Sábado, 08 de Agosto de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1074
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ENTRE ASPAS >

Esther Hamburger

02/11/2005 na edição 353


‘A estréia de ‘Mandrake’, série brasileira produzida e exibida pela HBO, vem repercutindo. Motivos não faltam.


O trabalho é baseado na obra de Rubem Fonseca, dirigido pelo filho do autor, José Henrique Fonseca, e realizado pela sua produtora independente, a carioca Conspiração, que atua -com bossa e competência -em publicidade, cinema e TV.


Para além do pedigree mais aparente e do cuidado de produção já apontados, a série sugere uma possível semelhança com a bem-sucedida ‘Sex and the City’ (1998-2004). Bem situada no Rio de Janeiro de hoje, com uma ligeira pitada de bom humor, ‘Mandrake’ poderia ser considerada uma versão masculina, meio retrô, do seriado norte-americano, também originário na HBO.


Marcos Palmeira, muito à vontade como o protagonista, dá o tom. Seu Mandrake, como a Carrie de Sarah Jessica Parker, narra a história em tom confessional, em off e na primeira pessoa: ‘Esse aí sou eu, advogado criminalista. Não julgo, tento entender’.


O personagem transita da alta sociedade ao submundo carioca. Sem preconceitos, se envolve com putas, empresários e artistas. É o cafajeste, malandro, herói, anti-herói; um tipo simpático e charmoso, politicamente incorreto, que povoa a ficção literária e cinematográfica brasileira.


De maneira análoga à heroína bem-sucedida de ‘Sex and the City’ -que compartilha com o público as confidências de suas melhores amigas, mulheres dotadas de tipos variados de sensibilidade feminina, nova-iorquinas do limiar do século 21-, Mandrake penetra o universo da subjetividade masculina de um Rio de Janeiro que ainda existe, mas que já estava lá nos anos 50.


As aventuras do advogado detetive são recheadas de revelações pessoais, suas e dos comparsas mais próximos. O personagem se vangloria de inúmeras conquistas. Um pouco como as garotas modernas da crônica de costumes estrangeira, que fez a cabeça do público brasileiro, os machos cariocas esbanjam indiscrição.


Mandrake e seu melhor amigo, o policial Raul (Marcelo Serrado), vão ao banheiro juntos. O lugar é perfeito para fazer as pazes. Mandrake um dia traiu o amigo roubando-lhe o amor de sua vida, para abandoná-lo em seguida.


Já com o sócio Wexler, mais velho (Miele em ótima atuação), o jovem profissional se instrui sobre as aventuras do pai morto, de quem segue cuidadosamente os passos e a profissão.


A mistura é curiosa. Os dois seriados buscam inspiração nas cidades em que as histórias se passam. Ambos se esmeram no tratamento da intimidade. ‘Mandrake’ apresenta um capricho a mais na fotografia em tom noir.


As diferenças realçam o inusitado das semelhanças. Um, no registro da comédia, cheio de luz chapada, lida com perspectivas femininas em tempos de liberação sexual. O outro, em tom de policial, trata de pontos de vista masculinos convencionais. O seriado, à diferença de sua base literária, introduz, com muita sutileza, algum humor no tratamento desses personagens homens, cheios de amor para dar.


‘Mandrake’, como outros trabalhos patrocinados pela HBO no Brasil e na América Latina, representa um esforço rumo a um formato que ainda estamos para dominar, o do seriado.


Rubem Fonseca é autor bastante adequado para esse experimento, mestre no gênero policial, igualmente pouco enraizado por aqui. O trabalho literário do pai abriu o caminho. O personagem-título tem carisma. O filho, diretor de cinema, com Toni Bellotto e Felipe Braga, escreveu os dois últimos episódios. A série pode pegar, especialmente se ousar ganhar autonomia frente à âncora do texto original.


Esther Hamburguer é antropóloga e professora da ECA-USP.’



BELÍSSIMA


Daniel Castro


‘‘Belíssima’ perde Chico e explode avião’, copyright Folha de S. Paulo, 1/11/05


‘Chico Buarque não será mais autor da música-tema da novela ‘Belíssima’, que estréia na próxima segunda. O compositor não entregou a tempo a música que a Globo lhe encomendara. A emissora esperou até a última sexta.


A voz de Chico deverá ser trocada pela de Ney Matogrosso, que gravou uma música (‘Belíssima’) composta por Adriana Calcanhotto especialmente para a novela. A Globo pode se decidir também por ‘Bonita’, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, gravada por Daniel Jobim, neto de Tom.


A assessoria de Chico diz que ele não se comprometeu com a Globo a compor o tema de ‘Belíssima’, mas que iria tentar fazer um.


A explosão de um avião Cessna 170 dará o toque de superprodução ao primeiro capítulo de ‘Belíssima’. Os pais de Júlia (Glória Pires) morrem no acidente.


