adolescentes e idosos abatidos por disparos de armas de fogo (intencionalmente ou “ao caso”, segundo notícias diversas publicadas na mídia local do DF), de esquartejados (“Policiais encontram corpo esquartejado em Brasília”, Jornal de Brasília, 04/03/2012) e até mesmo “queimados vivos” (“Morre morador de rua queimado por jovens enquanto dormia”, Jornal de Brasília, 26/02/2012).

Provocadas pela mídia, as autoridades do setor prometem (sinceramente) intensificar a presença e atividade policial, realizar novas operações preventivas etc. Ainda assim, parece pouco provável alterar esse quadro de violência extrema, seja em termos de prevenção ou mesmo repressão direta contra as múltiplas ocorrências letais de um verdadeiro surto de violência extrema que fica expresso em homicídios cada vez mais brutais.

Droga vem de “países amigos”

Mas existe algo que pode ser intuído como traço frequentemente comum dessa “epidemia silenciosa”: a presença de drogas ilícitas (constituindo um verdadeiro “padrão” de um surto de violência apenas aparentemente de causa aleatória). Entre essas drogas está a cocaína na sua apresentação mais comum nos dias atuais – o crack.

Parece não haver “policiamento efetivo”, na forma mais numerosa ou abrangente com que seja utilizado, capaz de conter o imenso potencial de violência do fenômeno que abrange o tráfico, utilização e consequências sociais das drogas ilícitas. Paradoxalmente, a cocaína que aflige a comunidade do Distrito Federal não é produzida em Brasília, nem no Distrito Federal, muito menos no Brasil. São bem conhecidas as fontes de origem (Bolívia, Peru e Colômbia) desse verdadeiro “veneno social”, do qual resultam vítimas em números semelhantes aos de uma verdadeira guerra aberta e declarada.

A cocaína, que mata direta ou indiretamente milhares de brasileiros, vem de “países amigos”. É o veneno de “amigos”, envenenando e matando amigos.

***

[George Felipe de Lima Dantas é professor, Brasília, DF]

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