Segundo Denise Saraceni, diretora-geral de ‘Belíssima’, a produção levou seis meses para arrumar em clubes de aviação uma carcaça de um Cessna 170.


Na gravação, que tomou cinco dias e foi refeita três vezes, foram empregados um avião de verdade (que sobrevoou com elenco) e a carcaça, com dublês. Presa por cabos a três guindastes, a carcaça vôou cem metros e bateu no telhado cenográfico de uma casa. Depois, se arrastou de barriga por 30 metros e bateu numa árvore, ‘explodindo’. Para gravar cenas com ‘destroços’ da explosão, foram usadas peças de um terceiro Cessna 170, recolhidas de ferro-velho. ‘Batemos um avião de verdade’, diz Saraceni.


OUTRO CANAL


Bamba A Globo vetou um comercial em que a atriz Juliana Silveira aparecia interpretando Flor, sua personagem em ‘Floribella’. O comercial vendia CD da novela da Band. A Globo tem como política não aceitar anúncios que atores interpretam seus personagens. A regra vale tanto para os atores da casa como para os da concorrência.


Áudio A HBO destinou mais de R$ 6 milhões a ‘Mandrake’, sua primeira produção no Brasil, a cargo da Conspiração Filmes. Mas o primeiro episódio da série foi ao ar com um problema de montagem. O que os personagens diziam não estava exatamente sincronizado com seus movimentos de lábio. Até parecia dublagem.


Paz 1 O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) chegou a um acordo com a Record, que processava por causa de um programa em que a emissora acusava o banco de ser ‘ralo do dinheiro público’, por causa de plano de socorro à mídia.


Paz 2 Pelo acordo, a Record, em vez de exibir um direito de resposta de 20 minutos, fará 40 inserções de 30 segundos de comerciais do BNDES, de graça. O BNDES desistiu do direito de resposta porque ele teria de ser feito por Carlos Lessa, seu ex-presidente.


Adeus O ‘Programa Raul Gil’, que durante algum tempo foi uma pedra no sapato de Luciano Huck, se despediu da Record no último sábado marcando nove pontos, contra 15 do ‘Caldeirão’ (Globo).’



TV DA GENTE


Keila Jimenez


‘Netinho faz acordo internacional’, copyright O Estado de S. Paulo, 2/11/05


‘O apresentador, cantor e empresário Netinho acaba de fechar uma parceira com o canal de TV do lutador Evander Holyfield e do irmão de Michael Jackson, Marlon Jackson, e com uma da maiores produtoras de conteúdo black internacional, a Trace TV.


Pelo acordo, a TV da Gente, canal idealizado por Netinho que deve estrear no dia 20, terá acesso a shows e programas com grandes nomes do hip-hop, talk shows, clipes e atrações com nomes da cultura black internacional. O conteúdo será fornecido pela Trace TV, que tem produções na França, Japão, Alemanha e EUA e pela Black Family Channel, canal de TV americano de Holyfield, Jackson e Robert Townsend, que produz além de musicais, infantis e esportivos voltados para o público negro.


O conteúdo tem total identificação com a proposta inicial do TV da Gente, que nasce com a promessa de valorizar a diversidade cultural e olhar para os interesses dos telespectadores negros.


Com produções locais em andamento e a compra de recheio internacional, o TV da Gente estaria pronto para estrear com força total, se não fosse por um probleminha: a sua retransmissão. Com base no Ceará, em UHF – onde a concessão foi conseguida – , o canal de Netinho luta por espaço para ser retransmitido a várias capitais por outros canais. Netinho está em Brasília negociando com emissoras em UHF e tentando também abrir as portas da TV paga para a sua iniciativa. Missão difícil e sem muitos resultados por enquanto.


Para dar uma forcinha ao canal, Netinho estuda a idéia de apresentar uma atração no TV da Gente, o que depende da liberação da Record. Essa é uma das cláusulas a ser negociada com a emissora na renovação de seu contrato, que termina em maio.’



PROJETO 48


Suzana Uchôa Itiberê


‘Versão carioca do Projeto 48’, copyright O Estado de S. Paulo, 2/11/05


‘Projeto 48 é uma corrida contra o tempo. O reality show que a TNT exibe a partir de hoje, às 19 horas, mostra a loucura que é rodar um curta-metragem em dois dias. A apresentação é de Leandro Firmino da Hora, o Zé Pequeno de Cidade de Deus. Funciona da seguinte forma: a TNT recebe cerca de 200 roteiros inscritos, elege os quatro ou cinco melhores, entrevista o grupo (formado por três pessoas) para ver se está apto a fazer o filme nessas condições e então lança um desafio para definir o ganhador. Um gênero é sorteado e os concorrentes precisam adaptar o roteiro.


A equipe vencedora Tô Chegando, composta pelos estudantes de cinema Diogo Ely de Oliveira, Raphael Lemos da Fonseca e Mariúcha Borges Pereira, não teve dificuldade nessa fase. Diogo conta que a trama do curta Jaz aqui a Liberdade já tinha uma certa carga de suspense. ‘É um drama que se passa no sertão nordestino e tem como personagens um casal de pobres castigados pela seca, uma moça bela e misteriosa e um grupo de cangaceiros’, diz. A trinca teve um dia para a pré-produção, o que significa encontrar locações e escalar atores. ‘Eu queria muito o Gustavo Falcão, que conheci quando estagiei nos sets de A Máquina’, diz Diogo. ‘E foi sorte ele ter topado no último instante.’ A produção então se deslocou para o município de Maricá, na Região dos Lagos, onde os cineastas acharam seu ‘sertão’. E então é dada a largada para as filmagens.


A equipe recebe todo o suporte técnico do canal, como câmeras, diretor de fotografia e de arte, além de um produtor executivo e a ilha de edição. ‘As 48 horas incluem o primeiro corte’, diz o idealizador do programa e diretor criativo da TNT para a América Latina, Ariel Guntern. ‘E vai ao ar o filme como está ao final das 48 horas, esteja tudo rodado ou não’, afirma. ‘Eles só podem fazer acertos na montagem, mas não adicionar novas cenas.’ Depois de três edições realizadas em São Paulo, desta vez Guntern decidiu conferir o talento dos cariocas, e ficou impressionado. ‘A dinâmica é diferente, eles são mais relaxados que os paulistas, mas também mostram garra quando a coisa aperta’, comenta. Além da mudança de gênero, a produção exigiu que incluíssem uma cena de praia (para a qual Diogo criou a seqüência do delírio de um dos personagens) e outra em um terreiro de macumba. ‘O pior nem foi isso, mas o fato de ter começado a chover e nossa história explorar justamente a falta d’água’, diz Diogo. A presença da equipe do reality show também é outro obstáculo, ainda que involuntário, já que as gravações são constantemente interrompidas para o apresentador entrevistar os participantes, que devem ficar à disposição do canal. A realidade é que eles têm muito menos que 48 horas para rodar o filme.


O Projeto 48 também é realizado na Argentina, Chile, Venezuela e México, e no ano que vem Guntern pretende abrir inscrições no Peru. ‘Além de ser uma iniciativa que viabiliza o sonho de muito amante do cinema, o reality show deixa o telespectador impressionado com o enorme trabalho que existe por trás das câmeras’, lembra. Ao todo, são cinco episódios que mostram desde o anúncio dos vencedores até o making of da filmagem. O curta já finalizado vai ao ar no dia 30, também às 19 horas.


(canais/operadoras: Directv, 509; NET, 48; Sky, 60; TVA, 50) Projeto 48. Episódio 1. Hoje, 19h (reapresentação: 6.ª, 0h30 e dom., 14h). TNT’



BAIXARIA NA TV


Taíssa Stivanin


‘Governo abre votação no site’, copyright O Estado de S. Paulo, 1/11/05


‘O Ministério da Justiça abriu um link em seu site para conhecer opiniões da população sobre a classificaçãoindicativa da programação de TV. Para votar, basta clicar no(http://www.mj.gov.br/classificacao/consultatv/default.htm). Por meio de um questionário de dez perguntas o internauta pode até mesmo exibir um modelo de tela de classificação que vai ao ar na TV e definir se isso deve entrar ou não durante a transmissão. A idéia é que até março as novas normas entrem em vigor para informar o conteúdo e a faixa etária de cada programa, imediatamente antes de ele ir ao ar. O Ministério da Justiça também tem realizado audiências públicas desde o dia 30 de setembro. As indicações serão divididas em seis níveis: inadequado para 10, 12, 14, 16, 18 anos, ou livre, a exemplo do modelo adotado na França. A adoção de uma classificação tem base na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente. É discutida por 18 representantes dos três poderes, emissoras de TV e entidades de defesa dos Direitos Humanos e da Criança e do Adolescente. O grupo foi criado em março deste ano. O debate vem ao encontro da discussão sobre a aplicação de uma medida provisória deliberada no ano passado. A lei determina que os aparelhos de TV que sejam vendidos a partir de 31 de outubro de 2006 tenham dispositivo que permita o bloqueio da programação considerada abusiva pelo telespectador.


EXCLUSÃO DE CANAIS


O governo estuda uma maneira de punir as emissoras que não respeitarem a classificação indicativa. Uma das hipóteses levantadas é deixar de veicular publicidade oficial. Hoje, quase todas as emissoras dependem financeiramente de propagandas oficiais – em alguns canais essa fatia chega a representar 49% dos anúncios.’


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